— Negócios, negócios, crianças a parte. - O Rei disse e logo em seguida veio uma alta risada. A risada dele foi a única ouvida. Decidi tentar controlar a vontade de revirar os olhos, mas não poderia dizer com certeza que consegui.
Ele manuseou a cabeça aos meus pais e a sua esposa e se afastou, deixando-me a sós com o príncipe. Não era algo que eu pudesse esperar, mas o príncipe estava visivelmente ainda mais nervoso do que eu, seus olhos verdes corriam por todo o salão e ele olhava para todos os lados, menos para mim.
— O palácio, é encantador. - Disse tentando quebrar o clima r**m que se instalava entre nós.
Ele assentiu, mas ainda permanecia em silêncio.
— Quantos anos tem? .- Perguntei, mesmo eu já soubesse.
Ele levantou os olhos me proporcionando uma ótima visão, e aquela, fora a primeira vez que me olhou.
— Farei dezoito na próxima lua. E a senhorita? - Ele abriu um fraco e pequeno sorriso.
— Fiz quinze, na lua retrasada. .- Respondi com os lábios torcidos.
Ele coçou a cabeça, passou a mão pelos cabelos e os deixou um pouco bagunçados. Seu cabelo não era como os dos demais cavalheiros, era um pouco maior do que o convencional, mas não tanto. Alguns fios caiam levemente sobre sua testa, e era de fato encantador.
— Hãm ... Minhas felicitações. Atrasadas, temo ... Bom, não sabia. - Ele disse desconcertado.
Eu assenti.
O príncipe não era bem o que eu imaginava, não se parecia nada com um libertino incorrigível - como meu pai já fora - ou com um arrogante de nariz em pé - como meu pai também já fora - por Deus, isso só podia significar que nunca seríamos felizes como meus pais, e não teríamos a sorte que eles tiveram em se amarem tanto. Mas céus, aonde eu estava com a cabeça? Balancei-a tentando afastar os pensamentos que me cercavam. Porquê diabos iria querer um marido libertino ou arrogante? De fato não estava planejando contrair uma doença em meu leito e tampouco ser maltratada.
— Princesa? .- Ele perguntou enquanto balançava as mãos na frente do meu rosto.
Senti minha pele queimar, por quanto tempo havia ficado perdida no tempo com a boca entreaberta? Cinco, dez minutos?
Ele riu.
Riu de verdade e eu apenas pude observá-lo. A poucos segundos atrás estava me perguntando se por um acaso o príncipe sabia se expressar, e agora ele simplesmente estava zombando de mim.
Plantei as duas mãos na cintura.
— Do que o senhor está rindo?
Ele balançou a cabeça em negativa enquanto tentava se manter de pé. O príncipe colocou a mão na barriga, porquê não conseguia parar de ri.
— A sua expressão, só estava ... Hilária.
Eu bufei.
— Não seja condescendente príncipe, oras.
Ele me fuzilou de volta. E se recompôs depois de respirar bem fundo.
— De forma alguma princesa. Perdoe-me. Permita-me mostrá-la o palácio?
Eu voltei minha atenção a ele, perguntando-me interiormente o que o fizera mudar de humor e personalidade tão rápido.
Por Deus, nunca havia visto algo tão estranho em toda a minha vida.
O príncipe enlaçou nossos braços e me guiou pelo castelo. Entramos em uma das primeiras portas a nossa frente. Era uma biblioteca gigantesca toda confeccionada em madeira e gigantescas estantes recheadas de livros.
— Esse é o meu lugar favorito do palácio. - Ele disse entusiasmado. Passeou os dedos pelo montão de livros empilhados. — Me atrevo a dizer que ao menos metade, eu já li. - Ele sorriu orgulhoso de si.
Entreabri os lábios. O lugar era gigantesco e haviam ali incontáveis livros.
— Jura?
Ele fez que sim com a cabeça enquanto um sorriso permanecia em seus lábios.
— Creio que também será o meu. - Eu disse rubra. Era um tanto quanto estranho pensar que em menos de dois anos aquele seria o meu lar.
— Tenho certeza que poderemos passar boas horas juntos aqui.
Se outrora estava rubra, agora como certeza estava extremamente vermelha, da mesma cor de um tomate. Dei de ombros.
— Mostre-me o jardim, príncipe? - Falei na expectativa de desviar o assunto.
— Claro, por aqui.
Assim como minha mãe, ao longo dos anos eu havia adquirido um grande amor por flores. E até mesmo conhecia um pouco delas - o que minha mãe havia me ensinado - assim como o restante da propriedade, o jardim também era ímpar. Que mamãe nunca me ouvisse dizer isso, mas se comparava facilmente ao nosso.
— É incrível. - Sussurrei admirada.
— Temos um excelente jardineiro.
— O nosso, mamãe mesmo tratou de cultivar por anos ... Bom, quando ela se mudou para lá, ele já existia, mas ela deu uma boa melhorada. Minha avó plantou lindas flores lá. - Eu disse melancólica. Tinha vastas lembranças de minha avó, mas os pequenos flesh's que tinha eram maravilhosos e os relatos de meus pais também.
— Não brinca ... Uma rainha? .- Ele perguntou pasmo me fazendo arquear as sobrancelhas.
— Exatamente, príncipe. E já lhe asseguro que não sou muito diferente.
Ele esboçou um sorriso, um sorriso que mostrava todos seus lindos dentes brancos e alinhados.
— Isso não será problema para nós. Podermos fazer um novo jardim, só para que todas as plantas sejam plantada por você, se assim for.
Eu assenti contente.
Ainda que eu o conhecesse a pouco mais de uma hora, ele estava se mostrando um ótimo rapaz e uma interessantíssima companhia.
Ele olhou para o céu, como se pudesse estipular a hora. E de algum modo, pareceu tê-lo feito.
— Devemos voltar, meus pais organizaram um jantar de boas vidas a você e sua família, não queremos perder, não é mesmo? Estou faminto. - Ele riu. — Venha.
Eu o segui sorridente e agradeci internamente pelo jantar enquanto torcia para que ele não ouvisse os roncos da minha barriga.