Não revisado;
Um dia, meu pai me disse: “Filho, não deixe as chances escaparem”. Ele me segurou em seus braços, eu o ouvi dizer: “Quando você ficar mais velho, seu coração selvagem viverá pela juventude. Pense em mim se algum dia sentir medo”. Ele disse: “Um dia você deixará este mundo para trás, então, viva uma vida da qual você irá se lembrar”.
Viva intensamente
”The Nights” — Avicii
Capítulo 1;
| Ashley Fontaine |
Carson City - Nevada
2007 - Seis anos antes
Mais um dia denominado normal em Carson City, acordei cedo e vesti uma roupa não muito quente, hoje eu e algumas amigas iríamos ao parque, e como lá tem uma quadra de basquete, sempre vamos apresentáveis, nunca se sabe quando um daqueles meninos bonitos e musculosos poderiam olhar para a gente.
Algumas das minhas amigas exageram na arrumação e acabam enchendo o rosto de maquiagem, e colocando umas roupas curtas ou coladas demais. Já eu, quase sempre opto por um vestido soltinho, rasteiras e cara limpa, nada melhor do que estar bem consigo mesma. Bom, pelo menos é o que eu acho.
- Tchau, mãe! - dou um beijo em seu rosto e a mesma sorri.
- Não chegue muito tarde, seu pai vem para o jantar. - diz sem deixar o sorriso morrer. - E como a desculpa dele é você, preciso que esteja aqui.
- Não se preocupe, a senhora sabe que eu não costumo demorar. - a mesma concorda e após sua autorização saio de casa em direção ao parque, que por sorte fica a uns cinco minutos da minha casa, então da para ir a pé.
Caminho calmante pelas ruas de Carson City, a cidade quase sempre é tranquila e sossegada, até porque. quem aprontaria aqui tendo a grande e luminosa Vegas bem ao lado? Acho que ninguém com o cérebro livre de nicotina. Passo em frente a sorveteria e a faço uma anotação mental.
Tomar um sorvete durante o passeio.
Continuo meu caminho e após mais alguns poucos passos chego ao maior parque da nossa não tão pequena cidade, mesmo a cidade sendo grande todos se conhecem ou já se viram, isso pelo menos uma vez na vida. E como não podia ser diferente, diversas pessoas que curtem aquele sábado ensolarado me cumprimentam, na maioria dos casos recebi um aceno ou um sorriso, mas algumas poucas senhorinhas que estavam presentes ali, faziam as coisas a moda antiga, e com isso quero dizer que as mesmas vinham até mim e dávamos um longo e apertado abraço, algo comum no meu ponto de vista.
Assim que chego a quadra de basquete, vejo minhas amigas sentadas na arquibancada meia boca que os próprios moradores construíram, a mesma não é de todo r**m, mas sem dúvidas não é como as das verdadeiras quadras. Me sento no espaço vazio entre elas, e vejo que a conversa ali já flui, espero o assunto rodar um pouco mais até que eu entenda sobre o que é falado e possa me intrometer na conversa. E após alguns minutos, chego a conclusão de que ainda estão na mesma, a família que acaba de se mudar, como eu disse antes, a cidade não é tão pequena, mas ainda sim todos se conhecem, o que significa que carne novo no mercado sempre é motivo de algazarra.
- Ouvi dizer que eles tem um filho. - Angelina comenta arrancando suspiros das nossas demais companheiras.
- Eu também soube, parece que o futuro herdeiro da rede de hotéis tem pouco mais de vinte anos. - diz Mia sorridente, arrancando mais suspiros.
- A quanto tempo estão nessa? - sussurro a pergunta para Emma, a única no g***o que realmente tem minha confiança.
- Desde que cheguei, e olha que fui a primeira. - nós duas rimos com a constatação, elas são realmente piradas.
- Será que ele pratica algum esporte? - Samantha pergunta curiosa. - Se sim, ele não vai deixar de aproveitar seu primeiro sábado aqui! - todas soltam seus gritinhos eufóricos e eu sorrio, apesar de isso ser muito estranho, é algo extremamente normal para mim, é assim que eu me sinto em casa.
(...)
O jogo está quase começando, a maioria dos caras que jogam aqui aos sábados, já estão na faculdade, e para nós que sequer saímos do colegial, isso é incrível! Eles são quase inalcançáveis, quase. Até porque, todas nós estamos paquerando um deles, e sim, eu também estou, e daqui, consigo ter uma visão privilegiada dele. Eduardo, ele é um dos melhores no basquete, mas não é alto o bastante para tentar ser profissional, no máximo ele tem 1,80, seus cabelos loiros são rebeldes, e de forma inconsciente ele sempre faz charme quando passa a mão no mesmo, o arrumando de forma desleixada, seu rosto é quase assimétrico, tudo muito bem alinhado, sua barba por fazer o deixa ainda mais sexy, o mesmo tem o maldito costume de alisar os poucos pelos que crescem ali, me fazendo delirar e imaginar coisas que não podem ser ditas na T em horário nobre.
Quase sempre o Eduardo está sem camisa, ou com suas regatas próprias para o jogo de basquete, deixando seus músculos sempre evidentes! Uau! Sem dúvidas ele é o mais próximo de um crush que eu já tive na vida, até porque os garotos do colégio não me enchem os olhos.
Olho em volta e só então percebo que nenhuma das minhas amigas estão ali, reviro os olhos. Outra vez me deixaram sozinha! Elas precisam parar com esse costume urgentemente, não aguento mais acabar sozinha nas nossas saídas. Sem ter muito o que fazer, decido continuar sentada ali, quem sabe elas não voltam logo, né?
E tão de repente quanto o sumiço das minhas amigas, sinto como se o ar que respiro ficasse suspenso, escuto uma respiração forte ao meu lado e me viro dando de cara com um... Homem, sim, e que homem! O mesmo levanta os olhos do chão calmamente, e quando meus olhos encontram os seus, sinto como se tudo a minha volta desaparecesse. Seus olhos azuis são profundos e carregam uma intensidade até então desconhecida por mim, ao mesmo tempo que aquele azul escuro é atrativo, ele parece frio e assustador. Mas como se o dono daquelas duas esferas em questão pudesse ler minha mente, um meio sorriso estica o canto de seus lábios, fazendo com que meu olhar recaía sobre eles.
- Olá, sou Ashley. - me apresento a ele tentando cortar aquele clima estranho que está se formando. O cara em questão contínua me encarando, como se analisasse sua mais nova pesquisa.
- Dante. - diz de forma irritada, não entendo o motivo, e entendo ainda menos o porquê de meu corpo estremecer ao ouvir a sua voz, rouca e metódica. Sorrio para ele tentando não parecer óbvia.
- Hm... mora aqui? - pergunto não por curiosidade, e sim porque não quero deixar a conversa morrer, quero ouvir sua voz de novo, e de novo, e de novo.
- A partir de agora, sim. - diz e da de ombros demostrando que aquele assunto não o interessa. - E você, nasceu e cresceu nessa cidade pacata? - franzo o cenho.
- Sim, mas nossa cidade não é pacata. - defendo sem dar muita atenção para o que ele irá dizer, eu amo essa cidade, ninguém que não nasceu aqui tem o direito de mau dizer.
- Carson City, parece o nome de algo esquecido. - ele diz e solta um riso amargo. - Você saberia do que estou falando se morasse na Califórnia. - é nesse momento que ele quebra o contato entre nossos olhos, o mesmo se vira para frente e começa a olhar o jogo que eu sequer percebi que havia começado.
- Imagino que você seja o tão comentado herdeiro dos Fonseca, certo? – o cara ao meu lado volta a me encarar e faz um biquinho como se estivesse pensando em algo.
— Estão comentando sobre mim? – assinto e ele ri balançando a cabeça em negativa logo em seguida. — É mesmo uma cidade pacata, eles espalham até a mudança de alguém. – é, de certa forma tenho que concordar com ele, em que outra cidade todos já saberiam da chegada dos Fonseca e de seu herdeiro? Acho que nenhuma.
— Gostamos de estar informados.
— Sei, aposto que a notícia saiu no jornal da cidade, certo? – como ele sabe?
— Bom... Na verdade, sim. – o mesmo solta um suspiro.
— Por quê está assistindo ao jogo? – pergunta de forma descontraída voltando a olhar para frente. — Seu namorado por acaso está alí? – um pequeno sorriso brota em meu rosto, será que ele está interessado em mim? Se bem que isso seria impossível, ele é podre de rico, e ainda por cima morava na Califórnia. E com essa beleza, deve ter pegado no mínimo metade das californianas.
— Namorado? – faço graça. — Tá mais pro meu, “Crush impossível”. — Dante ri e aponta para a quadra.
— Qual deles? – pergunta. É, agora ele me pegou desprevenida, eu não deveria contar a ele sobre o Eduardo né, imagina só se eles viram amigos e comentam sobre o fato?
— Não acho uma boa, se vocês virarem amigos, é provável que você conte sobre essa conversa para ele. – digo agora séria. — E eu sei que se ele não gostar de mim, vou acabar virando chacota dos seus amigos.
— Relaxa, Ashy. – Ashy? Como assim? Quem deu toda essa i********e? — Eu não faço amizades com esse tipo de cara.
— Que tipo de cara?
— O tipo que faz chacota de garotas, quem come calado, pode repetir o prato. – o mesmo sorri de canto e me lança uma piscadela. Eu não acredito que acabei de ouvir um cara dizer isso. Ainda mais o herdeiro dos Fonseca, que antes mesmo de ser conhecido já era desejado por todas as jovens daqui.
— Hm, achei que fizesse o estilo, badboy. – digo dando de ombros.
— Badboy? – pergunta divertido. — E qual a sua descrição disso?
— Bom, no básico você ama motos, gosta de cor preta ou mais escura possível, tem uma jaqueta de couro inseparável, e faz o estilo que acumula corações partidos, como uma criança acumula figurinhas. – após o fim do meu monólogo Dante ri, mas não de forma contida como tem feito das outras vezes, dessa vez ele ri de verdade, mais ri tanto, que põe a mão na barriga como se sentisse dor por tanto gargalhar
- Uau! – diz ainda se controlando. — Você é boa no chute. – o encaro sem entender o motivo do riso, se eu acertei ele deveria ter ficado surpreso, não? — Mas você errou, eu tenho mais de uma jaqueta de couro. – reviro os olhos e solto um risinho.
— Então tem muito corações partidos na lista? – pergunto apenas para reafirmar.
— Centenas deles, não quer ser a próxima? – pergunta com um tom brincalhão, dou um soco em seu braço e ele da um pequeno sorriso. — Talvez não seja tão chato morar aqui, todos são como você?
— Como? – pergunto me fazendo de desentendida. — Linda, engraçada, inteligente, ótima observadora, boa de papo e simplesmente maravilhosa? – ele ergue uma sobrancelha e sorri. — Não, mas são legais. Deve servir de algo, certo?
— Não, eu queria que todos fossem como você. – rimos mais uma vez e ele se levanta. — Tenho que ir, foi um prazer. – sorrio e vejo o mesmo se afastando, logo ele está fora do círculo que engloba o parque, e lá, na área destinada ao estacionamento, está sua moto. Preta e reluzente, tão grande quanto ele, é, o cara ama motos. Ele sobe na mesma com estilo e elegância, o mesmo a liga e ouço o ronco do motor ecoar, ele me olha uma última vez antes de por o capacete e sorri de lado, aceno para o mesmo e logo em seguida ele acelera.