Prólogo
Não revisado;
Pensar que um dia tudo vai se repetir tal como foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato?
- Milan Kindera
Prólogo;
| Ashley Fontaine |
Nova Iorque - Nova Iorque
2013 - Atualmente
- O passado sempre volta, certo? - ao ouvir aquela voz todas as barreiras que criei com tanto afinco para mantê-lo longe de mim, foram derrubadas.
Me viro depressa e o que vejo se encaixa perfeitamente com o tom de voz metódico e frio, aqueles olhos azuis nunca foram tão penetrantes, lembro-me bem de quando ficávamos assim, frente a frente, meu corpo tremeu ao relembrar o passado. Eu nada havia esquecido! Mas eu tentei esquecer, tentei tirar tudo da minha memória de mil maneiras diferentes, usei todas as minhas forças para isso, passei tantas noites em claro chorando, que seria impossível conta-las apenas com os dez dedos da minha mão.
Estando diante dele novamente, é como se o tempo não tivesse passado, como se eu não tivesse sofrido com sua ausência por seis longos anos, fico inerte por alguns minutos que mais pareceram horas, o passado vem a tona quando menos esperamos. Mas antes que eu realmente conseguisse me afundar outra vez, sinto a mão quente e macia do meu atual companheiro e futuro marido na minha cintura, meu corpo não rejeita o seu toque, mas meu coração implora por outras mãos, mãos que um dia me fizeram conhecer o céu, para logo depois me apresentar ao inferno.
- Querida, está tudo bem? - a voz calma e amorosa de Johnny muda todo o rumo que meus pensamentos estavam tomando, respiro fundo reunindo forças para encarar o inepto diante de mim sem deixar que o homem ao meu lado perceba meu rancor. - Você me parece um pouco pálida. - concluie preocupado.
- Está sim, amor. - respondo sorrindo e foco minha visão no verde dos seus olhos, calmos e transparentes, sua expressão que até então era de preocupação se suaviza e ele retribue meu sorriso.
- Isso é bom. - o mesmo desvia seus olhos dos meus e os foca no homem a nossa frente, meu sorriso morre e tenho de que ele me questione sobre quem é ele, mas o que acontece é muito diferente, e sim, me faz querer arrancar os meus cabelos. - Querida, deixa-me te apresentar ao Dante, um amigo de infância.
Ok, o meu mundo acabou de parar.
Amigo de infância? Sério isso?
A vida deve estar de palhaçada, será algum tipo de deboche?
- É prazer conhecê-la, senhorita. - diz com um largo sorriso e estende a mão para um cumprimento. Na visão da maioria das pessoas ele está cordial e agradável, mas na minha, ele está sendo um cínico miserável, um sem escrúpulos, como sempre foi.
Mas dois podem jogar esse jogo.
- O prazer é todo meu, Dante. - me limito a apertar sua mão rapidamente e me manter afastada, ficando abraçada com Johnny, o gesto para ele é inocente e comum, então o mesmo me abraça de volta me mantendo perto de si.
A conversa entre os dois flui de uma maneira agradável, os dois rieem e relembram seus bons momentos juntos, e eu, bom, eu apenas sinto v*****e de colocar meu almoço para fora toda vez que o i*****l do Dante abre aquela sua boca suja para brincar com o Johnny. Meu noivo parece alheio a tudo a sua volta, é como se a companhia daquele homem o deixasse feliz, fizesse com que ele se sentisse em casa, e toda vez que meu cérebro constatava isso, algo dentro de mim se quebrava, como vou viver de tiver que conviver com ele? Não, isso n******e acontecer, eu não fugi do meu passado atoa, eu não abandonei em Nevada para que tudo voltasse a acontecer aqui. Já sem forças para continuar ali, decido escapar, nem que seja por alguns minutos, e não a noite inteira.
- Me perdoem, rapazes, mas preciso ao toalete. - os dois assentam e depressa me afasto deles, assim que vejo o corredor que da acesso ao banheiros, aperto o passo, abro a porta e entro no mesmo rapidamente fechado a mesma, agora que estou sozinha preciso pensar, não posso deixar que a simples aparição do Dane acabe com tudo que construí nos últimos seis anos. - Não posso! - digo em voz alta e ligo a torneira da pia, abaixo o rosto ficando na altura da mesma e em seguida e passo a mão molhada em minha nuca, preciso aliviar essa tensão que está tomando conta do meu corpo, preciso deixar o passado no passado.
De repente sinto uma mão contornar a minha cintura, em seguida apertá-la, transmitindo um calor estranho e me causando arrepios. Me viro para trás depressa e dou de cara com um par de olhos verdes, que mais se parecem duas esmeraldas, o homem a minha frente é tão alto quanto Dante, tão forte quanto ele, e ainda mais tatuado que o mesmo, ele me olha de cima a baixo e da um sorriso de canto.
— Ora, ora, se não é a doce e inocente Ashley. – um arrepios percorre meu corpo ao escutar aquela voz, a mesma que trancafiei em minha memória, junto com Dante. — É um imenso prazer, revê-la. Imagino que já tenha encontrado com o Dante, certo?
— O que você quer, Nero? – rosno as palavras fazendo com que uma gargalhada escape de sua garganta.
— No momento nada, mas quem sabe em outra ocasião... – diz e passa novamente os olhos pelo meu corpo. — Nós não possamos relembrar os velhos tempos.
— Não existe velhos tempos! – digo firme. — E fique longe de mim, tanto você quanto o i*****l do Dante.
— Isso será um problema, já que ambos somos apaixonados por você, florzinha. – o sorriso de lado volta a brotar em seus lábios, reviro os olhos e tenho v*****e de soca-lo. Sinto sua mão descer um pouco mais alcançando meu quadril, e logo ela está na minha b***a, tento fazer algo, mas meu corpo simplesmente trava. Ele sorri e se aproxima um pouco mais depositando um beijo em meu pescoço e apertando minha b***a em seguida. — Você está ainda mais linda, e gostosa. – diz e se vira logo saindo do banheiro, solto todo o ar que estava guardando.
Porquê esses dois tinham que voltar? Que diabos eu fiz para merecer isso? Fecho os olhos e respiro fundo tentando voltar ao normal, em seguida saio do banheiro repetindo um mantra que tive que criar para sobreviver a eles.
Isso não aconteceu.
Isso não aconteceu.
Isso. Não. Aconteceu!