Ombro amigo

2376 Words
A torcida gritava apoio, enquanto os colegiais competiam na quadra. Embora Do-Yun estivesse sendo de grande auxilio para o time, seus pensamentos prendiam se no paradeiro da amiga, que não havia aparecido até então. A bola passava de mão em mão, e os participantes esgueiravam se para não perdê-la, o jogo estava sendo difícil. O juiz apitou, avisando o intervalo para o último tempo. Até agora, a equipe da casa estava com vantagem. Yun pegou sua toalha e a garrafa de água, indo em direção o banheiro para se refrescar. Talvez uma água no rosto o tirasse dos devaneios. Seguiu para o banheiro do ginásio, e outros do time o acompanharam. – O troféu já é nosso! – Gritou um dos colegas, na medida que molhava o rosto. – Tome cuidado com o número cinco, ele está te marcando. O dezesseis não sai da minha cola. – Um garoto loiro respondeu. Do-Yun preferiu não dar continuidade a tal conversa, e começou a caminhar para a saída, até ser interrompido. – Yun, vamos sair para beber depois do jogo. Quer ir? – Não, valeu. – Disse se virando para os amigos, sorrindo meio sem graça. – Deixe me pensar, vai estudar de novo? Isso tudo é para impressionar a brasileira? – O loiro gargalhou. Por um momento, Do teve de respirar. – Está com medo que ela descubra sobre ter repetido? Relaxa, brasileiras são quentes, prostitutas não ligam para isso. – O maior provocou novamente. – Não sei, por que não pergunta para a Mina? – Yun retrucou, fuzilando com um olhar nervoso. Ana assim que entrou no colégio, começou a procurar pelo amigos. Ele não estava na ginássio, e muito menos em alguma sala de aula. Vendo a preocupação da garota, uma estudante se aproximou, e perguntou o que procurava. Os trações faciais de Luiza chamavam a atenção, ela era diferente de todos ali. – Estou procurando o Do-Yun, sabe onde posso encontrá-lo? – Oh, ele está na enfermaria. Não vai jogar hoje. – A estudante respondeu simpática. – O que aconteceu? – A preocupação no rosto de Ana era evidente. – Não sei muito. Você é coreana? – Não. – Sorriu – Sou brasileira, percebeu pelo sotaque? – Sim, e seu rosto. É muito bonito. – A menina elogiou. – Obrigada. – Você é a garota que todos falam? – Como assim? – Luiza estava sem graça. – Dizem que o Do-Yun saiu do g***o da Dahye por causa de uma garota. Então ele começou a estudar, e hoje é um dos primeiros do colégio. Ana ficou surpresa com a afirmação. A conversa continuava a medida que caminhavam para onde o garoto estava. – E como ele era? – A brasileira perguntou. – Ele namorava Dahye. E juntos faziam muita coisa, menos estudar. Ouvi falar que o Yun traiu ela com essa garota. Ana suspirou com os olhos arregalados. Era difícil engolir os boatos. – Não acho que Do-Yun seja esse tipo de pessoa. – Tenho pena da mãe dele. Se ele já é assim no colégio, imagine em casa. Ana riu. – Por que está rindo? – A estudante não entendeu. – Lembrei de algumas coisas do Brasil. Nada demais. – Oh, tudo bem. E cuidado com a Dahye, ela é assustadora. – Por que? – Meu colega me disse que ela está caçando essa garota. – Ela também está o ultimo ano? – Não, um ano mais nova. – Entendi. Agora, em frente a porta da sala. Ana e a estranha se reverenciaram. – Obrigada... – Luiza procurou o nome da garota por um segundo. – Oh, Hyeri. Jong Hyeri. E o seu? – Ana. – Foi um prazer, Ana. Até logo! – Até! Na enfermaria, a responsável cuidava de rostos inchados. Do-Yun segurava uma compressa sobre a bochecha inflamada, enquanto a enfermeira terminava o curativo sobre um pequeno corte na boca. Ana Luiza apareceu na porta, preocupada. O garoto logo abaixou a cabeça, envergonhado. – Está tudo bem? – A menor se aproximou do moreno, olhando o nos olhos, e depois direcionando a atenção para o machucado. Yun apenas balançou a cabeça. – Pensei que você fosse bom no basquete, mas parece que é pior do que eu jogando. – A morena começou a rir. O garoto soltou um sorriso. – Ele e o amigo aqui estavam brigando, agora estão suspensos do jogo. – Reclamou a enfermeira. – Oh, entendo. Obrigada por sua ajuda, senhora. – Luiza fez reverência, e a mulher soltou um sorriso. – Ele já pode sair? – Sim. Ele deve trocar os curativos uma vez ao dia, e lavar o machucado. Deve melhorar em três dias. Ana agradeceu novamente, e estendeu a mão para Yun. O garoto se levantou sozinho. Os dois saíram pela porta, caminhando lado a lado. – Vai ficar calado pelo resto do caminho? – Perguntou a garota, sorrindo. – Eu te esperei o dia todo. – Oh, desculpe. Tive alguns contratempos. – Poderia ter me ligado. – Hey, estou aqui. Não estou? – Parou na frente do garoto. Yun suspirou e revirou os olhos. – Está. – Então, já que você n******e jogar, vamos sair para comer. – Ana se recostou sobre o ombro do moreno, e se segurou em seu braço. – Eu pago. Yun saiu do colégio, já com outra roupa. Com uma camiseta amarela, e uma jaqueta breta por cima. Calças jeans e o mesmo velho all star. Desceram no metro principal, pegaram um dos trens e se sentaram lado a lado. – Quando iria me contar sua história pós garota brasileira? – Ana perguntou. – Então você ouviu os rumores. – Ele sorriu, evitando olhar para a amiga. – Sim, e com detalhes. O que fez deixar todos os seus amigos? – Queria estudar, eles não. As coisas ficam difíceis quando você não tem alguém para apoiá-lo. – Deixe me adivinhar. Você queria estudar matemática, e eles a composição do Soju? – Os dois riram com a resposta da garota. – Exatamente. Eles também gostavam de probabilidades, como qual seria a de serem pegos pelos pais pulando as janelas as três da madrugada. – Ótimo começo, os cientistas do futuro. – E então decidiu estudar comigo? – Continuou Ana. – Na verdade, já estava estudando. – Yun a olhou nos olhos. – Oh. – As bochechas da garota coraram. – Minha mãe as vezes pergunta o que aconteceu comigo, e acha estranho me ver estudando. – Espere até ela começar a cobrar que você estude. – Como? – "Não estou vendo você estudar, vou deixá-lo de castigo". – Luiza simulou uma voz diferente, enquanto entrava no papel. Do-Yun não parava de rir. – O que mais ouviu sobre min? – Perguntou ele. – Hum – Levou a mão ao queixo. – Como é ter um caso com uma brasileira? – Wo, não acredito que chegaram nesse ponto. – O garoto balançou cabeça, comprimindo os olhos; – A Dahye deve ter inventado isso. – Continuou ele, com a voz serena. – Ela não aceitou bem as coisas. – Poderia ter me contado, eu poderia ajudar. – Sobre o que? – Seu namoro, os boatos. Você deve estar com uma má reputação. – Ei, eu escolhi isso. Sabia das consequências; E sobre a Dahye, queríamos coisas diferentes. – Fez muitas escolhas, senhor Do-Yun. – Luiza não soube continuar. A parada do trem, os levou para longe do colégio. O par desceu na estação, e seguiram para uma lanchonete famosa da capital. Não muito lotada, conseguiram pegar uma mesa perto da vidraça. Agora sentados um em frente ao outro, os dois conversavam. – Vai me contar por que se atrasou? – Yun fez a primeira pergunta. – Promete não me m***r? – Tentarei. – Levantou uma das mãos, como se fizesse um juramento. – Eu cheguei no seu colégio cedo, e o Hiroki estava lá. – Como? – Do espantou-se. – Eu não sei, mas ele estava. E me pediu para entrar no carro, e disse que queria conversar. – Por favor, me diga que você não foi. – O garoto respirou fundo, e apertou os punhos. – Eu precisava ouvir o que ele tinha a dizer, Yun. – Ana, você não sabe quase nada sobre ele. Aquele cara poderia ter feito qualquer coisa! – Mas não fez, está bem? Você disse que não ficaria bravo. – Desculpa – respirou fundo novamente – não confio nele. E pelo que já me contou, é um i*****l. Tente entender meu lado. – O Hiro me levou em um levou em um lugar distante. E tentou me explicar algumas coisas, e – Parou por um segundo. – E? – Disse que gostava de min. Depois daquelas palavras, Yun não queria ouvir mais nada. Estava magoado, era difícil respirar. – Aquele cara é inacreditável. E você deve estar feliz com isso. – Disse Yun. – O que está insinuando? – Teve o que queria, agora vai ficar com ele. Não era isso? – É isso que pensa de min? – Não posso pensar em outra coisa. Me falou mil vezes dele, do jeito que ele desapareceu. E quando aparece na rua, de um modo estranho, você aceita sem pensar duas vezes. A vida não é um conto de fadas, Ana. – Não diga o que você não sabe! – Então me explique! – Os dois pareciam crianças discutindo. – Pensei muito antes de entrar naquele carro, e tive um dia divertido. E eu precisa ouvir o que ele tinha a dizer. – Porque gosta dele. – Não, porque queria uma explicação. – E não respondi quando ele se declarou para min. – Continuou ela. – Por que? Queria me avisar antes? Era isso? – Eu não gosto dele, Yun. Não da mesma forma que ele. Do-Yun teve de se segurar, não sabia o que estava sentindo naquele momento. – Preciso de ajuda porque não sei como contar isso a ele. – Ana olhou para a mesa, um pouco envergonhada. – O que te fez mudar de ideia? Pelo que me lembro, você ainda gostava dele até o ultimo dia na biblioteca. – Vai me ajudar ou não? – Vou falar com ele. – Yun respondeu. Ana pensou um instante. – Não precisa, isso é comigo. – Quer que eu vá com você? – O mais velho se preocupou. – Melhor não. A refeição durou até as nove da noite. Depois do momento tenso, os amigos conversaram sobre os vestibulares que Yun iria fazer na próxima, semana. E estava muito animado para isso. Agora, em frente ao prédio. Os dois se despediam, as estrelas cobriam o céu, mesmo que ofuscadas pela poluição luminosa dos postes. – Obrigada pelo dia. Foi divertido. – Disse Ana, e braços cruzados, na porta do prédio. – Está perdoada pelo atraso, mas não se faça de maluca de novo. – O garoto sorriu. – Tem certeza que não quer entrar? – Sim, minha mãe vai ficar brava se eu demorar. Pode pensar que estou fazendo coisas erradas de novo. – Não queremos deixá-la brava. Yun balançou a cabeça, com as mãos nos bolsos da jaqueta. – Me mande mensagem quando em casa. – Continuou ela. – Pode deixar. – Do já estava se virando para ir embora. Ana o via se afastar, aos poucos. A noite parecia incompleta, seus sentimentos não haviam sido completamente verdade. – Do-Yun. – Disse quase em sussurro. – Hum? – Ele se virou para ela, ainda distante. – Quando me perguntou sobre o que me fez mudar de ideia em r*****o ao Hiro – Parou por um momento. – Foi você, gosto de você. – Ana Finalizou. Os corações aceleraram, Yun estava sem resposta. – Preciso ir, já está tarde. – Foram as ultimas palavras do garoto. No apartamento, Fabíola e Adrielly faziam as unhas enquanto ouviam podcasts sobre curiosidades humanas. Era uma bela noite, e o cheiro de uma lasanha improvisada se alastrava pela casa. Ana entrou pela porta, a fechou. E se debruçou sobre ela, em uma cara de manha. – Ana? Você está bem? – A ruiva se aproximou, preocupada. – Eu tive o dia mais horrivel da minha vida. – Começou a chorar. – Fui sincera, ouvi o que o Hiro queria dizer. – Continuou ela. Agora com as mãos sobre o rosto. – Por que nada pode dar certo para min? Por que eu estraguei tudo. – Ei, Ana. Calma, vai ficar tudo bem. – Adrielly a envolveu em um abraço. Fabíola apareceu com uma caneca com chá, e biscoitos. – Quer desabafar? – Disse a cacheada. A mais nova explicou toda a situação, aos prantos. Quando as outras soubera, ficaram extremamente preocupadas. – Uou, isso realmente foi um grande dia. – A ruiva arregalou os olhos, olhando para o chão. Aquilo parecia um filme. – Amiga, eu sei que queria ouvir o que o Hiro tinha a dizer, mas você n******e entrar no carro de qualquer um. – Explicou Fabíola. – Me promete que não vai fazer mais isso? – A morena estava preocupada. Ana balançou a cabeça, engolindo o choro. – E sobre o Yun, deve ter sido repentino. Você não pediu que o Hiro esperasse? – Disse Adrielly. – Sim. – Então, o Do-Yun também precisa de tempo para pensar. – Obrigada por me ouvirem, isso estava me sufocando. – Ana respondeu. – E vocês? Como foi o dia? – Perguntou a menor. – Fabíola agora idolatra a Bae. – A ruiva riu. – Por que? – Ela pegou o número do Hoseok, e guardou para min! – A cacheada deu um rodopio. – Jura? – Ana ficou animada. – E você já ligou para ele? – Ainda não, tenho que pensar no que vou dizer. – Que tal, alô, penso em você todo dia enquanto escovo os dentes? – Brincou, Adrielly. – Será que ele vai me reconhecer? – Tenho certeza que vai. Vai ter bem mais sorte que eu. – Não diz isso, Nalu! – A cacheada deu um t**a nas costas da amiga. Enquanto conversavam o celular da mais nova vibrou, notificando a chegada de uma mensagem. Ana pegou o aparelho, e logo correu para o chat. Era Do-Yun. Preciso me concentrar para os testes. Pode me encontrar semana que vem no dia do resultado?
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