A torcida gritava apoio, enquanto os colegiais competiam na quadra. Embora Do-Yun estivesse sendo de grande auxilio para o time, seus pensamentos prendiam se no paradeiro da amiga, que não havia aparecido até então.
A bola passava de mão em mão, e os participantes esgueiravam se para não perdê-la, o jogo estava sendo difícil.
O juiz apitou, avisando o intervalo para o último tempo. Até agora, a equipe da casa estava com vantagem. Yun pegou sua toalha e a garrafa de água, indo em direção o banheiro para se refrescar. Talvez uma água no rosto o tirasse dos devaneios.
Seguiu para o banheiro do ginásio, e outros do time o acompanharam.
– O troféu já é nosso! – Gritou um dos colegas, na medida que molhava o rosto.
– Tome cuidado com o número cinco, ele está te marcando. O dezesseis não sai da minha cola. – Um garoto loiro respondeu.
Do-Yun preferiu não dar continuidade a tal conversa, e começou a caminhar para a saída, até ser interrompido.
– Yun, vamos sair para beber depois do jogo. Quer ir?
– Não, valeu. – Disse se virando para os amigos, sorrindo meio sem graça.
– Deixe me pensar, vai estudar de novo? Isso tudo é para impressionar a brasileira? – O loiro gargalhou.
Por um momento, Do teve de respirar.
– Está com medo que ela descubra sobre ter repetido? Relaxa, brasileiras são quentes, prostitutas não ligam para isso. – O maior provocou novamente.
– Não sei, por que não pergunta para a Mina? – Yun retrucou, fuzilando com um olhar nervoso.
Ana assim que entrou no colégio, começou a procurar pelo amigos. Ele não estava na ginássio, e muito menos em alguma sala de aula. Vendo a preocupação da garota, uma estudante se aproximou, e perguntou o que procurava. Os trações faciais de Luiza chamavam a atenção, ela era diferente de todos ali.
– Estou procurando o Do-Yun, sabe onde posso encontrá-lo?
– Oh, ele está na enfermaria. Não vai jogar hoje. – A estudante respondeu simpática.
– O que aconteceu? – A preocupação no rosto de Ana era evidente.
– Não sei muito. Você é coreana?
– Não. – Sorriu – Sou brasileira, percebeu pelo sotaque?
– Sim, e seu rosto. É muito bonito. – A menina elogiou.
– Obrigada.
– Você é a garota que todos falam?
– Como assim? – Luiza estava sem graça.
– Dizem que o Do-Yun saiu do g***o da Dahye por causa de uma garota. Então ele começou a estudar, e hoje é um dos primeiros do colégio.
Ana ficou surpresa com a afirmação. A conversa continuava a medida que caminhavam para onde o garoto estava.
– E como ele era? – A brasileira perguntou.
– Ele namorava Dahye. E juntos faziam muita coisa, menos estudar. Ouvi falar que o Yun traiu ela com essa garota.
Ana suspirou com os olhos arregalados. Era difícil engolir os boatos.
– Não acho que Do-Yun seja esse tipo de pessoa.
– Tenho pena da mãe dele. Se ele já é assim no colégio, imagine em casa.
Ana riu.
– Por que está rindo? – A estudante não entendeu.
– Lembrei de algumas coisas do Brasil. Nada demais.
– Oh, tudo bem. E cuidado com a Dahye, ela é assustadora.
– Por que?
– Meu colega me disse que ela está caçando essa garota.
– Ela também está o ultimo ano?
– Não, um ano mais nova.
– Entendi.
Agora, em frente a porta da sala. Ana e a estranha se reverenciaram.
– Obrigada... – Luiza procurou o nome da garota por um segundo.
– Oh, Hyeri. Jong Hyeri. E o seu?
– Ana.
– Foi um prazer, Ana. Até logo!
– Até!
Na enfermaria, a responsável cuidava de rostos inchados. Do-Yun segurava uma compressa sobre a bochecha inflamada, enquanto a enfermeira terminava o curativo sobre um pequeno corte na boca.
Ana Luiza apareceu na porta, preocupada. O garoto logo abaixou a cabeça, envergonhado.
– Está tudo bem? – A menor se aproximou do moreno, olhando o nos olhos, e depois direcionando a atenção para o machucado.
Yun apenas balançou a cabeça.
– Pensei que você fosse bom no basquete, mas parece que é pior do que eu jogando. – A morena começou a rir.
O garoto soltou um sorriso.
– Ele e o amigo aqui estavam brigando, agora estão suspensos do jogo. – Reclamou a enfermeira.
– Oh, entendo. Obrigada por sua ajuda, senhora. – Luiza fez reverência, e a mulher soltou um sorriso. – Ele já pode sair?
– Sim. Ele deve trocar os curativos uma vez ao dia, e lavar o machucado. Deve melhorar em três dias.
Ana agradeceu novamente, e estendeu a mão para Yun. O garoto se levantou sozinho.
Os dois saíram pela porta, caminhando lado a lado.
– Vai ficar calado pelo resto do caminho? – Perguntou a garota, sorrindo.
– Eu te esperei o dia todo.
– Oh, desculpe. Tive alguns contratempos.
– Poderia ter me ligado.
– Hey, estou aqui. Não estou? – Parou na frente do garoto.
Yun suspirou e revirou os olhos.
– Está.
– Então, já que você n******e jogar, vamos sair para comer. – Ana se recostou sobre o ombro do moreno, e se segurou em seu braço. – Eu pago.
Yun saiu do colégio, já com outra roupa. Com uma camiseta amarela, e uma jaqueta breta por cima. Calças jeans e o mesmo velho all star.
Desceram no metro principal, pegaram um dos trens e se sentaram lado a lado.
– Quando iria me contar sua história pós garota brasileira? – Ana perguntou.
– Então você ouviu os rumores. – Ele sorriu, evitando olhar para a amiga.
– Sim, e com detalhes. O que fez deixar todos os seus amigos?
– Queria estudar, eles não. As coisas ficam difíceis quando você não tem alguém para apoiá-lo.
– Deixe me adivinhar. Você queria estudar matemática, e eles a composição do Soju? – Os dois riram com a resposta da garota.
– Exatamente. Eles também gostavam de probabilidades, como qual seria a de serem pegos pelos pais pulando as janelas as três da madrugada.
– Ótimo começo, os cientistas do futuro.
– E então decidiu estudar comigo? – Continuou Ana.
– Na verdade, já estava estudando. – Yun a olhou nos olhos.
– Oh. – As bochechas da garota coraram.
– Minha mãe as vezes pergunta o que aconteceu comigo, e acha estranho me ver estudando.
– Espere até ela começar a cobrar que você estude.
– Como?
– "Não estou vendo você estudar, vou deixá-lo de castigo". – Luiza simulou uma voz diferente, enquanto entrava no papel.
Do-Yun não parava de rir.
– O que mais ouviu sobre min? – Perguntou ele.
– Hum – Levou a mão ao queixo. – Como é ter um caso com uma brasileira?
– Wo, não acredito que chegaram nesse ponto. – O garoto balançou cabeça, comprimindo os olhos; – A Dahye deve ter inventado isso. – Continuou ele, com a voz serena. – Ela não aceitou bem as coisas.
– Poderia ter me contado, eu poderia ajudar.
– Sobre o que?
– Seu namoro, os boatos. Você deve estar com uma má reputação.
– Ei, eu escolhi isso. Sabia das consequências; E sobre a Dahye, queríamos coisas diferentes.
– Fez muitas escolhas, senhor Do-Yun. – Luiza não soube continuar.
A parada do trem, os levou para longe do colégio. O par desceu na estação, e seguiram para uma lanchonete famosa da capital. Não muito lotada, conseguiram pegar uma mesa perto da vidraça.
Agora sentados um em frente ao outro, os dois conversavam.
– Vai me contar por que se atrasou? – Yun fez a primeira pergunta.
– Promete não me m***r?
– Tentarei. – Levantou uma das mãos, como se fizesse um juramento.
– Eu cheguei no seu colégio cedo, e o Hiroki estava lá.
– Como? – Do espantou-se.
– Eu não sei, mas ele estava. E me pediu para entrar no carro, e disse que queria conversar.
– Por favor, me diga que você não foi. – O garoto respirou fundo, e apertou os punhos.
– Eu precisava ouvir o que ele tinha a dizer, Yun.
– Ana, você não sabe quase nada sobre ele. Aquele cara poderia ter feito qualquer coisa!
– Mas não fez, está bem? Você disse que não ficaria bravo.
– Desculpa – respirou fundo novamente – não confio nele. E pelo que já me contou, é um i*****l. Tente entender meu lado.
– O Hiro me levou em um levou em um lugar distante. E tentou me explicar algumas coisas, e – Parou por um segundo.
– E?
– Disse que gostava de min.
Depois daquelas palavras, Yun não queria ouvir mais nada. Estava magoado, era difícil respirar.
– Aquele cara é inacreditável. E você deve estar feliz com isso. – Disse Yun.
– O que está insinuando?
– Teve o que queria, agora vai ficar com ele. Não era isso?
– É isso que pensa de min?
– Não posso pensar em outra coisa. Me falou mil vezes dele, do jeito que ele desapareceu. E quando aparece na rua, de um modo estranho, você aceita sem pensar duas vezes. A vida não é um conto de fadas, Ana.
– Não diga o que você não sabe!
– Então me explique! – Os dois pareciam crianças discutindo.
– Pensei muito antes de entrar naquele carro, e tive um dia divertido. E eu precisa ouvir o que ele tinha a dizer.
– Porque gosta dele.
– Não, porque queria uma explicação.
– E não respondi quando ele se declarou para min. – Continuou ela.
– Por que? Queria me avisar antes? Era isso?
– Eu não gosto dele, Yun. Não da mesma forma que ele.
Do-Yun teve de se segurar, não sabia o que estava sentindo naquele momento.
– Preciso de ajuda porque não sei como contar isso a ele. – Ana olhou para a mesa, um pouco envergonhada.
– O que te fez mudar de ideia? Pelo que me lembro, você ainda gostava dele até o ultimo dia na biblioteca.
– Vai me ajudar ou não?
– Vou falar com ele. – Yun respondeu.
Ana pensou um instante.
– Não precisa, isso é comigo.
– Quer que eu vá com você? – O mais velho se preocupou.
– Melhor não.
A refeição durou até as nove da noite. Depois do momento tenso, os amigos conversaram sobre os vestibulares que Yun iria fazer na próxima, semana. E estava muito animado para isso.
Agora, em frente ao prédio. Os dois se despediam, as estrelas cobriam o céu, mesmo que ofuscadas pela poluição luminosa dos postes.
– Obrigada pelo dia. Foi divertido. – Disse Ana, e braços cruzados, na porta do prédio.
– Está perdoada pelo atraso, mas não se faça de maluca de novo. – O garoto sorriu.
– Tem certeza que não quer entrar?
– Sim, minha mãe vai ficar brava se eu demorar. Pode pensar que estou fazendo coisas erradas de novo.
– Não queremos deixá-la brava.
Yun balançou a cabeça, com as mãos nos bolsos da jaqueta.
– Me mande mensagem quando em casa. – Continuou ela.
– Pode deixar. – Do já estava se virando para ir embora.
Ana o via se afastar, aos poucos. A noite parecia incompleta, seus sentimentos não haviam sido completamente verdade.
– Do-Yun. – Disse quase em sussurro.
– Hum? – Ele se virou para ela, ainda distante.
– Quando me perguntou sobre o que me fez mudar de ideia em r*****o ao Hiro – Parou por um momento.
– Foi você, gosto de você. – Ana Finalizou.
Os corações aceleraram, Yun estava sem resposta.
– Preciso ir, já está tarde. – Foram as ultimas palavras do garoto.
No apartamento, Fabíola e Adrielly faziam as unhas enquanto ouviam podcasts sobre curiosidades humanas. Era uma bela noite, e o cheiro de uma lasanha improvisada se alastrava pela casa.
Ana entrou pela porta, a fechou. E se debruçou sobre ela, em uma cara de manha.
– Ana? Você está bem? – A ruiva se aproximou, preocupada.
– Eu tive o dia mais horrivel da minha vida. – Começou a chorar.
– Fui sincera, ouvi o que o Hiro queria dizer. – Continuou ela. Agora com as mãos sobre o rosto.
– Por que nada pode dar certo para min? Por que eu estraguei tudo.
– Ei, Ana. Calma, vai ficar tudo bem. – Adrielly a envolveu em um abraço.
Fabíola apareceu com uma caneca com chá, e biscoitos.
– Quer desabafar? – Disse a cacheada.
A mais nova explicou toda a situação, aos prantos. Quando as outras soubera, ficaram extremamente preocupadas.
– Uou, isso realmente foi um grande dia. – A ruiva arregalou os olhos, olhando para o chão. Aquilo parecia um filme.
– Amiga, eu sei que queria ouvir o que o Hiro tinha a dizer, mas você n******e entrar no carro de qualquer um. – Explicou Fabíola.
– Me promete que não vai fazer mais isso? – A morena estava preocupada.
Ana balançou a cabeça, engolindo o choro.
– E sobre o Yun, deve ter sido repentino. Você não pediu que o Hiro esperasse? – Disse Adrielly.
– Sim.
– Então, o Do-Yun também precisa de tempo para pensar.
– Obrigada por me ouvirem, isso estava me sufocando. – Ana respondeu.
– E vocês? Como foi o dia? – Perguntou a menor.
– Fabíola agora idolatra a Bae. – A ruiva riu.
– Por que?
– Ela pegou o número do Hoseok, e guardou para min! – A cacheada deu um rodopio.
– Jura? – Ana ficou animada. – E você já ligou para ele?
– Ainda não, tenho que pensar no que vou dizer.
– Que tal, alô, penso em você todo dia enquanto escovo os dentes? – Brincou, Adrielly.
– Será que ele vai me reconhecer?
– Tenho certeza que vai. Vai ter bem mais sorte que eu.
– Não diz isso, Nalu! – A cacheada deu um t**a nas costas da amiga.
Enquanto conversavam o celular da mais nova vibrou, notificando a chegada de uma mensagem.
Ana pegou o aparelho, e logo correu para o chat. Era Do-Yun.
Preciso me concentrar para os testes. Pode me encontrar semana que vem no dia do resultado?