Dolorosa verdade

2269 Words
A água preenchia o copo vazio em cima da pia. Haram esperava impaciente pela chegada de seu companheiro, ainda precisava endireitar muitas coisas antes da viagem para Jeju, e isso a estava a enlouquecendo. O relógio já marcava mais de oito da noite, e ele não possuía nenhum compromisso na universidade. A chuva confrontava o vidro da janela meio aberta, e as cortinas brancas balançavam loucamente por conta do vento. Hiroki abriu a porta, e entrou calado. Retirou os sapatos e os colocou perto da porta, ainda de cabeça baixa – e um semblante preocupa, mas sério – seguiu para onde a mulher estava. – Onde você estava, amor? – Haram se aproximou, entrelaçando os braços no pescoço do homem. Ele não queria a olhar nos olhos. Sua voz mudou para um tom manhoso. – Precisamos conversar. – Hiro continuava olhando para o chão. Sentaram se, um em frente ao outro, nas poltronas da sala. O clima tenso rodeava o casal, a ponto de deixá-los extremamente nervosos. – Então, o que quer falar? – Disse a mulher, ainda com o copo na mão. Antes de ao menos abrir a boca, Hiroki aproximou se para tocar as mão de Jung. Desejava não ser rude, e não piorar o que já estava quase acabado. – Eu vou embora. – As palavras do mais velho, vieram como uma pancada sobre a outra. – Como assim, Hiroki? Do que está falando? Estamos juntos ha muito tempo! – Pareceu estar na defensiva. – Não é assim que funciona, Haram. – O que você precisa? Sente falta de Juju? Eu posso levar você comigo. – A mais nova estava desesperada. Seu peito doía imensamente. – Sabe que começamos do jeito errado, não sinto as mesmas coisas que você. Tentei fazer dar certo, mas a maioria das vezes, me fez ver o amor de um jeito errado. – Errado? Eu tentei fazer você feliz! Trabalhei e dei duro para dar tudo o que queria! – E isso está errado. Me sinto como se devesse algo para você todos os dias. – Hiroki sentia-se culpado. – Você é a razão do meu viver. – Os olhos da mulher lacrimejavam. – Não tenho motivos para continuar aqui sem você. – Não vou continuar com isso. – O moreno se virou, e virou para o quarto. Já havia preparado todas as malas para ir embora antes. Pegou a bagagem – antes escondida debaixo da cama – e saiu da casa, deixando a outra sozinha. Antes de abrir a porta, parou por um instante. – Não me procure mais, não tenho mais nada a resolver com você. – Vai perder seu cargo si sair por essa porta! – Haram tentou uma ultima vez. Hiro saiu mesmo assim. Saindo do prédio, o moreno – com apenas uma mochila – pegou um metrô na estação. O meio de locomoção não estava lotado, pessoas mais velhas sentavam sem nos cantos, distantes uma das outras. A caminho do lugar, pegou seu celular e o quebrou, jogando o no lixo mais próximo. E o substituiu por um novo, agora já em mãos. Iria fazer uma ligação. – Oi pai. Fez as coisas que pedi? O homem parou na ultima estação, pegou um ônibus na rodovia – quase na saída da cidade – e foi em direção ao campo. Seu coração estava a mil, finalmente havia feito o que adiava por anos. E não foi nada fácil escolher tais palavras. O veículo fez parada em uma estrada de terra, e foi onde Hiroki desembarcou. A escuridão da noite não o amedrontava, enquanto caminhava pela mata a dentro. Esperava chegar em uma residencia daqui a pouco tempo, antes que fosse muito tarde. Depois de alguns passos, o moreno chegou em uma grande residência – cercada pela floresta –, uma casa bem estruturada; com aspectos do campo e decorações doces. O chão de pedra levava até a porta, onde um casal de idosos o esperava. – Meu filho! – Uma mulher, com o corpo mais avantajado; correu para abraças o recém chegado. – Mãe, calma. – Respondeu o abraço, com um semblante feliz. Assim que se desgrudaram, a imagem feminina deu um t**a no rosto do filho. – Quem você pensa que é para sumir assim? Pensei que voltaria para casa assim que terminasse de servir! – É uma longa história, mãe. – Não se preocupou, aquele era o mais normal ato de afetivo advindo da mulher. – Mas escutem, preciso muito da ajuda de vocês. – Está vendendo drogas? – A mulher começou a tirar um dos sapatos de seu pé. – Acalme-se mulher. Vamos deixá-lo descansar. – O pai do homem o tentou acalmá-la. – Obrigado, pai. Dentro da casa, Hiroki já estava pronto para dormir – depois de um longo jantar com sua mãe procurando por respostas dos último anos –, mas algo o deixava amedrontado. Seu pai bateu à porta, calmamente. – Pode entrar. – O filho saiu de seus devaneios. – Oi, filho. – Sentou- se ao lado dele. Estava com algumas fotografias em mãos. – Sua mãe me fez trazer isso, – entregou ao filho – ela acha que pode fazê-lo ficar por mais tempo. Instintivamente, Hiro abraçou o pai fortemente. – Se as coisas correrem bem, voltarei. Prometo. – O que está te impedindo? – Pela velhice, a voz do mais velho soava rouca. – Como estão, você e a mamãe? – Hiroki tentou evitar o assunto, e o pai entendeu. – Bem, vivendo um dia de cada vez. E você? – Sinceramente, pai. Pela primeira vez, desde que fui me alistar, essa é a primeira vez que posso dizer que realmente estou bem. – Me deixou assustado quando me ligou repentinamente hoje de manhã, estou orgulhoso que tenha comprado um carro e uma casa, mas por que tudo estava vazio? – O carro, usei por algum tempo. Já a casa, meus planos acabaram mudando, mas não se preocupe. Ainda usaremos ela para um dia em família. – Hiro sorriu ao pensar naquilo, talvez um futuro impossível. – Conheceu alguma moça? – Sim. – Cabisbaixo, continuava sorrindo. – Mas não é nada do que está pensando. – Hiroki continuou falando, assustado. – Comprei o imóvel a muitos anos. E ela não está grávida. O velho gargalhou. – Acha que não sei? Uma mulher não deixaria aquela casa naquele estado, a menos que não soubesse sobre ela. O filho sorriu, sem graça. – Preciso dormir, pai. E sairei cedo, não se preocupem com o café. O moreno adormeceu logo após a saída do mais velho. A sensação e o cheiro de casa, o acalmaram parte da noite, até o despertador tocar. Na noite anterior, após a briga com o seu ex amor, Haram não saiu da cama por um longo momento, incapaz de lidar com a ideia da despedida. Apesar dos fortes sentimentos, e muitas lágrimas; a mulher levantou da cama – irritada e descabelada – e logo pegou seu celular. Seu rastreador não indicava mais a posição de Hiroki, e isso a deixou mais irritada. Decidiu fazer uma ligação. – John, preciso que procure o Hiroki. Ele se tornou uma ameaça para a operação. O agente recebeu o comando, agora preocupado. Tudo estava em suas costas, novamente. Jogou o celular sobre o sofá, exausto. Estava exausto, e havia acabado de ligar a televisão para assistir o ultimo jogo da temporada, um ultraje. – Aish, eu ainda matarei o Hiroki! – Bufou com as mãos sobre a cintura. Antes de fazer algo, olhou para o lado, arqueando a sobrancelha. – Onde diabos ele está? Depois de passar a noite procurando por pontos onde Hiro pudesse estar, John decidiu parar para um lanche rápido em uma lanchonete. Sabia, pelos dados bancários, que o homem não estava longe, e que voltaria com toda certeza. Si realmente gostasse de uma das intercambistas. Mesmo a trabalho, John se vestia de modo simples, uma camiseta branca com calças jeans e um tênis qualquer. Enquanto mordiscava um sanduíche, o seu celular tocou. – Oi, Haram. – O encontrou? – A voz soava agressiva. – Ainda não. – Respondeu de boca cheia. – Já está no avião? – Não, vou ligar e cancelar. Não posso sair da cidade sem encontrá-lo. – Haram – Jhon virou a cabeça para o lado, ainda muito sério – , isso não é um jogo onde você pode fazer o que quiser. Faça seu trabalho e obedeça o Wonsu, ou vai querer perder seu cargo? Não ouve nenhuma palavra do outro lado da linha. – Espero que tenha me ouvido. Vou encontrá-lo, não se preocupe. – John desligou o celular. Deixou o aparelho sobre a mesa, e voltou a comer seu alimento, estressado. – Inacreditável, como ela pode ser tão imatura? – Disse consigo mesmo. – Parece mais uma garota saindo da adolescência... – É isso, a garota do intercâmbio! – Levantou da cadeira rapidamente. Pegando seu casaco, John saiu da área alimentícia e voltou para seu carro. Com uma mão sobre o volante, pegou um dos celular e fez ligações para tentar descobrir mais sobre onde as intercambistas estavam. – Min-ji, me atualize sobre as garotas. – Boa tarde, chefe. Tem de ser agora? É que estou almoçando. – A voz soava envergonhada. – Aish, gaesaekki (filho da p**a) – Respirou fundo – só me diga onde elas foram. – Oh, Adrielly e Fabíola seguiram para a casa de JungBae, enquanto Ana fez compromisso de manhã com Do-Yun. – Aquele garoto do colegial? Onde é o compromisso? – É um evento esportivo no colégio em que ele estuda, mas o Tawei apareceu e disse que não precisaríamos monitorá-la o resto da manhã. – O Hiroki?! – Arregalou os olhos. Estava preso em um engarrafamento. – Sim... – Por que não me avisou?! – O senhor não me pediu, ué. Não devemos obedecer o Tawei? – Deixe para lá. Me mande a localização do colégio. – Enfim desligou. Ainda olhando para a avenida, pensava consigo mesmo. – O Wonsu vai me m***r. – Socou o volante. – Aish. Depois de quase duas horas na pista, John finalmente se libertou e seguiu para próximo do colégio. Eram duas horas em ponto, quando o moreno conseguiu chegar em frente ao local de ensino. Todos do colégio já haviam entrado, e nenhum sinal da garota. John pensou em entrar no colégio, afim de procurá-la, mas ainda era muito arriscado. Então decidiu continuar dentro do próprio carro, observando por um binóculos. Enquanto observa e jogava um passatempo de um jornal, o homem finalmente deu um sorriso. Um caro escuro apareceu um pouco distante do colégio, e dele desceu uma garota. Ana estava envergonhada, e logo correu para dentro do colégio. – Te peguei... O avião militar decolou algumas minutos depois de Haram ter chegado. Todos os soldados a esperavam em fila, na base de Jeju. Seu uniforme estava impecável, e seus olhos, raivosos. – Seja bem vida, Sojang! – Todos fizeram continência. Ela correspondeu apropriadamente. – O Wonseu lhe espera no escritório. A mulher seguiu pelo caminho gramado, entrou pela recepção e passou pelo corredor. Haviam muitos retratos de antigos comandantes nas paredes. Aquele lugar a deixava enjoada. – Sojang! Quanto tempo! – Duck Young estendeu a mão, sorridente. – Boa noite, Wosu! É um prazer revê-lo. – Fez reverência junto a continência. – Como estão as coisas em Seul? Segundo os relatórios, o desempenho das intercambistas está impecável. – Disse orgulhoso. – Sim, estamos no planejamento estabelecido, elas viram para a base em pouco tempo. – Sorriu, estava extremamente nervosa. – Assim espero. Bom, não irei tomar seu tempo, sei que tem de voltar em pouco tempo para a capital. Não respondeu, apenas se despediu e seguiu para fora novamente. Não teria como começar a organizar nada aquela hora da noite, mas se lembrou que havia marcado uma saideira com os amigos do quartel. Hoseok e Min apareceram no carro para buscá-la. – Vamos, Sojang! – Jung sorriu a vendo. Estava no volante, já preparado para dar partida. Min abriu a porta dos passageiros para Haram. Na estrada, os três conversavam sobre as novidades do quartel. O ar estava agradável, e a mulher se esqueceu por um momento do ocorrido. – Hoje quero encher a cara, cuidem da sua Sojang. – Ela gritou, suspirando logo depois. – Pode deixar, vamos no melhor bar da cidade! – Disse Hoseok, a divertindo. Yoongi só observava a conversa, com desdém. Não estava alí pela mulher, e sim pela ideia de poder beber. No bar, as canecas estavam todas cheias, sobre a mesa. Haram competia com Yoongi enquanto contornava toda a bebida, garganta abaixo. – Ganhei! Viu, você continuará sendo um perdedor! – Riu, tonta. – Vamos outra. – Min desafiou. – Ei, acho que vocês podem para já, pessoal. – Hoseok tentou acalmar a situação. Continuava com o semblante feliz. – Isso, não quero que ele desmaie aqui. – Haram provocou. – É mais fácil que isso aconteça com você – Yoongi queria muito poder brigar, além de alcoolizado, estava sem paciência, aquela mulher era insuportável. – Eu sou o mais fraco para beber, entre os dois. E por isso eu fico encarregado de dirigir hoje, pessoal. – Jung não conseguiu esconder a preocupação, estava sentando a pressão e raiva entre os dois. – Ainda bem, porque pode acontecer o mesmo que aconteceu com a Sophia. – Ela riu alto. Naquele momento, o loiro perdeu a paciência. – Ria enquanto pode, enquanto seu namorado de m***a te trai com uma das estagiárias daquele maldito intercâmbio. – Min se levantou da mesa, estressado, e seguiu para fora do bar.
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