A água preenchia o copo vazio em cima da pia. Haram esperava impaciente pela chegada de seu companheiro, ainda precisava endireitar muitas coisas antes da viagem para Jeju, e isso a estava a enlouquecendo. O relógio já marcava mais de oito da noite, e ele não possuía nenhum compromisso na universidade.
A chuva confrontava o vidro da janela meio aberta, e as cortinas brancas balançavam loucamente por conta do vento.
Hiroki abriu a porta, e entrou calado. Retirou os sapatos e os colocou perto da porta, ainda de cabeça baixa – e um semblante preocupa, mas sério – seguiu para onde a mulher estava.
– Onde você estava, amor? – Haram se aproximou, entrelaçando os braços no pescoço do homem.
Ele não queria a olhar nos olhos. Sua voz mudou para um tom manhoso.
– Precisamos conversar. – Hiro continuava olhando para o chão.
Sentaram se, um em frente ao outro, nas poltronas da sala. O clima tenso rodeava o casal, a ponto de deixá-los extremamente nervosos.
– Então, o que quer falar? – Disse a mulher, ainda com o copo na mão.
Antes de ao menos abrir a boca, Hiroki aproximou se para tocar as mão de Jung. Desejava não ser rude, e não piorar o que já estava quase acabado.
– Eu vou embora. – As palavras do mais velho, vieram como uma pancada sobre a outra.
– Como assim, Hiroki? Do que está falando? Estamos juntos ha muito tempo! – Pareceu estar na defensiva.
– Não é assim que funciona, Haram.
– O que você precisa? Sente falta de Juju? Eu posso levar você comigo. – A mais nova estava desesperada. Seu peito doía imensamente.
– Sabe que começamos do jeito errado, não sinto as mesmas coisas que você. Tentei fazer dar certo, mas a maioria das vezes, me fez ver o amor de um jeito errado.
– Errado? Eu tentei fazer você feliz! Trabalhei e dei duro para dar tudo o que queria!
– E isso está errado. Me sinto como se devesse algo para você todos os dias. – Hiroki sentia-se culpado.
– Você é a razão do meu viver. – Os olhos da mulher lacrimejavam. – Não tenho motivos para continuar aqui sem você.
– Não vou continuar com isso. – O moreno se virou, e virou para o quarto. Já havia preparado todas as malas para ir embora antes.
Pegou a bagagem – antes escondida debaixo da cama – e saiu da casa, deixando a outra sozinha. Antes de abrir a porta, parou por um instante.
– Não me procure mais, não tenho mais nada a resolver com você.
– Vai perder seu cargo si sair por essa porta! – Haram tentou uma ultima vez.
Hiro saiu mesmo assim.
Saindo do prédio, o moreno – com apenas uma mochila – pegou um metrô na estação. O meio de locomoção não estava lotado, pessoas mais velhas sentavam sem nos cantos, distantes uma das outras.
A caminho do lugar, pegou seu celular e o quebrou, jogando o no lixo mais próximo. E o substituiu por um novo, agora já em mãos.
Iria fazer uma ligação.
– Oi pai. Fez as coisas que pedi?
O homem parou na ultima estação, pegou um ônibus na rodovia – quase na saída da cidade – e foi em direção ao campo. Seu coração estava a mil, finalmente havia feito o que adiava por anos. E não foi nada fácil escolher tais palavras.
O veículo fez parada em uma estrada de terra, e foi onde Hiroki desembarcou. A escuridão da noite não o amedrontava, enquanto caminhava pela mata a dentro. Esperava chegar em uma residencia daqui a pouco tempo, antes que fosse muito tarde.
Depois de alguns passos, o moreno chegou em uma grande residência – cercada pela floresta –, uma casa bem estruturada; com aspectos do campo e decorações doces. O chão de pedra levava até a porta, onde um casal de idosos o esperava.
– Meu filho! – Uma mulher, com o corpo mais avantajado; correu para abraças o recém chegado.
– Mãe, calma. – Respondeu o abraço, com um semblante feliz.
Assim que se desgrudaram, a imagem feminina deu um t**a no rosto do filho.
– Quem você pensa que é para sumir assim? Pensei que voltaria para casa assim que terminasse de servir!
– É uma longa história, mãe. – Não se preocupou, aquele era o mais normal ato de afetivo advindo da mulher. – Mas escutem, preciso muito da ajuda de vocês.
– Está vendendo drogas? – A mulher começou a tirar um dos sapatos de seu pé.
– Acalme-se mulher. Vamos deixá-lo descansar. – O pai do homem o tentou acalmá-la.
– Obrigado, pai.
Dentro da casa, Hiroki já estava pronto para dormir – depois de um longo jantar com sua mãe procurando por respostas dos último anos –, mas algo o deixava amedrontado. Seu pai bateu à porta, calmamente.
– Pode entrar. – O filho saiu de seus devaneios.
– Oi, filho. – Sentou- se ao lado dele. Estava com algumas fotografias em mãos.
– Sua mãe me fez trazer isso, – entregou ao filho – ela acha que pode fazê-lo ficar por mais tempo.
Instintivamente, Hiro abraçou o pai fortemente.
– Se as coisas correrem bem, voltarei. Prometo.
– O que está te impedindo? – Pela velhice, a voz do mais velho soava rouca.
– Como estão, você e a mamãe? – Hiroki tentou evitar o assunto, e o pai entendeu.
– Bem, vivendo um dia de cada vez. E você?
– Sinceramente, pai. Pela primeira vez, desde que fui me alistar, essa é a primeira vez que posso dizer que realmente estou bem.
– Me deixou assustado quando me ligou repentinamente hoje de manhã, estou orgulhoso que tenha comprado um carro e uma casa, mas por que tudo estava vazio?
– O carro, usei por algum tempo. Já a casa, meus planos acabaram mudando, mas não se preocupe. Ainda usaremos ela para um dia em família. – Hiro sorriu ao pensar naquilo, talvez um futuro impossível.
– Conheceu alguma moça?
– Sim. – Cabisbaixo, continuava sorrindo.
– Mas não é nada do que está pensando. – Hiroki continuou falando, assustado. – Comprei o imóvel a muitos anos. E ela não está grávida.
O velho gargalhou.
– Acha que não sei? Uma mulher não deixaria aquela casa naquele estado, a menos que não soubesse sobre ela.
O filho sorriu, sem graça.
– Preciso dormir, pai. E sairei cedo, não se preocupem com o café.
O moreno adormeceu logo após a saída do mais velho. A sensação e o cheiro de casa, o acalmaram parte da noite, até o despertador tocar.
Na noite anterior, após a briga com o seu ex amor, Haram não saiu da cama por um longo momento, incapaz de lidar com a ideia da despedida. Apesar dos fortes sentimentos, e muitas lágrimas; a mulher levantou da cama – irritada e descabelada – e logo pegou seu celular. Seu rastreador não indicava mais a posição de Hiroki, e isso a deixou mais irritada. Decidiu fazer uma ligação.
– John, preciso que procure o Hiroki. Ele se tornou uma ameaça para a operação.
O agente recebeu o comando, agora preocupado. Tudo estava em suas costas, novamente. Jogou o celular sobre o sofá, exausto. Estava exausto, e havia acabado de ligar a televisão para assistir o ultimo jogo da temporada, um ultraje.
– Aish, eu ainda matarei o Hiroki! – Bufou com as mãos sobre a cintura.
Antes de fazer algo, olhou para o lado, arqueando a sobrancelha.
– Onde diabos ele está?
Depois de passar a noite procurando por pontos onde Hiro pudesse estar, John decidiu parar para um lanche rápido em uma lanchonete. Sabia, pelos dados bancários, que o homem não estava longe, e que voltaria com toda certeza. Si realmente gostasse de uma das intercambistas.
Mesmo a trabalho, John se vestia de modo simples, uma camiseta branca com calças jeans e um tênis qualquer.
Enquanto mordiscava um sanduíche, o seu celular tocou.
– Oi, Haram.
– O encontrou? – A voz soava agressiva.
– Ainda não. – Respondeu de boca cheia. – Já está no avião?
– Não, vou ligar e cancelar. Não posso sair da cidade sem encontrá-lo.
– Haram – Jhon virou a cabeça para o lado, ainda muito sério – , isso não é um jogo onde você pode fazer o que quiser. Faça seu trabalho e obedeça o Wonsu, ou vai querer perder seu cargo?
Não ouve nenhuma palavra do outro lado da linha.
– Espero que tenha me ouvido. Vou encontrá-lo, não se preocupe. – John desligou o celular.
Deixou o aparelho sobre a mesa, e voltou a comer seu alimento, estressado.
– Inacreditável, como ela pode ser tão imatura? – Disse consigo mesmo. – Parece mais uma garota saindo da adolescência...
– É isso, a garota do intercâmbio! – Levantou da cadeira rapidamente.
Pegando seu casaco, John saiu da área alimentícia e voltou para seu carro. Com uma mão sobre o volante, pegou um dos celular e fez ligações para tentar descobrir mais sobre onde as intercambistas estavam.
– Min-ji, me atualize sobre as garotas.
– Boa tarde, chefe. Tem de ser agora? É que estou almoçando. – A voz soava envergonhada.
– Aish, gaesaekki (filho da p**a) – Respirou fundo – só me diga onde elas foram.
– Oh, Adrielly e Fabíola seguiram para a casa de JungBae, enquanto Ana fez compromisso de manhã com Do-Yun.
– Aquele garoto do colegial? Onde é o compromisso?
– É um evento esportivo no colégio em que ele estuda, mas o Tawei apareceu e disse que não precisaríamos monitorá-la o resto da manhã.
– O Hiroki?! – Arregalou os olhos. Estava preso em um engarrafamento.
– Sim...
– Por que não me avisou?!
– O senhor não me pediu, ué. Não devemos obedecer o Tawei?
– Deixe para lá. Me mande a localização do colégio. – Enfim desligou.
Ainda olhando para a avenida, pensava consigo mesmo.
– O Wonsu vai me m***r. – Socou o volante. – Aish.
Depois de quase duas horas na pista, John finalmente se libertou e seguiu para próximo do colégio. Eram duas horas em ponto, quando o moreno conseguiu chegar em frente ao local de ensino. Todos do colégio já haviam entrado, e nenhum sinal da garota.
John pensou em entrar no colégio, afim de procurá-la, mas ainda era muito arriscado. Então decidiu continuar dentro do próprio carro, observando por um binóculos.
Enquanto observa e jogava um passatempo de um jornal, o homem finalmente deu um sorriso.
Um caro escuro apareceu um pouco distante do colégio, e dele desceu uma garota. Ana estava envergonhada, e logo correu para dentro do colégio.
– Te peguei...
O avião militar decolou algumas minutos depois de Haram ter chegado. Todos os soldados a esperavam em fila, na base de Jeju. Seu uniforme estava impecável, e seus olhos, raivosos.
– Seja bem vida, Sojang! – Todos fizeram continência.
Ela correspondeu apropriadamente.
– O Wonseu lhe espera no escritório.
A mulher seguiu pelo caminho gramado, entrou pela recepção e passou pelo corredor. Haviam muitos retratos de antigos comandantes nas paredes. Aquele lugar a deixava enjoada.
– Sojang! Quanto tempo! – Duck Young estendeu a mão, sorridente.
– Boa noite, Wosu! É um prazer revê-lo. – Fez reverência junto a continência.
– Como estão as coisas em Seul? Segundo os relatórios, o desempenho das intercambistas está impecável. – Disse orgulhoso.
– Sim, estamos no planejamento estabelecido, elas viram para a base em pouco tempo. – Sorriu, estava extremamente nervosa.
– Assim espero. Bom, não irei tomar seu tempo, sei que tem de voltar em pouco tempo para a capital.
Não respondeu, apenas se despediu e seguiu para fora novamente. Não teria como começar a organizar nada aquela hora da noite, mas se lembrou que havia marcado uma saideira com os amigos do quartel.
Hoseok e Min apareceram no carro para buscá-la.
– Vamos, Sojang! – Jung sorriu a vendo. Estava no volante, já preparado para dar partida.
Min abriu a porta dos passageiros para Haram.
Na estrada, os três conversavam sobre as novidades do quartel. O ar estava agradável, e a mulher se esqueceu por um momento do ocorrido.
– Hoje quero encher a cara, cuidem da sua Sojang. – Ela gritou, suspirando logo depois.
– Pode deixar, vamos no melhor bar da cidade! – Disse Hoseok, a divertindo.
Yoongi só observava a conversa, com desdém. Não estava alí pela mulher, e sim pela ideia de poder beber.
No bar, as canecas estavam todas cheias, sobre a mesa. Haram competia com Yoongi enquanto contornava toda a bebida, garganta abaixo.
– Ganhei! Viu, você continuará sendo um perdedor! – Riu, tonta.
– Vamos outra. – Min desafiou.
– Ei, acho que vocês podem para já, pessoal. – Hoseok tentou acalmar a situação. Continuava com o semblante feliz.
– Isso, não quero que ele desmaie aqui. – Haram provocou.
– É mais fácil que isso aconteça com você – Yoongi queria muito poder brigar, além de alcoolizado, estava sem paciência, aquela mulher era insuportável.
– Eu sou o mais fraco para beber, entre os dois. E por isso eu fico encarregado de dirigir hoje, pessoal. – Jung não conseguiu esconder a preocupação, estava sentando a pressão e raiva entre os dois.
– Ainda bem, porque pode acontecer o mesmo que aconteceu com a Sophia. – Ela riu alto.
Naquele momento, o loiro perdeu a paciência.
– Ria enquanto pode, enquanto seu namorado de m***a te trai com uma das estagiárias daquele maldito intercâmbio. – Min se levantou da mesa, estressado, e seguiu para fora do bar.