O aeroporto de São Paulo capital, estava lotado. As três candidatas escolhidos para o intercâmbio, embarcaram no horário da manhã. O avião decolou algumas horas depois.
Acomodadas na primeira classe, as três garotas; muito envergonhadas, conversavam sobre a viagem e o que esperavam do trajeto. Adrielly, Fabíola e Ana Luiza, eram brasileiras nascidas no interior. Juntas, estudaram no mesmo colégio e partilhavam da mesma amizade.
– Decidiu me ouvir? – Ana, a mais nova, disse cruzando os braços, na poltrona ao lado da recém desperta.
– Oh, desculpe. O que você disse antes? – Fabíola, a cacheada, aconchegou-se no acento, e virou para a amiga.
– Agora não importa, eu apenas tive um desvaneio. –
– Ela disse que percebeu, agora, que estamos em um avião indo para Seul. – Adrielly tirou os tampa-olhos, e bocejou.
– Isso! – Luiza respondeu.
– Então... Será que posso ter um ataque de euforia, agora? – Continuou.
– Quer ser expulsa do avião? – A cacheada preocupou-se.
– Melhor esperar chegar em Seul, Luh. – Adrielly confortou, enquanto prendia seus cabelos ruivos em um coque.
– Não se preocupem, seria um surto bem discreto. – A mais nova explicou.
– Novelas mexicanas também são bem discretas. – Fabíola recolocou os fones.
Após vinte e duas horas de voo, o avião pousou na pista. A companhia de desembarque os esperavam de prontidão.
– Senhores passageiros, ao soar do sinal, por favor, levantem-se e sigam para a porta de saída. Outras instruções serão repassadas pelas comissárias. Tenham uma boa noite!
O aeroporto da cidade de Seul, principal referencia no país, se encontrava no momento bastante movimentado naquela noite.
No desembarque, muitos esperavam pela chegada do viajantes. Atrás da zona amarela, uma fileira de pessoas esperavam os recém chegados, segurando placas de identificação.
As garotas olhavam ao redor, na procura de instruções.
– Está muito frio, sinto falta do Brazil. – Ana Luiza esfregava suas mãos, na tentativa de aquecê-las. Sua calça jeans, e a blusa regata azul, de nada adiantavam.
– Vocês deviam ter trazido um casaco. – Fabíola estava desapontada.
– Não me esqueci, estou com preguiça de pegar o moletom na mala. Minha mãe fez mágica para colocar todas as roupas aqui dentro. – As outras duas deram risada com a resposta da mais nova.
– Minha teoria da Coreia não parece ser nada parecida com o Brasil, estava certa. – Adrielly olhou a sua volta.
– Agora posso falar "Aish", e não parecer estranho. – Ana refletiu.
– Mas agora todos sabem o significado dela. – A ruiva advertiu.
– Onde está esse homem? Ele não chega! – Disse Fabíola, preocupada.
– Olha! - Adrielly apontou o dedo na direção de um homem recém chegado.
A pessoa ordenada, vestia terno e luvas, se assemelhando a um chofer. O homem segurava uma placa com os nomes das garotas.
– Acho que é o cara certo? – Fabíola cochichou perto das amigas.
– Membros pequenos, lá vou eu! – Ana não deu ouvidos, e gritou em português.
– Pelo menos ninguém daqui fala português. - Fabíola seguiu a amiga.
Assim que chegaram ao estranho, fizeram reverência.
– Sejam bem-vindas a Coreia do Sul. – Reverenciou em resposto. Tal sujeito parecia ter entre 21 e 25 anos, postura com seriedade e possível antecedente militar.
– Oh, que elegante. – Disse sorrindo para o homem.
– Alguém segura ela? – A ruiva levou a mão sobre o rosto.
– Só estou brincando, Adrielly. Até mesmo o homem sabe, brincadeiras amigáveis. – Ana se explicou.
– Me acompanhem por favor, vou levá-las até a acomodação. – O encarregado tomou a frente.
As três o seguiram.
– Se quiser te acompanho até a sua ca... – Ana Luiza fez outro comentário,dessa vez em coreano, mas logo foi impedida pelas amigas.
– Me chamaram? - O homem coçou a cabeça.
Adrielly respondeu, pela garota, argumentando que não havia com o que se preocupar. Enfim todos saíram do aeroporto.
Quando chegaram ao lado de fora de Incheon, o aeroporto principal de Seul, as garotas perceberam que estavam em uma bela edificação, bem planejada. Os detalhes estruturais feitos pelos vidrais, chamavam a atenção de qualquer visitante.
O chofer, colocando todas a bagagem dentro do porta malas, pediu para que as garotas entrassem no carro, e esperassem, precisaria fazer uma ligação.
A cacheada, observando além da janela aberta, viu o grande movimento de pessoas entrando e saindo do aeroporto. Estava admirada com aquele lugar. A euforia crescia por dentro, havia conseguido realizar um de seus sonhos: viver uma aventura fora de casa.
Depois de alguns minutos, o motorista entrou no veículo, e fechou a porta. Suas mãos estavam postas sobre o volante, a marcha foi dada e o carro ligado. Finalmente iriam para casa.
Com o tardar da noite, o céu estrelado se mostrava visível, embora poluição luminosa dos postes de luz, o ofuscasse.
– Agora que estamos totalmente em Seul - Disse o motorista olhando, algumas vezes, pelo retrovisor.
– E não estávamos antes? - Perguntou Ana.
– Não Ana, o aeroporto de Incheon faz fronteira com Seul. Estávamos em duas cidades ao mesmo tempo. - Fabíola respondeu, pelo motorista.
– Será que o Hoseok já está em Seul? – A cacheada lançou a pergunta.
– Aquele compositor? – A mais nova perguntou.
– Sim. – Respondeu sorrindo. – Sinto falta de ouvir novas músicas dele.
– Fiquei sabendo que ele foi para o exército. Já pensou se fossemos enfermeiras deles? Igual nos filmes em que a médica se apaixona pelo soldado? – Disse Ana.
– Obrigado, Luh. Agora estou sonhando acordada. – Fabíola fez uma cara manhosa.
– Pessoal, acho que chegamos - Adrielly avisou com o parar do carro.
O motorista saiu do veículo, em silêncio, e abriu a porta para as garotas. Retirou a bagagem do carro e as levou para a recepção do novo prédio.
- As senhoras ficarão neste condomínio, o gerente já foi avisado, e as levaram até o apartamento. A organização do intercâmbio avisará vocês melhor, fiquem atentas ao celular. - O homem se retirou.
– Hey. – Ana disse enquanto ele entrava no carro. O homem se virou.
– Qual é o seu nome? – Continuou ela.
– John. Tenham uma boa noite. – Ajeitou o chapéu na cabeça, e entrou no carro.
Fabíola, Ana Luiza e Adrielly aguardavam o atendimento, enquanto o gerente conversava ao telefone.
– Nunca pensei que viveria em um lugar assim. Acham que serão três quartos? – A mais nova estava animada.
- Me parece tudo tão perfeito - Adrilley respondeu, olhando em volta.
O gerente, assim que desligou o aparelho celular, seguiu até as garotas, e as reverenciou. Seguindo pelo elevador, chegaram ao ultimo andar. Após uma caminhada pelo corredor, encontraram a porta de entrada do novo apartamento.
O homem passou o cartão de identificação pelo sensor, e a porta se abriu com um apito.
– Aqui estão as chaves de vocês.
– O apartamento possui três quartos, uma cozinha, banheiro e sala. A lavanderia fica no ultimo andar, não é cobrado nada pela lavagem.
– Atividade sonora até as 6 da tarde. Qualquer dúvida que tiverem, por favor acionem o telefone perto da porta. – O homem sorriu educado.
Na entrada, a sala se encontrava em conceito aberto com a cozinha. A televisão estava colada a parede, os sofá rodeavam uma pequena mesa de centro. Ao lado, a cozinha com eletrodomésticos em tom inox, se sobrepunham pelas bancadas de mármore n***o. Mais a frente, o corredor se dispunha até a porta do banheiro. No mesmo espaço, as portas nas paredes, davam entradas para os quartos.
Na sala, Ana, pulando no sofá, observava o movimento da janela. Adrielly riu do comportamento da garota.
– Cuidado para não deixar o sofá quebrar. - A ruiva advertiu.
Fabíola após ver seu quarto, seguiu para cozinhar. Abriu a geladeira e se deparou com um amontoado de alimentos, de doces a verduras típicas coreanas.
– A geladeira está cheia! – Disse a morena, surpresa.
– Vou preparar algo para comermos! – Continuou, retirando algumas coisas da geladeira.
– Está bem, a luh e eu vamos arrumar os quartos! – Ana desceu do sofá, e acompanhou Adrielly.
As duas fizeram o possível, desfazendo as malas colocando as roupas em armários embutidos nas paredes. Adri, como possuía muita roupa, não conseguiu terminar a tempo, e fez uma pausa para o lanche que Fabíola havia preparado.
– Estou faminta! – Ana se sentou no chão, ao lado de Fabíola.
–Não consegui terminar de arrumar meu armário. – Disse Adrielly, passando a mão sobre o próprio rosto, e se acomodando no sofá.
– Ainda tem a noite para terminar. - Ana respondeu, dando um gole no suco de laranja recém preparado.
- Se não couber no meu... posso usar um pouco do seu? – A ruiva perguntou, esperançosa.
– Nem pensar! Eu e Fabíola avisamos que não era preciso tanta roupa.
– E então o que vou fazer? - Adrielly estava perdida.
– Fabíola, você tem espaço no seu? Fabíola? – Virou se para a amiga.
A morena não estava prestando atenção na conversa, com a demora das meninas, acabou se distraindo com o celular e seus fones de ouvido. Adrielly, para resolver a situação, acabou a assustando.
– O que há com vocês duas?! – As outras, gargalhavam em resposta.
– Querem me m***r do coração?
– Queria saber quantas horas são. – Ana continuava rindo.
– Tem um relógio na parede, Analu. – A morena respondeu com um sorriso debochado.
– A Adrielly não me avisou. Sabe que sou leiga.
– Você não me perguntou – Adrielly respondeu.
Após comerem, as três seguiram para os quartos. Já estava escuro lá fora.
Ana já havia terminado de organizar seu quarto. Então como meio de se auto premiar, pegou um de seus livros, deitou sobre a cama, e começou a lê-lo.
Fabíola, que antes não havia começado a arrumar o próprio dormitório, tirou as roupas das malas, e colocou tudo nos devidos lugares.
Adrielly apenas continuou suas artimanhas.
– Oh meu Deus, parece que esse armário encolheu! – Adrielly disse, olhando quantas roupas ainda faltavam para serem guardadas.
A garota tentava de todas as formas, encaixar as peças, mas o único resultado que conseguiu, foi a quedas das roupas sobre ela. A ruiva gritou.
Ana Luiza e Fabíola, ouvindo o barulho, correram assustadas para o quarto da amiga. Quando chegaram, fizeram o possível para tirar Adrielly daquele monte roupas.
– O que aconteceu?! – Perguntou Fabíola, preocupada. Aquela altura, as três estavam sentadas sobre a cama.
– Tentei colocar as roupas no armário, mas não couberam. – A ruiva respondeu, manhosa.
– Você percebeu que havia mais um compartimento ali em cima? – Ana apontou para a porta que não havia sido aberta.
Adrielly abaixou a cabeça, um pouco envergonhada. De onde aquela porta havia surgido?
– Mentira que você não olhou a parte de cima, Adri! – Fabíola respondeu, decepcionada.
– Vamos ajudar você a terminar de arrumar isso. – Continuou. As três levantaram da cama.