O cinema estava com seu movimento regular. Casais esperavam ansiosos para a estreia do novo filme americano. Adrielly e Nozomu compravam algumas guloseimas enquanto esperavam o ínicio da adaptação cinematográfica.
A garota, distraída em seus ansiosos pensamentos, não percebia os chamados do asiático para a escolha dos doces. Ao lado, um casal aparentemente mais velho, trocavam apegos enquanto em frente ao movimento. Adrielly acabou se entretendo com a dupla.
– Antes não parava de falar sobre o filme; agora, não deixa de olhar os senhores se pegando. – Nozomu pegou os dois sacos de pipoca, enquanto ria da cena.
– Eles são realmente fofos, não acha? – Ela respondeu.
– Comparados aos casais de novelas que minha mãe assiste, acho que sim.
– Onde estão as câmeras escondidas? Será que realmente é um drama? – Adrielly riu boba.
– Ei, vamos? O filme vai começar. – Nozomu olhou o relógio em seu pulso.
A sala estava gelada. Poltronas, distantes entre si, eram preenchidas por pessoas solitárias – e olhares desanimados – enquanto casais relutavam em se afastar. A dupla se acomodou em um dos primeiros lugares da plateia, quase ao meio da sala. Comerciais eram reproduzidos no telão, avisando que o filme ainda não havia começado.
– Estou ansioso, apesar dos spoilers dados pelos livros. – Nozomu disse baixinho.
– Quer ver o que mudou com as adaptações?
– Exato, ficarei decepcionado se o homem bobo não aparecer.
– Não acho que os roteiristas serão muito maus. – Adrielly sorriu.
Três comerciais depois, o filme começou. Com suas cenas engraçadas, a obra contava a história de um homem perdido em busca de sua mulher, mas de um jeito diferente. Ao invés do homem correr longas distancias, o protagonista apenas esperava enquanto assistia, por um televisão, sua amada passar por perigosas e intrigantes situações, enquanto a julgava por suas ações sutis, e nada femininas.
Assim que o encontro entre o casal aconteceu; o beijo – apesar de engraçado e esperado – deixou todos os espectadores envergonhados, principalmente os casais.
Adrielly se virou para Nozomu, na expectativa de ver as suas reações sobre o filme. Ficou vermelha quando percebeu que ele também a olhava.
– O que está achando do filme? – O garoto perguntou, calmo.
– Divertido. O beijo não poderia faltar. – Respondeu rindo.
– Ainda estou esperando que o camelo apareça correndo atrás dela. – Nozomu voltou a olhar para o telão.
Já era noite, a garota serena, havia se tornado uma densa chuva. Na cidade, os pedestres corriam pelas ruas, em busca de se abrigar e contornar a situação.
Ana e Yun acabaram de guardar os materiais na biblioteca, quando o temporal começou. Observando a chuva, os dois esperavam pacientes pelo fim do temporal, enquanto conversavam no pátio coberto do colégio do garoto.
Do-Yun, entediado pelo repetitivo movimento da água, teve de implorar para o vigilante noturno permitir que os dois ficassem ali até a chuva passar. Luiza estavam ao lado dele, com as mãos enterradas em seu próprio moletom.
– Eu sabia que era m*l presságio. Não devia ter marcado a aula hoje. – Disse a garota.
– É o universo dizendo que não passarei no exame de admissão. – Yun levou um t**a na cabeça.
– Não ouse dizer isso, você está dando duro para passar. – Ana estava prestes a dar uma bronca no amigo.
– E eu meu tempo é precioso, se não passar, apague o meu contato do seu celular. – Continuou ela, falando com nariz empinado.
– Disse a andarilha. Você não ficaria sem min por um dia sequer.
– Você quer morrer? – A mais nova respondeu, com um olhar ambicioso.
Logo agarrou as bochechas do garoto, apertando as e balançando o rosto.
– Esta bem! Você esta certa! Solte minhas bochechas! – Implorou. Enfim a menina soltou.
Tudo que restou foi apenas o silêncio entre os dois, atrapalhado pelo forte barulho da chuva.
A frente fria batia contra os rostos das duplas, era uma noite sem sorte.
– Você já namorou? – A garota perguntou, jogando as palavras ao alto. Como se não desse muita importância para a resposta.
Ao contrário de Ana, Do-Yun ficou extremamente preocupado com a pergunta. Tal assunto era muito repentino. E segundo os conselhos de Hoseok, teria de tomar muito cuidado com a resposta.
– Ahyu(não), nunca. Não tenho tempo para isso. – Engoliu em seco.
– Wo, Você? Solteiro? Se não é você o tipo que as garotas coreanas gostas, qual será? – Luiza levou a mão ao queixo.
Com essas palavras, Yun se sentiu confiante, e se acomodou em uma postura mais relaxada. Teria agora conquistado o tão sonhado lugar ao pódio?
– Kũre (certo), sou muito bonito; mas por que acha que sou um cara atraente?
– É esportivo e popular no colégio. E as pessoas te conhecem, já que o vigilante até te cumprimentou informalmente.
– Será que é porque você é burro e preguiçoso. – Continuou ela, entrando em uma profunda reflexão em meio ao nada.
– Mwo? (O que?) – Yun se conformou por um momento. – Não preciso que alguém goste de min, garotas são insuportáveis.
– Por que sou insuportável? – Virou a cabeça para o lado do amigo.
– Ahyu. – Do-Yun parou para pensar no que disse.
Tossiu.
– Bom, amanhã será meu ultimo jogo de basquete. Quer vir? – O garoto mudou de assunto.
– Ultimo? Não estamos no começo da temporada? – Perguntou confusa.
– A prova de admissão da universidade é semana que vem. Não vou jogar mais.
– Isso não iria te atrapalhar, está perto. E você já estudou muito.
– Os treinos tomam muito tempo, e são cansativo. Não quero que isso me atrapalhe, já recebi muitas broncas vindas de você. – Do-Yun jogou a cabeça para o lado, entediado daquela conversa que já havia tido com os colegas do time.
– Oh, tudo bem. Irei sim, mas antes; tenho uma pergunta.
– Pode dizer, só não quero que seja sobre álgebra. – Riu.
– Por que estava preocupado sobre o Hiroki?
– Faz muito tempo que queria te perguntar aquilo. Precisava saber como você se sentia. – O garoto se assustou com a pergunta.
– É estranho, falou com ele? Ou algo assim? Toda vez que algo me deixa m*l, você tentava conversar com a pessoa. – Ana começou a explicar.
– Depois que estudamos, ele disse que não queria falar comigo mais. O que disse a ele? – Continuou, tentando não deixá-lo bravo.
– Você realmente me conhece, Ana? – Yun se levantou, e saiu bravo dali.
Dois dias antes.
Assim que o carro de Hiroki saiu do estacionamento, o estranho homem que observava, guardou seu celular no bolso da jaqueta preta, e ligou sua moto. Quando colocou o pé no acelerador e movimentou a moto em direção a saída, foi impedido por um carro que parou em sua frente.
O motorista da moto tirou o capacete logo em seguida, enquanto o proprietário do carro saia do carro e fechava a porta.
– O que eu fiz? – Disse, ainda em cima da moto.
– Qual é o seu nome? – O visitante perguntou.
O de preto relutou, mas logo disse.
– Do-Yun.
– Queria o que com aquele homem? – O outro não permitia que o garoto fizesse uma pergunta.
– Nada, estava no celular. E preciso ir embora.
– Conhece ele?
– Sim... Ele está sacaneando uma amiga. – Yun confessou.
– Pode me contar isso melhor?
Do-Yun contou sem exitar para o estranho, assim que o mesmo mostrou sua identidade de autoridade da lei.
– Escute, isso ficara entre nós. Sem mais ninguém saber. – Disse o estranho.
– Você fará sua parte, e eu faço a minha. Não nos vimos, está bem? – Continuou.
– Esta bem, mas ele é perigoso? – Yun estava assustado.
– Não. Fui contratado pela mulher dele, detetive particular. O resto resolverei. – As ultimas palavras foram suficientes para assustar o mais novo.
Depois da conversa, o estranho saiu dali. Com seu carro, seguiu para a localização de Hiroki.
A loja de doces estava lotada com a nova frequesia. Hiro olhava para a vitrine, cansado – Escolher o que levar para Haram era um desafio. Sua atenção foi logo desperta pela mão que pousou em seu ombro. O asiático olhou para trás.
– John? O que faz aqui? – Disse sorrindo.
– Precisamos conversar. – Respondeu seco.
Os dois se sentaram em uma mesa dos cantos.
– Você está maluco? – O estranho perguntou.
– Como assim? Em comprar tantos doces? A Haram é complicada naqueles dias.
– Não, seu i****a. Gostar de uma das intercambistas, se a Haram descobrir, é capaz de acabar com a garota. E o Wonsu, com você!
– Ela não sabe. E vou terminar com ela, antes de ficar com a Ana. – Hiroki dizia tranquilo, como se fosse uma brincadeira.
– Não faça mais isso, Hiroki. Escute o que estou dizendo, isso é maior do que você pensa.
– Não use uma garota para evitar terminar o que você não consegue. Isso é uma ordem. – John disse sério. – Estou de olho em você.
Na mesma noite do cinema, o apartamento das garotas estava silencioso e escuro. Na porta aberta da sacada, Fabíola estava sentada no chão, coberta por um cobertor enquanto tomava um chá de ervas.
O horizonte, iluminado pelas luzes dos postes, prendiam a atenção da garota em um loop solitário. A brisa, junto com as escassas gostas de chuvas – que ultrapassavam o telhado –, se debatiam com o rosto da cacheada, sem ao menos serem percebidas.
Suas amigas haviam a trocado por garotos estranhos.
E o único homem que faria questão de ter por perto, estava fora do alcance.
Decepcionada com seus pensamentos, levantou de cabeça erguida. Sem ver que havia derramado chá.
– Fabíola, você é uma mulher independente. – Disse a si mesma, até queimar o pé com o líquido quente.
– d***a, e atrapalhada também. – Correu até a cozinha e pegou um pano para limpar a bagunça.
Enquanto esfregava o chão, só conseguia se lamentar por não fazer nada em uma noite tão entediante. Ligar para Hoseok? Tinha esquecido de pedir o número ao garoto.
Talvez entrar no Tinder? Não, evitava isso desde que Jung Bae havia proposto.
O que faria a esquecer dos problemas?
– Uma hidratação no cabelo! – Gritou animada.
Guardou o material de limpeza, e arrumou o cobertor sobre o sofá. Assim que terminou, correu para o banheiro.
Em meio aos materiais nas prateleiras embaixo da pia, encontrou a embalagem do produto vazia.
– Aigo. – Disse em agonia.
– Justo quando meu cabelo está ressecado.
Apoiou as mãos sobre a pia.
– Não! Não vou desistir. Hoje a procrastinação não irá me vencer!
Pegando seu guarda chuva, e calçando os sapatos; Fabíola saiu de casa correndo. Desceu as escadas enquanto procurava farmácias por perto.
O comércio mais próximo estava a algumas quadras dali. A mulher apertou o passo, estava muito frio.
Em meio ao caminho, Fabíola se segurou para não cair, depois de tropeçar em uma caixa de papelão no meio da calçada. O estranho era que não havia visto aquele pacote ali.
No interior do papel molhado, a mulher descobriu um pequeno animal tremendo e com medo. Um filhote de cachorro se escondia no fundo da pequena caixa, calado – seu pelo amarelo e molhado, não trazia um cheiro muito agradável –.
– Oh, garotinho. Te deixaram para trás. – A garota disse em tom manhoso.
Pensou por alguns minutos. Deveria levar o cachorro? Não sabia sobre as regras do condomínio. Enfim, seu extinto protetor venceu.
Fabíola, se saber onde colocá-lo, tirou o animal da caixa – que logo se desmanchou por estar encharcada – e o colocou dentro do próprio casaco, o escondendo da chuva. Agora o desafio seria ir na farmácia.
Depois de um tempo de caminhada, ainda com o filhote abaixo de suas vestes, a cacheada encontrou a drogaria. Passou pela entrada sem ser percebida. O cheiro do pelo molhado continuava forte.
Pegou o primeiro produto de hidratação que viu, e correu para o caixa.
No atendimento, uma mulher dava atenção a um idoso que comprava um pacote de fraldas geriátricas. O velho, incomodado pelo cheiro, olhou para trás e espantou-se em ver a garota.
– Aqui. – Entrou uma quantia de dinheiro para Fabíola.
– Há uma sauna a duas quadras daqui, minha filha. Que deus te abençoe. – Continuou ele, e saiu.
A morena não compreendeu o ato do mais velho, apenas continuou e pagou o produto. A mulher do caixa, não se importou.
Andando pela rua, fez questão de checar se o pequeno filhote estava bem. Ele não fazia nenhum barulho.
– Tudo bem, garoto. Logo, logo chegaremos em casa.
O porteiro do edifício estava sentado em sua cadeira, observando as câmeras. Quando Fabíola chegou, logo foi questionada pelo tamanho de sua barriga.
– Senhorita Fabíola, está tudo bem? – Perguntou preocupado.
– Oh, aiaiai. São gases, comi muita comida. – A mulher fingiu.
– Precisa de algum remédio?
– Não, não. Tenho em casa, obrigada! – Entrou no elevador assim que pôde.
No elevador, olhou por todos os lados, por sorte ninguém entrou até que ela saísse.
– Aigo, por que não peguei elevador antes? – Disse consigo mesma.
Entrou em seu apartamento, e trancou a porta. Estava encharcada. O filhote continuava calado.
Sem tirá-lo do casaco. A mulher tirou a vestimenta e enrolou o animal, para que ele pudesse se aquecer.
– d***a, poderia ter ido ao supermercado.
– Já sei!
Fabíola pegou se celular.
Analu, poderia passar no supermercado? Preciso de uma ração para filhotes, e um shampoo; tudo para cachorros. Te dou o dinheiro quando chegar.