Ligo frenética e insitentemente para tentar desmarcar todos os compromissos do Sr. Blane, eu ainda nem consigo acreditar que ele me deu tal ordem, mas eu sigo ela à risca. As secretárias também ficam tão espantadas quanto eu, pois é notória a fama de que o Sr. Blane jamais faltou a um compromisso em toda a sua carreira, os empresários retornam para verifricar se não se trata de um engano e me perguntam se o Sr. Blane está doente, n**o pacientemente a cada um deles que esse seja o caso e remarco, nenhum deles faz qualquer reclamação, mesmo que as remarcações são todas para depois de três meses pelo menos da data atual. Eu também fiquei preocupada devia realmente ter acontecido algo sério, tudo impulsiona o Sr. Blane a trabalhar, se está feliz, ele trabalha, se está irritado, ele trabalha até que toda a sua irritação, raiva ou frustração tenham se dissipado, se alguma coisa na vida o faz parar de trabalhar é extremamente preocupante, não que eu esteja sentindo falta dele, minhas preocupações são totalmente profissionais, mas confesso que estou um pouquinho desconcertada na maneira em que estou me preocupando com o que aconteceu ao meu chefe. De verdade, se não fosse pelo humor dele, eu não teria uma queda, mas um tombo pelo homem.
Eu termino o meu trabalho depois de um longo tempo dependurada no telefone, ainda fico sentada na minha cadeira, pensando em como o Sr. Blane pareceu estranho no momento em que saiu daqui, ele é sempre tão altivo e indecifrável, podia jurar que tinha visto uma ponta de tristeza em sua expressão, o que provavelmente foi uma ilusão da minha cabeça, pois o Sr. Blane é uma estátua impenetrável. Meus pensamentos são interrompido pelo suspiro de Stella que me diz de maneira sonhadora:
- Quais flores você acha que ele vai mandar hoje?
É sexta-feira e hoje é o dia em que exatamente ao meio dia, chegam flores do meu admirador secreto, com tudo o que aconteceu, eu já havia me esquecido completamente disso. Elas sempre vêm com um cartão, com poemas de amor que de tão fofos chegam a ser cafonas, muito meloso para o meu gosto, Sté que é uma romântica incorrigível adora, nós colecionamos eles em uma gaveta da mesa de Sté que tem chave, toda vez que o Sr. ogro Blane me deixa com raiva ou triste, ela saca um desses cartões e com uma voz dramática, lê um pequeno trecho para mim e diz que é para conservar minha humanidade, minha auto estima e alegria.
- Não sei Sté, ele é muito imprevisível quanto a isso, já em relação ao cartão, me pergunto quantos poemas cafonas exitem no mundo, ele podia variar com algo original dessa vez. rsrs
- Eles não são cafonas Cat, são românticos. Talvez quando não tiver mais poemas ele se revele.
- Só espero que ele não demore muito para revelar a sua verdadeira identidade, pois meu tempo aqui na empresa está acabando. É legal ter um admirador, no entanto, não saber quem ele é me deixa aflita, além de ser desconfortável, todos os homens que passam por mim, fico me perguntado qual deles será ele.
- Você sabe que eu tenho um suspeito, não é, mas eu não vou estragar isso, nem para você, nem para ele, acho que vocês precisam um do outro.
- Que bela amiga, hein Sté, está do lado de quem?
- Do seu fofinha, quer saber, pode ir Cat. Eu levo o seu buquê quando nos encontrarmos mais tarde com as meninas. Se ficar aqui vai continuar trabalhando, só vai ficar mais aflita e você não pode se dar ao luxo de perder nem um segundo dessa folga. Faz uns dois anos desde que você descansou de verdade.
- Você tem razão Sté, afinal eu mereço essa folga e eu não sei até quando ela vai durar.
Pego minhas coisas e vou saindo, assim como o Sr. Blane poderia fazer o que disse e passar o final de semana fora, ele poderia resolver que já não ficaria mais nenhum segundo longe da empresa e eu teria que voltar, não importa o que eu estivesse fazendo.
- Isso aí garota, aproveita o dia, dá um t**a nesse visual e fica bem gata para a nossa saída de hoje.
Quando chego em casa sinto uma paz imensa, sinto até vontade de ligar para a Danielle só para agradecer o que quer que ela tenha dito ao Sr. emburrado Blane. Realmente faziam dois anos que eu não tinha um dia de paz, era até estranho estar por aqui a essa hora e o melhor, sem nada para fazer.
Ponho minha série favorita na Tv, a mesma está na quarta temporada, a última vez que assisti estava na segunda, acho que eu sou a única fã da série que não assistiu, aproveito enquanto estou assistindo e faço um Day Spa, que fez milagres em mim tanto por fora quanto por dentro, me senti viva e minha auto estima foi renovada. Pretendo terminar o meu dia com a última temporada da série, sorvete e uma pizza que eu pedi, pois não estava com a menor vontade de sair hoje. Ouço a campainha, minha pizza deve ter chegado, tenho uma surpresa quando abro a porta são minhas amigas, elas estão todas arrumadas e animadas.
- Meu Deus meninas, esqueci completamente que ia encontrar vocês.
Mas elas nem me deixam falar, as três me engolem em uma comemoração maluca com pulos e abraços. A primeira a falar é Andrea, que toca no meu cabelo e diz:
- Até que enfim um dia de glória, né menina, estou vendo que essa folga está te fazendo muito bem.
Felipa grita:
- Fiu, fiu, um dia de folga e ela já fica gata assim, imagina um mês de férias?
- Dá uma voltinha aí!
Andrea completa:
- Você está brilhando, parece até mais viva. Cuidado para o Sr. Blane não te reconhecer na segunda e te confundir com o amor da vida dele.
- Valeu, mas só de estar longe de você sabe quem, já faz milagres. Não corro esse risco, não faço o tipo dele.
Olho ansiosa para Sté, mas ela não traz nada consigo, ela apenas me abraça e me diz:
- Tá linda Cat!
- Obrigada! - Olho para ela com expectativa, está bem que eu não dou muita importância para o meu admirador secreto, mas um buquê de flores hoje coroaria o meu bem estar.
- Hoje elas não chegaram. - Ela me olha com pena. - Sinto muito amiga.
- Que nada. - Tento disfarçar minha decepção. - Entra, vamos comemorar a minha folga, este é realmente um evento inacreditável.
Pegamos umas bebidas, colocamos uma música ambiente e comemos minha pizza que chegou quentinha pouco depois que elas chegaram. As meninas começam a falar das últimas festas da faculdade, eu não fui para nenhuma dessas, estava concentrada no meu trabalho, ou seja servir ao Sr. Blane, confesso que me senti um pouco excluída, elas tem novidades, namorados e vidas normais, eu não tenho nada, só o tédio. Não é de se admirar, haja vista que eu não tive uma vida como a delas, eu nem sequer tenho uma família. Eu nem estava prestando atenção no que elas diziam, estava imersa em meus pensamentos.
Felipa percebe que eu estou calada e pergunta:
- O que foi amiga, porque está com essa cara? Não ficou feliz com o novo departamento? - Saio dos meus devaneios imediatamente.
- Que departamento?
Elas me olham espantadas, como se tivessem me contado um segredo que eu não deveria saber. Pergunto:
- Que história é essa de departamento Felipa?
Stella é quem me explica, mesmo não fazendo parte da turma de estagiários:
- É que hoje à tarde, depois que você foi embora Cat, a Dani disse que já havia sido decidido o futuro dos estagiários formandos e disse para qual departamento cada um iria, somente o Alex e a Irina foram dispensados.
- E quanto a mim, ela disse alguma coisa, ela perguntou por mim?
- Calma Cat. - Sté me tranquiliza, mas não consigo disfarçar o baque que essa notícia me trouxe, talvez eu seja demitida na segunda e o meu plano vai por água abaixo. - Ela não disse nada sobre isso, mas talvez vai te dizer pessoalmente na segunda-feira.
Andrea me diz:
- Não te entendo Cat, vive dizendo que quer sair da empresa e quando aparece uma possibilidade de ir embora, você parece arrasada.
- Você não entende, eu é quem quero chutar o traseiro dele, não o contrário.