Damian Blane:
O final de semana longe de tudo e de todos me fez muito bem, embora eu tenha sentido uma falta gigantesca da Cat, tive que me afastar para elaborar minuciosamente o plano maluco que surgiu na minha cabeça, quase vacilei algumas vezes e liguei para ela. Eu tentei realmente ser uma pessoa melhor para ela, mas toda vez que a vejo, não consigo me manter calmo e sempre faço m***a, ou seja, no meu caminho até aqui, não tenho conseguido nada além de desprezo da parte dela. Eu sei que ela está contando os dias para o estágio terminar e ela me dar um belo pé na b***a, mas eu não vou deixar que ela se afaste de mim, o meu plano vai funcionar e vamos ficar juntos para sempre como deve ser para duas almas gêmeas como nós.
Eu estou no escritório antes de todos, hoje cheguei até mesmo antes da Cat, aprecio a vista da minha janela que é realmente maravilhosa, quando eu escolhi a localização da minha empresa essa vista me ganhou, uma pena que nem sempre o trabalho me deixa apreciar as coisas boas da vida, hoje vai ser um longo dia, muito trabalho atrasado e ainda tenho que por meu plano em prática, a pior parte do meu plano é ter que mentir para ela, eu prezo pela honestidade, porém o desespero faz o homem passar por cima de algumas coisas, principalmente um descarado como eu. Mas eu farei isso, quero mostrar a ela o quanto nós dois somos bons juntos, depois que ela se apaixonar por mim, poderemos estar juntos para a vida toda. Ela é muito inteligente e me conhece mais do que ela pensa, inclusive quando eu minto, o que eu não faço muito, mas eu sei que ela sabe, pois ela comprime os olhos e respira fundo irritada, nada que diz respeito a ela passa despercebido para mim, nós somos um casal há muito tempo, agora só falta a parte boa de se estar em um.
Quando Cat entra na sala com o café na mão, me olha como se tivesse visto um fantasma. Eu não a culpo, eu tenho sido um i****a por muito tempo, ela provavelmente pensa que eu vo a tratar estupidamente como das outras vezes, mas hoje isso não vai acontecer.
Ela diz cautelosamente:
- Bom dia Sr. Blane.
- Bom dia Cat… Catharina.
Ela me olha ainda mais desconfiada, que d***a, eu gaguejei feito um bobo.
- Vou buscar a agenda para repassar os compromissos. - Ela se apressa.
- Espera… - Ela já havia saído da sala. Eu sou um covarde mesmo, não tive coragem para iniciar o plano, mas eu ainda tenho tempo há um dia inteiro para que eu possa introduzir o assunto.
Nós trabalhamos por toda a manhã, ela parece tensa, eu estou tenso, o clima na sala está um pouco pesado. Parece que ambos temos algo a dizer ao outro e não dizemos, a sala está tomada por um silêncio ensurdecedor. Ela deve estar se perguntando porque ainda não foi promovida como os outros, mas ela vai ter algo muito melhor que uma promoção, será a minha querida esposa, ela terá tudo o que é meu, acima de tudo, ela já levou meu coração. Só espero que ela esteja disposta a assumir o seu lugar na minha vida, sei que não é uma tarefa fácil, mas sei que a minha viborazinha tem toda a capacidade e beleza para ser a Sra. Blane.
É hora do almoço, talvez eu chame ela para almoçar, mas quando saio do escritório, fico um pouco confuso, pois vejo apenas a Srta. Souza ali na mesa.
- Srta. Souza, cadê a srta. Montes?
- Ela não estava se sentindo bem e já foi embora senhor.
Que d***a! Eu perdi a minha chance por hoje. Mas, o que será que estava acontecendo com ela? Será que ela estava doente? Será que havia alguém para cuidar dela?
Passei o resto do dia trabalhando, me afundei no trabalho, mas a minha mente sempre voltava para ela, fiquei realmente preocupado que ela estivesse doente. Além disso, eu não iria suportar esperar até amanhã, olho no relógio e são 17h e 30min quase fim do expediente, mas decidi esperar, afinal é somente meia hora e eu tenho que dar exemplo para os meus funcionários, sei que não havia passado despercebido por nenhum deles a minha ausência durante o final de semana, mesmo que quando eu estava aqui no final de semana, não havia ninguém mais. Geralmente, saio mais tarde, no entanto, se eu esperar até o meu horário habitual mais vou enlouquecer essa expectativa é o que não consigo mais suportar. Quando chegou o horário, eu fui o primeiro a sair, pude ver alguns funcionários me olhando como se tivessem nascido chifres em mim.
Demorei meia hora para chegar ao prédio da Cat, eu nem sei como, a hora do rush é terrível, mas eu fiz alguns desvios e cheguei no menor tempo possível. E já estou há quinze minutos aqui dentro do meu carro, tentando acalmar meu coração, que está batendo descontrolado, isso é o que a minha Cat faz comigo, jamais estive assim por mulher nenhuma. Tirei o paletó, a gravata, desabotoei os dois primeiros botões da camisa e levantei as mangas, nada disso adiantou para me acalmar, só uma coisa me faria voltar ao meu ponto de equilíbrio, aliás, alguém, no momento em que saísse o sim da boca dela.
- Dane-se! - Eu não sou mais um garoto, devo agir como um homem, me forço a arrastar o meu traseiro até a porta do apartamento da Cat.
Toco a campainha algumas vezes, demora um pouco, isso me deixa apreensivo, pois ela pode estar em perigo, pode ter passado mau e não consegue abrir a porta, mas ouço uma movimentação do lado de dentro, o que me dá um pouco de paciência para esperar. Quando ela abre a porta, vejo uma Cat, despenteada, com os olhos vermelhos e inchados, parece que ela estava chorando, com um moletom esfarrapado e confesso que apesar de tudo isso ela ainda estava muito bonita. Essa mulher consegue me cativar até quando ela está um trapo, confesso que está adorável.
Ela me olha com chamas nos olhos, como pela manhã, pelo visto, me ver na porta dela era a última coisa que ela esperava e queria. Eu nunca vim aqui, então no momento que ela abre a porta, tento absorver tudo o que vejo, aprender um pouco mais sobre ela. Cat permanece calada, ser taciturno é o meu negócio, por que ela está agindo assim agora?
- Posso entrar Srta. Montes? - Enfim ela parece sair do transe e se afasta um pouco para o lado abrindo espaço para eu entrar. O lugar é pequeno, mas muito arrumado, a única coisa fora de lugar é um pote de sorvete, na mesa de centro, vestígios de que ela não estava doente, mas estava sofrendo. No mesmo instante fico ciumento, será que ela está sofrendo por algum i****a que partiu seu coração?
Talvez ela tenha brigado com o namorado, não que eu soubesse que ela tivesse um, na verdade, quando fiz meu plano eu não pensei nessa possibilidade, no entanto, se ela tivesse brigado com ele, melhor para mim.
Ela me encara e aponta o sofá para mim, da maneira como ela me olha, parece na verdade que ela está com raiva de mim, mas eu não vejo motivos, afinal eu dei um final de semana inteiro de folga para ela é mais do que ela já teve ao longo desses dois anos trabalhando comigo. Continuo olhando tudo ao redor e me parece muito aconchegante, lar. Muito diferente do meu apartamento, eu só dormia lá, não tinha nada que eu tivesse escolhido, algo que tivesse memória. Veio tudo com o apartamento, quando eu comprei e não mudei nada até hoje, não me sentia confortável nele, como nesses poucos segundo estou me sentindo aqui.
Olhando para tudo aqui, concluo que eu com certeza viveria aqui, eu queria que ela me explicasse o porque de cada coisa ali, queria correr meus dedos pelos objetos e por ela também, mas isso teria que esperar. Até que meus olhos param em Catharina, que está me encarando com uma cara de poucos amigos, mas vejo algo dentro no fundo dos olhos dela, que parece que a qualquer momento vão começar a chorar de novo, vejo que ela está magoada comigo, mas não consigo até agora me lembrar o que eu fiz para ela.
- Veio aqui, só para ficar olhando minha decoração Sr. Blane?
Ela me pergunta petulante como sempre, mas eu só consigo pensar em amansar essa fera com muito amor, tanto que ela nem imagina. Seremos realmente um casal notável, se falará de nós por todos os cantos e todas as mulheres terão inveja da Cat ter um marido que a ama tanto quanto eu.
É Sra. Blane, tenho planos ambiciosos para nós dois, apenas espero que você aceite sinceramente.