Uma negociação é melhor que um não

1027 Words
Damian Blane: Catharina pelo menos aceitou me ouvir e isso é um grande avanço, claro que as coisas não estão correndo como eu pretendia, mas posso seguir com meu plano. - Muito bem, então vou explicar tudo, desde o começo para que você entenda meus motivos e não reste nenhum equívoco entre nós. Meu pai está doente, há algum tempo atrás ele fez um testamento. Eu sei que eles só querem o meu bem e me ver feliz, mas o sonho deles é que eu me case e dê netos para eles, o que na opinião deles, se depender de mim, vai demorar muito, muito tempo e talvez nem aconteça se depender de minha única e exclusiva vontade. Cat junta as duas mãos e me diz: - O meu conselho é que trabalhe menos e saia mais Sr. Blane, tenho certeza que rapidinho vai encontrar sua alma gêmea. Digo mentalmente, minha alma gêmea é você Cat, só falta você enxergar isso. - Você vai deixar eu terminar Catharina? - Está bem, continua. - Segundo o que está no testamento, eu tenho que me casar antes dos trinta anos. - Pelo que me lembro, você ainda tem vinte e seis anos, ainda falta muito tempo para trinta, pode ficar tranquilo, é só seguir meu conselho. Os conselhos dela, só me irritam, como eu poderia procurar outra mulher, quando eu tenho vivido uma vida de celibatário só por ela durante dois anos. - Você disse que estava disposta a me ouvir e até agora não parou de falar Catharina. - Ok, você tem razão, mas termina logo com isso. Eu tenho muito o que fazer. - Como o quê? Chorar por toda à noite vendo esse filmes melosos? - Aponto para a Tv, onde está pausada uma comédia romântica que eu já assisti, mas eu nunca admitiria uma coisas dessas, eu tinha que manter a pose de homem sem coração. - Como eu disse meu pai está doente e eu quero mostrar para ele que pode ficar despreocupado comigo. - E você não pode apenas ser alguém normal e apresentar uma namorada para eles? Tenho certeza que basta você acenar e terá uma fila de pretendentes, pode escolher por qualquer uma e me deixar em paz. - Poderia realmente fazer isso, se não estivesse mentindo para eles, por algum tempo, além disso disse que ela era minha assistente e que estava noivo e o nome dela é Catharina. Ela ficou muito surpresa, pude constatar isso pelo abrir e fechar da boca dela, que por sinal é linda. Mas, ela ficou completamente sem palavras agora, quem sabe eu tinha ganhado alguma vantagem. Ela tinha razão eu poderia ter qualquer mulher que eu quisesse, mas a única que eu quero, está bem na minha frente, dizendo não ao meu pedido de casamento. - Eu sinto muito pelos seus pais Sr. Blane, mas eu nunca vou fazer isso. Não acho certo mentir para pessoas que somente querem o seu bem. - Esqueça a mentira, a verdade é que descrevi você todinha, não sei onde eu encontraria alguém igual. - Você é maluco... Não deixo ela continuar, não poderia dar a ela tempo para pensar. - E se fosse simplesmente pela mentira, não estaria aqui, mas essa atitude que tomei, pode afetar muitas pessoas. - Tudo o que eu disse até agora, tem muitas verdades, a pior mentira é que a doença do meu pai não é tão letal assim, afinal as chances de morrer de pressão alta não são relativamente altas, quando tratadas e tenho certeza que minha mãe está colocando o velho Sr. Blane na linha. - O que acontece é que para começar a minha empresa eu peguei o capital inicial com o meu pai. - Mentira. - Não me importei com isso no começo, mas no final, minha empresa está ligada a toda a minha herança. - Suspiro pesadamente, mais por estar mentindo para ela, do que pela minha atuação. - Enfim, se eu não me casar logo com a noiva que eu estou a quase dois anos, meu pai ameaçou alterar o testamento novamente, então, terei que me casar com a noiva que ele escolher. - Mais mentiras, meus pais podem fazer o que quiserem com o dinheiro deles, não me importo nem um pouco, construí minha empresa do zero. Quando saí da faculdade, fiz um aplicativo de relacionamentos e vendi ele por uma pequena fortuna, que só tem aumentado depois que consolidei minha empresa no mercado brasileiro. - Pobre menino rico, sinto muito Sr. Blane, mas não há nada que eu possa fazer para ajudá-lo. Como consegue sustentar uma mentira dessas por tanto tempo? - Quer dizer que você não se importa com o seu emprego? - E eu vou ter que me vender para mantê-lo? Muito obrigada, mas eu passo essa. - Claro que não, o fato é que você acha que eu estou fazendo isso apenas por mim, por egoísmo. - E não é? Qual seria o grande motivo autruísta pelo qual o grande Sr. Damian Blane se sacrificaria a casar com uma pé rapada como eu? - Não se menospreze dessa maneira, você tem muitas qualidades, por isso a escolhi. A minha vida é o que menos estou considerando aqui Catharina, mas sim, estou preocupado com os funcionários da empresa. Se eu não fizer o que ele quer por bem, ele fará de outra forma, como encerrar as atividades da empresa, demitir todos os funcionários e arquivar todos os projetos e ainda garantir que eu nunca os realize. Principalmente os projetos sociais, porque ele sabe que é onde me doerá mais. Vejo Cat vacilar pela primeira vez. - Os projetos sociais também? - Todos Cat. - Putz, o apelido carinhoso que eu uso para ela em meus pensamentos sai sem querer. Mas ela está tão absorta em seus pensamentos que nem percebe como a chamei. Uma breve pontada de culpa surge dentro de mim, mas eu a afasto, nesse caminho até aqui já percebi que sou um covarde. Mas eu preciso tentar, acima de tudo preciso disso. Estar com a Cat, é um sonho que tenho alimentado e ninguém vai me impedir de realizar.
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