Catharina Montes:
Tenho que aceitar que chegou ao fim, eu só não achei que iria ser tão difícil como está sendo, ou talvez eu só estou paranóica e ele veio apenas tratar de algum assunto de trabalho, o que não melhora minha situação, meu contrato ainda vai acabar em menos de um mês. E, eu não tenho nem uma perspectiva de futuro dentro da Blane Corporation, eu teria que juntar os meus cacos e seguir em frente.
Ao contrário de tudo o que eu esperava, as coisas que o Sr. Blane fala após isso, só me fazem ter uma reação, que é uma crise de risos bem incontrolável, não sei se de nervosismo, ou porque a situação me parece cômica, até mesmo ridícula. Então ele veio brincar comigo antes que me dispense definitivamente. O que ele me disse era tão absurdo, nem que ele estivesse dizendo a verdade, não havia como eu ter outra reação.
Ele veio até minha casa para me comunicar que vou me casar com ele. Me parece cômico ou que ele está louco, acho que a folga do fim de semana não fez nada bem para ele. É como eu disse, comunicar, pois ele nem teve a dignidade de parecer que estava me pedindo isso, mesmo que não fosse verdade, ele deveria pelo menos entrar no personagem de maneira mais convincente.
Continuo rindo, não sabia que o meu chefe tinha talento para a comédia, a aparência de um ator de Hollywood é óbvio que ele tinha, mas o talento é uma surpresa, sigo rindo, até o momento em que escuto ele dizer meu primeiro nome.
Nesse momento cai a minha ficha, não vejo o Sr. Blane que eu conheço perdendo o seu tempo milionário apenas para fazer uma piada. Mas, não importa o que ou quem ele seja, não tinha o direito de entrar na minha casa e dizer que não gosta de mim romanticamente e impor para mim um casamento, como se eu devesse algo para ele. Não devo para ele nem para ninguém, a solidão do mundo me fez independente. Ele veria a minha face mais furiosa agora mesmo.
Ele diz que está pedindo, mas a certeza que ele tem na voz de que eu vou aceitar essa oferta absurda, toda a arrogância que trouxe consigo me deixou fora de mim.
- Sai da minha casa. - Digo apontando em direção à porta e toda aquela risada anterior se transformou em uma fúria avassaladora.
-Catharina, me escuta. - Com a maior calma do mundo, como se não estivessem saindo loucuras da boca dele e a louca fosse eu.
- Você só pode estar louco Sr. Blane, se acha que eu sequer vou cogitar essa proposta absurda que saiu da sua boca, infernizou minha vida por longos e infindáveis dois anos, nunca teve a mínima consideração comigo, nem como pessoa, nem como funcionária e agora acha que sou louca a ponto de aceitar uma proposta dessas, sem mais nem menos. Só sendo muito arrogante e narcisita como eu sei que você é para achar que vou dizer sim, para um disparate desses. - Ele teve a audácia de ainda parecer triste, eu fiquei de boca aberta, pois jamais vi qualquer expressão naquele rosto de estátua, além disso, ele ainda parecia mais bonito, me arrependi imediatamente das minhas palavras. Mas, elas estavam presas na minha garganta por um longo tempo.
- Olha, eu sei que não tenho sido o melhor chefe do mundo, mas se eu não precisasse realmente não estaria aqui. Me deixa pelo menos explicar.
Respiro fundo, eu nunca aceitaria uma proposta dessas, mas não custava nada escutar o que ele tem a dizer. Talvez no final eu acabe rindo de novo.
- Tudo bem, mas fique sabendo que eu não vou aceitar de jeito nenhum sua proposta. - Eu já vi o Sr. Blane negociar muitas vezes, ele é um negociador implacável, nesse momento isso não importa, porque não há motivos nesse mundo que me farão mudar de ideia, eu não vou me vender por qualquer preço que seja. Eu valho muito mais do que qualquer coisa que ele possa me oferecer. Beleza não é tudo, posso não ser uma beldade, mas tenho o meu valor.