ALANA
Finalmente eram seis horas e a Ivy estava terminando as tranças das clientes. É sempre bom conversar com as diferentes mulheres e ouvir suas opiniões, embora o assunto favorito delas fosse homens. O salão de beleza era basicamente um grupo de mulheres. Você recebe muito apoio das meninas. Todas tinham algo a dizer, discordar ou concordar. Tipo, irmãs ou algo assim. Irmãs que eu vejo uma vez por semana ou a cada duas semanas.
— Meu Deus, obrigada! — gritou a cliente de Ivy, olhando para o próprio cabelo no espelho. Ela agradeceu e lhe entregou o dinheiro.
— Ei, mantenha seu cabelo hidratado, não precisamos de tranças secas aqui. — Ivy riu, contando seu dinheiro.
Ela tirou o avental, foi até os fundos e voltou com a bolsa e uma vassoura. E começou a varrer. Lembro-me de todas as vezes que a Ivy tentou trançar meu cabelo, mas eu não deixei. Eu não queria que nada mexesse com meus cachos.
— Com fome? — Ela se aproximou e eu me levantei.
— Morrendo.
[...]
— Cheeseburger duplo com bacon. Bacon extra. Sem cebola, sem picles e sem mostarda. Cuidado com a maionese e o ketchup. — Eu só fiquei olhando e rindo enquanto a Ivy pedia sua comida. Se eu trabalhasse aqui, jogaria a comida dela nela.
— E para beber? — Ele olhou entre nós duas.
— Limonada de morango para mim e normal para ela. — eu disse a ele, interrompendo Ivy antes que ela pudesse dizer uma palavra. Ele assentiu e foi embora, e eu encarei Ivy enquanto ela dava de ombros.
— Se cuspirem na sua comida, não me diga nada. Essa é a regra número um em um restaurante. Não irrite o garçom antes que a comida chegue.
— E sobre um encontro às cegas?
— Não. — eu a repreendi. Por que as pessoas se interessam tanto pela minha vida amorosa?!
— Alana. Encontros casuais a cada 2 ou 3 meses não vão te satisfazer, e está na hora de você parar de focar no Henrico e se concentrar mais em si mesma. — Tudo o que ouço é blá blá blá blá. Não me importei com o que ela estava dizendo. Na verdade, eu estava bem. Mais ou menos.
— Que tal se mudar? Seria mais fácil seguir em frente. — ela sugeriu, e eu balancei a cabeça negativamente. Gosto de ver um Henrico sem camisa andando por aí. Consigo fantasiar melhor com ele. Além disso, é uma vista linda. — Ok, que tal arrumar um emprego? Pra você não pensar nele? — Mais uma vez, balancei a cabeça negativamente. Eu não precisava de um emprego. Eu tinha dinheiro suficiente para me sustentar.
Minha mãe era uma mulher muito rica e morreu de câncer. Nunca a conheci porque ela nos abandonou por outro homem, mas quando completamos 20 anos, ela começou a entrar em contato com meu pai, tentando nos ver novamente antes de morrer. Não fomos. Eu não queria. Não tinha motivo para isso, mas Alice queria. Eu não tinha nenhum apego emocional à mulher, ela era apenas uma desconhecida, para mim. Então, quando ela morreu, recebemos um telefonema dizendo que queriam que fôssemos à leitura do testamento dela. Eu ainda não queria ir, mas Alice e meu pai me disseram para parar de ser tão teimosa, então fomos.
Acontece que ela deixou para mim e para Alice $ 23,8 milhões e mais $ 4 milhões que eram para o fundo fiduciário dos nossos futuros filhos. Não poderíamos tocar nele até depois do nosso 25º aniversário se não tivéssemos filhos. Mas se tivéssemos filhos antes do nosso 25º aniversário, o dinheiro vai apenas para os nossos filhos. Ela deixou algum dinheiro para o meu pai, mas não foi nem de longe tanto quanto ela nos deu. Ela possuía mais de 12 propriedades. 6 restaurantes e 6 empresas, e nós éramos donas de todas elas. Nós as distribuímos entre nossos familiares de confiança com base em onde moravam, porque não podíamos estar em todas elas ao mesmo tempo. Eu não administrava nenhuma delas, no entanto. Alice e Henrico sim, eles tinham um diploma em administração.
Ela deixou nosso meio-irmão, que nunca conhecemos, para administrar uma empresa, mas, surpreendentemente, não o deixou ser dono dela. Eu ia vender a empresa para ele de qualquer maneira, porque não conseguiríamos administrar tudo. Não fazia sentido.
Nunca pensei que, por ser uma herdeira rica, pudesse me tornar preguiçosa. Eu simplesmente não tinha experiência para ajudar a administrar uma empresa, muito menos um restaurante. Eu poderia ajudar com mudanças de interiores e coisas do tipo, mas tomar decisões e tudo mais não era algo que eu pudesse fazer.
— Temos que ir. Tenho que pegar o Nathan e te levar para casa. — Ela olhou para o relógio e eu assenti, terminando minha comida.