ALANA
Finalmente chegamos ao local de trabalho da Ivy depois de um longo sermão sobre meus sentimentos por Henrico, ao qual praticamente ignorei. A Ivy era cabeleireira e era ótima.
Ao entrar, muitas garotas que eu chamo de frequentadoras assíduas disseram “oi” ou “você está linda”, cumprimentando a mim e à Ivy. Eu não era muito sociável, no entanto. Chegamos à última cadeira, onde estava a Ivy, e ela foi até os fundos para pegar seu avental. Sentei-me na cadeira onde se faz pedicure.
— Ah, não. O que houve, Alana? — perguntou-me uma colega de trabalho da Ivy, que era meio amiga minha.
— Ela está amargurada porque gosta de um cara que já tem compromisso. — Ivy entrou, falando por mim, me fazendo revirar os olhos.
Eu não estou amargurada.
— Garota, conta pra ele, e talvez ele perceba que quem quer que esteja com ele não é melhor que você. — interrompeu uma cliente comum.
Mas isso definitivamente não era uma opção. Eu nem me considerava melhor que a Alice, e não conseguiria confrontar o Henrico sobre isso. Muita coisa poderia dar errado. Ele poderia começar a rir e achar que estou brincando, poderia surtar, se sentir desconfortável e ir embora, contar para a Alice e prejudicar nosso relacionamento ou me excluir completamente. Não havia um bom acordo ali.
— Não é porque estou amargurada, é porque não entendo por que ele não me quer.
— Você é uma mulher forte, Alana. Provavelmente é isso. — A colega acrescentou e algumas frequentadoras concordaram com um murmúrio ou disseram “certo”.
— Por que isso importa?
— A maioria dos homens não quer uma mulher que não possam controlar ou domar. É muita coisa para lidar, e você sabe que os homens não gostam de trabalhar por nada.
Isso era verdade para algumas pessoas, mas não para Henrico. Ele era um trabalhador esforçado.
— Tudo bem se alguém não te achar atraente, mas alguém vai achar.
Levantei-me, fui até o fundo e me olhei no espelho, com inveja. Eu tinha tudo. Coxas, bünda, p****s, o cabelo, o rosto. Minha pele estava sempre brilhando. Eu tinha lindos olhos azuis-oceano que brilhavam à luz do sol ou do luar. Meu corpo era magro, curvilíneo, como uma ampulheta, só que com mais bünda e p****s. Cintura de 66 cm e quadris de 104 cm para ser exata. 65 kg de sensualidade. Quem não me desejaria?
— Alana, você é linda pra caramba, e se ele não vê, que seja cego. — Cada vez mais garotas tentavam me elogiar, mas eu não dava ouvidos. Eu sabia que era linda e deslumbrante, mas obviamente não o suficiente.
Alice era muito parecida comigo, com algumas pequenas exceções. Ela tingiu o cabelo de loiro mel quando os outros não conseguiam nos diferenciar. Ela tinha seïos maiores, cintura de 60 cm e quadris de 94 cm, pesando 62 kg.
Talvez eu só precisasse perder peso? Nunca tive problemas com meu corpo, e outros homens também não. Sempre recebi elogios, mas as únicas duas palavras que consegui ouvir do Henrico foram “linda” ou “maravilhosa”, que é o que toda mulher quer ouvir, mas ele diz isso inocentemente.
Quero que ele diga como meus seïos são lindos, como minha bünda e coxas eram grossas e como ele não conseguia tirar as mãos delas. As coisas que a maioria dos caras diz quando me vê, mas isso é um desânimo.
— Oi, pessoal! — Uma garota entrou com um chapéu na cabeça e todos retribuíram o cumprimento, e ela foi se sentar na cadeira da Ivy.
Então, Ivy fez a pior coisa que poderia ter feito... Ela tirou o chapéu.
— PÖRRA! — Todo mundo gritou quando o cabelo dela saiu. Parecia tão seco e com crostas, tipo uma merda queimada.
— Que pörra é essa garota?! — Eu andei até ela, circulando-a, e todos, inclusive Ivy, começaram a rir do meu desabafo.
— É um daqueles dias. — Ela suspirou.
— Tente um mês. — Ivy suspirou profundamente.
— Tente três. — Eu ri.
Ivy a levou até o lavatório e revirou os olhos para mim.
— Nem todo mundo consegue ter cachos naturais como você. — E todo mundo cantarolou em resposta. Ah, haters!
— Meus filhos estavam me estressando pra caramba e eu nunca tinha tempo para arrumar meu cabelo — disse a garota.
— E o papai? Ele não pode ajudar? — perguntei, mais como se estivesse sugerindo.
— Nossa, esse cara é um babaca. Transa com qualquer um que tenha uma böceta entre as pernas.
Foi assim que começou a conversa sobre vagabundos. Eu, no entanto, não me envolvi nisso. Em vez disso, pensei no Henrico. Como ele era um homem bom. Mesmo com ciúmes, ele é muito bom para Alice e eu o amo por isso, porque ainda quero que minha irmã seja bem tratada. Mas você conhece o ditado... “Os bons já estão comprometidos”.
Então, os maus foram os que sobraram, te deixando grávida e com filhos, e foram embora. Isso só me fez perceber que Alice e Henrico iriam querer começar uma família e eu definitivamente não teria chance com ele... Não que eu queira agora.