3 - Opostos polares

813 Words
ALANA Parando em frente à casa azul-clara com dois carros na garagem e grama perfeitamente aparada, fomos até lá e batemos na porta. A porta se abriu e uma linda mulher morena, tão linda que nem dava para perceber que ela tinha 6 filhos, era a mãe da Ivy, ou melhor, minha mãe também. — Meu Deus, é você? — Ela me puxou para um abraço e eu retribuí graciosamente. — Sim, mãe, sou eu. Desculpe por não vir aqui com frequência. — Não. Garota boba. — Ela riu, nos enxotando, eu e Ivy, para dentro de casa. Ivy colocou Nathan no chão e ele começou a correr, caiu e se levantou rindo. Então, ele correu para os braços do pai de Ivy, que começou a beijar sua cabeça e abraçá-lo. — Ei, homenzinho! Diz pra sua mãe te trazer mais vezes. — Nathan deu uma risadinha e Jackson, o pai da Ivy, se aproximou e me deu um abraço também. — Faz um tempo. — Ele beijou minha testa. — Sim, eu... — ALANA! — Meu nome foi gritado e em segundos dois meninos pularam nos meus braços, com outros ao redor, me abraçando repetidamente. Eram os irmãos da Ivy. Três meninos, de 5, 7 e 9 anos. Depois, duas meninas, de 11 e 13 anos. E todos queriam um pedaço de mim. Beijando a cabeça dos dois meninos mais novos, ri ao ver as caras de beicinho dos outros. — Tem Alana pra todo mundo. — Coloquei-os no chão, agachei-me e todos me deram um abraço. A Ivy tinha uma família grande. Eram seis no total, mas dois deles tinham pais diferentes dos outros. Eu os via como meus irmãos mais novos, já que éramos só eu e a Alice. Eu costumava cuidar deles no ensino fundamental até ir para a faculdade. Foi difícil porque os meninos eram muito pequenos e os outros queriam minha atenção, mas eu fiz dar certo e eu amava todos eles. — Certo, crianças. Agora vão e levem o sobrinho de vocês. — Jackson entregou para Nathan para Nastasia, de 13 anos, e todos eles foram embora. Então fui puxada para a mesa para o que chamo de entrevista. — Alana, como você está? O que você tem feito ultimamente? — Nora, mãe da Ivy, pegou minha mão, animada para saber com seus grandes olhos castanhos. — Tenho me saído bem. Sabe, não tenho feito muita coisa. Terminei a faculdade com um diploma em artes há 4 anos, então só fiquei em casa. — Ooh, arte. Isso é bom. Você tem alguma ideia do que vai fazer com esse diploma? — Sim. Em breve vou começar a fazer tatuagens e quero ter meu próprio estúdio daqui a uns 3 ou 4 anos. Ainda sou jovem, então estou levando meu tempo. — E uma pessoa especial? — Nora me olhou com um sorriso largo, pronta para ouvir minha resposta. — É. Estou de olho em alguém. — Sorri e Ivy riu baixinho, então dei um chute nela por baixo da mesa. — Seja quem for, se for esperto, você vai chamar sua atenção e ele não vai te deixar passar. — Ela deu um tapinha na minha mão e eu agradeci, mas sabia que ela estava errada. Eu nunca chamaria a atenção dele. Eu venho olhando para ele há anos! Ivy se arrastou para fora da cadeira, batendo as mãos suavemente na mesa. — Bem, temos que ir. Não vou me atrasar por causa da sua entrevista. Comecei a rir junto com Nora, caminhando em direção à porta. — Eu não trabalho até tarde, então você não precisa ficar cuidando dele por muito tempo. Tome. — Ivy entregou a Nora uma nota de US$ 100. — Espere, Ivy... — Te amo! — Ivy me puxou porta afora, batendo-a com força atrás de si. Ela costuma fazer isso. Os pais dela cuidavam dele de graça, mas ela sempre lhes dava dinheiro, que eles provavelmente davam para as crianças de qualquer jeito. — Estou de olho em alguém. O nome dele é Henrico. O marido da minha irmã, com quem estou proibida de ficar. — Ivy riu, zombando de mim, e eu bufei, recostando-me. — O que há com a Alice? Ele não me vê?! Somos exatamente iguais! Somos gêmeas! — Era tão irritante. Como você pode se sentir atraída por uma gêmea e não pela outra se somos exatamente iguais? — A Alice não é como você, Alana. Vocês têm personalidades diferentes. Não se trata apenas de aparência. Eu queria que fosse. Eu sabia que éramos diferentes. Eu era mais do tipo que responde rápido, que dá uma surra, enquanto a Alice era do tipo que mata com gentileza e palavras. Opostos polares. Por que um homem iria querer alguém que fica calado o tempo todo? Era só isso que a Alice fazia. Eu simplesmente não entendo.
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