ALANA
Ao acordar, olhei para o relógio. Eram 8h, um pouco mais cedo do que costumo acordar, mas pelo menos não dormi demais. Espreguiçando-me e bocejando, repassei os acontecimentos na minha cabeça e mordi o lábio, relembrando o meu sonho. Era mais como uma fantasia sëxual. Eu não tinha sonhos sexuais todos os dias, mas era bom tê-los de vez em quando. Eu queria que fossem reais, mesmo sabendo que nunca seriam. Era errado em tantos níveis até mesmo ver o marido da minha irmã do jeito que eu vejo, quanto mais ter sonhos sexuais com ele, mas minha mente e meu coração tomaram suas próprias decisões e ambos queriam Henrico.
Sentindo o cheiro do delicioso café da manhã da Alice, corri para a cozinha e vi minha linda irmã gêmea colocando comida nos pratos. Ela olhou para cima, cruzando seu olhar com o meu e franziu a testa.
— O que há de errado?
— Nada. Não consegui dormir ontem. Seus gemidos altos foram a causa. Tive que dormir no quarto de hóspedes de novo, e você sabe como faz frio lá dentro. — Peguei meu prato e o coloquei no balcão com o garfo.
Henrico entrou sem camisa.
— Desculpa, Alana. Ela pode ser bem barulhenta às vezes. — Ele riu, e todas as palavras pareceram sumir enquanto ele continuava a falar.
Eu não conseguia me concentrar. Meus olhos estavam sendo atraídos por seu peito e abdômen perfeitos. Meu Deus, eu só queria que ele jogasse meu prato no chão e me comesse neste balcão agora mesmo. Eu preferia ele do que este café da manhã.
Henrico era a definição de perfeição aos meus olhos. Olhos verdes hipnotizantes que pareciam sempre brilhar. Seu corpo atlético e tonificado, com sua estrutura musculosa e abdômen definido. Eu adoraria lamber o suor daquele peitoral. O jeito como sua calça de moletom caía perigosamente baixo, bem na linha do "V", hummm. Seu tom de pele era tudo, especialmente quando o sol o abençoava todas as manhãs. Eu amava seu cabelo. Castanho-claro e ondulado. Ou o que os homens chamam de moicano cacheado com efeito degradê, mas eu o chamo de sexy.
As tatuagens dele me deixam excitada toda vez que as vejo. Um par de asas de anjo sobre o peito com uma frase no meio que diz: “Não tenha medo de correr atrás do que você realmente quer.”
E não pararam por aí. À direita do peito dele estava o nome de Alice com um anel, e à esquerda, o meu nome com um coração. Ele tinha uma com um leão coberto de lindas rosas. Digo a mim mesma que meu nome com aquele coração significava mais do que ele queria, mas eu sabia que não era.
Um tapa alto me tirou do transe, seguido pela risada de Alice, que afastou a mão dele da bünda dela. Como eu queria que ele batesse na minha bünda...
— Vá se vestir, safado. — Ela riu de novo, dando-lhe um pouco de bacon e ele gemeu, lambendo os lábios, parecendo muito sexy e tal.
Meu Deus, esses lábios! Aqueles lábios sensuais e deliciosos que eu quero devorar com os meus! Ele piscou para ela, beijou sua bochecha e correu escada acima. Eu não os suporto.
— Você sabe o quê, Alana?
— O quê, Alice? — Lá vem ela com esse absurdo.
— Você precisa de um homem. — E eu mantive a posição correta. Acenei com a mão, encerrando a conversa. Ela vem me dizendo isso há meses.
— Estou falando com alguém. — Menti, rindo internamente, mas alguém decidiu me chamar a atenção.
— Besteira. — Henrico riu, descendo as escadas com seu terno que o fazia parecer um daddy bilionário.
Alice ajeitou a gravata dele, enquanto ele a encarava com tanto amor que me deixou de mau humor. Argh!
— Estarei em casa por volta das 8:00. — Eles se beijaram e então ele deu um tapa na bünda dela, caminhou até mim, beijando minha bochecha e saiu pela porta da frente.
— Tenho que me arrumar para o trabalho. Terminar. — Alice beijou minha testa, subindo as escadas correndo. Suspirei fundo, espetando meus ovos.
Eu queria tanto que eu e Alice pudéssemos trocar de posição. Quer dizer, somos gêmeas idênticas, ninguém notaria, tenho certeza. É por isso que não entendo por que o Henrico não gosta de mim? Nós nos conhecemos há 14 anos, desde que eu tinha oito anos. Comecei a construir minha paixão quando fiz 13 anos. Costumávamos flertar o tempo todo conforme crescemos, mas acho que era só por brincadeira. Ele nunca disse que gostava mais de mim do que de uma amiga, então não disse nada.
Alice e Henrico também eram amigos, mas éramos melhores amigos, éramos mais próximos. Mas então Alice se apaixonou por ele, e ela contou a ele, mesmo sabendo que eu também gostava. Eles começaram a conversar em um nível diferente, saindo juntos por um ano. Então, oficializaram tudo há 4 anos e ele a pediu em casamento, e eles estão casados há 3 anos.
Não melhorou em nada, já que eu e a Alice compramos uma casa juntas. Quando ele a pediu em casamento, ela pediu que ele se mudasse, então ele se mudou e começamos a morar juntos. O Henrico ainda era, de certa forma, como meu melhor amigo, mesmo que não passássemos tanto tempo juntos como antes, porque a atenção dele é para a Alice. Ele nunca tentou me pedir para dar espaço a eles ou nunca quis se mudar para um lugar novo porque me queria por perto, porque ele dizia:
— Quero minha linda irmã perto de mim, com minha linda esposa. Minhas duas mulheres favoritas no mundo.
Não gostei dessa afirmação. Irmã dele...
Ele mäl sabia que sua "irmã" era perdidamente apaixonada por ele. Eu soube que o amava há 4 anos, quando fiz 18 anos. Alice estava no Missouri com nosso pai naquela semana de verão, então éramos só eu e ele...
Fui puxada para fora dos meus pensamentos pelo som de saltos batendo no chão frio e olhei para cima para ver Alice em seu traje profissional.
— Como estou? — Ela girou como se estivesse de vestido, com um grande sorriso no rosto.
— Bom. — Claro que ela parecia bem, eu era gêmea dela.
— Obrigada. Vou chegar tarde em casa, então não me espere acordada. — Ela beijou minha cabeça novamente e saiu de casa. Por que ela continua beijando minha cabeça como se eu não fosse a mais velha?
Ah, dane-se...
Terminando de comer, corri escada acima e chequei meu celular. Como sempre, minha melhor amiga, Ivy, me mandou uma mensagem. Clicando no nome dela, o telefone começou a tocar.
— Olá, bom dia. Estou ligando para saber se você gostaria de sair e tomar café da manhã comigo?
— Eu já comi. Na próxima vez.
— Bem, vista-se. Você ainda vai sair de casa.
— Não, eu... — Ela desligou na minha cara. Argh!
Joguei meu celular na cama e fui para o banheiro. Eu só conseguia tomar banho com água quente, de tão quente que era, minha pele normalmente ficava vermelha, mas, ah, quem se importa? Eu gosto da sensação de queimação. Ela me dá arrepios pelo corpo.
Ao sair, a primeira coisa que fiz foi meu cabelo. Não que eu realmente precisasse. Eu tinha cabelos longos, cacheados, loiro-escuros, naturais, 3b, que chegavam à cintura, considerando que eu tinha apenas 1,57 m. Normalmente, eu apenas penteava meus cachos, os hidratava e os deixava soltos.
Vesti minha camiseta branca do dia a dia e meu short jeans azul-escuro. Eles não eram curtos o suficiente para deixar minhas nádegas de fora, mas ainda assim ficariam.
Assim que terminei de borrifar meu perfume de baunilha, ouvi a buzina lá fora. Peguei meu celular e a chave, corri escada abaixo, tranquei a porta e corri até o Lincoln Continental dela. Dei um abraço nela, olhando para trás e vendo seu filho de 2 anos, Nathan.
— Ei, homenzinho. Você está tão bonito, Nathan. Acho que você está melhor que sua mãe. — Acariciei sua bochecha gordinha com o polegar, mas ele manteve o foco no iPad que tinha nas mãos.
Ivy tinha 20 anos, 2 anos mais nova que eu. Ela engravidou aos 17 e, 9 meses depois, teve o bebê aos 18. Ele era um bebê fofo.
Fiz cócegas na barriga dele e ele deu risadas adoráveis que só bebês conseguem dar.
— Vou deixá-lo na casa da minha mãe por enquanto. — disse Ivy, ajeitando sua camisa e eu assenti.
— Como você dormiu? — Argh.
— Bem, eu dormi bem no quarto de hóspedes. O Henrico e a Alice estavam me mantendo acordada. Ivy, eram meia noite! — Revirei os olhos, deitando a cabeça na janela e ela começou a rir.
— Sinto muito, Alana, mas você precisa superar o Henrico e encontrar outra pessoa que não seja casada com sua irmã gêmea.
Eu estava tão farta de ouvir isso dela. A Ivy era a única pessoa no mundo que sabia. Mas ela descobriu sozinha. Aparentemente, quando falo dele, tenho um ''certo olhar" nos olhos. Ela sabia que eu tinha sentimentos, mas nunca lhe disse que estava apaixonada por ele. Ela já é irritante, por que dar mais munição a ela? Não importa quantas vezes ela me diga para superá-lo, eu não vou. Simplesmente não consigo.