Laura Castelo narrando
De frente ao espelho olhando cada detalhe do meu corpo, do traje em que estou usando e ainda sim me custa acreditar, que eu tive coragem de usar essa peça íntima e dançar na frente de toda aquela gente como eu dancei, toda sensual, mesmo que eu estivesse de máscara, ainda sim, eu me sentir envergonhada ali, por todos estarem me vendo de peças íntimas, dançar sensual com aquele homem, e depois naquele poli dance, definitivamente não estava em meus planos, nada, absolutamente nada estava, não foi essa a vida que escolhi para me, que eu queria traçar, não foi, e ainda sim, olhando assim não me sinto diferente das outras, me vejo e me sinto como uma prostituta, dançar como dancei, sensualmente e ousada como fui, não me faz diferente daquelas que usam o sexo, o seu corpo para se sustentar, não sou, mesmo que ainda não fiz isso, mais e agora qual será o próximo passo? Irei fazer isso também para me sustentar? São perguntas sem respostas, são tantas coisas para se pensar e repensar, o contrato já foi assinado, voltar atrás não tem como mais, como a Laís mesmo falou, é um caminho sem volta pelo qual eu mesma que escolhi sozinha a trilhar, eu mesma que me coloquei nessa, eu mesmo que procurei e achei.
Eu pensava que iria dançar diferente, o vestido estava em minha mente, que vestido perfeito, mais a roupa por baixo do vestido não estava, eu fiquei incrédula, não queria usar de jeito nenhum, meu corpo, minhas regras, mais aí vi que estava totalmente enganada, agora não tinha mais isso de decidir fazer o que eu quero, não com um contrato assinado e relido por me, porém eu não imaginava que seria assim, não mesmo, por isso optei pela máscara, não queria que ninguém visse meu rosto, e também porque usando máscara não mostraria meu rosto todo envergonhado, e não muito contente em estar ali.
Me visto em um roupão, pois não sei o que fazer, se vou embora, se continuo aqui, se terá mais apresentação, definitivamente não sei, estou sem saber o que fazer, perdida em pensamentos, que está em uma repleta confusão, uma bagunça sem fim.
Margot- Querida você foi esplêndida, como é linda, como foi sensual e ousada naquele palco, sem tirar sua essência, mais quero saber de você, como você está?
Laura- Há Margot estou péssima, me sentindo envergonhada, estranha, uma mistura de sentimentos sem fim, inexplicáveis e confusos, totalmente desconhecidos a me, dentro de me, eu não sei o que estou sentindo nesse momento, só sei que em detalhes estou com vergonha de me mesma, me olho no espelho e não me reconheço, a mulher que um dia eu fui, que fui criada para ser, é como se essa mulher que está no reflexo do espelho não fosse eu, fosse uma outra versão minha, sabe?
Margot- Sei sim querida, eu te entendo, eu posso sentir sua dor, confusão, sua vergonha, tudo isso que estás sentindo, e junto com você, abraço toda essa confusão que carrega consigo, venha cá menina, chore tudo que tiver pra chorar, o choro alivia a alma, acalma o coração e a mente, o choro pode durar por uma noite, mais amanhã vem as coisas boas, um novo amanhã.
____ Em seus braços, com seus carinhos em meus cabelos, me sinto como se estivesse em casa, em um lar, nos braços da minha mãe, Margot tem cheiro de mãe, de calmaria, de lar, tem cheiro de mãe.
André- Tudo bem por aqui?
___ Assusto-me com o André na porta falando conosco, pois eu havia cochilado nos braços da Margot devido o choro e o cansaço mental.
Margot- Tudo sim, ela não se sentiu bem e vir ajudá-la, agora está melhor.
André- Fez bem, mais tem certeza que está bem agora? Se não estiver, posso levá-la ao hospital de nossa confiança.
Laura- Não precisa, agradeço a preocupação, mais estou bem agora.
André- Como quiser, o chefe a espera em sua sala.
Laura- O Hugo?
André- Não esse chefe, o chefe dos chefes, o Maximus.
Laura- Quem?
André- Maximus Rusciolelli o dono disso tudo.
Laura- O que ele quer?
André- Isso sinceramente não sei lhe dizer Laura, só estou cumprindo ordens.
Laura- Ok.
___ O acompanho para fora do quarto, vou olhando as coisas a minha volta na tentativa de tentar atrasar o máximo que posso, para estar com o chefe, chefe esse que do qual não conheço, e achava que o dono era o Hugo, e mais uma vez estava totalmente enganada sobre esse lugar, e tudo que representa e há nele.
André bate na porta, e uma voz grossa e rouca soa lá de dentro, ele abre me dando passagem para que eu entre, e se retira me deixando a sós com olhos que me fitam, que me cercam, o Hugo sentado em uma poltrona totalmente relaxado, sem a parte de cima do terno comendo os cheetos, fazendo um barulho um pouco irritante, mais nem tanto, e a minha frente, sentado em uma cadeira grande como se fosse um rei, há um homem poderoso, sim, digo não pelo ambiente todo a sua volta, e sim pela áurea que emana de si, exala poder, força, mistério e perigo, muito perigo, seus olhos me intimida de uma certa forma, como se pudesse enxergar minha alma, se é que é possível, e me fazendo sentir como um peixe fora d’água, como se eu estivesse nua por debaixo do roupão, de tão penetrantes e escuros que são seus olhos.
Maximus- Sente-se Laura.
____ Fico tentada em obedecer ou não, pois continuo em pé feito uma estátua.
Hugo- Relaxa Laura, o Maximus tem essa cara de pitbull mais não morde não.
___ O homem a minha frente continua sentado com sua postura inabalável, me olhando, e me pergunto se ele não é a estátua aqui? Já que o mesmo não faz um movimento sequer, sento na cadeira como se a mesma fosse me morder, como se isso fosse possível.
Maximus- Há clientes interessados em você Laura.
Laura- Que tipo de interesse?
Maximus- Convenhamos que você sabe do que se trata o rumo dessa conversa, mais se quer bancar a desentendida, muito bem, sexo por prazer Laura, esse tipo de interesse que envolve uma mulher e um homem aqui na Ruscio Dark Valley.
___ Ele diz com sua postura inabalável, como se o que acabou de dizer fosse a coisa mais normal do mundo, talvez até fosse, mais não na minha cabeça, no meu ver e pensar, não vou vender o meu corpo a troco de dinheiro.
Laura- Não!
Maximus- Como não?
Laura- Achei que fosse mais de raciocinar senhor Maximus, não fui clara como água?
Hugo- Laura não se brinca com fogo, uma hora pode acabar se queimando, o Maximus não é como eu, veja bem.
Laura- Não tenho culpa dele ter a mente aberta para algumas coisas e outras não.
Maximus- Eu entendi muito bem o teu não Laura, quero saber o motivo do não tão óbvio assim.
Laura- No contrato não diz que devo dizer o motivo, ou que sou obrigada a algo que não queira.
Maximus- Não, não é obrigada a nada, se não quer se aventurar a outros tipos de trabalho, é porque de certa forma desconhece o corpo masculino, e posso até se dizer que desconhece o seu próprio corpo. Estou mentindo Laura?
___ Nesse momento nossos olhares estão preso um no outro se olhando intensamente, ou somente eu faço isso? Porque esse homem tem o poder sobre me prender assim ao seu olhar? Sobre si, pois nem sei o que dizer a sua pergunta, pareço uma tapada nesse momento, como se não tivesse boca pra o responder.
Maximus- Laura?
Laura- Não, não está, posso me retirar?
Maximus- Sim Laura.
Me retiro da sua sala sem olhar para trás, ou pronunciar uma só palavra sequer, retorno ao quarto onde estava, me sento na penteadeira que tem aqui, me olhando de frente ao espelho, com o dedo contorno meu rosto, e me pergunto se vale a pena ir adiante com isso? Se quero mesmo isso pra minha vida mesmo sabendo que não há mais como voltar atrás, que já está feito, mais não quero ser apenas um rosto bonito, um corpo bonito, onde esses homens que estão aqui em busca de aventuras, de sexo por prazer, procuram o mesmo em me, não quero isso para minha vida, não mesmo, essa não sou eu, não faz parte de me, de quem fui criada para ser, e não vou por esse caminho do qual sei que vou me arrepender amargamente pelo resto da minha vida, e não quero isso, quero ter outro emprego, vou correr atrás por enquanto que estou aqui, e assim que conseguir, termino o contrato e vou embora daqui sem olhar para trás, e ainda vou tirar a Laís daqui, a levar comigo, isso não é vida para ela, não a quero aqui sendo usada por esses homens que a vê como apenas um objeto, ela merece muito mais que isso, merece ser amada, respeitada, cuidada é valorizada, e nada disso ela terá aqui, não será aqui que encontrará isso.