Capítulo 12 — Estefany
Tem gente que entra na nossa vida devagar.
Uma conversa aqui.
Outra ali.
Meses de convivência até existir confiança.
E tem gente que simplesmente aparece.
Como se já estivesse ali há muito tempo.
Larissa era esse tipo de pessoa.
E isso era estranho.
Muito estranho.
Porque eu não costumava fazer amizade fácil.
Conhecia muita gente.
Falava com muita gente.
Mas amizade de verdade?
Era diferente.
Exigia tempo.
Conexão.
Confiança.
E, mesmo assim, nem sempre acontecia.
Mas com ela…
Parecia natural.
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Acordei tarde naquela manhã.
O quarto ainda estava meio escuro quando peguei o celular na cabeceira.
Uma notificação.
Depois outra.
E mais outra.
Franzi a testa.
Quem manda tanta mensagem cedo?
Abri.
Larissa.
Claro.
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Larissa:
“Bom diaaaa.”
“Ou boa tarde.”
“Tu deve estar dormindo ainda.”
“Gente que trabalha de madrugada não é normal.”
“Aliás…”
“Meu pé tá me matando por tua culpa.”
“Nunca mais danço daquele jeito.”
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Não consegui evitar a risada.
Olhei o horário.
Onze e quarenta e sete.
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Eu:
“Bom dia pra você também.”
“E ninguém te obrigou a dançar.”
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A resposta veio quase instantânea.
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Larissa:
“Mentira.”
“Tu obrigou todo mundo.”
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Balancei a cabeça sorrindo.
Ridículo.
A gente se conhecia há menos de um dia.
E parecia que aquela conversa já existia fazia meses.
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Levantei da cama ainda respondendo mensagens.
Minha mãe já estava na cozinha.
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— Tá feliz.
Olhei pra ela.
— Bom dia pra você também.
— Tá feliz.
— Por quê?
— Porque tá sorrindo pro celular.
Revirei os olhos.
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— É uma amiga.
— Ah.
O tom dela era claramente de quem não acreditou.
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— É sério.
— Uhum.
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Peguei uma fatia de pão.
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— Mãe.
— Não falei nada.
— Mas pensou.
— Pensei mesmo.
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Era impossível vencer discussões com mães.
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Passei o restante da manhã organizando algumas coisas de trabalho.
Separando músicas.
Respondendo e-mails.
Confirmando datas.
Mas, entre uma tarefa e outra…
O celular vibrava.
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Larissa.
Sempre Larissa.
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Uma foto da faculdade.
Um áudio reclamando de um professor.
Um vídeo de um cachorro fazendo alguma coisa i****a.
Uma reclamação sobre trânsito.
Outra sobre calor.
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E eu me peguei esperando pelas mensagens.
O que era estranho.
Porque fazia muito tempo que alguém novo não entrava tão fácil na minha rotina.
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Por volta das três da tarde, recebi uma ligação do Lucas.
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— Tá viva?
— Dependendo do motivo da ligação, não.
— Que educação.
— Aprendi contigo.
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Ele riu.
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— Reunião amanhã.
— Eu sei.
— E sábado tem evento.
— Também sei.
— Então por que parece que tu não tá prestando atenção em nada?
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Silêncio.
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— Tá exagerando.
— Tô?
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Droga.
Mais um.
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Primeiro minha mãe.
Depois Lucas.
Agora só faltava alguém me entrevistar oficialmente.
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— O que você quer?
— Saber se tu tá bem.
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Suspirei.
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— Tô.
— Tem certeza?
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Pensei por um segundo.
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Eu estava?
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A verdade era que minha vida continuava exatamente igual.
Mas, ao mesmo tempo…
Não.
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Porque alguma coisa tinha mudado.
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Talvez fosse o Nilo.
Talvez fosse a Larissa.
Talvez fosse aquela sensação de que coisas estavam começando a se conectar de formas que eu ainda não entendia.
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— Tô bem — respondi.
— Beleza.
— Só isso?
— Só.
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Ele fez uma pausa.
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— E aquele cara?
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Fechei os olhos imediatamente.
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Claro.
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— Que cara?
— O da boate.
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Silêncio.
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— Não sei do que você tá falando.
— Mentira.
— Tchau, Lucas.
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Desliguei antes que ele continuasse.
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Idiota.
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Joguei o celular no sofá.
Cinco segundos depois ele vibrou.
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Larissa.
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Sorri sem querer.
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Larissa:
“Olha isso.”
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Uma foto.
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Cliquei.
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Era ela.
Sentada em uma mesa cheia de livros.
Cara de sofrimento.
Caneca de café.
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Ri.
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Até perceber outra coisa.
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No fundo.
Desfocado.
Quase fora do enquadramento.
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Mas eu reconheceria mesmo assim.
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Meu coração tropeçou.
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Nilo.
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Foi tão rápido que nem consegui evitar.
Ampliei a imagem.
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Ele aparecia ao fundo.
Sentado no sofá.
Mexendo no celular.
Expressão séria.
Como sempre.
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Meu estômago apertou.
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Estranho.
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Muito estranho.
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Fiquei olhando por alguns segundos.
Talvez tempo demais.
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Até perceber uma coisa.
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Meu irmão.
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Foi isso que ela tinha dito na noite anterior?
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Não.
Ela não tinha falado.
Ou tinha?
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Fechei a foto.
Abri novamente.
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Nilo.
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De novo.
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Meu coração acelerou.
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Por quê?
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Porque, de todas as pessoas possíveis naquela cidade…
Por que justamente ele era irmão da Larissa?
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Não fazia sentido.
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Ou fazia.
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Talvez o universo estivesse simplesmente se divertindo às minhas custas.
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Respirei fundo.
E respondi.
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Eu:
“Quem é esse no fundo?”
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A resposta veio quase na hora.
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Larissa:
“Quem?”
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Mandei um círculo na foto.
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Segundos depois:
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“Ah.”
“Meu irmão.”
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Meu coração bateu forte.
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Uma vez.
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Depois outra.
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E eu fiquei encarando a tela.
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Meu irmão.
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Era tão simples.
Tão casual.
Tão normal.
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Mas não parecia.
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Porque eu lembrava daquele olhar.
Daquela voz.
Daquela presença.
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E agora descobria que ele fazia parte da vida da minha nova amiga.
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Que loucura era aquela?
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Larissa:
“Por quê?”
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Pensei.
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Muito.
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E depois digitei:
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“Nada.”
“Só achei que já tinha visto ele em algum lugar.”
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Mentira.
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Mas não estava pronta para explicar.
Nem para mim mesma.
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Muito menos para ela.
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O assunto mudou logo depois.
Naturalmente.
Como sempre acontecia entre nós.
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Mas minha cabeça não mudou junto.
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Porque, pela primeira vez desde que conheci Larissa…
Eu fui até o perfil dela.
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Não por ela.
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Por ele.
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Rolei algumas fotos.
Vi viagens.
Faculdade.
Família.
Amigos.
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E então encontrei.
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Outra foto.
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Mais antiga.
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Nilo.
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Dessa vez sem estar desfocado.
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Encostado ao lado da mãe.
Braços cruzados.
Olhar sério.
Exatamente como eu lembrava.
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Fiquei olhando.
Tempo demais.
De novo.
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Até que uma percepção estranha me atingiu.
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Eu não sabia quase nada sobre ele.
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Mas, de alguma forma…
Agora ele parecia mais próximo.
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Mais real.
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Não era mais apenas o homem que aparecia em momentos aleatórios da minha vida.
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Era o irmão da Larissa.
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O filho daquela mulher que aparecia nas fotos.
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Uma pessoa.
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Uma família.
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Uma história.
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E isso tornou tudo muito mais perigoso.
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Porque curiosidade é fácil de controlar.
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Mas quando a curiosidade começa a virar interesse…
Aí as coisas complicam.
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Desliguei a tela do celular.
Tentando encerrar o assunto.
Encerrar os pensamentos.
Encerrar tudo.
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Mas, lá no fundo…
Eu já sabia.
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Não estava funcionando.
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Porque, enquanto eu encarava o teto da sala em silêncio…
Uma pergunta insistia em voltar.
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A mesma.
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Sempre a mesma.
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Quem era Nilo de verdade?
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E por que toda vez que eu encontrava uma resposta…
Apareciam dez perguntas novas no lugar? 🔥