A vida seguia tranquila, calma como a superfície do mar, e mais previsível que o clima.
Nessa tarde de um domingo ensolarado, achei de passear pelo Broklyn Bridge, fazia muito tempo que não espairecia, que não pensava em outra coisa que não fosse trabalho. Uma vida morna é confortável, adaptável e segura, eu não tinha do que reclamar, levando em conta como era minha vida há três anos atrás.
Quando você se prende à uma perspectiva, você se limita a perceber o que se passa ao seu redor. Pessoas vem e vão, um mundo diferente passa por você, e você não percebe. Meu trabalho envolvia comunicação, de qualquer forma, me sentia conectada às pessoas, fazia parte do cotidiano delas. Já conheci muitas pessoas trabalhando ali, sempre fui gentil com cada uma delas.
Viver a vida era a melhor arte, nada se comparava as sensações, dirigir um olhar ou uma palavra às pessoas. Entretando, a breve conversa que tive com aquele estranho na outra noite, plantou em mim a semente da discórdia, quando perguntou-me sobre os planos para meu futuro. Eu estava decepcionada comigo mesma, pois parecia que eu tinha desisto de uma vida melhor para mim.
Era extraordinário que depois de tudo que passei, não pudesse esperar coisas boas da vida, não que meu futuro estivesse condenado porque meu passado não foi bom. Esses momentos de reflexão eram necessários para não enlouquecer, mas ainda assim eu fugia de me trabalhar para ser alguém melhor. Não falo de caráter, mas sim de estudos, oportunidades de me preparar para viver a vida de uma forma melhor.
A tarde estava caindo quando decidi voltar, a praça estava com mais movimentação, estava cheia de crianças brincando. Uma criança corria solta pelo o parque, enquanto poderia estar imaginando saltar da mais alta nuvem, e escorregar num lindo e enorme arco-íris no céu. Eu gostava de observar esse tipo de coisa, era agradável, relaxante.
Estava distraída observando os sorrisos e a correria no pátio, quando meu corpo trombou com o de outra pessoa. Meu coração saltou do peito quando me virei para me desculpar, aqueles mesmos intensos olhos azuis como cristais prenderam minha atenção de imediato.
— Você de novo! — ele apertou os lábios num meio sorriso, e eu me senti envergonhada. — Desculpe, outra vez... — ajeito minha postura.
— Lili, não é? — assenti sem jeito. Ele ainda lembrava do meu nome. — Costuma vir aqui? — ele me olhou de cima abaixo. Eu estava com um casaco jeans ridículo e velho, enquanto ele vestia um sobretudo que devia ser muito caro.
— Não sempre, mas sim... — ele ficou me encarando, e depois me mostrou um banco vazio.
— Quer sentar um pouco? — eu concordei, me sentando ao seu lado. — Aproveitando o dia de folga?
— A semana m*l começou! E você? — tomei coragem para olhar para ele, e ele parecia confortável.
— Gosto de observar o mundo.
— Também — dei de ombros. — Mas o senhor deve ser mais ocupado do que eu!
— Senhor? Pareço ser tão velho assim? — eu não consegui segurar a gargalhada, porque ele pareceu realmente preocupado.
— Eu te chamaria pelo seu nome, se eu soubesse. — Ele assentiu, tirando sua mão do bolso e estendendo para me cumprimentar.
— Henry Montanari. – Eu apertei sua mão vergonhosamente fraco.
— Hum, estive pensando na nossa breve conversa, senhor Montanari. – Sorri, mas falando de um jeito enigmático.
— Mesmo? No que esteve pensando? — ele realmente pareceu interessado.
— Nada demais... — de repente me senti arrependida de ter tocado no assunto. Até parece que eu iria desabafar minha vida com esse cara.
— Você por acaso se tocou que é nova e inteligente, e que tem tempo para mudar de ideia? — lhe encarei tímida, contendo um sorriso travesso nos lábios.
— Vou adicionar esses detalhes...
— A vida nos entrega oportunidades a todo momento, basta sabermos notar e aproveitá-las.
— Obrigada pelo o conselho — lhe sorri, ainda envergonhada.
— Você mora longe daqui? — me voltei para as crianças.
— À duas quadras a sua esquerda — ele ficou quieto por um tempo, e um vento frio arrepiara meu corpo.
— O que acha de jantarmos? — olho para ele, surpresa. Ele ergue a sobrancelha esperando por uma resposta.
— Tudo bem... — Tudo bem mesmo? Ele era um estranho, sua maluca!
— Eu conheço um lugar aqui perto — ele se levanta e oferece seu braço para apoio.
A atitude formal me deixou boquiaberta, eu acabei rindo sem querer, e ele me lançou um olhar sério demais. Rapidamente aceito me apoiar em seu braço, e assim começamos uma caminhada tranquila, e sem pressa. Me mantive atenta a todo momento.
— Você nasceu aqui?
— Eu sou do Bronx, me mudei para cá há três anos. – Respondi.
— Hum. — Ele estava concentrado nos carros que passavam.
— E você? — perguntei, ainda me sentindo acanhada.
— Londres, mas moro atualmente em Manhattan.
— Sabia que tinha algo a mais no seu sotaque! — ele aparenta ter achado graça, e m*l percebi quando estávamos entrando em um restaurante.
Eu conhecia, mas nunca tinha entrado aqui, era um pouco caro, mas ele que me convidou. Será que ele aceitaria dividir? Ele escolheu uma mesa distante, onde havia pouquíssimo movimento. Ele arrastou uma cadeira para mim, me deixando desconsertada novamente com tanta formalidade. Ele era um cavalheiro.
— É a minha convidada, fique à vontade para escolher o que quiser — ele sorriu minimamente.
— Não, nós vamos dividir!
— Eu não perguntei, eu afirmei a informação — fico boquiaberta com sua ousadia, ele dá de ombros como se não se importasse. Eu respiro fundo, resolvendo deixar a situação como está. — Então, a única coisa que faz da vida é trabalhar?
— Isso é um insulto? — ele me encarou preocupado. — Eu também divido um apartamento com uma amiga. Dividir espaço com a Samy é o mesmo que dividir com uma criança!
— E você é a adulta responsável da história? — ele ergue uma sobrancelha, como se não acreditasse nisso, me fazendo gargalhar. Ele pareceu se divertir com minha reação. Ele chama o garçom e então fazemos o pedido rapidamente, eu escolhi um prato simples e água para acompanhar. — Conheceu ela aqui?
— Não, na verdade eu vim pra cá com ela.
— Imaginei que tinha vindo com sua família — ele se aproximou, como se estivesse interessado nesse assunto.
— Não tenho mais contato com a minha família desde então... — limpo a garganta.
— Toquei num assunto delicado? Sinto muito.
— Não, não... — ele fixa o olhar como se quisesse arrancar mais algo de mim. — Você tem muitos compromissos pelo o Broklyn? — mudo de assunto.
— Na verdade, não. — Ele se estica na cadeira.
— Então, o que faz por aqui? — ele respira fundo. — Ah, desculpa, não é da minha conta!
— Não tem problema. Na verdade, eu voltei na lanchonete, mas não te encontrei lá — fico boquiaberta com a informação. —, estava indo pegar a ponte para voltar pra casa, quando te vi no parque.
— Entendi... — fiquei lhe observando, e ele fez uma expressão engraçada.
— Isso é estranho?
— É sim — e finalmente lhe arranco um sorriso aberto.
— Eu gostei da última conversa que tivemos.
— Conseguiu resolver seus problemas? — o garçom trás os nossos pedidos.
— Na verdade, eu pensei em uma solução temporária. — Ele responde, assim que ficamos sozinhos novamente.
— Que bom! — começo a comer.
— Você não quer saber?
— Não é da minha conta. — Dou de ombros.
— Mas eu quero dividir com você. — Será que ele me considera uma nova amiga? Lhe dou um sorriso como resposta, e então ele continua. — Você gostaria de entrar num relacionamento sério publicamente comigo? — estreito os olhos para ele.