Capítulo 9 – Chamas

1122 Words
Ela sentiu seu estômago revirar. Ele estava ali, no seu espaço, e, por mais que tentasse não demonstrar, algo dentro dela queria que ele ficasse. Algo dentro dela queria mais, queria entender o que era essa coisa bizarra que se acendia sempre que ele estava perto. Mas ela não podia ceder. Não podia. — Você não pode simplesmente entrar no meu quarto quando quiser! — a voz dela saiu mais afiada do que ela pretendia, mas não se importou. Era melhor manter a frieza, a distância. Era melhor fingir que ele não a afetava, que ela não sentia nada quando ele olhava para ela daquele jeito. Enzo a observou por um momento, seus olhos escaneando-a de maneira que fazia o corpo de Helena se tensionar. Cada movimento dele parecia intencional, calculado, como se ele estivesse sempre no controle. O olhar dele a atravessava, desafiador, como se estivesse lendo seus pensamentos mais íntimos, as partes mais vulneráveis de seu ser. Era essa sensação que ela odiava. Ele a fazia sentir-se exposta, desnuda, mesmo quando ainda estava vestida. — Você é minha esposa, Helena — ele disse, a voz baixa e quase um sussurro, mas com uma intensidade que a fez estremecer. Ele sabia o efeito que suas palavras tinham sobre ela. Ele sempre soubera. — Eu posso fazer o que quiser. Helena cerrou os dentes, tentando controlar a raiva que borbulhava dentro de si. Aquela palavra, "esposa", ainda soava estranha para ela, carregada de significados que ela não aceitava. Ele podia dizer o que quisesse, mas isso não significava que ele tivesse qualquer tipo de poder sobre ela. Ela não era propriedade de ninguém. Não dele. Não de ninguém. — Você não me possui — ela falou, com a voz mais firme do que sentia. Mas a resposta dele foi um sorriso lento, cheio de confiança, como se soubesse algo que ela não sabia. Algo que a fazia sentir um desconforto inexplicável, como se estivesse sempre um passo atrás. Como se ele estivesse constantemente adiantado, conhecendo-a melhor do que ela mesma. — É mesmo? — ele perguntou, com um tom desafiador. Ele se aproximou lentamente, os passos calculados, seus olhos fixos nela como se estivesse caçando. Cada movimento dele era medido, como se ele tivesse total domínio sobre a situação. E, no fundo, Helena sabia que ele tinha. Mas isso não significava que ela ia se entregar. Ela cruzou os braços, tentando manter uma postura firme, mesmo que por dentro estivesse começando a ceder àquela tensão crescente. Ela odiava o poder que ele tinha sobre ela, a forma como ele mexia com suas emoções, como um maestro conduzindo uma orquestra. — Se acha que esse casamento te dá algum poder sobre mim, está enganado — ela disse, tentando soar mais convicta do que realmente estava. Ela não sabia por que se sentia tão vulnerável diante dele. Não sabia por que sua respiração começava a falhar, por que seu corpo respondia à presença dele de uma maneira que ela não conseguia controlar. Enzo deu um passo à frente, tão perto dela agora que podia sentir o calor do corpo dele invadindo o espaço entre eles. Ele não a tocou, mas parecia tão próximo que o ar entre eles ficava denso, quase insuportável. Ele olhou nos olhos dela, e Helena sentiu algo diferente, algo mais profundo que não conseguia identificar. — Você fala isso com tanta convicção… — ele murmurou, a voz rouca, e de repente ele estava ainda mais perto. Ele parou a poucos centímetros dela, e Helena teve que prender a respiração. Era como se o mundo ao redor deles tivesse desaparecido. Só existia ela e ele, o espaço entre seus corpos pulsando com uma energia que ela não podia ignorar. A raiva que ela sentia por ele estava lá, mas agora havia algo mais. Algo mais visceral, algo mais perigoso. Ela odiava que ele tivesse esse efeito sobre ela. Ele não tinha o direito de fazer isso. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia se afastar. — Seu corpo me entrega — ele sussurrou, a voz carregada de algo que ela não queria entender, mas que a fez estremecer de maneira que ela não conseguiu controlar. A raiva, a vergonha, o desejo — tudo se misturou em uma explosão interna, e Helena não sabia como reagir. A ideia de que Enzo tinha poder sobre ela, sobre seus desejos mais íntimos, a enfurecia. Mas ele não estava errado, e isso a torturava. Cada fibra do seu ser queria gritar, resistir, empurrá-lo para longe, mas seu corpo estava traindo seus pensamentos. Ele sempre fazia isso. Sempre jogava com ela, sempre a fazia questionar tudo o que ela pensava ser verdade. Sem pensar, ela ergueu a mão, com a intenção de empurrá-lo, mas Enzo foi mais rápido. Ele segurou seu pulso com firmeza, impedindo qualquer movimento. A força dele era quase assustadora, mas de alguma forma, também era excitante. Ele não a machucava, mas a intensidade de seu toque a fazia sentir-se vulnerável de uma forma que ela jamais imaginou ser possível. O silêncio entre eles era denso, quase palpável. O calor entre seus corpos parecia aumentar, e o espaço entre eles se tornou uma chama prestes a explodir. Ela sentiu o toque quente e firme de suas mãos segurando-a, sentindo a eletricidade no ar. Era como se ele estivesse tirando a força dela, absorvendo-a de alguma forma. Ela deveria recuar. Deveria empurrá-lo, afastá-lo. Mas o olhar de Enzo, fixo em seus lábios, a fazia perder o controle. O desejo, o ódio, tudo se misturava em uma confusão de sentimentos que ela não podia mais controlar. A tensão explodiu em uma faísca de calor e desejo. Ele não a tocou, não a beijou, mas o simples fato de estar tão perto dela, de sua presença invadir cada poro de sua pele, a fez questionar tudo o que acreditava ser verdade sobre si mesma. Ela se aproximou, quase instintivamente, seus lábios a um milímetro dos dele, e sussurrou: — Se acha que pode me quebrar, Enzo, está muito enganado. O sorriso de Enzo foi sombrio, cheio de algo que a fez estremecer. Ele não respondeu, mas seu olhar disse tudo. Ele gostava daquele jogo. Ele gostava do desafio. Ele gostava de vê-la se perder. Mas Helena não estava disposta a perder. Não ainda. Ela se afastou lentamente, ainda sentindo a vibração de sua presença em cada célula de seu corpo. A guerra entre eles estava apenas começando, e ela estava pronta para lutar. Mas, no fundo, sabia que, de alguma forma, ele já havia marcado. E isso, ela não podia negar. A linha entre o ódio e o desejo estava se tornando cada vez mais tênue. E ela sabia que, no final, não havia como voltar atrás.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD