Capítulo 8 – A Primeira Faísca

1001 Words
Helena andava de um lado para o outro no quarto, com as mãos fechadas em punhos. Ela estava tentando ignorá-lo. Tentando esquecer as palavras que ele sussurrou na noite anterior. Tentando apagar a forma como sua pele ardeu sob o olhar dele. Mas era impossível. Ele estava em sua mente, como um veneno que se espalhava lentamente, destruindo todas as suas barreiras. A porta se abriu de repente. Ela virou-se rapidamente, o coração disparando ao vê-lo entrar. — Você não pode simplesmente entrar no meu quarto quando quiser! — sua voz saiu afiada. Enzo a observou por um instante, os olhos percorrendo-a lentamente. Ele vestia uma camisa branca aberta no topo, revelando parte do peito definido, e as mangas dobradas até os cotovelos. Despreocupado. Controlador. Como sempre. — Você é minha esposa, Helena — ele disse, a voz baixa e carregada de algo que a fez estremecer. — Eu posso fazer o que quiser. Ela cerrou os dentes. — Você não me possui. Ele sorriu de canto. — É mesmo? Ela cruzou os braços, tentando manter a postura firme. — Se acha que esse casamento te dá algum poder sobre mim, está enganado. Ele se aproximou lentamente, o olhar fixo no dela, como se estivesse saboreando cada palavra. — Você fala isso com tanta convicção… — Enzo murmurou, parando a poucos centímetros dela. Ela sentiu o calor dele. O perfume amadeirado e intenso invadiu seus sentidos, fazendo sua respiração falhar. — Mas eu vejo como você reage a mim, Helena. Ela abriu a boca para retrucar, mas ele foi mais rápido. — Seu corpo me entrega — ele sussurrou. A raiva cresceu dentro dela. Ele sempre fazia isso. Sempre jogava com ela. Helena não suportava a ideia de que Enzo achava que tinha poder sobre seus desejos. E, pior ainda, não suportava a ideia de que ele podia estar certo. Sem pensar, ela ergueu a mão, com a intenção de empurrá-lo para longe. Mas Enzo foi mais rápido. Ele segurou seu pulso firmemente, sem machucá-la, mas com força suficiente para impedi-la de se afastar. Os olhos dele se estreitaram, e algo mudou no ar entre eles. O silêncio se tornou denso. O calor entre seus corpos aumentou. Helena sentiu o toque quente dos dedos dele em sua pele, a eletricidade pulsando entre os dois. Seu coração bateu forte. Ela deveria recuar. Deveria afastá-lo. Mas não conseguiu. O olhar de Enzo deslizou para os lábios dela, e a tensão explodiu como uma faísca no ar. — Você quer saber o que é verdade? — ele murmurou, a voz rouca. Ela não respondeu. Não conseguia. — A verdade, Helena, é que você me deseja tanto quanto me odeia. O sangue dela ferveu. — Você está errado. — Então me prove. O desafio estava lançado. O tempo parou quando Enzo puxou-a para perto, seus corpos se chocando. Helena sentiu o calor do peito dele contra o seu, a firmeza das mãos segurando sua cintura. Seu corpo se acendeu instantaneamente. Foi como se cada parte dela respondesse ao toque dele, contra sua vontade. A respiração dela ficou pesada. Ela queria odiar aquilo. Queria afastá-lo. Mas tudo o que conseguiu fazer foi ficar ali, presa naquele jogo perigoso. — Ainda acha que estou errado? — Enzo sussurrou contra sua pele, seus lábios quase tocando sua mandíbula. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele não a beijou. Não a tocou além do necessário. Mas a deixou em chamas. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. E Helena odiava admitir que, naquele momento, ele a tinha exatamente onde queria. Mas isso não significava que ela perderia. Se ele queria brincar… Ela jogaria também. Levantando o olhar, Helena encontrou os olhos de Enzo e sorriu de canto, mesmo com o coração martelando no peito. Então, inclinou-se até que seus lábios estivessem perigosamente perto dos dele. — Se acha que pode me quebrar, Enzo, está muito enganado. Os olhos dele brilharam com algo sombrio e faminto. A tensão era insuportável. Por um momento, parecia que ele ia beijá-la. Mas ele apenas soltou seu pulso lentamente, permitindo que ela se afastasse. Um sorriso lento se formou em seus lábios. — Eu gosto de desafios, esposa. Ela respirou fundo, tentando recuperar o controle. Mas já sabia. Já sentia. A guerra entre eles estava apenas começando. E a linha entre ódio e desejo estava cada vez mais difícil de distinguir. Helena andava de um lado para o outro no quarto, seu corpo tremendo de frustração. A raiva que consumia seus pensamentos era imensa, mas havia algo mais, algo mais difícil de lidar. Ela sentia a pressão crescendo dentro de si, como se uma força invisível a estivesse apertando, comprimindo seus sentimentos até o ponto de explodir. Cada passo que ela dava parecia mais pesado que o anterior, como se estivesse carregando o peso de um fardo que ela não queria carregar. Era impossível não lembrar da noite passada. Cada palavra de Enzo ecoava em sua mente, reverberando, queimando sua mente e sua alma. Ela tentava se convencer de que nada daquilo tinha importância, que as palavras dele não tinham poder sobre ela. Mas a verdade era que ele estava em sua mente, se infiltrando em cada pensamento, cada espaço vazio onde ela tentava se esconder de si mesma. A porta se abriu de repente, cortando seus pensamentos. Ela virou-se instantaneamente, o coração disparado, e viu Enzo entrar com a mesma postura arrogante de sempre. Aquele homem sempre parecia tão seguro de si, tão seguro de seu lugar no mundo, que ela se perguntava se alguma vez ele havia sentido alguma dúvida. Ele estava impecável como sempre, vestindo uma camisa branca que parecia ter sido feita sob medida, a gola aberta, revelando o peito definido que sempre a fazia perder a concentração. Ele estava de costas para ela por um instante, mas Helena não conseguia tirar os olhos dele. A energia que ele irradiava era impossível de ignorar, como se ele tivesse o poder de controlar cada pedaço da sala com sua presença
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