Cap. 6

810 Words
Henrique abriu os lábios para respondê-la, estava prestes a dizer aquela mulher o quão maravilhosa ela era e que certamente o marido era um t**o por não valorizá-la, mas a voz grave do conde o interrompeu. - O que está havendo aqui? Valentina se levantou apressadamente desamassando o vestido. - Meu marido, não estava me sentindo bem. Deve ser algo que comi ou bebi, não sei ao certo. Vim tomar um pouco de ar e o marquês fez a gentileza de me acompanhar. - Perdão milorde, mas preferi não deixá-la sozinha. Temi que se sentisse m*l e caísse, ou algo assim. O Conde abriu um sorriso amarelo e abraçou a esposa. - Talvez nosso herdeiro enfim esteja a caminho. O senhor não sabe como espero por um herdeiro milorde. - Disse voltando sua atenção ao marquês e ignorando a presença de sua esposa. - Sabe como são essas mulheres de hoje em dia, mais secas do que árvores no outono. Henrique sentiu sua saliva descer queimando, mas temendo colocar a condessa em uma situação complicado apenas abriu um sorriso fraco. - Se não se importa, vou me recolher. - Valentina deu um último olhar ao marquês, um simples olhar que falava e suplicava mais do que mil palavras. Não sabia porquê tinha desabafado com ele, talvez tivesse chegado em seu nível máximo de tristeza, talvez já não esperasse melhora alguma em seu casamento ou simplesmente desistira de sua vida … Fosse o que fosse, preferia que ele não contasse a ninguém o que lhe confidenciara em um momento de fraqueza. Graças a Deus, o olhar dele assentiu seu pedido. - Mas é o seu aniversário, querida. - Falou entredentes. - Por favor … Não me sinto bem. - Respondeu mantendo a farsa, talvez se o marido acreditasse que ela esperava um herdeiro a deixasse se retirar em paz. Certamente não diria a ele que estava no meio de seu ciclo. Marcos deu dois passos em direção a esposa, deu-lhe um beijo na bochecha e assentiu. - Veja só, como são fracas as mulheres. - Disse risonho enquanto observava a esposa de afastar. - Em realidade, acho que Valentina é mais fraca do que a maioria. Sempre foi sensível demais e se estiver mesmo esperando nosso primeiro filho, certamente ficará de cama. Henrique controlou a vontade que sentira de revirar os olhos. - Não é elegante a maneira como se refere a sua esposa. - Respondeu sem conseguir escutar nem mesmo mais um comentário ridículo daquele. Marcos ergueu-se e endireitou a coluna, foi como se tivesse levado um soco na costela. Conversara com alguns homens sobre o convidado novo e descobrira que não se tratava de nenhum cavalheiro, mas sim um tremendo, irremediável e incontestável libertino, estava certo de que o marquês aplaudia internamente a forma que tratara e se referia de sua esposa. - Perdão milorde, é só que … - Mulher nenhuma merece ser tratada com tanta falta de respeito milorde, menos ainda na frente de um estranho. O senhor tem uma bela e jovem esposa, creio que deveria tratá-la melhor. - O senhor não é nenhum santo com as mulheres pelo que andei ouvindo. - Murmurou, mas não como ataque, não gostaria de se indispor com um marquês, ainda mais sendo ele parente de um duque. Henrique estendeu a mão esquerda, mostrando ao conde a falta de uma aliança. - Certamente, e é por esse motivo que não me casei até hoje. Bom, talvez eu nunca me case, mas esteja certo de que nunca, em hipótese alguma desrespeitei uma dama. - Peço perdão ao senhor se foi isso o que pareceu, eu e Valentina brincamos sempre assim e … - Não é comigo que o senhor deve se retratar. Henrique abriu o primeiro sorriso verdadeiro ao conde pelo simples fato de vê-lo desconcertado. - Se o senhor não se importa, também estou de saída. A festa estava magnífica. Marcos estendeu a mão ao marquês que a pegou com firmeza. - Por favor, volte para um jantar. - Será um prazer. Falarei com o Duque e aguardaremos o convite oficial. Henrique manuseou a cabeça levemente em um aceno de despedida e deu de ombros. Marcos por sua vez, não sabia aonde enfiar a cara. Tinha sido ele mesmo com Valentina afinal, talvez tivesse exagerado um pouco nas brincadeiras para aparecer, mas aquele era ele e certamente teria que agir diferente na próxima vez que visse aquele homem. Não podia permitir que o jovem o visse com tão maus olhos, assim o duque teria o mesmo pensamento a seu respeito e isso seria ultrajante. Não demorou muito para a festa acabar depois da saída da aniversariante e logo em seguida a partida do duque. E Marcos deu graças a Deus por isso. Tinha tido a benção de ter um duque em seu baile e na mesma noite conseguira estragar tudo.
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