A SURPRESA

1347 Words
Capítulo 7 Narrativa do Autor O pai de Esmeralda não voltou para o Rio de Janeiro. Já faz um mês que Esmeralda vendeu a casa. Os carros estão guardados em uma vaga de garagem no Centro da cidade. Na quinta-feira, Esmeralda recebe a visita de um advogado, dizendo que estava ali a mando de seu pai. Esmeralda mandou que entrasse. Gonçalo entrou junto com o advogado do pai da Esmeralda. Ela já estava ficando muito nervosa com o silêncio do homem. Ele tirou um documento da pasta, dizendo que era um contrato de casamento. Esmeralda arregalou os olhos verdes, deu um grito de desespero e chamou Gonçalo. Gonçalo veio correndo: — O que foi, patroa? Aconteceu alguma coisa? — Por favor, fica aqui na sala e ouça tudo que esse advogado tem para dizer. Por favor, não saia daqui. O advogado começou a explicar que aquele papel era um contrato de casamento que seu pai havia firmado com um mafioso quando ela ainda era menor. Agora o Dom da máfia estava cobrando. Na segunda-feira, ele estaria ali para resolver o resto do acordo. Segundo ele, agora tudo estava nas mãos de Esmeralda. O Dom estava ameaçando matar uma senhora chamada Marina, a menina Maria Isabel e todos aqueles que Esmeralda amasse. Não pouparia ninguém, e ela deveria ser virgem, como seu pai havia garantido. Que cumprisse sua parte no acordo, para que tudo corresse bem. Disse isso entregando o documento nas mãos de Esmeralda. Logo se despediu e saiu porta afora. Esmeralda ficou ali, sem entender o que tinha acontecido. Devagar, a ficha começou a cair. Seus olhos começaram a escurecer e ela desmaiou. Gonçalo a colocou na cama e chamou a empregada, que rapidamente chegou à porta do quarto. — O que aconteceu? — perguntou ela, esfregando os pulsos de Esmeralda. O segurança explicou tudo. A mulher se assustou com tamanha crueldade. Esmeralda acordou meio zonza: — Fiquei tão nervosa que esqueci de tentar saber onde meu pai está morando. Gonçalo disse que tinha a placa do carro do advogado e ia descobrir de onde ele era. Esmeralda ficou sem saber o que fazer, mas a primeira coisa foi chamar Marina. Prontamente Marina foi até sua casa. Esmeralda contou tudo que estava acontecendo e chorou muito. Foi quando entendeu que, se já estava casada, sua herança estava comprometida. Rapidamente se levantou da cama, pegou Marina pela mão e seguiram para o banco. Chegando lá, passou toda a sua fortuna em vida para Marina. Depois, seguiram para o cartório para fazer a doação em vida. Marina, então, fez um documento dizendo que a mesma quantia seria do futuro filho que Esmeralda viesse a ter. Esmeralda se sentiu melhor fazendo o que fez, pois de maneira nenhuma deixaria sua fortuna para o pai. Mabel chama Esmeralda para se distrair indo ao baile do morro, o aniversário do Falcão. Esmeralda se animou. Saiu com Mabel para comprar roupa, passou no salão, fez unha, cabelo, cílios, depilação. Tudo que ela merecia. Em uma loja de perfumes franceses, comprou um com fragrância de morango, juntamente com óleo corporal e hidratante da mesma fragrância. Chegaram em casa já era nove da noite. Comeram e foram tomar banho, se arrumando em seguida. Mabel já estava na sala esperando: — Que isso, novinha? Vestida para o crime hoje? Esmeralda sorriu e fez a revelação para a amiga: — Hoje vou fazer o que eu nunca quis fazer na minha vida. Vou entregar a minha virgindade para o primeiro homem que me agradar. Se for gato e não me conhecer, vou dar gostoso. Não vou entregar minha pureza pra qualquer mafioso que apareça na minha vida. Se ele reclamar, falo que eu não sabia do tal acordo e transei com um cara qualquer (risos). Mabel se animou e correu para o closet procurar roupas para elas irem ao baile de aniversário do poderoso Falcão. Elas se arrumaram com suas melhores roupas. O vestido de Esmeralda chamava muita atenção com aqueles cabelos ruivos lindos até o meio das costas, em camadas, soltos. A maquiagem era insinuante, mas leve. O sapato, salto Anabela verde. O contraste do vestido só quebrava porque a parte de trás era preta. Na frente era verde, atrás totalmente preto. Um lindo vestido pegando nas coxas. O corpo de Esmeralda era de dar inveja. Uma bolsinha para por dinheiro e um preservativo. Ela passou um lápis nos olhos para o verde se destacar, e foi o que aconteceu. Ela estava brilhando mais que uma estrela. Agora era só ir. Mabel estava linda como sempre. Dona Marina, ao ver as duas prontas, deu o alerta: — Tomem cuidado, não se exponham muito, porque é morro. Não pode vacilar. Alguns homens de frente têm suas esposas, que eles chamam de fiéis. Cuidado, porque eles têm mania de ir ao baile e deixar as esposas em casa para poderem se esbaldar com mulheres alheias. E você, Dona Mabel, cuidado com esse tal de Medusan. Você pensa que eu não tenho ouvido as suas ligações? Pelo que eu ouço, esse cara está querendo brincar. A princípio parecia que ele gostava de você, mas ele não gosta ou está indeciso. Está pegando várias mulheres. Não se meta com esse homem. Deixe ele viver a vida dele. Também não quero você fazendo ciúme nele. Pegue qualquer um naquele lugar. Você não é mulher à toa. Você é uma menina honrada. Não faça burrada. Tome conta da Esmeralda, ela não está acostumada a entrar nesses lugares. Tá ok? Então pode levar a Esmeralda, mas toma conta dela. Não cheguem muito tarde, ouviram meninas? Esmeralda e Mabel chamaram um Uber. Foram até a barreira. Dali o carro não passava. Resolveram subir mais um pouco. Já ouviam o som do batidão. O baile. Quando chegaram no portão da quadra, estava bombando. Muita bebida, maconha e farra. Mulheres quase nuas andando para lá e para cá como se estivessem caçando. Esmeralda se espantou com aquilo. Não demorou dez minutos e chegou Medusan, puxando Mabel pelo braço e tentando levá-la para o camarote. Mabel se soltou imediatamente: — Quem você pensa que é para vir me puxar? Tá me levando para onde? — Pro camarote — respondeu ele. — Me solta. Não quero essas mãos sujas em cima de mim. Meu namorado já está chegando, então sai de perto de mim desde já. --- Narrativa de Medusan O que ela pensa que é? Vou levar ela para o camarote. Olhei para a mina que estava com ela. Por sinal, muito bonita, mas tinha postura. Olhei para a moça e falei: — Vamos vocês duas para o camarote, porque pode sair briga e vocês se machucarem, ok? Vou ali buscar um whisky e já volto. Na hora, Mabel grita de dentro do banheiro: — Traz para mim também! Elas entraram no camarote. Não demorou muito e começou a tocar o hino do Comando. Ele entrou. Lindo. Imponente. Todo de branco. Cordões de ouro, pulseira de ouro, relógio de ouro, anéis de ouro. Uma Glock na cintura e um fuzil atravessado nas costas. Ele simplesmente parou o baile com a sua beleza. Junto com ele estava sua irmã. Linda. Toda de branco e ouro também. Engoli seco quando vi a irmã do Falcão com um longo prata que, de longe, parecia branco. Cabelos negros soltos, salto 15, uma bolsa dourada na mão, pulseiras de ouro, um bracelete de rubi, um colar de diamantes e rubis. Luxúria e beleza. Meu queixo custou a voltar pro lugar. Mabel percebeu e falou: — Fecha a boca, a baba tá escorrendo. Esmeralda se encantou ao ver aquele homem entrando imponente naquele lugar. Ele bateu com a mão no peito, pegou o microfone das mãos do DJ e anunciou: — Tem muita carne assando. Não deixem de buscar o seu pratinho. Bebida hoje está liberada por minha conta! Hoje é meu aniversário, mas quem vai ganhar os presentes serão vocês! Teremos sorteios, concurso de dança e no pula-pula só vai quem aguenta! Coisas maravilhosas vão acontecer essa madrugada. Aguardem, que o Falcão trará novidades! Esmeralda continuava babando na beleza de Falcão.
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