Beni Narrando Lucinda chegou do Alvorada diferente. De longe eu já saquei. Não foi nem pela roupa, nem pelo jeito de andar, foi pela energia. Ela entrou em casa com aquele brilho no olho que eu conheço bem, o mesmo de quando ela decide alguma coisa grande. Largou a pistola no sofá, virou pra mim e nem respirou direito antes de falar. — Hades me llamó. (Hades me chamou.) — Quiere que yo sea la frente del Alvorada. (Ele quer que eu seja a frente do Alvorada.) Eu fiquei parado. Literalmente. — Carälho, tá falando sério? — soltei, sem nem perceber o volume da minha voz. Ela abriu um sorriso lento, daqueles perigosos, e confirmou com a cabeça. — Sí. (Sim.) — Acepté. (Eu aceitei.) Pörra. Aquilo bateu forte. Não por medo, não por dúvida da capacidade dela. Era o peso da parada. Coma

