Lucinda Narrando Meses depois… O dia começou cedo demais. Ainda estava escuro quando o telefone tocou e, antes mesmo de atender, meu coração já acelerou. Era minha mãe. Pela voz dela, eu soube na hora que não era qualquer ligação. — Hija, Falante llevó a Isabel al hospital. La niña va a nacer. (Filha, o Falante levou a Isabel pro hospital. A menina vai nascer.) Nem pensei. Pulei da cama num pulo só. O Beni acordou junto, assustado, já sentado, me olhando. — É hoje — falei, com a voz trêmula de emoção. A gente se vestiu rápido, quase sem falar nada. O silêncio era quebrado só pelo barulho do zíper, do tênis sendo calçado, do coração batendo forte. Entramos no carro e seguimos pro hospital ainda de madrugada, a cidade meio vazia, aquela calmaria estranha que antecede algo grande. Qu

