É assim que eles ordenam.
O funeral termina e somos todos levados ao apartamento da mamãe onde está um homem com a pasta que Lucas trouxe de Houston.
— Bom dia, sei que é um dia difícil para todos, mas tenho a responsabilidade de ler o testamento dos seus pais para vocês.
— Do meu pai, ele quis dizer. Liam intervém.
— Você se engana, eu também tenho o testamento da senhora Sofia Miller. Ele o corrige. — Sente-se para começarmos a leitura. Ele indica e todos fazemos isso, inclusive a minha avó.
— Iniciarei a leitura: eu, Ciro Wright, em pleno uso das minhas faculdades mentais e físicas, estabeleço que o meu filho, Lucas, será o responsável pelas minhas empresas. E quando o último dos meus filhos ou filhas atingir a maioridade, a herança que eu lhes deixar será distribuída. Também o responsabilizo pelo sustento dos seus irmãos e irmãs até que atinjam a maioridade e cada um possa utilizar as contas bancárias que estão abertas nos seus devidos nomes.
O advogado faz uma pausa para beber água e a avó aperta a minha mão.
— Vamos continuar. Lucas também ficará com a guarda dos meus filhos, a quem peço caso algo aconteça comigo, que cuide da minha filha, Caroline, que por ser a mais nova e a minha única filha mulher, exige maiores cuidados.
— Não! Quem deveria ficar com a guarda da minha neta sou eu. Repreende a minha avó e o advogado pede que ela mantenha a compostura.
— Deixo claro também que os gêmeos, Milan e Liam, terão que seguir alguma carreira para tomar posse plena da herança que deixei para eles, o mesmo acontecerá com Caroline.
— Isso é tudo que ele estabeleceu? Pergunta Lucas.
— Não, ele deixou uma mensagem que será lida por último, depois que eu ler o testamento da Senhora Sofia.
— Resuma o testamento da minha filha. Intervém novamente a avó. A sua voz só piora a nossa condição.
— Eu, Sofia Miller, no pleno uso das minhas faculdades, divido a minha herança da seguinte forma: todos os meus departamentos, que são três; à minha filha Caroline, que ficam em Los Angeles, Nova York e Chicago. O restante da minha herança, quarenta e cinco por cento, será dividido entre os filhos do meu marido, Ciro Wright, dez por cento para minha mãe e o restante para minha filha. Que poderá tomar posse e administrar o seu dinheiro a partir da maioridade. Se você não for maior de idade, a sua parte será gerenciada e administrada por Lucas Radcliffe Wright. O filho mais velho do meu marido.
— Não pode ser, não creio que ela seja capaz de me deixar tão pouco. Rebate a minha avó quando o advogado termina.
— Comece a acreditar, essas foram as instruções dela. Ela esclareceu que não lhe deu a guarda da neta por causa do seu problema com o álcool. Confessa o advogado.
— Cale-se! Ela berra, me assustando.
— A última mensagem que o seu pai deixou é a seguinte. Ele tira uma folha de papel da sua pasta.
— Meus amados e queridos filhos, se vocês estão lendo o meu testamento é porque não estou mais vivo. Espero fortemente que vocês não briguem ou se chateiem com as minhas decisões, esse pai sentimental acredita que é o melhor, vocês devem ter maturidade para lidar com o dinheiro que eu estou deixando, que vem com muita responsabilidade, não se chateie com o seu irmão Lucas, não pense que eu prefiro ele, é apenas, porque ele é o que tem mais responsabilidade... sei que todos devem estar passando por momentos difíceis e só peço a Deus que tenha sido um bom pai e mentor para vocês, que são filhos maravilhosos. Lembre-se que nada nesta vida dura para sempre e o meu momento tinha que chegar mais cedo ou mais tarde. Peço-lhe o favor de cuidar da sua irmã e protegê-la. Dê amor a ela e se você estiver aí, Sofia, meu amor, não pense que eu me esqueci de você, eu te amo e espero que você dê amor tanto para nossa filha quanto para os meus outros filhos. Sem dizer mais nada me despeço de todos, lembrando que os amo imensamente e que vocês são a melhor coisa que já me aconteceu.
— Papai. Eu murmuro, a minha respiração falhando novamente e coloco o inalador na boca novamente.
— Sinto muito pela sua perda e desejo forças. O advogado se despede.
— Tenho que sair um momento. A minha avó o segue.
....
Mais dias se passam em que a dor não passa nem melhora como diziam a minha avó e as outras pessoas. Sou levada ao hospital quando os ataques se tornam cada vez mais recorrentes, a minha avó tem que sair para trabalhar e fico com os meus irmãos na casa de Houston.
A mãe dos gêmeos vem buscá-los, mas nenhum deles quer ir embora e começa uma nova briga que dura muitos dias com aquela mulher.
Até que um dia Lucas decide fazer um encontro de irmãos. Ele parece cansado, mais do que nos dias em que eu disse que não conseguia dormir por causa do dever de casa que tinha que fazer.
— Eu os reúno para dizer que cada um deve voltar ao seu trabalho e à sua vida, não podemos ficar presos nesta casa, vivendo de lembranças. Ele começa. — Cada um deve retornar aos estudos, atividades e vida. Quanto a vocês. Ele olha para os gêmeos. Vocês podem decidir se vão com a mãe de vocês e moram este último ano do ensino médio antes de entrar na universidade com ela ou alugam um apartamento, mas, vocês precisam continuam os estudos. Ele estabelece. — Caroline, sei que você tem dez anos e está passando muito m*al porque além do pai perdeu a mãe, mas precisa continuar os estudos, entendeu?
— Sim, Lucas. Eu sussurro.
— Ótimo. Ele passa as mãos no rosto.
— Quando voltarei para a escola?
— Esse é outro ponto, eu estava conversando com um amigo e ele me recomendou um internato particular e prestigioso onde a sua mãe estudou. Ele desabafa e eu não entendo. — Estava pesquisando, vendo fotos e tenho certeza que você vai gostar.
— Eu frequento o instituto, Freedom...Tento explicar.
— Não, o internato é melhor, eles ensinam melhor e a educação é uma das melhores do mundo. Ele afirma. — Você vai adorar a Inglaterra e aquele internato também, eu prometo.
— Não! Milan, se levanta da cadeira. — Se você não pode cuidar dela, deixe ela comigo, eu cuido dela e cuido do que ela precisar.
— Que estu*pidez você está dizendo, você é apenas um adolescente? Liam estala e Lucas o apoia.
— As decisões foram tomadas, não haverá como voltar atrás.
Ele bate na mesa, causando um baque alto que ecoa por toda a sala...