Episódio 3

1046 Words
— Eles estão vivos? — Ainda não encontraram, só o avião, mas todos que estavam no avião ainda não foram. — Você acha que eles estão vivos? Eu não quero que eles me deixem. — Esperemos que sim. Não sei. Agora calma, Liam e Lucas estão se aproximando. Diz ele olhando para frente. — Não esqueça que você não pode contar o nosso segredo para ninguém, nem para eles. Ele me lembra. — Vamos, o motorista está esperando por nós. Diz Liam, sem me cumprimentar, mas, os seus olhos estão vermelhos assim como os do meu irmão. — Iremos obter mais informações. O carro que eles entram é grande e entramos todos sem problemas, o carro com o guarda-costas deles vem atrás. Todos temos um. — Você planeja carregá-la para todos os lugares? Indaga o meu irmão Liam. — Não é problema seu, então não pergunte. — Você está mimando ela, mais do que ela já é. Ele repreende, Milam. — Ela é quem mais precisa de apoio, ela é a menor, ela não sabe se defender sozinha. Entre os dois não se sabe quem está mais triste e quem consola quem. — Calem a boca vocês dois, não é hora! Liam, não se envolva no que Milam faz e Milam, você não pode carregá-la para todo lado, vocês fazem ela parecer pior do que já está. Lucas os repreende. Ambos permanecem em silêncio e o resto do caminho é feito em silêncio. Chegamos onde os grupos de resgate marítimo estão saindo e as pessoas que chegando parecendo estressadas, irritadas, decepcionadas. Muitos correndo de um lado para o outro. — Filhos do Wright? Pergunta um homem alto e uniformizado. — Sim, sou o filho mais velho dele, Lucas Radcliffe Wright. Ele se apresenta. — Vamos para o meu escritório. Ele nos guia até um corredor com várias portas e nos faz entrar na última, nos manda sentar e eu fico perto de Milan que agora me pega pela mão. — Não tenho boas notícias para você. Ele começa e o meu batimento cardíaco acelera com um medo que nunca senti, criando um buraco no meu coração que não pode ser visto, mas sinto uma dor muito intensa. — Eu recomendo que a garota fique, alguém da equipe pode cuidar dela enquanto conversamos. — Não, Caroline vai ouvir como os demais, todos os irmãos estarão presentes. Afirma Lucas, deixando o homem tenso. — Como você preferir, não me responsabilizo pela forma como as minhas palavras saem porque devo ser sincero e direto. Ele diz e se senta. Estamos todos esperando, Milam me abraça com força e agradeço porque sinto que vou cair. — Encontramos vários corpos que foram arrastados pela corrente do mar, entre eles os dos seus pais. Ele confessa e sinto como se tivesse sido atingida por um objeto pontiagudo que está cravado no meu peito. — Presumimos que eles tentaram pular quando perceberam que o avião iria cair, o que eles não contavam era que o salto ainda os mataria devido à velocidade de descida do avião que estava despencando. Não consigo evitar o tremor nos meus lábios, muito menos as lágrimas e me enterro no peito de Milam que me abraça com mais força. — O piloto do avião avisou que havia uma falha e tentou pousar, mas não conseguiu. Os restos do avião serão recolhidos para descobrir o que causou o acidente. Ele continua falando, mas não consigo continuar ouvindo quando sinto uma pressão tão grande que não me permite respirar, sinto que estou sufocado e o ar não passa para os pulmões. Sinto que estou sufocando e com os olhos cheios de lágrimas. A saliva não passa e me agarro à camisa do Milam gritando por socorro. Sinto que estou perdendo a consciência e Milam sai da minha visão e é substituído por Lucas que coloca o inalador na minha boca.. Ele aperta e sinto o ar circular novamente. — Eu falei que não era bom ela ouvir, ela é muito pequena. O homem diz e Lucas me coloca em pé, fazendo a minha respiração melhorar um pouco. — Você está bem, linda? Ele me pergunta e eu aceno, e depois ne*go com o choro que retorna. Ele me pega e me carrega, mas não dura muito porque, logo ele me tira dos seus braços e me senta. — Quando tiver mais informações sobre o ocorrido, avise-nos... Neste momento temos um funeral para preparar e decisões difíceis a tomar. A voz falha e pela primeira vez vejo lágrimas escorrendo dos seus olhos. — Eu entendo, avisarei você se houver alguma coisa. O homem continua. — Recomendo que você preste atenção ao estado da sua irmã e fique atento, o mais provável é que ela continue com problemas respiratórios e possa ter outro ataque. — Vamos, pequenina. Diz Milam novamente, ganhando um olhar feio de Liam. Saímos daquele lugar e somos levados para o apartamento que a minha mãe me disse que tinha antes de conhecer o meu pai. É grande e muito bonito. No dia seguinte a minha avó chega e não me deixa ir e chora comigo pela morte da mamãe. Nos três dias seguintes, a minha avó cuida de mim acompanhada de Mariela, enquanto os meus irmãos cuidam da imprensa e do funeral onde aparecem muitas pessoas, até alguns parentes do papai que eu não tinha visto. — Vamos tentar ser fortes hoje, pela sua mãe. Me diz vovó com o seu hálito estranho e olhos vermelhos. — A sua mamãe está num lugar alto onde continuará cuidando de você e te vendo a todo momento. Ela promete, me ajudando a me vestir para o funeral. — Quero ir com a minha mãe e o meu pai, vovó. Soluço e ele me aperta com força contra seu peito. — Eles não iam querer isso, minha linda. E eles não gostariam de ouvir você falar isso. Ela fala comigo, chorando de novo. O cemitério para onde nos levam é grande e privado pelo que diz a minha avó, mas isso não impede que muitas pessoas se encontrem. Fazem-nos sentar numa cadeira em frente a dois buracos onde descem os caixões brancos enquanto o padre fala e depois os meus irmãos e a minha avó também falam, e eu continuo sentada.
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