❝Chegou com aquela voz de suco de maracujá e me deixou calminha. O assunto fluía tão bem que parecia que já nos conhecíamos de outro lugar. Outra vida, talvez.❞
— Eternismo.
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Leandro narrando:
Pode um sorriso ser a casa de alguém? Porque eu juro que moraria no sorriso de Valentina, até o fim da vida. Não sei por que essa mulher mexeu tanto comigo. Mas, preciso parar!
A observo a uma semana, ela parece ser uma amiga dedica sempre perguntando por Olívia.
Mas, ver seu semblante triste e vê-la chorar é de partir o coração, fomos conversando para a casa dela, ela não estava tão falante, porém o jeito que fala de seu filho me fascinou, agora a admiro ainda mais, ela é forte e nem sabe disso. Desceu do meu carro cabisbaixo, também não é para menos.
Aquele i****a causava medo nela e isso era visível. Maldito! Isso me lembra Amy, minha irmã também passou por isso quando jovem. Percebo que mulheres que passam por relacionamentos assim, desenvolvem sempre uma mania de pedir desculpar por tudo, como se elas fossem ás culpadas.
Valentina me pediu tantas desculpas ao sair do carro, queria abraça-la. Mas, não quero deixa-la sem graça.
Me despeço e dirijo para a minha casa, pedido a Deus para que nada aconteça a ela.
Acordo pela manhã, e logo vou para o banho. Me visto, e nem como nada.
Hoje é dia do plantão clinico da Alessandra. Prometi que iria cobrir para ela ir para festa do filho. Sinceramente eu amo minha profissão. Mas, plantões são muito cansativos. Sempre cubro os plantões dos meus amigos de bom grado.
Nunca tenho nada para fazer, não aguento ficar em casa muito menos sair. Tudo isso por que sou culpado por ter matando minha alegria, minha felicidade morreu com Catarina no dia do acidente.
Dirigir sempre me estressou, passei anos para voltar a entrar no carro novamente. E ontem dirigi pela primeira vez sem medo, só pensando em deixar Valentina em casa. Foi ótimo não ter reflexos do acidente em minha cabeça enquanto dirigia.
Tenho que parar de pensar em Valentina, nenhuma mulher merece alguém quebrado como eu. Sem graça e bastante teimoso. Rio comigo mesmo.
Desço do carro e pego o presente de Molly. Cumprimento Ed, responsável pelo estacionamento. Ele brinca que nunca tiro férias e eu rio. Todo mundo sempre fala isso!
Saiu do elevador e dou de cara com Alessandra saindo do final de outro plantão. Paro em sua frente.
— Aí está você. — Ela diz encostando-se na parede, suas olheiras são bastante visíveis e sua expressão cansada me encara.
— São 5:30 da manhã onde está sua animação, Carson? — Brinco, e ela dá meio sorriso.
— Fiz duas cirurgias de apendicites hoje. Fora as operações normais, não sei se aguentaria um plantão clínico. Não sei o que faria sem você Leo! — Ela põe a mão na boca tapando o bocejo. — Vou tomar um banho e ir para casa e arrumar tudo para festa, o Hugo odeia essa parte. E mais uma vez obrigada meu amigo.
— Não precisa agradecer. Aqui está o presente dela, que ela tenha muitos anos de vida. — Sorriu e estendo o presente para ela.
Ela leva a mão ao meu ombro. — Ah Leo, não precisava. Você é incrível sabia? Sempre me pergunto como um homem como você ainda está solteiro.
Eu sorri e olho em volta, cruzando os braços. — Ih! Vai começar, Carson?
— Já não tá mais aqui quem falou, Miller! — Ergueu as palmas das mãos e me olhou com os cantos dos olhos franzidos. — Te cuida!
Balanço a cabeça e sinal positivo e ando até minha sala. Entro e abro o armário pegando meu jaleco, visto-o e sento na cadeira, pego o prontuário e leio.
Pelo visto o dia vai ser cheio!
Horas depois me pego no horário de almoço, saiu da minha sala e dou de cara com Helena. d***a! A Helena não.
— Olha você aí, não te vejo faz um tempão! Tá fugindo de mim Miller?
Sim!
— Não, por que fugiria?
Ele brinca com seu cabelo e se aproxima mais de mim, ela recuou e ela percebe.
— Você tem medo de mim? Aquilo foi só um beijo, não arranca pedaço.
— Sim, mais foi completamente inapropriado Helena! — Falo de modo firme. — Por favor, não quero nada com ninguém. Muito menos com alguém do trabalho. Estou cansado e com fome, pode me deixar passar.
— Você se acha bom demais para todas não é mesmo, Miller? — Ela se afasta e acaba esbarrando na maca que passa por nós. —Aí não olha para onde anda!
Vejo ela gritar com o maqueiro e a reprendo.
— Helena, por favor não grite como maqueiro! Ele não tem culpa. Me desculpe viu.
Digo olhando para ele, ele assente com a cabeça e continua andando. Ela me olha se vira caminhando para longe.
Helena é insistente demais, odeio mistura trabalho e vida pessoal e o jeito que ela chegou não acho legal. Entendo que ela é decidida e não vejo nada demais em uma mulher tomar a iniciativa, porém, á disse que não quero nada e ela continua insistindo.
Reviro meus olhos, acho eu agora ela me deixa em paz.
Preciso comer, logo penso na lasanha de Flor. Uma idosa que mantém um restaurante aqui em frente, sua comida é dos deuses.
Mas, nada supera a comida da minha mãe! Logo, me lembro de ligar para ela, pego meu celular em meu bolso e ligo.
— Alo meu filho lindo. — Ela diz ao telefone. Amo ouvir sua voz. — Como você está?
— Ocupado como sempre, a senhora está bem? Tem tomado os remédios que passei.
— Você sempre tão cuidadoso, claro que tomei, Amy não me deixa esquecer um!
Fico feliz em saber. Sabe, me tornei médico oncologista quando minha mãe foi diagnosticada com câncer, graça a Deus ela se salvou.
Mas, durante o processo de tratamento a acompanhei sempre e via todo cuidado e amor que ela recebia dos médicos, e vi que era isso, era isso que queria fazer para resto da vida.
Claro que tem seus momentos difíceis, difíceis não! Péssimos eu classificaria. Mas, poder contribui com a melhorar, com carinho durante o tratamento e vê-los recuperando-se. Mas, claro por outro lado não ver melhorar e desesperador e angustiante saber que não posso fazer em alguns casos, apenas orar pela melhor de todos.
Sinto meu estomago roncar.
— Mãe fico feliz que não esqueceu de tomar os remédios, ligo mais tarde para conversamos melhor ok? Estou no meu horário de almoço e a senhora sabe como é curtinho.
— Tudo bem, querido! Beijos no coração.
Retribuo mandando beijo e ouço minha sobrinha no fundo mandando beijos. Carolina é um amor! Mando outro e sorrio.
Não queria que minha mãe morasse tão longe, ela mora em outro estado. Sempre vou visita-la final de semana, adoro está em família, porém me lembra muito Catarina.
Já fazem cinco anos e não tem um dia que não lembre dela. Respiro fundo e tiro meu celular da orelha desligando a ligação, olho para os dois lados da rua e atravesso para o restaurante.
Estou morto de cansado! Só quero um banho e dormir, cheguei aqui eram 5:30 e já são oito da noite. Isso por que cobri o turno da Carson e o meu por isso estou aqui até essa hora.
Deixo um tempo para revisar a ficha de alguns pacientes e vejo a de Olívia. Logo, leio que o contato de emergência dela. Penso em ligar para saber como ela está, e ouvir sua voz de maracujá.
Sim! Eu comparo vozes com frutas, a da minha mãe seria morango minha fruta preferida, a de Carolina seria de melancia, não sei por que!
Sou estranho, eu sei! Me encosto na cadeira e tento analisar o programa de tratamento para Olívia, ela tem um pulmão debilitado devido a um histórico de anos fumando. Franzo a triste e fico triste, o caso dela é complicadíssimo e avançado.
Parto para a outra ficha de outro paciente quando ouço baterem em minha porta.
— Pode entrar!
Vejo Matt entrar com um sorriso malicioso e as mãos no jaleco ele fecha a porta e reviro os olhos.
Lá vem!
— Helena está uma fera com você!
Dou de ombros. — Não posso fazer nada, honestamente não á entendo. Só disse que não queria nada com ela.
— Ah Helena assiste muito Greys anatomy, quer fazer de você o Dereck dela. — Ele rir de canto e puxa a cadeira do paciente, sentando em minha frente.
— Mas, oque? Que tipo de comparação é essa? Até por que ele morre no final.
Vejo sua expressão se fechar.
— Mas que m***a cara! Não me dá sporlie, tô na terceira temporada ainda.
Eu rio e me inclino apoiando meu punho na mesa de vidro.
— Qual é cara todo mundo sabe disso! Você sabe que Lexi morre também não é? E o Marcos e o Omaly e o? Quer que eu continue ou vai sair?
Ele se irrita e se levanta estendendo o do meio para mim. Eu dou meio riso, fiz de proposito se deixasse ele aqui iria começar a falar besteiras.
Olho no relógio já são nove horas, prontinho só penso em ir para casa.
Desço do carro após chegar em casa, conversei com minha mãe enquanto dirigia. Puxa, estou confiante mesmo em dirigir.
Entro em casa e corro para o chuveiro. Depois de um longo banho, me sinto sem sono. Cansado, mas sem sono.
Pego o controle e me esparramo no sofá, está passando Friends! Ótimo, rir um pouco antes de dormir sempre faz bem.
Meu interfone toca, sinto uma preguiça enorme de ir até o telefone, mas tomo coragem e levanto.
— Olá fontes, algum problema?
— Boa noite senhor Miller. Uma colega de trabalho Alessandra Carson está aqui e pediu para subir, autorizo sua subida?
Franzo o cenho, o que Alessandra veio fazer essa hora aqui? Quem sabe me dar um pedaço de bolo, mas a essa hora?
Respiro fundo. — Sim, pode deixar ela subir.
Alessandra sempre se importou comigo, ela é minha amiga, ela e Hugo são um casal grande amigo de longa data.
Ouço a campainha e vou abrir.
— Não precisav....
Dou de cara com Helena, ela usa um vestido decotado e justo com muita maquiagem seus olhos verdes me encaram. Meu Deus! Ela não desiste.
— O que faz aqui? Onde está a Alessandra?
Ela junta seus lábios. — Não tem Alessandra! Menti para que você me deixasse subir, para mostrar o que está perdendo. — Ela coloca a mão contra meu peito e acaricia o mesmo.
Eu estou tão cansado que nem sei se consigo ser gentil!
— Por favor, Helena vá embora! — Digo em tom firme e fecho a porta e ela coloca a mão na mesma impedindo que eu feche.
Deu passos entrando em meu apartamento. Meus Deus! Estou começando a ficar com raiva, mas não vou dar o que ela quer. Não quero nada com ela, pois sempre tem o depois e não quero um relacionamento agora.
Pego no braço dela pedido para ela sair, e ela se enfurece.
— Você tem noção de quantos homens queriam está no seu lugar agora? — Seus olhos me fuzilam ela passa a mão no vestido o ajeitando.
— Então, por que você não escolhe um dele e me deixa em paz Helena?
Ela se aproxima de mim e bate em meu rosto, sinto latejar. Ok, agora estou com raiva, Helena é absurda.
— Você vai sair ou quer que eu chame a polícia? — Enfatizo sem perder a calma.
— Eu vou embora, Miller! Você é um caso perdido.
Ela se ajeita e caminha até a porta, não acredito que isso aconteceu! Sinto meu maxilar doer, ela bateu em cheio. Vou para cama e fico perdido em mil pensamentos.
Que loucura isso! Espero que agora ela pare. Fecho meus olhos e a imagem de Valentina vem brevemente em meus pensamentos. Se bem que dormir com a imagem dela na cabeça é algo bom.
Mas, o que é isso? Certo que achei o jeito dela encanador, a forma como se expressa e o jeito simples que sorrir, como se não soubesse que colori tudo em sua volta com aquele sorriso.
Nossa, de onde veio isso? Preciso parar de pensar nela, de vezes em quando sempre penso nela, ok! Sendo sincero penso nela muito até para o padrão de quem só trocou algumas palavras.
Certo, há ver toda semana pode ser um problema, ou não Leandro não faça disso um problema. Ela só acompanhante de uma paciente, não misture as coisas. Não misture. Vá dormir, apenas vá dormir.
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