ANA CAROLINA NARRANDO.
— Claudia: Ana Carolina, são 12:30. — Ela disse esmurrando a porta.
Droga, perdi a hora.
— Ana Carolina: Em 5 minutos estou descendo mãe.
Eu levantei correndo da cama, liguei o chuveiro, peguei a minha escova de dentes e provavelmente esse foi o banho mais rápio de toda a minha vida.
O almoço de hoje me deixaria enjoada, porque é onde vem todas as pessoas da família e a minha mãe fica tentando manter esse casamento falso dela.
Coloquei um shorts de alfaiataria cintura alta rosa pink, uma blusinha branca e uma sandalia de strass, passei perfume, uma maquiagem leve pra disfarçar a noite m*l dormida, soltei o cabelo e desci.
— Claudia: Finalmente, já estava indo te buscar. — Ela disse assim que cheguei
— Ana Carolina: Desculpa mãe.
— Claudia A Vitória já chegou, está conversando com o seu irmão lá fora, comprimenta suas tias.
Claro, as irmãs da minha mãe, como eu poderia me esquecer delas.
Para elas a nossa vida é perfeita ou pelo menos ela fingem muito bem.
Eu comprimentei todas, falei com as minhas primas que eu não tinha muita convivência e depois fui atrás da Vitória.
— Ana Carolina: Oi amiga.— Eu disse interrompendo a conversa dela com o Playboy.
— Vitória: Oi, como você está? Conseguiu dormir?
— Ana Carolina: Um pouco, minha cabeça parece que vai explodir.
— Vitória: Você precisa comer alguma coisa, vai acabar passando m*l.
Nós fomos até a mesa e eu comecei a comer as coisas que estavam servindo de entrada.
— Claudia: Filha, agora não, você precisa aguardar os convidados.
— Ana Carolina: Mais eu estou passando m*l de fome mãe.
— Claudia: Se tivesse ficado em casa como uma menina decente, não estaria passando m*l. — Ela disse tirando a torrada da minha mão e me puxando pelo braço.
Começou a chegar muitos amigos do meu pai, como eles respeitavam a minha mãe, não entravam armados em casa.
E mesmo as minhas tias sabendo de como funciona a favela, elas meio que acham um absurdo essas coisas.
A minha mãe tem tudo o que ela quer financeiramente, em todos esses anos ela pelo menos não foi burra, ela guardou e investiu muito dinheiro porque ela sabia que a qualquer momento o meu pai poderia enfiar o pé na b***a dela.
Duas irmãs da minha mãe, se formaram na faculdade e saíram do Morro, foram viver uma vida estável, sem muito luxo.
Outra irmã dela, apenas se casou e saiu do Morro.
E a minha mãe continou aqui, não que aqui seja r**m, mais eu daria tudo pra não morar aqui.
— Claudia: Vamos servir o almoço. — Ela disse animada.
Todos sentaram na enorme mesa que ela tinha na sala de jantar, ela colocou a comida no prato pro meu pai e entregou pra ele que agradeceu sorrindo.
Eu já estava na minha terceira taça de vinho e eu juro que se eu chegasse na sexta eu iria sumir daqui.
— Tia Rosana: E então Ana, como vai a faculdade?
— Ana Carolina: Eu tranquei tia, não estava com certeza de que era a área que eu queria.
— Tia Joyce: Como assim? Administração é uma otima área, como não serve pra você?
Elas são as tias ricas...
— Ana Carolina: Pois é, não me adaptei, ano que vem vejo outra coisa.
— Claudia: Coisa boba de menina nova Rosana, logo logo ela volta.
— Tia Rosana: Melhor, porque ficar em casa dependendo de marido não é coisa de mulher forte. — Ela disse tentando diminuir a minha mãe.
A Dona Claudia engoliu seco, mais eu não posso nem passar um pano pra ela, porque ela se colocou nessa situação.
— Tia Eliza: Mais me fala, casamento em breve pelo menos?
— Ana Carolina: Deus me livre, eu tenho muito o que viver ainda.
— Fantasma: O Rogério e o Marcos não vinheram porque? — Ele perguntou dos maridos das minhas tias "ricas"
— Tia Rosana: Ah você sabe como são os homens né, foram pescar juntos. — Ela respondeu sem graça.
— Fantasma: Sei, sei sim...
— Playboy: Todo ano é uma desculpa diferente né? Qual motivo vão arrumar para não virem no próximo aniversário.
— Claudia: Playboy. — Ela disse repreendendo ele.
— Fantasma: Eles não gostam de favelados filho.
Pronto! O clima já tinha esquetando.
E nisso eu já estava terminando a quarta taça de vinho.
— Vitória: Amiga chega, você já passou dos limites.
— Ana Carolina: Me deixa, eu quero esquecer a noite de ontem.
— Claudia: Será que nós podemos ter um almoço em paz? Como uma família de verdade. — Ela disse encarando o meu pai.
Ele ficou em silêncio...
Depois do almoço, todo mundo ficou pela casa conversando, rindo e o meu pai ficou com os parceiros dele.
A minha mãe estava radiante, por conversar com as suas irmãs, mostrar os quadros novos e se amostrar com o par de brinco novos que ela disse que recebeu do meu pai.
Mais na verdade foi ela mesma que comprou, talvez a minha mãe tenha medo de ser julgada por ser traída, talvez ela tenha medo de morrer sozinha, talvez ela tenha medo de nunca mais encontrar ninguem...
Só que ela é linda, muito bem cuidada, você nunca vai chegar aqui e ver a minha mãe largada...
Eu já não estava suportando mais esse dia, tudo o que eu queria era me trancar no meu quarto.
— Vitória: Você vai pro baile hoje?
— Ana Carolina: De jeito nenhum, eu só quero minha cama.
— Vitória: Vamos amiga, você precisa se distrair, a gente fica só um pouquinho e depois volta, eu durmo aqui hoje com você.
— Ana Carolina: Promete que vai ser só um pouquinho?
— Vitória: Só um pouquinho, sem bebidas e sem tocar no assunto de ontem.
— Ana Carolina: Então eu vou pra não te deixar sozinha.
— Vitória: Te amo. — Ela disse me beijando.
A Vitória era a minha unica amiga que a minha mãe permita vim aqui dentro de casa, de resto todas eram vagabundas no radar dela.
— Claudia: Filha vamos cantar parabéns.
Eu revirei os olhos, virei o restinho da quinta taça de vinho e me levantei do sofá, finalmente esse momento de t*****a estava acabando...
Vocês já me seguem no i********:?
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Aut.GabiReis , acesse o link na bio e entrem no nosso g***o de leitoras para receber fotos dos personagens e spoilers quentinhos.
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