Episódio 10

666 Words
Dona Narrando, Eu estava começando a perceber uma certa carência no Mauricio, e isso não iria acabar bem, ele pergunta de mais e até entendo a sua curiosidade, porém a forma como ele conduziu as coisas hoje e a insistência em saber se estou preocupada com ele, deixa claro que tem algo crescendo ali, entendo que por ter sido a primeira mulher dele ele pense em coisas futuras mas eu não concordo com nenhuma delas. Eu nunca amei alguém e nem quero, isso não presta e outra só dar dor de cabeça, e com a vida que eu levo não vai dar nada certo, conheço meus limites e a minha irá. Recebi uma ligação da clínica, o irmão dele vai dar muito trabalho ainda e eu não sei até aonde o Mauricio vai chegar para concertar as cagadas dele, a movimentação no morro estava suave dia de pagode, eu faço a minha parte curto e deixo a comunidade sossegada, os valores altos pagos aos canas são prova disso, meu tio comandava aqui mas esse merda sumiu e não sei nem se está vivo, quando deu dez da noite eu cheguei no meu camarote passando minhas ordens, conversei com meus aliados e escutei uma pequena confusão junto aos vapores que vendia no baile, cheguei na grade e não acreditei, o que esse merda fazia aqui, o irmão do Maurício estava aqui querendo usar, a abstinência estava gritando ali, ele gritava e se tremia, uma poha mesmo, mandei mensagem no irmão dele para vim buscar, os caras queriam passar ele, mas mandei levar ele pra casinha, não demorou para o Mauricio chegar desesperado, ainda de pijama e descalço. - Aonde ele tá, como ele chegou aqui? Se acalma homem, fugiu da clínica e chegou aqui querendo usar, se eu não vejo os caras já tinha passado ele. - O que eu faço? Ele vai pra casa nesse estado e vai roubar tudo lá, ele pode voltar pra clínica? Quer que ele volte pra lá? - Ele assim, eu não sei como cuidar. Não precisa chorar, vou mandar levarem ele pra clínica, eles devem sedar ele, se desesperar agora não vai adiantar. - Ele é a minha única família, e me sinto um merda por ele estar nesse estado. É o caminho que ele escolheu, não assuma uma culpa que não é sua. - Fomos até aonde o irmão estava, ele gritava e se debatia totalmente descontrolado, ele quando viu correu abraçando ele, mas foi recebido por socos e chutes, escutava calado e chorando que ele era o culpado, que ele trancou ele na clínica, Mauricio chorava dizendo que só queria o bem do irmão, e em troca recebia mais socos, os vapores amarraram seu irmão e levaram para a clínica, Maurício ainda estava sentado no chão chorando, eu nada disse esperei para que ele se acalmasse, e quando se acalmou ele se levantou respirando fundo e com um peso maior do que conseguiria suportar. - O que vai acontecer agora? Agora vai viver a sua vida, somente ele pode se esforçar para curar o vício, ele é o único culpado, vem vou pedir para te levarem pra casa. - Eu posso dormi aqui hoje? Por que quer dormi aqui? - Não sei, mas eu me sinto seguro. Conversamos sobre isso mais cedo. - Não Estou apaixonado, eu só não sei explicar foi desesperador ver ele assim. Cuidado com essas confusões de sentimentos. - Por que sempre deixa isso claro, se eu me apaixonar vai me rejeitar? Você deve estar muito cansado e por isso não está pensando direito, vem antes que eu mude de ideia. - Ele respirou fundo e eu sabia que isso daria uma merda das grandes, mas eu não estava disposta a correr esse risco, chegando em casa fui direto tomar um banho, e me assustei com ele entrando no chuveiro nu e me beijando como se fosse dono da minha vida, ele realmente não sabe o perigo que é estar na minha vida.
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