Michael
Ouvir da boca de uma pessoa que você achava que era sua, que era sua mulher, que era sua vida, que nós dois não tínhamos nada e nunca tivemos, foi o fim para mim. Eu já estava triste com toda minha situação.
Não a perda da memória que era o de menos para mim, porque não iria fazer sentido lembrar de uma vida que não fosse a que tinha com Alexia e nossos filhos. Mas, eu fiquei pior por dentro ao ouvir dela que nunca tivemos nada. Eu fiquei louco por três anos e nem sabia disso. Eu dormir e tive sonhos de uma vida totalmente alegre, feliz. Eu fui um homem feliz e nada vai tirar isso de mim, da minha mente.
Fiquei sozinho durante o dia todo pensando no que houve comigo, ou até mesmo com a minha vida para virar de cabeça para baixo. Eu não estava confuso quanto ao que vive, mas as pessoas a minha volta estavam, e eu não vou tirar isso da minha cabeça, não vou desistir de viver tudo que eu vivi seja em sonho ou em visões. Eu farei isso se tornar real, mesmo que as pessoas me achem louco.
Alexia, ou melhor dizendo a Dra Alexia apareceu no final do dia e queria me fazer entender que nada que vivemos foi real. Como então eu sei que ela é igualzinha aos meus sonhos? Como eu lembro do sorriso dela, dos olhos amendoados intensos, do jeito dela falar.
Não é possível que eu estava em um universo paralelo ao dela e da minha família. Não é possível que eu tenha estado na vida dela sem ela saber. Se eu não poder fazer ela é minha família ver essa realidade, a minha realidade, eu prefiro que me coloquem em coma de novo, só assim eu serei capaz de me ver sorrindo de novo, de me ver feliz.
Passei a noite sem muito alarde. Médicos de plantão vieram. Inclusive um fonoaudiólogo mandado pela Dra Alexia. Ele me pediu para beber muito líquido, e tentar falar pausadamente para minha fala voltar ao normal.
Espero, porque eu não aguento mais essa história de ficar conversando através de um papel. E também não via a hora de sair desse hospital. Eu quero colocar minha vida em ordem.
Estou triste pois sei que quando sair daqui minha casa estará vazia, nada de duas pessoinhas correndo pela sala, trombando uma na outra, falando igual ao papagaio. Mas como disse eu vou mudar isso, não importa o que tenho que fazer, eu vou ter a minha família de volta. Acabo dormindo com essa afirmação em minha mente.
Como você consegue essas coisas? Ela indaga olhando abismada todo o salão. Só tinha a nossa mesa no meio do salão.
Michael Coleman. Digo sorrindo. Meu sobrenome consegue tudo e mais um pouco. E garanto que ela aceitando ser minha esposa não deixará por menos ao usar meu sobrenome. Puxo a cadeira para ela que senta admirando tudo a sua volta.
Imagino que seu sobrenome traga tudo para você e seus irmãos. Ela fala olhando para mim.
Não vou mentir para você. É f**a ser um Coleman. Tem vantagens e desvantagens. Mas eu amo ser quem eu sou, não só pelo sobrenome, pois meu avô fez sua fortuna, papai também e nós os filhos, não ficamos por baixo. Quisemos construir nosso próprio caminho e império.
Admiro muito vocês três. Lutaram para ter o espaço de vocês e hoje tem. Ela fala com admiração na voz. O garçom traz o vinho que pedi para deixar separado. Escolhi todo o cardápio antes. Eu mesmo coloco o vinho nas nossas taças e ela toma um pouco.
Obrigada! Você também é uma mulher brilhante. Sei que vai crescer muito ainda na sua profissão. Falo pegando na mão dela.
Espero que sim. Sorri para mim.
O jantar começou a ser servido. Sendo Bife Wellington com purê de aspargo. Começamos a comer e a conversar coisas banais do nosso dia a dia. Ela estava mais aberta, descontraída, esquecendo assim o problema com Alessia. Sorrimos um para outro, brindamos a nós. Dançamos algumas músicas tocadas pela orquestra.
Tudo estava perfeito e só faltava meu pedido para ela. Levei ela para ver a vista de Dubai pelo restaurante. A noite estava linda como nunca vi antes. Dubai tem sempre noites estreladas e com clima bom, mas hoje parece que tudo estava ao meu favor. Abraço ela por trás e beijo seu pescoço e seu ombro.
Meses atrás eu estava imaginado a minha vida com você. Imaginado que meus sonhos me levaram até você ou trouxeram você para mim. Não importa a ordem, só importa que você está aqui hoje comigo. Viro ela para mim. Ela me olha com seus olhos azuis penetrantes. Eu quero mais. Eu quero dividir minha vida com você, ter você pra sempre do meu lado e principalmente amar você eternamente. Ela pisca os olhos várias vezes. Tiro a caixinha do anel do meu bolso e abro. Ela olha e volta seu olhar para mim. Você aceita ser minha esposa? Aceita ser minha para o resto da vida? Indago e vejo seus olhos derramarem lágrimas. Limpo as mesmas com a ponta do meu dedo. Sorrio aguardando a resposta dela.
Sim. Sim. Eu aceito ser sua esposa e ser sua o resto da vida. Ela diz pulando em meu colo. Rodo a mesma me sentido muito feliz por ela ter aceito.
Eu sou o homem mais feliz do mundo. Digo beijando os lábios dela.
Somos o casal mais feliz do mundo. Ela diz após cessar o beijo.
O garçom traz duas taças de champanhe e assim brindamos a nós, ao começo de uma nova vida juntos e ao nosso amor que fortalecerá cada dia mais.
Acordo suado lembrando o sonho que tive com o dia que pedi ela em casamento. Foi um dia feliz, foi uma felicidade tamanha para mim, ouvir ela dizer sim, foi uma das minhas realizações. E hoje olhando para minha mão, não tem uma prova que isso seja verdade. As pessoas dizem que não é verdade, mas a minha mente tem todos os momentos felizes que eu vivi com ela. A porta é aberta por meus irmãos e cunhadas.
— Bom dia mano! Justin pede chegando perto de mim. Como você se sente hoje?
— B. E. M. Não estou muito afim de conversar, mas não digo nada.
— Cunhadinho estávamos com saudades de você. Alice fala e eu sorrio para não dizer nada. Meu ânimo está pior do que ontem. Eu só quero sair daqui e ver como eu conserto toda essa Merda.
— Y.V.I ? Indago querendo saber da minha sobrinha. Eles se olham.
— Como você sabe de Ivy? Justin indaga surpreso. Como assim eu sei de Ivy? Pego a merda do papel, estou cansado disso.
" Como assim, eu sei de Ivy? Lembro que a três anos vocês fizeram um jantar depois de ter resgatado Alexia em Londres e deu a notícia em um jantar". Eles pegam o papel e começam a ler.
— Não teve resgate de Alexia. E sim fizemos um jantar que infelizmente você não estava. Foi logo após resgatarmos Sophie. Vocês dois estavam em coma. Eu não entendo como posso lembrar dessas coisas então. Não faz sentido eu lembrar de algo que para mim eu estava presente e para as pessoas não. Não digo nada, vai ser perda de tempo colocar minha opinião para eles e são capazes de me taxar de louco.
— Mas respondendo a sua pergunta, Ivy não ver a hora de conhecer o tio Mike dela. Alice fala e apenas sorrio para benefício deles. Um médico entra junto com outro, reconheço ser o bastardo amigo da minha mulher que não é minha.
— Bom dia Srs, Sra!! Sou o Dr Ruy Benet, e esse o Dr Willian Ruiz. Como nosso paciente acordou hoje? Ele questiona olhando para mim.
— B. E. M. Respondo m*l humorado.
— Sr Coleman, o Dr Willian é psicólogo, ele veio fazer uns exames com o Sr. Ele não vai fazer nada comigo sozinho. Quero a minha mulher errante comigo. Se temos que esclarecer as coisas que estejamos juntos para isso. Pego o papel e caneta. E começo a escrever. Não vou aceitar a fazer essa sessão com um psicólogo sozinho mesmo.
" Eu só vou aceitar a fazer qualquer exame com um psicólogo, se a Dra Foster estiver presente". Entrego e os dois médicos a minha frente leem.
— Porque? O que a Dra Foster ter a ver com os exames que vou fazer no Sr? Não vem doutorzinho de merda, eu já vi seus olhos brilhando pra cima dela e eu não estou disposto a perdê-la, não pela segunda vez. Já não basta ter acordado e ter perdido tudo de bom que construímos, agora isso não vai acontecer. Escrevo novamente e entrego para eles, em especial para ele ler.
" Porque ela é a peça principal da minha confusão como vocês preferem dizer. Eu não me sinto confuso, em nenhum momento achei que estivesse confuso e nem louco, mas se vocês, a minha volta, preferem assim concluir, eu não me importo, mas que esses exames sejam feitos com ela presente".
— A Dra Foster não está de plantão hoje, Sr Coleman. Gostaria de começar os exames com o Sr mais rápido possível, levando em consideração que amanhã daremos alta ao Sr. Lamento, porque eu não vou desistir disso.
" Então não teremos exames. Eu não me importo de sair do hospital sem um diagnóstico psicológico sobre a minha mente, sobre o que eu penso que é, e vocês dizem que não é verdade". Entrego o papel assim que acabo de escrever.
— Não é bom o Sr ficar sem um diagnóstico psicológico. O Sr pode ter passado por um trauma enquanto estava em coma, e isso pode ter afetado sua mente te trazendo uma confusão mental. Não vai me convencer bastardo. Sem Alexia não farei nada.
— S. E. M A. L.E.X.I . A N. Ã. O F. A. R. E. I N. A. D. A.
— Michael, isso não é bom para você cara. Talvez ele possa te trazer a realidade. Ryan fala me deixando com raiva.
— Que p***a de realidade? A que vocês querem que eu acredite? A que vocês querem enfiar na minha mente? A que vocês querem que eu viva? Não. Grito fazendo minha voz sair como eu queria. Apesar da minha garganta doer com essa minha alteração. Eu sei muito bem o que vivi, e nada do que vocês disserem vai fazer mudar. Então Dr Ruiz, não quero exame nenhum sem a sua colega de trabalho estar presente.
— Vou deixar meu cartão com o Sr, pois quando quiser marcar uma hora pode me ligar, podemos sentar e conversar e assim eu posso te dar um diagnóstico. Ele fala dando de ombro e me entregando o cartão.
— Vamos fazer mais uns exames hoje Sr Coleman e se tudo tiver bem até amanhã o Sr receberá alta. Assinto, e ambos saem.
— Você precisa aceitar que essa vida que você criou em sua mente não existe. Ryan fala me olhando com pena. Respiro fundo.
— O que você faria? Peço com calma para não afetar minha fala. Se um belo dia você acordasse e não tivesse Alessia e tudo que vocês construíram juntos?
— Eu sei que para você está sendo difícil. Eu tive e tenho algo com Alessia e é mais fácil de imaginar, mas você não. Você nunca esteve com a Dra Alexia, vocês não são casados, nunca tiveram nada. Ryan continua, mas nada que eles disserem vai fazer eu mudar de ideia. Se não tive eu terei. Eu fui feliz com aquela mulher por lindos três anos e ninguém vai me tirar isso.
— Eu não vou discutir com vocês. Não adianta. Eu sei o que vivi com ela nesses três anos, e vocês nunca vão entender e nem espero que entenda.
— Só queremos o seu bem. Justin fala.
— Eu sei que querem. Agora me dizem, eu ouvi papai e vocês dizendo que as pessoas pensam que eu estou morto, porque? Eu não posso ficar o tempo todo escondido agora que estou acordado.
— Você ouviu a gente falar sobre isso? Mas como? Você ainda não estava acordado. Você escutava enquanto estava em coma? Justin pede intrigado.
— Não sei como escutei, mas escutei. Também não sei se escutava toda conversa que vocês falavam comigo, mas o caso não é esse. Eu já estou ficando sem paciência por ficar falando quase pausadamente. O caso é que eu não posso mais ficar escondido, e nem vou fazê-lo. Eu tenho uma vida e planos para ela.
— Mantemos que você estava vivo escondido de todos, porque sua vida corria perigo. As pessoas poderiam querer te matar. Ryan fala e eu assinto.
— Pode redobrar a segurança. Eu não vou ficar escondido de ninguém. Se querem me matar que venham terminar o serviço, mas se não fizerem direito, pode ter certeza que eu não vou ficar quieto. E outra. Respiro fundo. Quero Max Simmons fora da promotoria.
— Porque? O cara estava nos ajudando a colocar os traficantes de pessoas na cadeia. Ele chegou até vim te ver, ficou sensibilizado por você está aqui quase sem vida. Achei que ninguém sabia que eu estava vivo.
— Porque ele tinha que saber que eu estava vivo? Quem mais sabe que estou vivo? Eu sei que tem Merda aí. Se eu tive mesmo visões ou sonho, sei lá o que tive, nada me tira da cabeça que Max mais alguns animais estão envolvidos nisso.
— O cara é seu amigo. Se formaram juntos, porque não iria deixá-lo sabendo sobre você?
— Porque ele não é o que vocês pensam, mas não vou dizer o porquê. Só quero ele fora da minha equipe.
— Você se lembrou que é um juiz? Alice questiona.
— Não. E nem quero lembrar. Nada da minha vida de antes me interessa. Mas sei que Max Simmons faz parte da minha equipe porque vocês falaram nele.
— E o que você quer que falemos para ele? Como vamos despedir o cara do nada? Não tem sentido, Michael. Ryan passa as mãos na cabeça.
— Não tem sentido eu manter um bandido, um verme como ele do meu lado. Ainda mais diante das leis.
— Não estou entendendo. Você acha que Max pode estar envolvido nesses crimes de tráfico humano?
— Não acho, tenho certeza.
— Então temos que prendê-lo, mas precisamos de provar.
— Ok Justin, você venceu. Vamos mantê-lo até conseguirmos prova contra ele. Mas quero que vigiem ele. Não dar para mantê-lo sem vigia.
— O que te fez duvidar dele? O cara não tem demonstrado nada de errado, até casou. Sorrio.
— Sua mulher se chama Paty, ele se casou a mais de três anos.
— Como você sabe? Ryan pede olhando para Justin e depois volta seu olhar para mim.
— Não importa, importa que temos que vigiá-lo. Pode pedir a Richard um relatório sobre ele, sobre a vida dele.
— Tudo bem. Vamos fazê-lo. Justin afirma. Acho ótimo. Quero blindar qualquer tentativa que ele tenha contra mim e agora mais ainda, pois não quero deixar Alexia envolvida nisso. Eu quero trazê-—la para meu lado, porém tenho que ser mais cauteloso possível.
Meus irmãos e cunhadas vão embora e eu volto a ficar sozinho. Eu fico pensando em uma forma de conquistar a minha mulher. Trazê-la para minha vida, mesmo que custe, eu farei. Eu não posso ficar sofrendo e nem me lamentando, não me lembro de ser assim, e não serei. Sou mais forte do que isso.
Durante o dia fico pensando nela, pensando na vida que vivemos juntos.
Meus pais vieram me ver e ficaram felizes por saber que eu receberia alta.
Solange, Marco e Sophie também vieram me ver. Me agradeceram por tudo que eu fiz, mesmo não lembrando do que eu fiz e saber pelas pessoas o que aconteceu e não tinha nada que dizer.
Eles foram embora dizendo que estarão lá em casa para me receber amanhã. Não vejo a hora de voltar para casa. Fora que terei que fazer fisioterapia, pois minhas pernas não estão respondendo tão bem, assim como minha voz que sumiu na parte da tarde. Resolvi beber muito líquido e tentar falar menos.
No outro dia eu estava mais animado. Voltaria para casa e recomeçaria minha vida, mesmo que sem minha família por enquanto, pois eu não pretendo desistir dela. Nem que para isso eu tenho que percorrer todo caminho de novo, eu terei minha mulher de volta e nossos filhos também.
Por falar nela, a mesma entra sorridente com seu amiguinho. E posso dizer que esse sorriso dela para ele me irrita, me deixa possesso.
— Bom dia, Sr Coleman. Como você está hoje? Ela questiona olhando a prancheta.
— Bem. Respondo secamente para ela entender que não gosto dela perto desse bastardo e nem de qualquer outro homem.
— Que bom. O Dr Will disse que o Sr não quis fazer os exames sem a minha presença. O que eu posso fazer para o Sr?
— Primeiro parar de me tratar por Sr. Meu nome é Michael. Segundo sei muito bem os exames que o Dr Ruiz irá me submeter, então eu quero sim a sua presença.
— Sr Coleman, não tem porque eu estar presente. O Sr só precisa falar da sua vida, dos seus sonhos, das visões que o Sr teve enquanto estava em coma.
— Dra Foster, eu não sei se a Dra se lembra, mas eu disse que minha vida não existe sem você. Se eu tiver que falar da minha vida, eu falarei das nossas vidas, portanto se faz necessária sua presença. Vejo ela suspirar e olhar para seu amiguinho. Ele assentiu e pega uma cadeira e senta.
— Então vamos começar Sr Coleman. A Dra Foster vai te liberar assim que terminarmos. Apenas assinto. Me conte o que o Sr lembra da sua vida antes do coma.
— Não lembro de nada. Nem sabia que estava em coma até acordar e me deparar com esse fato.
— Então o que você se lembra?
— Que resgatei Alexia do tráfico humano, ela era irmã das minhas cunhadas Alessia e Alice... Conto tudo até a festa que estávamos preparando para nossas filhas. Vejo Alexia se levantar e ficar pensativa.
— Algum problema Alexia? O bastardo indaga olhando para minha mulher preocupado. Quem deve se preocupar com ela sou eu. Ela me olha com a testa franzida.
— Você está me dizendo que nos casamos, eu tinha problemas para engravidar e acabamos adotando duas meninas. Ela fala andando de um lado ao outro no quarto.
— Sim. Sophia e Amber. Digo e ela me olha em choque e o Doutorzinho olha para ela surpreso. Não entendi o motivo do espanto deles.