Eu não estou entendendo nada. Todos me dizem que eu não sou casado, que não tenho filhos. Isso não é possível, eu vivi um amor intenso e verdadeiro. Eu fiz amor com Alexia. Agora tudo isso foi tirado de mim, assim do nada? Porque?
O que foi que aconteceu comigo para eu ter tido visões de uma vida que não era minha? O porque eu senti a cada momento como se aquilo fosse real.
Eu tive uma vida, família que me amavam e eu os amava. Olho para minha família que está me encarando. Estão chocados, assim como eu por motivos diferentes. Pego o papel e volto a escrever.
" O que houve comigo"?
— Como dissemos antes você sofreu um atentado em Londres. Estávamos investigando tráfico humano e uma pessoa ligou para você dizendo ser informante. Você quis ir até a pessoa, mas Ryan e eu dissemos para você não ir, poderia ser uma armadilha, porém você não deu ouvido. Foi e acabamos deixando você ir sozinho. Não demorou para saber que você tinha sido baleado. Não faz sentido para mim. Porque eu iria a Londres investigar esse tráfico humano se não fosse para resgatar Alexia? Não tem sentido para mim isso.
" Porque eu fui investigar algo que não faz sentido para mim? Porque eu estava investigando isso"? Escrevo mais uma vez atordoado. É muita lacuna aberta que parece não fazer sentido.
— Como assim porque? Michael, você sabe quem você é? Você não perdeu a memória, perdeu? Papai questiona e eu fico sem reação. Quem eu sou? Claro que sei, só não estou entendendo porque querem tirar uma parte da minha vida, parte essa que fui imensamente feliz.
" Meu nome é Michael Coleman, tenho 28 anos, sou um empresário bem sucedido em Dubai, na verdade no mundo todo. Sou casado com Alexia Foster, tenho três filhos com ela. Duas meninas gêmeas e um menino. Todos três são bebês ainda. Sophia e Amber tem um ano, poucos meses para fazer dois e Théo tem dois meses. Entrego o papel para papai e ele ler e me olha com a testa enrugada.
— Leah, acho melhor chamar o médico. Papai pede e eu fico sem entender.
— M. E. D. I. C. O. P. R. A. Q. U. E?
— Michael, nada disso que você pensa é real. Fora sua idade e seu nome, nada é verdade. Você pode está confuso com alguma coisa, fora que temos certeza que você perdeu a memória, porque não se lembra quem é.
— Q. U. E. M. S. O. U? p***a de voz que não sai na hora que preciso gritar. Eles precisam parar de mentir para mim. Eu quero ver Alexia, só assim vou ter certeza que nada disso foi fantasia da minha mente.
— Você é um juiz criminal. E você tinha mandado investigar esses casos, porque chegou até você que sua assistente havia sido traficada. Juiz? Eu sou um Juiz? Não é possível.
" De onde eu tirei que sou empresário? Eu não tenho uma empresa de telecomunicações"? Questiono através da escrita. A cada momento estou mais perdido.
— Você tem uma empresa sim, mas é uma empresa de advocacia. Sua empresa está investigando o tráfico humano junto com a polícia de Dubai. Porque eu faria isso? Porque mandaria todos da minha empresa investigar se Alexia não está envolvida.?
" Eu fui para Londres em busca de Alexia que é irmã de Alice e Alessia. As meninas estavam desoladas por acharem que a irmã estava morta. Não faz sentido para mim, ir a Londres investigar esse tráfico humano se não fosse por Alexia" Escrevo sem paciência com essa história toda.
— Não. As meninas não tem outra irmã. Eu não sei de onde você tirou isso, mas não é verdade. E outra você foi a Londres investigar porque você tem muito apreço por Solange e Marco. A filha deles estava desaparecida. Solange e Marco tem uma filha? Eu estou mais perdido do que tudo.
" Eu sempre me envolvi nesses casos" ? Escrevo tentando entender, o porquê de me envolver nisso. Ok. Tenho apreço por Solange e Marco, mas e daí. Poderia ter mandado um dos meus para investigar e trazer a filha deles de volta.
— Não. Esse foi o primeiro caso que você se envolveu. Ainda está sem sentido.
— P. O. R. Q. U. E? Soletro nervoso.
— Filho acho melhor deixar as explicações para depois. Você acabou de acordar de um coma. Está nervoso. E isso não é bom para você. Precisa descansar. Mamãe tenta me fazer deitar. Mas eu não quero. Estou com raiva, nervoso e desesperado por dentro. Pego o papel.
" Não. Quero uma solução de tudo agora. Vocês me dizem que eu não sou quem eu penso que sou. Vocês estão me tirando um pedaço da minha vida. Onde eu sei que fui casado, e tenho uma família. Mas aí vocês querem me fazer acreditar em outra coisa. Então, quero uma explicação agora". Entrego o papel para Ryan que ler e suspira. Ele passa o papel para o resto da minha família ler. Vejo todos suspirarem, porém nenhum deles sairia daqui sem me explicar o que houve realmente comigo e porquê de eu ter feito essa viagem sem sentido agora para mim.
— Você sempre pagou os estudos da filha de Marco e Solange. Ela é uma menina de 21 anos, não era atoa que ela era sua assistente. Quando ela foi sequestrada você mandou todos em busca dela. Seu pessoal de investigação rodou o mundo até saber que ela tinha sido traficada para Londres. Você havia mandado seu pessoal para lá para resgatá-la, porém você recebeu uma carta de ameaça pedindo para retirar seu pessoal deste caso, pois você poderia pagar com a própria vida. Você não o fez. E disse que não iria fazer. Garantiu a Solange que a filha dela voltaria para casa sã e salva. Manteve seu pessoal, e duas ameaças foram feitas, até seu carro sofrer o primeiro ataque e por sorte nada aconteceu com você. Você tratou o caso como pessoal, depois do primeiro atentado. Nos chamou para entrar nessa busca com você. Não nos fizemos de rogado e acabamos aceitando. Foi aí que você foi para Londres e tentou resgatar a filha deles. E aconteceu o que aconteceu com você. Não sei se ainda faz sentido para mim, mas o fato é que nunca fugiria de uma briga que fosse declarada a mim.
" A filha de Solange e Marco? Foi salva? Como ela está"?
— Sim. Ela estava toda machucada. Mas conseguimos tirar ela de lá. Ela estava em coma assim como você. Porém ela já está bem. Voltou a sua vida ao normal graças a você e a sua equipe. Ryan disse.
— E por falar nisso. Colocamos Sarah na sua casa enquanto ela estava em coma. Não tínhamos como deixá-la em um hospital, já que talvez as pessoas poderiam estar atrás dela. Então deixamos ela sendo cuidado por médicos e enfermeiros na sua casa. Espero que não se importe. Até mesmo porque Solange e Marco poderia ficar ali com a filha. Contamos isso enquanto você estava em coma, como forma de pedir autorização. Justin fala sorrindo e eu acabo sorrindo também. Mas uma coisa eu não entendo, Justin e eu fizemos isso com Alexia. Não é possível que isso seja criação da minha mente.
Tem várias coisas que não se encaixam. Porque eu achei então que estava com Alexia? Porque eu achei que tínhamos filhos? As gêmeas? Eu tenho certeza que isso não foi mentira. Não foi da minha mente. Eu a amei, me casei com ela. Tivemos filhos. Porque isso não é verdade?
— Filho? Minha mãe me chama. A encaro. Sei que está difícil para você assimilar as coisas agora, mas o médico verá o que aconteceu com a sua memória. Acreditamos que você perdeu sua memória, e pode ter bloqueado o acidente que te aconteceu. Fique calmo. Tudo vai se ajeitar. Eu não acredito que tenho jeito, ainda mais nessa situação que estou. Tive uma vida feliz, tive uma família que me amava, tive uma mulher carinhosa e nem ao menos sei hoje se isso é verdade ou não. Eu só queria ver Alexia parar ter certeza que isso é um pesadelo ou até mesmo uma brincadeira de m*l gosto. Uma pegadinha feita pelo palhaço do Justin.
— A. L.E.X.I. A. Indago querendo falar com ela.
— Michael, a Dra Alexia não está no hospital hoje. E outra ela não é sua esposa. Você não é casado. Que Merda de vida eu tenho então. Eu não consigo me imaginar em uma vida que não tenha Alexia e meus filhos. Tudo que vive foi mentira. Eu estou desesperado.
— P. O. D. E. M. I. R. Quase grito, fazendo minha garganta doer. Eu não quero mais ninguém aqui. Quero ficar sozinho. Não estou convencido de que tudo passou de um sonho, de uma fantasia e visões tão vividas.
— Filho. Mamãe tenta.
— N. A. O.
— Vamos mãe. Vamos deixá-lo. Ele precisa de tempo para assimilar tudo que aconteceu com ele. Acho que hoje foram muitas informações e a cabeça dele precisa desse tempo. Ryan diz e todos me olham com pena. Eu não preciso da pena de ninguém, eu só quero a verdade e ainda minha vida com Alexia de volta.
— Vamos te deixar, meu amor, mas estamos aqui por você e para você. Mamãe diz e me dar um beijo na testa. Meu pai faz o mesmo e meus irmãos tocam em minha mão.
Depois que eles foram embora eu não me pus a pensar. Eu tive sim uma vida feliz, e nada antes ou depois disso não faz sentido para mim. Olho para minha mão esquerda e não tem mesmo uma marca de aliança. Eu vou ficar louco se não conversar com a dona dos meus pensamentos.
Algum tempo depois dois médicos entram. Eles dizem que não tem nada de errado com os exames que fiz, não estão entendendo a falta de memória.
Eles dizem que não tem nenhum inchaço ou luxação no meu cérebro que me pudesse fazer perder o sentido.
Eles ainda farão um exame mais aprofundado em mim para detectar se não tem nada mesmo. Não dei importância a nada que eles falaram. Eu só quero minha vida de antes, porque a de agora não faz sentido algum para mim.
Eu achei que quando acordasse, eu teria Alexia e meus filhos em cima de mim. Teria minha vida feliz que tinha antes. Teria meu mundo. Porém nada agora parece real para mim.
Porque? Porque tinha uma vida diferente que tenho hoje? Porque tudo está uma bagunça na minha cabeça? São perguntas que não tem respostas nenhuma, porém até Alexia aparecer e me tirar desse escuro. Tenho certeza que ela vai me dizer que isso foi uma brincadeira dos meus irmãos junto com meus pais. Ela vai trazer meus filhos para me ver e tudo voltará como antes.
Durante o dia me trouxeram comida que não fiz questão de comer. Não estava com fome. Fiz outros exames mais detalhado e passei o dia todo calado pensando no que houve comigo.
No outro dia. Acordei e meu café da manhã foi servido, porém também não quis. Estou abalado demais para pensar em comer.
Como uma pessoa vivi uma coisa e depois nada disso é real? Isso não entra na minha cabeça. Vejo a porta se abrindo e novamente é minha mãe e meu pai. Eu sei que eles não têm nada haver com que aconteceu comigo, porém eu não queria e nem quero ver ninguém. Eu preciso ficar sozinho, e quero ficar sozinho.
— Bom dia, meu filho! Como dormiu? Não respondo para minha mãe que está feliz por me ver. Eu preferia morrer a ter que descobrir que nada que vivi foi real.
— Michael, eu sei que você está magoado, triste por achar que tinha uma vida e nada é verdade, mas você precisa reagir. Você precisa seguir em frente e ainda agradecer por está vivo. Papai fala se sentando do outro lado da cama. Pego o papel e caneta e começo a escrever.
" Como reagir a essa vida que desconheço? Como seguir em frente, se não tenho a família que achava que tinha? Eu não vou agradecer nada. Eu preferia estar morto do que descobrir que tudo foi mentira, tudo foi um sonho distorcido da minha vida".
— Filho, não pense assim. Sua memória vai voltar e assim você vai poder preencher essa lacuna que está aberta na sua mente.
" E o vazio aqui"? Aponto para o meu coração. "Como será preenchido o vazio aqui? Eu estou destruído, desesperado e muito, mais muito chateado por vocês estarem brincando comigo dessa forma".
— Não. Não estamos brincando com você. Nunca faríamos isso. Dissemos para você a verdade. Mamãe suspira. Sei que não era o que você queria ouvir, mas é a verdade. Uma lágrima cai pelo meu rosto e me sinto uma pessoa triste. Uma pessoa vazia. Como se algo fosse tirado de mim sem volta. Mamãe limpa a lágrima em meu rosto. Sinto muito, amor. Eu faria qualquer coisa para você não passar por isso. A porta se abre uma morena linda de olhos amendoados passa por ela. Eu não sei quem é, mas ela é linda, parece minha Alexia.
— Bom dia, meu paciente bonito! Ela diz e essa voz é de Alexia. Não acredito, ela é a Alexia.
— A. L.E.X.I. A. Grito desesperado. Ela tem que me tirar desse tormento. Só ela pode me tirar disso tudo que estou vivendo.