Depois de dez minutos parada que nem uma i****a, eu entro no carro e começo a dirigir. Aquele desgraçado tem sorte que eu não sei aonde ele mora, porque se eu soubesse, eu iria até a sua casa e daria o maior escândalo, ele ficaria traumatizado e nunca mais iria esquecer o meu rosto.
Enquanto dirijo, as pessoas não param de olhar para mim. Gostava tanto que o vidro do carro não fosse transparente, mas infelizmente é, e a minha vergonha será maior quando eu chegar na Jyaver. Todos vão rir de mim.
Mas a culpa é daquele i****a, gostoso, sem escrúpulos, bonitão, que chocou contra mim! Ou será que fui eu? Eu não sei de mais nada, apenas sei que já não tenho sono e estou fervendo de raiva daquele lindo i****a desconhecido.
Eu estaciono o meu carro na frente da loja e entro. Ainda são 7 e 52, a loja vai abrir daqui a 8 minutos, e eu cheguei à horas, não como o costume, mas num horário razoável para alguém que quase ficou em coma ou quase morreu.
Entro na zona dos funcionários e visto o meu e******o uniforme! Detesto esse maldito uniforme! São horríveis, mas por acaso não me ficam nada m*l.
Volto para a loja e vejo que já está aberta. Me aproximo de Roberta e finjo um sorriso. Não quero que ninguém note a minha raiva, a minha tristeza e o meu cansaço.
— Bom dia, Roberta!
— Oi, Felicity. Tudo bem?
— Muito bem! — Respondo desanimada.
— Sabe você está tão estranha hoje! O que será? — Ela pergunta.
Eu não aguento mais! — Nem tente adivinhar! Eu bati com o carro.
— O quê? Você está bem? Porquê disse que estava bem?
— Eu estou tão exausta, que acho que não vou aguentar!
— Chamou o reboque?
Nem tinha pensado nisso! Que vergonha!
Ela olha para o caixa e sorri. Essa mulher se distrai facilmente.
— O que foi, Roberta?
— Olha aquele homem lindo de morrer? — Eu me viro e vejo um homem loiro, alto sorrindo para nós. Ele é lindo sim, mas o homem com quem eu bati hoje é mais.
Oh Deus! Que homem é aquele?
— Sério, Roberta? Você tem namorado!
— Eu sei, mas traio ele em pensamentos, é normal!
— Você não vai atender o lindão? — Pergunto.
— Já estou indo. — Ela caminha até ele toda feliz da vida. Eu reviro os olhos e vou atender quem realmente precisa de ajuda. Olho ao redor e todos os homens que vejo me fazem lembrar aquele homem fantástico que chocou comigo.
Não pode existir alguém tão bonito assim! simplesmente não pode. Mas claro que é apenas bonito por fora! Ele nem se deu ao trabalho de pagar o concerto do carro. Estou com tanta raiva que preciso esmagar alguém.
Fecho os olhos e conto até 100. Eu preciso me acalmar e me concentrar.
Roberta pega no meu ombro me assustando. Eu me viro e coloco a mão no peito. Passou mil coisas na minha cabeça e uma delas era que o homem que bateu comigo, estava pegando meu ombro.
— Que susto! — Digo.
— O que você estava fazendo?
— Me acalmar!
— Porquê?
Céus! Depois eu sou a burra?
— Porque eu bati com o carro, e o i****a que bateu comigo não pagou para o concerto do carro. E também porque não consegui dormir! Não são motivos suficientes?
— Eu lamento. — Ela diz. Eu ainda mais. — Por acaso, você já conversou com Ronald? — Porquê ela não esquece esse assunto?
— Não! Amanhã eu falo com ele no jantar da sua mãe. — Bem, eu vou tentar. Não prometo nada!
— Claro que fala! Eu te conheço, Felicity, e sei que você não vai falar! — Sou assim tão óbvia? Devo mudar isso!
— Eu quero muito falar, mas por vezes não consigo. É como se ele me calasse através dos seus olhos antes que eu sequer comece a falar!
— O que é que isso significa? — Pergunta confusa.
— Que eu não tenho coragem!
— Eu tenho a solução ideal! Escreve uma carta! Diga tudo o que você sente nessa mesma carta, depois entregue para ele.
— Não é má ideia! Vou fazer isso!
— Faça logo, porque homem bonito fica solteiro por pouco tempo.
— Amanhã eu vou entregar! — Digo.
Durante esse tempo todo, nem me ocorreu que podia escrever para Ronald tudo o que eu não posso dizer em palavras. Só espero que ele sinta o mesmo e me aceite, senão eu não sei o que vou fazer!
Chego em casa e coloco o carro na garagem. Espero que o meu pai não esteja em casa, senão vai dar cabo de mim. Observo o carro novamente e está pior do eu pensava. A culpa é dos Dan! Graças a eles, não dormi como deve ser.
Fecho a garagem e entro em casa. Kira está sozinha vendo TV. Não há nenhum sinal de White nem do meu pai. Eu vou até ela e beijo a sua bochecha.
— Oi, princesa!
— Boa noite, Felicity! Você está bem?
— Sim, linda. E você?
— Também!
— Onde estão papai e White? — A casa está muito silenciosa.
— White ainda não chegou e papai saiu.
— Para onde ele foi? — Pergunto. Ele foi capaz de deixar uma criança de oito anos sozinha? E depois eu sou a inconsequente.
— Ele não disse nada. — Ela olha para a TV.
— Está bem. Eu vou para o quarto.
Entro no quarto e jogo a minha bolsa na cama, depois tiro a roupa e entro no chuveiro. O rosto daquele desconhecido não sai da minha cabeça. Os seus olhos, seu sorriso, sua voz, suas mãos fortes, não consigo esquecer! Se o visse por aí, o reconhecia de certeza!
Quando termino o banho, coloco meu short jeans e minha blusa azul de mangas compridas. Abro a minha bolsa, tiro o meu celular, mas não vejo a minha carteira.
Oh não! Não! Não! Será que caiu quando eu falava com aquele i****a?
Procuro por todo o lado, mas não encontro. De repente, a campainha toca me fazendo correr para o espelho. Se for Ronald, quero que me veja linda. Pego num elástico de cabelo e faço um r**o de cavalo. Olho para mim no espelho durante algum tempo, até que Kira abre a porta e grita:
— Felicity, um super modelo está procurando você! — Na minha cabeça me pergunto: Super modelo? Procurando por mim? Super modelo? Super modelo? Eu? Kira conhece Ronald! Quem será que pode ser a essa hora?
Eu olho para o espelho mais um pouco. Se ela diz que é um super modelo, preciso estar bem apresentada. Caminho devagar até a sala. Eu vou até a porta e vejo a última pessoa que eu esperava ver na minha casa.
Agora eu entendo porquê Kira disse super modelo. O lindo desconhecido, que bateu comigo está aqui!
Eu vou explodir!
Ele me olha com um olhar "Que tal se a gente fosse embora para o fim do mundo?". Abre um sorriso e olha para mim de cima a baixo. Está tentando flertar? Eu olho para ele completamente impassível, mas ele continua sorrindo. Há mesmo pessoas que não têm mais nada para fazer na vida.
Eu me aproximo dele e dou um olhar bastante frio. Os homens são tão estranhos, que eu não sei se algum dia vou mudar de opinião sobre isso. Bem, nem todos, acho que Ronald é bastante simples.
— Posso ajudá-lo? — Pergunto.
Ele anda devagar até mim, inclina a cabeça para o lado e levanta uma sobrancelha. Ele é bastante atraente tenho de admitir, mas possivelmente não faz o meu tipo. Sinceramente não sei se existe alguém que faça o meu tipo!
Ah! Ronald!
— Depende! Podemos conversar, linda? E pode me dar o seu número? — Pergunta.
Eu cruzo meus braços e rio. Ele também ri, não sei porquê, mas o faz. Eu me recomponho e me aproximo ainda mais dele.
Quanto atrevimento! Ele nem me conhece e quer o meu número? Devia era pagar o arranjo do carro do meu pai!
— Eu não vou dar nada! Lamento desiludi-lo.
Seu sorriso aumenta. — Que pena! Eu gosto tanto de loiras e de olhos azuis.
— É mesmo uma pena. — Digo.
Tento entrar para fechar a porta, mas ele pega no meu braço.
— Porquê diz que não? — Ele olha para mim. Sério isso?
— Não é óbvio? Eu nunca o vi mais gordo! Como eu posso dar o número a um estranho? Eu não sou louca!
— Eu também não sou. — Ele responde sério. Tenho sérias dúvidas sobre isso.
— Se você diz! Agora pode largar o meu braço?
— Tudo bem. Eu vou deixar as coisas acontecerem naturalmente. — Eu não faço ideia do que ele está falando. Me deparo com cada situação!
Ele solta o meu braço e me apercebo de que Kira está aqui.
— Vamos começar de novo? — Diz.
Olho para ele de cima a baixo. Está com uma pólo branca, calças Jeans e o cabelo completamente impecável. Ele sorri para mim, depois tenta entrar sem a minha permissão, mas eu o impeço.
Mas quem ele pensa que é?
— Kira pode continuar vendo TV, eu trato desse super modelo. — Digo para minha irmã.
Ela volta no sofá, e eu encaro o tal super modelo. Minhas pernas estão tremendo um pouco. Não sei porquê ele me deixa nervosa.
— Boa noite, Felicity Jones! — Ele diz. Como ele sabe o meu nome? Eu quero esmagar ele. Mas estou assustada.
— Quem é você? Como você sabe o meu nome? Como chegou aqui? O que veio fazer aqui? — Cruzo os braços e estreito os olhos para ele.
— Sou King! William king! Eu sei o seu nome, porque estou com a sua carteira e seu cartão de identificação e vi o seu nome e a sua morada. Vim devolvê-lo! — Ele tem uma voz que faz qualquer mulher ficar hipnotizada.
Ele me entrega a carteira e sorri ainda mais. Porquê ele sorri tanto? Deve saber que tem um lindo sorriso ou eu tenho alguma coisa no rosto.
— Obrigada. Mas onde encontrou a minha carteira? — Isso é muito suspeito porque ele apanhou a minha bolsa me entregou e foi embora. Não havia nada no chão, não que eu não percebesse.
— Essa pergunta não tenciono responder! — Ele responde impassível.
Esse homem me tira do sério! Eu não sei quem ele é, mas o que faz comigo só Deus sabe! Digo isso não num bom sentido.
— Porquê não? — Pergunto.
— Não tenho vontade! — Ele fica sério e levanta uma sobrancelha para mim. Eu desvio o olhar.
Que lindo que ele é! Eu nem consigo ficar à vontade na minha própria casa por causa dele.
— Tudo bem. Então pode ir embora! — Digo com raiva.
— Há mais uma coisa! — Ele me entrega um cheque de vinte mil dólares. Estou chocada! A minha cara deve estar péssima, porque ele ri.
— Para pagar o concerto do carro. — Diz antes de eu devolver.
— O quê? Não precisa de tanto! — É muito dinheiro! Meu pai vai pensar que eu assaltei um banco. Vinte mil dólares?
— Fique com o troco e compre qualquer coisa para você! — Ele pisca o olho para mim. Eu acho que vou desmaiar! Porquê ele é tão sexy?
— Eu não posso aceitar! Vinte mil dólares é muito dinheiro, homem!
— Em primeiro lugar, eu quero que aceite esse dinheiro para concertar o seu carro, embora a culpa não tenha sido minha... — O que ele está insinuando? Eu quero bater nele de novo, mas não! É melhor não! — ... e em segundo, minha linda, meu nome é William. — Diz num tom sério.
— Você é o homem...
— Mais bonito que você já viu? — Ele me corta. Dou enormes gargalhadas, embora saiba que isso é verdade. Pessoalmente, é o homem mais bonito que eu já vi. Se tivesse visto Henry Cavill pessoalmente, acho que estariam empatados. Acho até que são parecidos.
— Eu ia dizer mais irritante!
— Defina irritante! — Ele inclina a cabeça para o lado e cruza os braços. Porquê ele está fazendo isso comigo? Eu sou uma mera mortal! Não aguento tanta sensualidade nem tanta beleza.
— Olha porquê não vai embora? — Eu não quero deixar de olhar para seus olhos azuis lindos de morrer, nem para o seu corpo perfeito musculoso, nem seu sorriso e tenho uma vontade enorme de tocar no seu cabelo, mas preciso que ele suma daqui.
— Vou embora quando me apetecer! — Eu não acredito nisso! Ele pensa que é o quê?
— Ah não? Quer que eu chame a polícia?
— Eles são todos meus amigos vão entender os meus motivos!
Que i****a! Pensa que é o dono do mundo. — E quais são os teus motivos mesmo? — Pergunto furiosa.
— Porquê você quer saber? — Eu acho que vou enlouquecer! Esse homem quer ver a Felicity furiosa ao vivo e à cores?
— Porquê diz que não quer sair da minha casa?
— Quer assim tanto que eu vá embora? — Ele sorri novamente.
— Quero! — Respondo nada convincente.
— Não não vou ficar! Por você tudo bem? — Ah?
— Claro!
— Eu vou ficar!
— Mas você acabou de dizer que não vai ficar? — Estou perdendo a paciência.
— Dupla negativa, o que torna uma positiva. Eu enganei você! — Ele diz.
O quê? Ele é um i*****l! Mil vezes i*****l! — Você não quer que eu vá! Eu consigo ver nos seus olhos, minha linda! — Ele continua.
Minha linda? Ele acha que eu sou linda? Quero pular aqui que nem uma criança e gritar: "Ele acha que eu sou linda! Ele acha que eu sou linda!", mas eu não vou fazer isso.
— Me diz o que você quer, desconhecido! — Eu não esqueci o seu nome! Sei perfeitamente que se chama William King!
— É William! William! William! William! Não é difícil! — Responde impassível.
— Tudo bem, William, vai responder a minha pergunta? — Ele se aproxima mais um pouco e agarra as minhas mãos.
— Isso não é resposta suficiente? — Diz baixinho me fazendo arrepiar da cabeça aos pés. Ele se aproxima mais um pouco e consigo sentir o cheiro do seu perfume.
Meu Deus!
— Eu não te conheço! — Respondo num fio de voz. Eu não consigo respirar.
— Agora conhece! — Ele sorri, e meu coração bate tão rápido que nem sequer oiço a minha própria voz.
— Eu realmente acho que você deve ir embora!
— Tudo bem! — Ele sai e eu o sigo. Não sei porquê.
— Obrigada por me entregar a minha carteira e por pagar o concerto do carro do meu pai. — Ele vira e me encara. Em seguida, anda até mim novamente. Ele anda de um jeito tão sexy, que não sei se faz de propósito ou não.
Olha para mim e franze a testa. — Não há nenhum problema. Eu gosto de agradar as pessoas!
— Eu entendo. Já pode ir embora!
— Eu já não quero ir! — Ele sorri.
Oh, por favor!
— Olha aqui, William, é melhor você ir embora, senão...— Eu paro sem saber o que dizer.
— Senão o quê? — Pergunta com um sorriso safado no rosto, enquanto morde o lábio inferior. Eu vou desmaiar daqui a pouco. É só ele fazer mais alguma coisa que aumente na sua sensualidade, que eu desmaio.
— Senão eu lhe dou uma surra e coloco você no seu carro à força para passear em Moscovo! — Eu oiço a voz de Ronald e me viro imediatamente.
— Quem é esse? Seu namorado? — William pergunta surpreso.
— Isso não te interessa!— Ronald chega até mim. — Quem é ele? — Continua.
— William King! — Digo como se conhecesse ele.
— Você conhece ele? — Ronald pergunta.
— Mais ou menos isso.
— Eu não quero incomodar, por isso é melhor eu ir embora. Adeus, minha linda! — Ele pisca um olho para mim, sorri, dá meia volta, entra no carro e vai embora.
Eu me viro para o lado e me apercebo que White me observa boquiaberta, como se eu tivesse feito algo de grave.
— Felicity? — Ronald me chama!
— O que é? — Pergunto.
— Quem era aquele cara?
— Eu não sei.
— Como não sabe? — Ele olha como se tivesse sido traído.
Estou tão burra nesse momento! Não sei se é por causa de King ou porque não consegui dormir toda a noite. White chega até nós e continua olhando para mim. Ambos olham para mim. Eu fingia um desmaio, mas não quero preocupar ninguém.
— Eu conheci ele recentemente! — Explico.
— Como? — Ronald pergunta.
— Tantas perguntas! Eu não dormi está noite. Preciso de descanso, por favor!
Eu entro em casa e me jogo no sofá. White entra em seguida e olha para mim.
— Felicity, quem é aquele homem lindo?
— Super modelo, namorado de Felicity! — Kira responde.
— O quê? Você namora com um super modelo?
— Quem me dera, White! Eu nem conheço aquele homem!
— Parecia que conhecia muito bem!
— Sabe de uma coisa? Faça o jantar, que eu vou dormir. Se eu não dormir hoje, amanhã eu vou perder a razão.
Eu me levanto e me dirijo ao meu quarto com raiva. Não entendo porquê estou com tanta raiva. Abro a minha carteira, coloco o cheque que William me deu e coloco a carteira na bolsa.
Meu celular toca nesse momento.
Número desconhecido.
— Alô? — Atendo.
— Eu só queria ter a certeza de que esse número era seu! — O quê? William?
— Quem fala? — Pergunto.
— O homem mais bonito que você já viu! William king!
— Eu não acredito que você tenha o meu número. Apague!
— Não me parece que eu vá fazer isso! Adeus, linda! — Ele ri. Quando estou prestes a dizer umas poucas e boas, ele desliga.
Eu não acredito! Até onde esse homem quer chegar? O que ele quer de mim? Porquê logo eu? Não que eu não queira, nem que não me importe, mas quero saber porquê! Se ele já tinha o meu número, porque pediu?
É melhor eu não saber o que ele faz ou deixa de fazer, senão enlouqueço.
Eu visto o meu pijama e me deito na cama sem pensar em mais nada. Meu celular apita. Deve ser mensagem nova. Eu pego no telefone e abro a mensagem:
As pessoas podem fugir de tudo, menos da verdade. Ainda que tentem, ela as apanha sempre. William.
O que será que ele quer dizer com isso? E porquê é que eu me importo com isso? Minha cabeça vai explodir. Eu deito na cama, fecho os olhos e deixo que o sono me leve para lugares longínquos. Só espero não sonhar com ele.