Capítulo dois - O lindo desconhecido

3204 Words
Depois de dez minutos parada que nem uma i****a, eu entro no carro e começo a dirigir. Aquele desgraçado tem sorte que eu não sei aonde ele mora, porque se eu soubesse, eu iria até a sua casa e daria o maior escândalo, ele ficaria traumatizado e nunca mais iria esquecer o meu rosto. Enquanto dirijo, as pessoas não param de olhar para mim. Gostava tanto que o vidro do carro não fosse transparente, mas infelizmente é, e a minha vergonha será maior quando eu chegar na Jyaver. Todos vão rir de mim. Mas a culpa é daquele i****a, gostoso, sem escrúpulos, bonitão, que chocou contra mim! Ou será que fui eu? Eu não sei de mais nada, apenas sei que já não tenho sono e estou fervendo de raiva daquele lindo i****a desconhecido. Eu estaciono o meu carro na frente da loja e entro. Ainda são 7 e 52, a loja vai abrir daqui a 8 minutos, e eu cheguei à horas, não como o costume, mas num horário razoável para alguém que quase ficou em coma ou quase morreu. Entro na zona dos funcionários e visto o meu e******o uniforme! Detesto esse maldito uniforme! São horríveis, mas por acaso não me ficam nada m*l. Volto para a loja e vejo que já está aberta. Me aproximo de Roberta e finjo um sorriso. Não quero que ninguém note a minha raiva, a minha tristeza e o meu cansaço. — Bom dia, Roberta! — Oi, Felicity. Tudo bem? — Muito bem! — Respondo desanimada. — Sabe você está tão estranha hoje! O que será? — Ela pergunta. Eu não aguento mais! — Nem tente adivinhar! Eu bati com o carro. — O quê? Você está bem? Porquê disse que estava bem? — Eu estou tão exausta, que acho que não vou aguentar! — Chamou o reboque? Nem tinha pensado nisso! Que vergonha! Ela olha para o caixa e sorri. Essa mulher se distrai facilmente. — O que foi, Roberta? — Olha aquele homem lindo de morrer? — Eu me viro e vejo um homem loiro, alto sorrindo para nós. Ele é lindo sim, mas o homem com quem eu bati hoje é mais. Oh Deus! Que homem é aquele? — Sério, Roberta? Você tem namorado! — Eu sei, mas traio ele em pensamentos, é normal! — Você não vai atender o lindão? — Pergunto. — Já estou indo. — Ela caminha até ele toda feliz da vida. Eu reviro os olhos e vou atender quem realmente precisa de ajuda. Olho ao redor e todos os homens que vejo me fazem lembrar aquele homem fantástico que chocou comigo. Não pode existir alguém tão bonito assim! simplesmente não pode. Mas claro que é apenas bonito por fora! Ele nem se deu ao trabalho de pagar o concerto do carro. Estou com tanta raiva que preciso esmagar alguém. Fecho os olhos e conto até 100. Eu preciso me acalmar e me concentrar. Roberta pega no meu ombro me assustando. Eu me viro e coloco a mão no peito. Passou mil coisas na minha cabeça e uma delas era que o homem que bateu comigo, estava pegando meu ombro. — Que susto! — Digo. — O que você estava fazendo? — Me acalmar! — Porquê? Céus! Depois eu sou a burra? — Porque eu bati com o carro, e o i****a que bateu comigo não pagou para o concerto do carro. E também porque não consegui dormir! Não são motivos suficientes? — Eu lamento. — Ela diz. Eu ainda mais. — Por acaso, você já conversou com Ronald? — Porquê ela não esquece esse assunto? — Não! Amanhã eu falo com ele no jantar da sua mãe. — Bem, eu vou tentar. Não prometo nada! — Claro que fala! Eu te conheço, Felicity, e sei que você não vai falar! — Sou assim tão óbvia? Devo mudar isso! — Eu quero muito falar, mas por vezes não consigo. É como se ele me calasse através dos seus olhos antes que eu sequer comece a falar! — O que é que isso significa? — Pergunta confusa. — Que eu não tenho coragem! — Eu tenho a solução ideal! Escreve uma carta! Diga tudo o que você sente nessa mesma carta, depois entregue para ele. — Não é má ideia! Vou fazer isso! — Faça logo, porque homem bonito fica solteiro por pouco tempo. — Amanhã eu vou entregar! — Digo. Durante esse tempo todo, nem me ocorreu que podia escrever para Ronald tudo o que eu não posso dizer em palavras. Só espero que ele sinta o mesmo e me aceite, senão eu não sei o que vou fazer! Chego em casa e coloco o carro na garagem. Espero que o meu pai não esteja em casa, senão vai dar cabo de mim. Observo o carro novamente e está pior do eu pensava. A culpa é dos Dan! Graças a eles, não dormi como deve ser. Fecho a garagem e entro em casa. Kira está sozinha vendo TV. Não há nenhum sinal de White nem do meu pai. Eu vou até ela e beijo a sua bochecha. — Oi, princesa! — Boa noite, Felicity! Você está bem? — Sim, linda. E você? — Também! — Onde estão papai e White? — A casa está muito silenciosa. — White ainda não chegou e papai saiu. — Para onde ele foi? — Pergunto. Ele foi capaz de deixar uma criança de oito anos sozinha? E depois eu sou a inconsequente. — Ele não disse nada. — Ela olha para a TV. — Está bem. Eu vou para o quarto. Entro no quarto e jogo a minha bolsa na cama, depois tiro a roupa e entro no chuveiro. O rosto daquele desconhecido não sai da minha cabeça. Os seus olhos, seu sorriso, sua voz, suas mãos fortes, não consigo esquecer! Se o visse por aí, o reconhecia de certeza! Quando termino o banho, coloco meu short jeans e minha blusa azul de mangas compridas. Abro a minha bolsa, tiro o meu celular, mas não vejo a minha carteira. Oh não! Não! Não! Será que caiu quando eu falava com aquele i****a? Procuro por todo o lado, mas não encontro. De repente, a campainha toca me fazendo correr para o espelho. Se for Ronald, quero que me veja linda. Pego num elástico de cabelo e faço um r**o de cavalo. Olho para mim no espelho durante algum tempo, até que Kira abre a porta e grita: — Felicity, um super modelo está procurando você! — Na minha cabeça me pergunto: Super modelo? Procurando por mim? Super modelo? Super modelo? Eu? Kira conhece Ronald! Quem será que pode ser a essa hora? Eu olho para o espelho mais um pouco. Se ela diz que é um super modelo, preciso estar bem apresentada. Caminho devagar até a sala. Eu vou até a porta e vejo a última pessoa que eu esperava ver na minha casa. Agora eu entendo porquê Kira disse super modelo. O lindo desconhecido, que bateu comigo está aqui! Eu vou explodir! Ele me olha com um olhar "Que tal se a gente fosse embora para o fim do mundo?". Abre um sorriso e olha para mim de cima a baixo. Está tentando flertar? Eu olho para ele completamente impassível, mas ele continua sorrindo. Há mesmo pessoas que não têm mais nada para fazer na vida. Eu me aproximo dele e dou um olhar bastante frio. Os homens são tão estranhos, que eu não sei se algum dia vou mudar de opinião sobre isso. Bem, nem todos, acho que Ronald é bastante simples. — Posso ajudá-lo? — Pergunto. Ele anda devagar até mim, inclina a cabeça para o lado e levanta uma sobrancelha. Ele é bastante atraente tenho de admitir, mas possivelmente não faz o meu tipo. Sinceramente não sei se existe alguém que faça o meu tipo! Ah! Ronald! — Depende! Podemos conversar, linda? E pode me dar o seu número? — Pergunta. Eu cruzo meus braços e rio. Ele também ri, não sei porquê, mas o faz. Eu me recomponho e me aproximo ainda mais dele. Quanto atrevimento! Ele nem me conhece e quer o meu número? Devia era pagar o arranjo do carro do meu pai! — Eu não vou dar nada! Lamento desiludi-lo. Seu sorriso aumenta. — Que pena! Eu gosto tanto de loiras e de olhos azuis. — É mesmo uma pena. — Digo. Tento entrar para fechar a porta, mas ele pega no meu braço. — Porquê diz que não? — Ele olha para mim. Sério isso? — Não é óbvio? Eu nunca o vi mais gordo! Como eu posso dar o número a um estranho? Eu não sou louca! — Eu também não sou. — Ele responde sério. Tenho sérias dúvidas sobre isso. — Se você diz! Agora pode largar o meu braço? — Tudo bem. Eu vou deixar as coisas acontecerem naturalmente. — Eu não faço ideia do que ele está falando. Me deparo com cada situação! Ele solta o meu braço e me apercebo de que Kira está aqui. — Vamos começar de novo? — Diz. Olho para ele de cima a baixo. Está com uma pólo branca, calças Jeans e o cabelo completamente impecável. Ele sorri para mim, depois tenta entrar sem a minha permissão, mas eu o impeço. Mas quem ele pensa que é? — Kira pode continuar vendo TV, eu trato desse super modelo. — Digo para minha irmã. Ela volta no sofá, e eu encaro o tal super modelo. Minhas pernas estão tremendo um pouco. Não sei porquê ele me deixa nervosa. — Boa noite, Felicity Jones! — Ele diz. Como ele sabe o meu nome? Eu quero esmagar ele. Mas estou assustada. — Quem é você? Como você sabe o meu nome? Como chegou aqui? O que veio fazer aqui? — Cruzo os braços e estreito os olhos para ele. — Sou King! William king! Eu sei o seu nome, porque estou com a sua carteira e seu cartão de identificação e vi o seu nome e a sua morada. Vim devolvê-lo! — Ele tem uma voz que faz qualquer mulher ficar hipnotizada. Ele me entrega a carteira e sorri ainda mais. Porquê ele sorri tanto? Deve saber que tem um lindo sorriso ou eu tenho alguma coisa no rosto. — Obrigada. Mas onde encontrou a minha carteira? — Isso é muito suspeito porque ele apanhou a minha bolsa me entregou e foi embora. Não havia nada no chão, não que eu não percebesse. — Essa pergunta não tenciono responder! — Ele responde impassível. Esse homem me tira do sério! Eu não sei quem ele é, mas o que faz comigo só Deus sabe! Digo isso não num bom sentido. — Porquê não? — Pergunto. — Não tenho vontade! — Ele fica sério e levanta uma sobrancelha para mim. Eu desvio o olhar. Que lindo que ele é! Eu nem consigo ficar à vontade na minha própria casa por causa dele. — Tudo bem. Então pode ir embora! — Digo com raiva. — Há mais uma coisa! — Ele me entrega um cheque de vinte mil dólares. Estou chocada! A minha cara deve estar péssima, porque ele ri. — Para pagar o concerto do carro. — Diz antes de eu devolver. — O quê? Não precisa de tanto! — É muito dinheiro! Meu pai vai pensar que eu assaltei um banco. Vinte mil dólares? — Fique com o troco e compre qualquer coisa para você! — Ele pisca o olho para mim. Eu acho que vou desmaiar! Porquê ele é tão sexy? — Eu não posso aceitar! Vinte mil dólares é muito dinheiro, homem! — Em primeiro lugar, eu quero que aceite esse dinheiro para concertar o seu carro, embora a culpa não tenha sido minha... — O que ele está insinuando? Eu quero bater nele de novo, mas não! É melhor não! — ... e em segundo, minha linda, meu nome é William. — Diz num tom sério. — Você é o homem... — Mais bonito que você já viu? — Ele me corta. Dou enormes gargalhadas, embora saiba que isso é verdade. Pessoalmente, é o homem mais bonito que eu já vi. Se tivesse visto Henry Cavill pessoalmente, acho que estariam empatados. Acho até que são parecidos. — Eu ia dizer mais irritante! — Defina irritante! — Ele inclina a cabeça para o lado e cruza os braços. Porquê ele está fazendo isso comigo? Eu sou uma mera mortal! Não aguento tanta sensualidade nem tanta beleza. — Olha porquê não vai embora? — Eu não quero deixar de olhar para seus olhos azuis lindos de morrer, nem para o seu corpo perfeito musculoso, nem seu sorriso e tenho uma vontade enorme de tocar no seu cabelo, mas preciso que ele suma daqui. — Vou embora quando me apetecer! — Eu não acredito nisso! Ele pensa que é o quê? — Ah não? Quer que eu chame a polícia? — Eles são todos meus amigos vão entender os meus motivos! Que i****a! Pensa que é o dono do mundo. — E quais são os teus motivos mesmo? — Pergunto furiosa. — Porquê você quer saber? — Eu acho que vou enlouquecer! Esse homem quer ver a Felicity furiosa ao vivo e à cores? — Porquê diz que não quer sair da minha casa? — Quer assim tanto que eu vá embora? — Ele sorri novamente. — Quero! — Respondo nada convincente. — Não não vou ficar! Por você tudo bem? — Ah? — Claro! — Eu vou ficar! — Mas você acabou de dizer que não vai ficar? — Estou perdendo a paciência. — Dupla negativa, o que torna uma positiva. Eu enganei você! — Ele diz. O quê? Ele é um i*****l! Mil vezes i*****l! — Você não quer que eu vá! Eu consigo ver nos seus olhos, minha linda! — Ele continua. Minha linda? Ele acha que eu sou linda? Quero pular aqui que nem uma criança e gritar: "Ele acha que eu sou linda! Ele acha que eu sou linda!", mas eu não vou fazer isso. — Me diz o que você quer, desconhecido! — Eu não esqueci o seu nome! Sei perfeitamente que se chama William King! — É William! William! William! William! Não é difícil! — Responde impassível. — Tudo bem, William, vai responder a minha pergunta? — Ele se aproxima mais um pouco e agarra as minhas mãos. — Isso não é resposta suficiente? — Diz baixinho me fazendo arrepiar da cabeça aos pés. Ele se aproxima mais um pouco e consigo sentir o cheiro do seu perfume. Meu Deus! — Eu não te conheço! — Respondo num fio de voz. Eu não consigo respirar. — Agora conhece! — Ele sorri, e meu coração bate tão rápido que nem sequer oiço a minha própria voz. — Eu realmente acho que você deve ir embora! — Tudo bem! — Ele sai e eu o sigo. Não sei porquê. — Obrigada por me entregar a minha carteira e por pagar o concerto do carro do meu pai. — Ele vira e me encara. Em seguida, anda até mim novamente. Ele anda de um jeito tão sexy, que não sei se faz de propósito ou não. Olha para mim e franze a testa. — Não há nenhum problema. Eu gosto de agradar as pessoas! — Eu entendo. Já pode ir embora! — Eu já não quero ir! — Ele sorri. Oh, por favor! — Olha aqui, William, é melhor você ir embora, senão...— Eu paro sem saber o que dizer. — Senão o quê? — Pergunta com um sorriso safado no rosto, enquanto morde o lábio inferior. Eu vou desmaiar daqui a pouco. É só ele fazer mais alguma coisa que aumente na sua sensualidade, que eu desmaio. — Senão eu lhe dou uma surra e coloco você no seu carro à força para passear em Moscovo! — Eu oiço a voz de Ronald e me viro imediatamente. — Quem é esse? Seu namorado? — William pergunta surpreso. — Isso não te interessa!— Ronald chega até mim. — Quem é ele? — Continua. — William King! — Digo como se conhecesse ele. — Você conhece ele? — Ronald pergunta. — Mais ou menos isso. — Eu não quero incomodar, por isso é melhor eu ir embora. Adeus, minha linda! — Ele pisca um olho para mim, sorri, dá meia volta, entra no carro e vai embora. Eu me viro para o lado e me apercebo que White me observa boquiaberta, como se eu tivesse feito algo de grave. — Felicity? — Ronald me chama! — O que é? — Pergunto. — Quem era aquele cara? — Eu não sei. — Como não sabe? — Ele olha como se tivesse sido traído. Estou tão burra nesse momento! Não sei se é por causa de King ou porque não consegui dormir toda a noite. White chega até nós e continua olhando para mim. Ambos olham para mim. Eu fingia um desmaio, mas não quero preocupar ninguém. — Eu conheci ele recentemente! — Explico. — Como? — Ronald pergunta. — Tantas perguntas! Eu não dormi está noite. Preciso de descanso, por favor! Eu entro em casa e me jogo no sofá. White entra em seguida e olha para mim. — Felicity, quem é aquele homem lindo? — Super modelo, namorado de Felicity! — Kira responde. — O quê? Você namora com um super modelo? — Quem me dera, White! Eu nem conheço aquele homem! — Parecia que conhecia muito bem! — Sabe de uma coisa? Faça o jantar, que eu vou dormir. Se eu não dormir hoje, amanhã eu vou perder a razão. Eu me levanto e me dirijo ao meu quarto com raiva. Não entendo porquê estou com tanta raiva. Abro a minha carteira, coloco o cheque que William me deu e coloco a carteira na bolsa. Meu celular toca nesse momento. Número desconhecido. — Alô? — Atendo. — Eu só queria ter a certeza de que esse número era seu! — O quê? William? — Quem fala? — Pergunto. — O homem mais bonito que você já viu! William king! — Eu não acredito que você tenha o meu número. Apague! — Não me parece que eu vá fazer isso! Adeus, linda! — Ele ri. Quando estou prestes a dizer umas poucas e boas, ele desliga. Eu não acredito! Até onde esse homem quer chegar? O que ele quer de mim? Porquê logo eu? Não que eu não queira, nem que não me importe, mas quero saber porquê! Se ele já tinha o meu número, porque pediu? É melhor eu não saber o que ele faz ou deixa de fazer, senão enlouqueço. Eu visto o meu pijama e me deito na cama sem pensar em mais nada. Meu celular apita. Deve ser mensagem nova. Eu pego no telefone e abro a mensagem: As pessoas podem fugir de tudo, menos da verdade. Ainda que tentem, ela as apanha sempre. William. O que será que ele quer dizer com isso? E porquê é que eu me importo com isso? Minha cabeça vai explodir. Eu deito na cama, fecho os olhos e deixo que o sono me leve para lugares longínquos. Só espero não sonhar com ele.
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