PHOEBE
A beleza do lugar é sobressalente, do tipo que é necessário parar para apreciar. Realmente eu vi poucos lugares tão lindos, ao mesmo tempo que é tão simples. Escolhemos Veneza para nossa lua de mel por vários motivos, agora, tenho a certeza que fizemos a escolha certa.
Aqui em Veneza conseguimos achar lugares como esse, simples e belíssimos para presentear nossos olhos. Existe locais quietos onde podemos ficar sozinhos e focar em nós, aproveitar esse momento único nas nossas vidas, além de ser a cidade mais romântica do mundo.
Meu marido me trouxe até a ilha Mazzorbo, até as antigas videiras do doge. É absurdamente perfeito, um verdadeiro paraíso. Anos atrás existia esse antigo vinhedo que produzia um dos vinhos mais apreciados de Veneza, que foi recuperado por um empresário e hoje é possível caminhar entre as videiras.
Obrigada a ele.
Caminhamos entre as mais belas flores sem desgrudar nossas mãos, registrando cada momento na memória e em fotografias. A tonalidade viva da flores e plantas me chamam a atenção, eu as toco levemente.
— São tão lindas. — Digo fascinada.
— Realmente, eu conheci esse lugar quando vim aqui a primeira vez. É um lugar bonito e tranquilo, bom para pensar. Nem muita gente conhece, não é bem a primeira opção para os turistas. — Concorda. Eu o encaro fixamente.
— E no que está pensando agora?
— Que sou o homem mais sortudo do mundo. — Diz antes de levar seus lábios até os meus.
Seu gosto doce me invade e sua língua toca a minha, a conduzindo numa bela valsa. Sebastian puxa meu corpo para perto do dele pela cintura enquanto eu seguro seus cabelos macios entre meus dedos.
Um barulho atrapalha o silêncio do ambiente e nosso beijo, então nos afastamos e Bash pega o celular que tocava e vibrava em seu bolso.
— Desculpe, tenho que atender, pode ser algo com algum paciente. — Pede.
— Tudo bem, amor. — Concedo e ele se afasta enquanto atende.
Não paro de apreciar o ambiente, eu amo flores desde que me conheço por gente. Sempre me alegrou ver essa coisas tão lindas e frágeis, onde cada uma tem sua cor, sua beleza e seu significado.
Mas flores também tem sua proteção, esqueço disso quando passo sem atenção minha mão sobre algumas delas.
— Ah! — Grito de forma automática ao sentir minha carne ser cortada.
— PHOEBE! — Bash aparece visivelmente preocupado enquanto guarda o celular de volta no bolso. — O que houve?
— Não foi nada, não precisava ter se preocupado.
— Não mente pra mim, esposa.
— Foi apenas um espinho, nada demais. — Falo levantando minha mão com um espinho enfiado no meu dedo indicador.
— Que desajeitada. — Provoca sorrindo. — Me dá sua mão aqui.
Obedeço entregando minha mão a ele que segura com cuidado, aos poucos ele mesmo remove o espinho de meu dedo com facilidade, m*l senti dor. Depois ele leva meu dedo até sua boca e chupa o local que arde.
Me perco enquanto vejo ele sugando meu dedo, seus lábios bem feitos e experientes fechados em meu indicador com ele me olhando fixamente. Esse safado... Eu coro.
— Obrigada.
— Pronto, novinha em folha, princesa. — Ele beija docemente o local antes de liberar minha mão.
— Bobo. — Brinco.
— Quer conhecer o Venissa?
— O que é isso?
— Um restaurante com um vinho produzido aqui. — Explica.
— Se eu quero? Está mesmo me perguntando isso? — Não escondo a animação. — Não sei o que ainda estamos esperando.
•••
Após provar o melhor vinho que já tomei na minha vida, voltamos para o hotel em que estamos hospedados. Tudo está sendo magnífico, nós passamos cada segundo juntos, o lugar é incrível e sempre temos novos programas. Desde ficar agarrados na piscina aquecida até os passeios românticos.
Já andamos de bicicleta, navegamos em lagos, conhecemos pontos turísticos como o castelo de Julieta, entre outros. Na verdade eu conheci, a Itália já é conhecida para o Sebastian, é o país favorito dele. Mas mesmo assim ele faz questão de ir a todos esses lugares comigo, para me apresentar.
Tomamos banho e viemos para cama descansar um pouco, ele insiste em me levar a mais um restaurante hoje a noite e me quer descansada para aproveitar. Bash aproveita o tempo livre para ler um livro, ele sempre que pode está estudando para se manter atualizado.
Enquanto isso, navego pela internet para me atualizar pelo mundo das celebridades. Acho fotos de Nate e Âmbar com as duas crianças, Christian e Cristal. A família se diverte num iate enorme e luxuoso, sorrio vendo que os dois estão felizes, ou melhor, os quatro.
Também há notícias dos meus pais, que compraram mais uma marca famosa. Meus pais são donos da metade de Seattle, se é que não dela inteira. Eles ganham dinheiro assim, são como colecionadores de empresas e marcas. Se algo faz sucesso, eles compram.
Estou distraída quando recebo uma chamada de vídeo pelo computador, é da minha mãe. Coro só de imaginar em atender e ver a cara dela, sei que eles sabem que eu e o Sebastian já fazíamos sexo antes, mas agora é constrangedor. Lua de mel é um nome sugestivo, que já mostra que o casal está fazendo muitas safadezas, a ideia me envergonha.
— É minha mãe. — Solto quando Sebastian me encara ao ouvir o barulho da chamada.
— Não vai atender?
— Eu não sei.
— O que? Por que?
— Podemos falar com ela depois, não quero falar no telefone agora. — Eu minto.
— Mas você não está no telefone, está no computador. Anda logo, Phoebe. Sabe como sua mãe é, ela vai ficar preocupada e daqui a pouco o Nate vai aparecer ameaçando arrancar meu p*u fora. — Gargalho com seus argumentos.
— Tudo bem. — Concedo. Atendo e ele se aconchega atrás de mim, me abraçando.
Posso imaginar a vermelhidão em meu rosto, sinto que estou parecendo o cruzamento de pimenta com tomate.
— Filha! Até que fim conseguimos falar com você, que saudades! Como estão? — Fala assim que nos vê.
— Estamos bem, mãe. Aqui é maravilhoso como você já sabe e estamos aproveitando o máximo que podemos. — Digo sorridente.
— Desculpe atrapalhar a lua de mel de vocês, mas eu já estava começando a me preocupar. Não nos falamos desde que chegou na Itália. — Explica.
— Não atrapalha, Sra. Patt. É sempre um prazer falar com a senhora. — É o Bash que responde. — E como estão as coisas por aí?
— Tudo ótimo, os negócios estão de vento em popa, a família bem e com saúde, não há mais nada que eu poderia querer. Quer dizer... além de vocês aqui conosco.
— Em breve, em breve. — Controlo sua animação.
— Fico feliz que tudo está indo bem, nós estamos ótimos por aqui também. — Ele é educado mas sei que ele quer dar um perdido na minha mãe. Sorrio com a ideia.
— Fico feliz, continuem aproveitando e cuidem-se. Estou partindo para mais uma viajem de negócios, nos vemos quando retornarem. — Se despede.
— Obrigada mãe, cuidem-se também. Beijo.
— Ei, espera. — Ela me interrompe antes que eu desligue. — O Nicolas Sarkozy voltou.
Paro um pouco ao ouvir a frase. Ele era meu amigo quando éramos crianças, mas o tempo passou e eu me fechei enquanto Nicolas abriu as portas para o mundo. Talvez tudo tivesse sido diferente se ele não tivesse ido embora.
Mas as vezes nós mantínhamos contato por mensagens, algo que o Sebastian detestava. Então, ao ouvir que agora Nicolas está de volta na mansão Sarkozy, ao lado da casa dos meus pais, ao vivo e a cores, me preocupo em qual vai ser a reação do meu marido.
Não respondo nada por uns instantes, apenas olho para ele que está em silêncio enquanto olha fixo para minha mãe. Não consigo distinguir o que sua expressão quer dizer ao certo, mas claramente não é coisa boa.
— Mande minhas lembranças. Até logo, mãe. — Digo antes de desligar rápido a ligação e fechar o computador. — Está tudo bem? — Eu quebro o silêncio.
— Sim, por quê? — Sua expressão ainda é seca.
— Você está sério. — Busco respostas.
— Não é nada, só pensando... — É tudo que diz.
— Isso tem algo a ver com a volta do Sarkozy?
— Tem a ver com o que ele quer voltando logo após o nosso casamento.
— Não encare como algo pessoal ou premeditado, o Nicolas sempre foi imprevisível. Sei que foi embora há muito tempo, mas não acho que sua volta tenha algo a ver conosco.
— Tudo bem, não importa. Não quero pensar no Nicolas agora, temos muito o que pensar e fazer, meu amor.
— Felizmente. — Digo aliviada e torcendo para eu ter razão e o Sarkozy não ter voltado por alguma razão louca.
Após ir embora Nicolas levou uma vida complexa, cheia de polêmicas, mulheres e rumores. Suas ações eram escandalosas e a mídia transmitia tudo, ele mudou muito a ponto de não ser o menino que eu me lembrava. De qualquer forma eu não colocaria minha mão no fogo, então, não quero testar o autocontrole do Sebastian.
— A primeira coisa que eu tenho para fazer eu quero fazer agora. — Diz levantando da cama e entrando no closet da suíte.
— Sebastian, o que você vai...
— Shh... É uma surpresa. — Me interrompe e eu o sigo com o olhar, intrigada.
— Eu não lido bem com surpresas, sabe que fico ansiosa. Eu já estou nervosa, diz logo o que você vai fazer! — Solto claramente alterada.
— Calma, meu bem. — Ele aparece na porta segurando uma caixinha aveludada.
Meus olhos crescem e levo a mão até meu coração que bate acelerado. Eu nunca vou me acostumar com isso, o cuidados, os mimos.
— Eu... eu não... sei o que dizer.
— Não diga nada. — Ele fala e então se aproxima da cama e senta ao meu lado, pega minha mão e pousa um beijo delicado e significativo em minha palma. — Eu sei que nós já casamos e eu já te dei meu presente de casamento, mas eu queria te dar mais uma coisa. Além dessa aliança, queria mais um lembrete do meu amor por você, desses nossos momentos que nunca sairão de minha cabeça e quero que fiquem cravados em você também. — Diz e então, abre a pequena caixinha me revelando um magnífico anel.
Vejo um diamante vermelho preso num arco de inteiro ouro, numa grossura visível. Meus olhos crescem analisando a beleza da jóia que ele segura em suas mãos e m*l posso me conter.
— Um diamante vermelho...
— Sim, é o diamante mais raro do mundo. Só uma lembrança do seu valor. — Explica tranquilo. — Por isso eu o comprei, você é meu diamante e merece que eu te dê um também.
Ele retira o anel da caixa e eu começo a chorar como a manteiga derretida que sou. Sebastian segura minha mão direita e desliza o anel em meu dedo anelar.
— Essa é a pedra mais bonita que eu já vi, é realmente incrível. — Digo alisando a pedra em meu dedo. — Obrigada, por tudo que você faz por mim. Esse anel nunca sairá do meu dedo, como símbolo do meu amor. Eu prometo.
— Eu que agradeço, por ter escolhido a mim.
Como ele pode agradecer? Eu não poderia ter escolhido mais ninguém além dele, a vida não faz mais sentido sem o Sebastian.
Eu preciso dele.
Preciso dele do mesmo jeito que meus pulmões precisam de ar para sobreviver. E não há nada que possa estragar isso.