capítulo 8

535 Words
– A Rejeição do Alfa Supremo O silêncio tomou conta do Grande Salão. A luz da Lua de Sangue iluminava o círculo de pedra, enquanto a Grande Sacerdotisa estendia o cajado em direção aos céus. Uma energia antiga percorreu o ambiente. As runas gravadas no chão começaram a brilhar intensamente. Então aconteceu. Do peito de Kael partiu um fio de luz prateada. Do peito de Lyra surgiu outro. As duas luzes cruzaram o salão diante dos olhos de centenas de pessoas e se uniram em um único brilho. Um murmúrio espantado espalhou-se entre a multidão. — Companheiros destinados... — A Deusa escolheu... — A futura Luna... Todos olhavam para Lyra. A jovem permaneceu imóvel. Seu coração batia tão forte que parecia doer. Sua loba chorava de felicidade. "Nós o encontramos..." Lentamente, Kael desceu os degraus do altar. Cada passo fazia o salão prender a respiração. Lyra também caminhou. Não por escolha. Era como se o próprio vínculo a conduzisse. Quando pararam frente a frente, havia apenas alguns centímetros entre eles. Ela ergueu os olhos. Pela primeira vez, enxergou de perto o homem destinado a ser seu companheiro. Ele era ainda mais bonito do que imaginara. Mas seus olhos... Estavam frios. Gelados. Sem qualquer sinal de alegria. A esperança de Lyra vacilou. Kael a observou de cima a baixo. Seu vestido simples. Suas mãos marcadas pelo trabalho. A ausência de qualquer símbolo de uma família nobre. Ao redor deles, o silêncio era absoluto. Então Kael falou. Sua voz era firme. Fria. Sem a menor emoção. — A Deusa da Lua... cometeu um erro. O salão inteiro ficou em choque. Lyra sentiu como se o chão desaparecesse sob seus pés. — Meu Alfa... — começou a Grande Sacerdotisa. Kael a interrompeu. — Eu sou o Alfa Supremo. Voltando-se para todos os presentes, declarou em alto e bom som: — Minha companheira deveria ser uma mulher capaz de governar ao meu lado. Alguém preparada para carregar o peso da coroa. Seus olhos voltaram para Lyra. — Não uma simples curandeira da vila. As palavras atingiram Lyra como uma lâmina. Ela tentou falar. Nenhum som saiu. Kael continuou, impiedoso. — Você não possui posição. — Não possui título. — Não pertence a uma linhagem conhecida. — Não foi criada para ser Luna. Cada frase feria mais profundamente. Maya deu um passo à frente, revoltada. Helena segurou seu braço. Lágrimas começaram a encher os olhos de Lyra. Ela nunca havia sentido tanta vergonha. Kael permaneceu impassível. — Eu, Kael Draven, Alfa Supremo das Terras da Lua Eterna... Ele respirou fundo. As próximas palavras mudariam o destino de ambos. — ...rejeito você como minha companheira destinada. Um grito de dor escapou de Lyra. O vínculo pareceu se partir. Uma dor intensa atravessou seu peito. Ela caiu de joelhos sobre o mármore frio. O salão inteiro permaneceu em silêncio. Nem mesmo os alfas visitantes conseguiam acreditar no que acabara de acontecer. A Grande Sacerdotisa fechou os olhos. Jamais, em toda a história das cinco alcateias, um Alfa Supremo havia rejeitado publicamente sua companheira destinada. E, naquele instante, sem que Kael percebesse... As runas antigas do templo começaram a brilhar em um tom azul intenso. A profecia acabara de dar seu primeiro passo.
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