Capítulo 13 – Ambições Ocultas
Ponto de Vista de Elias
Elias fechou a porta do escritório de Kael com um peso no peito.
Conhecia o Alfa Supremo desde a infância.
Treinaram juntos.
Lutaram juntos.
Sobreviveram a batalhas que poucos imaginavam.
Sabia reconhecer quando Kael estava furioso.
Quando estava cansado.
E, principalmente, quando mentia para si mesmo.
Naquela manhã, Kael não estava indiferente.
Estava em guerra consigo mesmo.
Elias caminhou pelos corredores da fortaleza até chegar ao pátio de treinamento. Os guerreiros praticavam combate, mas suas conversas giravam em torno de um único assunto.
A rejeição.
Assim que o Beta apareceu, todos ficaram em silêncio.
Ele não precisou perguntar para saber o motivo.
A notícia já havia se espalhado por toda a alcateia.
Enquanto observava os treinos, ouviu o som de saltos ecoando pelo corredor de pedra.
Uma mulher surgiu no pátio.
Ela usava um vestido vermelho-vinho de tecido nobre, com um longo casaco de pele branca sobre os ombros. Seus cabelos loiros caíam em ondas perfeitas e seus olhos verdes transmitiam confiança.
Era Selene Blackthorn, filha de uma das famílias mais influentes da Alcateia Blackthorn.
Seu sorriso era elegante.
Mas havia algo calculista em seu olhar.
— Beta Elias — cumprimentou ela, fazendo uma leve reverência.
— Lady Selene.
— Posso falar com o Alfa Supremo?
Elias manteve a postura.
— Meu Alfa está ocupado.
Selene sorriu.
— Tenho certeza de que abrirá uma exceção.
— Receio que não.
Ela deu mais um passo.
— Diga apenas que Selene Blackthorn deseja vê-lo.
Elias estudou a expressão dela.
Era fácil perceber que aquela visita não era casual.
— Qual o motivo?
Selene ergueu o queixo.
— Assuntos pessoais.
O Beta suspirou.
— Espere aqui.
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Kael permanecia diante da janela quando Elias voltou.
— Meu Alfa.
— O que houve?
— Lady Selene deseja uma audiência.
Kael permaneceu em silêncio por alguns segundos.
— Mande entrar.
Pouco depois, Selene cruzou a porta do escritório.
Caminhava com elegância, como alguém acostumada a frequentar salões nobres.
Ela inclinou a cabeça em respeito.
— Alfa Supremo.
— Lady Selene.
Kael indicou uma cadeira.
— Sente-se.
Ela recusou com um sorriso delicado.
— Não vou tomar muito do seu tempo.
Os dois permaneceram alguns segundos em silêncio.
Então Selene falou.
— Toda a fortaleza comenta sua decisão.
Kael permaneceu impassível.
— As pessoas gostam de falar.
— Eu, particularmente, acredito que fez o correto.
Pela primeira vez, Kael demonstrou interesse.
— Continue.
Selene caminhou lentamente pelo escritório.
— Um Alfa Supremo precisa de uma Luna preparada.
Alguém que conheça as leis.
A política.
As alianças entre alcateias.
Ela sorriu discretamente.
— Não uma simples curandeira.
Kael permaneceu calado.
Selene percebeu que tinha sua atenção.
— Desde criança fui treinada para governar.
Falo quatro dialetos antigos.
Conheço cada tratado entre as alcateias.
Fui preparada para ocupar um trono.
Ela aproximou-se da mesa.
— E acredito que poderíamos formar uma grande parceria.
O silêncio dominou o escritório.
Kael analisava cada palavra.
Não havia emoção em seu rosto.
Nem interesse.
Nem rejeição.
Apenas análise.
Depois de alguns instantes, respondeu:
— Está me propondo uma aliança?
Selene sustentou seu olhar.
— Estou dizendo que uma Luna pode ser escolhida pelo Alfa.
Mesmo sem o vínculo.
Kael virou-se para a janela.
— A cerimônia terminou.
— O assunto está encerrado.
Selene sorriu, sem demonstrar frustração.
Ela sabia que homens como Kael não eram conquistados em uma única conversa.
— Então aguardarei o momento certo.
Ela fez uma reverência e deixou o escritório.
Assim que a porta se fechou, Elias voltou a entrar.
— Ela quer ser Luna.
Kael respondeu sem sequer olhar para ele.
— Eu sei.
— Vai considerar?
Kael permaneceu alguns segundos em silêncio.
Então respondeu friamente:
— No momento, minha única prioridade é proteger esta alcateia.
Se um casamento político for necessário no futuro...
Eu farei o que for preciso.
Elias abaixou a cabeça.
Naquele instante, percebeu que o orgulho de Kael ainda falava mais alto do que o próprio destino.
E isso custaria um preço que nenhum dos dois era capaz de imaginar.