– Um Novo Caminho
Três dias haviam se passado desde a rejeição.
Lyra caminhava pela floresta antes do amanhecer, carregando apenas uma pequena mochila de couro.
Dentro dela havia algumas roupas, um caderno de anotações de Helena, ervas medicinais e o medalhão que sempre carregava junto ao peito.
Helena e Maya a acompanhavam até a entrada da floresta.
As três permaneceram em silêncio durante boa parte do caminho.
Foi Helena quem falou primeiro.
— Tem certeza de que é isso que deseja?
Lyra respirou fundo.
Olhou uma última vez para a pequena casa onde crescera.
Cada árvore, cada flor e cada pedra guardavam uma lembrança.
Mas permanecer ali significava reviver, todos os dias, a humilhação sofrida diante de toda a alcateia.
— Se eu ficar, nunca vou conseguir seguir em frente.
Helena a abraçou com força.
— Esta sempre será sua casa.
As lágrimas voltaram aos olhos de Lyra, mas, desta vez, ela não permitiu que caíssem.
— Eu volto... quando conseguir olhar para esse lugar sem sentir dor.
Maya também a abraçou.
— Vou sentir sua falta todos os dias.
— E eu a sua.
Depois de se despedir, Lyra começou a caminhar pela antiga estrada que levava às montanhas.
Não olhou para trás.
Precisava seguir em frente.
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Horas depois, enquanto atravessava um vale coberto por pinheiros, ouviu o som de espadas se chocando.
Logo em seguida...
Um rugido.
Sem pensar duas vezes, correu na direção do barulho.
Ao chegar a uma clareira, encontrou cinco renegados cercando um homem gravemente ferido.
Ele ainda segurava a espada, mas m*l conseguia ficar de pé.
Lyra não hesitou.
Retirou do bolso um pequeno saco de pó feito de ervas secas.
Quando o vento mudou de direção, lançou o conteúdo contra os renegados.
Eles começaram a tossir violentamente.
Aproveitando a distração, o guerreiro derrubou dois deles.
Os outros fugiram para dentro da floresta.
O homem caiu de joelhos.
Lyra correu até ele.
Seu ombro estava profundamente ferido.
— Não fale.
Ela rasgou um pedaço da própria capa para estancar o sangue.
Preparou rapidamente uma pasta medicinal e aplicou sobre o ferimento.
O guerreiro a observava em silêncio.
Nunca tinha visto alguém agir com tanta calma em meio ao perigo.
Depois de alguns minutos, conseguiu falar.
— Você... salvou minha vida.
Lyra sorriu discretamente.
— Apenas fiz o que qualquer pessoa faria.
O homem levantou-se lentamente.
Era alto, tinha cabelos castanho-escuros e olhos dourados intensos.
Apesar do ferimento, sua presença transmitia autoridade.
Ele fez uma pequena reverência.
— Sou Alfa Adrian Volkov, líder da Alcateia Aurora.
Lyra arregalou os olhos.
Ela acabara de salvar um Alfa.
— Meu nome é Lyra Valença.
Adrian sorriu.
Ao sentir o delicado perfume dela, seu lobo despertou imediatamente.
Não era o vínculo de companheiros.
Mas era uma atração forte, inesperada e impossível de ignorar.
"Ela é especial.", murmurou seu lobo.
Adrian observou a jovem por alguns segundos.
Ela tinha os olhos tristes.
Como alguém que carregava uma dor muito maior do que deixava transparecer.
Naquele instante, ele tomou uma decisão.
— Lyra... a Alcateia Aurora sempre terá as portas abertas para você.
Ela agradeceu com um leve sorriso, sem imaginar que aquele encontro seria o início de uma amizade profunda... e que o interesse sincero de Adrian despertaria, no futuro, um ciúme feroz no Alfa Supremo Kael Draven.