Um rompante de ciúme

1321 Words
Pelo janelão de vidro do aposento dele, Dantalian capturou a figura pequena da sua serva perto do pátio dos soldados onde Amadeo treinava seus homens, tentando aprender com a espada de madeira sozinha os golpes do exército. Que serva mais curiosa aquela sua. Ao invés de estar se embelezando para seduzir um rei, estava praticado com espadas para talvez o matar. Fosse o que fosse, ele deu um sorriso admirado do esforço dela. Até que assistiu o garoto bonito e jovem se aproximando dela com um abraço por trás e a beijando na bochecha e depois no pescoço onde Dantalian deixou sua marca nela. Mirou o ajudante de cozinha homicida. Um vaso de flores se estourou no seu aposento pela sua raiva. Estudou, a menina sorrindo brincando com o servo de cozinha dançando uma valsa sem música com ele saltitando, com a mão fechada em punho e respirou fundo. — Se controla. — Disse a si mesmo num rosnado. — Ela é só mais uma humana que sabe jogar seu jogo no fim. Nada além disso. Nada além de uma serva que consegue suportar seu jogo nojento. Ele se afastou do janelão de vidro, mirou o vaso de flores quebrado e respirou fundo. Pegou o sino e o tocou chamando a criada que parecia ser amiga da sua serva. Agatha entrou no aposento sem bater já que o sino ecoando já era um chamado de que tinha que ir sem reservas. O rei mirou a menina bonita, de cabelo encaracolado e postura elegante. — A Dinah é sua amiga? — Exigiu dela sem delongas. Agatha o analisou espantada. Ela via o rompante de fúria nos olhos dele. — Sim, majestade. Ela é. — Respondeu cautelosa. — A conhece desde quando… — Desde que ela nasceu. — Conte mais sobre a história de vocês. — Ordenou ele. — Bem, a minha mãe ajudou a mãe dela no parto. Eu estava presente quando ela nasceu. Mesmo não lembrando de muita coisa, afinal, eu tinha meros dois anos. Só lembro que desde que me entendo por gente eu sempre estive com ela. — Revelou, suave. O rei respirou fundo. — O ajudante de cozinha com quem ela brinca… — O nome dele é Desmond. É meu irmão. Crescemos todos brincando juntos na cozinha. — Explicou Agatha entendendo a fúria insana nos olhos dele agora. — Se eu tentar afastar Dinah dele, ela me odiará e me impedirá de tocá-la como eu quero? — Sim, majestade. Terá que forçá-la, se tomar o que ela ama. — Respondeu Agatha, honesta, os espiando da parede de vidro também. — Se tirar ele dela será como se assassinasse o que restou da família dela e ela já é órfã. Só tem a mim e ele no mundo, além de Castor, seu antigo mestre. — Respondeu mentindo sobre a origem de Lisa, mas em partes sendo verdadeira. O rei respirou fundo. Gostava daquela moça que o respondia sem enrolação e uma determinação no olhar que era a mesma que Dinah tinha. Entendeu que Dinah devia ser forte mesmo sendo órfã era porque tinha aquela menina de presença firme como amiga. — Eu estou a um passo de matar o seu irmão por tocar no que é meu. — Rosnou o rei a ela, a avisando. — Estou avisando porque gostei de você. O controle. — Tudo bem, eu penso em fazer isso constantemente por motivos que divergem do de vossa majestade, mas ainda sim penso no mundo sem ele causando tantos problemas para eu resolver. — Respondeu Agatha arrancando uma risada sincera do rei. — É, sei como é. Isso se chama ter um irmão. — Deixou escapar Dantalian descontraído se lembrando de Lucian. — Ele é mais velho ou mais novo que você? — Perguntou estimulado pela conversa e se esquecendo do ciúme. — Mais velho, mas eu que tenho que tomar de conta do t**o e por isso me considero a mais velha. — Respondeu Agatha, cansada. Dantalian se identificou com ela. Era ele que tinha que cuidar de Lucian. Mesmo Lucian sendo o mais velho. — Entendo. Já que você é como se fosse a irmã mais velha de Dinah também e ela parece escutar você e te amar… O que ela gosta? Flores não, pelo visto. Eu a presenteei com uma rosa branca mágica e ela simplesmente a despedaçou na minha frente. — Solicitou o rei. Agatha corou pela impetuosidade da amiga. — Tentei ser bom com ela, mas não surtiu muito efeito. Você deve ter escutado os rumores sobre mim… — Ela gosta do que vossa majestade gosta. — Respondeu Agatha. — Gosta? — Sim, ela gosta de sentir dor física para evitar a emocional e pensar sobre o que a entristece. — Respondeu. — sempre foi assim. — Meu palpite estava certo então. — Murmurou ele para si, aliviado, que Dinah não fingisse para o agradar. — Perdoe meu atrevimento, majestade, só que sei que ela só se entregará nisso a alguém que se prove digno de ter a confiança dela. Força, poder, autoridade… vossa graça já tem tudo o que ela admira intimamente. — Respondeu Agatha suave. — Ela fala de você para mim com os olhos brilhando. Tem apenas que conquistar a confiança dela e ela se renderá a você sem reservas, mas cuidado, porque uma vez que consiga saiba que ela é incontrolável e pode se apegar muito a você. Dantalian lançou um olhar para a vista além da janela, desacreditado, e chamou Agatha a mostrando a cena, de Lisa dançando com Desmond. — O que me diz sobre isso então…— Desafiou a moça a respondê-lo. — ela também o cedeu o controle e parece gostar de gentileza. Agatha tomou um suspiro. A moça o estudou sem medo, como Dinah fazia. Ele entendeu por algum motivo que Dinah era forte porque se inspirou na figura daquela menina. — São amigos de infância, majestade. Ele acha que ela é um passarinho com a asa machucada que só quer atenção e carinho. Ela joga assim para não assustá-lo com seus caprichos perversos como os de vossa majestade. — Contudo, você não a vê assim como frágil, doce e que quer só carinho… — Eu basicamente a criei, curei todos os seus machucados, mas nunca a controlei para que não os fizesse, porque sei que ela é um espírito livre e gostava de se machucar fisicamente para ignorar o abandono que sentia. Estive com ela a cada minuto desde que nasceu, quando eu nem entendia direito o que estava acontecendo… Ela não é um passarinho ferido ansiando por amor, ela não é um animalzinho fofo e dócil ou a mulher que espera um homem salva-lá que ele pensa. Dinah pensa que sim, mas ela está além disso e se machuca para não ser outro a machucá-la. — Você a ama mais do que como a uma irmã… — Se deu conta o rei, a estudando. — A amo, mas sei meu lugar. — Respondeu Agatha sem jogos. O rei a admirou e ele sentir isso pela raça humana que odiava era raro. — E logo me casarei com Castor, majestade. E eu quero que ela seja feliz com alguém que a entenda como vossa graça, entende. — Vou torturar ela no meu mundo de prazeres perversos. — Avisou o rei a moça. Agatha o estudou. — Eu sei. Ela pareceu assustada quando mostrou seu mundo a ela? — Não. Mas podia estar… — Ela não mente sobre o que não a agrada. Pelo contrário, mente para se proteger o tempo inteiro. Se ela não quisesse, ela teria cuspido no seu rosto. Essa é quem ela é, majestade. Ela está curiosa sobre você. Usa isso ao seu favor. — aconselhou. — A chame para mim então. — Ordenou Dantalian a moça. — Porque se ela continuar dançando com seu irmão, eu vou matá-los. Agatha assentiu com a cabeça e se retirou do quarto.
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