Um dia bonito. O som do vento nas árvores. Dantalian caçoou de Lucian quando ele lhe confessou que se apaixonou à primeira vista por Katharina.
Recordou-se de que riu dele impiedosamente. Lucian ficou profundamente magoado que tivesse feito pouco caso de seu sentimento pela mulher.
Era assombrado por essa memória agora que havia percebido que comprou Dinah porque se apaixonou por ela à primeira vista. Soava t**o, mas era verdade.
Sabia que o nome dela não era Dinah. Contudo, ele fingiu acreditar na farsa dela e de Castor para naquele momento não ter que matá-la. Sendo assim, aceitou o nome Dinah em seu coração até ela confiar nele e o dizer o verdadeiro.
Afinal, a moça era a versão feminina do antigo rei de Atlas. A mesma cor de olhos do rei, o castanho do cabelo e as feições do rosto marcantes e inegáveis como fator genético que comprovava o parentesco. Olhar para ela era como ser assombrado pela versão jovem do rei que matou.
Lisa tinha um rosto de um garoto jovem, bonito e imberbe, não de uma menininha. Nada nela era embonecado como Katharina ou as outras mulheres com quem teve contato. Nada nela era feminino, mesmo que fosse uma mulher. Sabia que era como se relacionar com um homem por alguma razão. Sentia em suas veias e em seu coração que o jeito que ela se vestia era uma forma de protesto a ter nascido uma garota. Ela escondia os s***s com faixas e o cabelo curto dela era sempre cheiroso e macio, mas nunca com acessórios.
Contudo, reconheceu naquela atitude toda, que mesmo ela sendo uma princesa que se vestia daquele modo contraditório, se fez serva para sobreviver e isso o intrigou profundamente.
Esse foi o ponto que o fez perceber como ela destoava. “ Ela prefere viver como serva a morrer como uma princesa.” Isso pode parecer fraqueza, mas não é. Abrir mão de uma vida de privilégios só para continuar respirando num mundo c***l é sim certo masoquismo e muita coragem. Coragem extrema.
Todos podem se dizer poderosos para sobreviver. Contudo, os poderosos preferem morrer a se curvar a um poder maior do que o deles, porque sobreviver no caso seria fraqueza, nunca perceberam que na verdade sobreviver a tudo até ao revés era uma força, porque sempre haveria querendo ou não um poder maior que o seu quebrando seu orgulho.
A vendo socializar com os amigos dela, a família de coração dela, se deu conta de que também se apaixonou à primeira vista como Lucian por Katharina.
Que t**o eu sou. Ela deve só estar me usando para voltar a ter poder. Mas tudo bem. Eu também a estou usando para aliviar meus caprichos sombrios.
Porém, sentiu um quentinho no coração quando ela se aconchegou nele e passou os braços dele envolta dela.
Percebeu que o sexo violento que os dois gostavam não era realmente algo que mexesse com o fato de que ela gostava de carinho, mas um carinho que nunca a sufocasse e a impedisse de voar.
— Majestade, perdoe meu atrevimento, mas vossa graça não deve voltar para o castelo de vidro? — Sondou Castor acariciando muito suavemente os fios cacheados de Agatha. Abraçando a moça que se mantinha com uma expressão como sempre indiferente e insensível, apesar dos olhos azuis demonstrarem a sua forma calor e gentileza a Castor.
O mercador estava visivelmente nervoso. Talvez com medo de que o segredo de Dinah ser uma princesa viesse à tona de algum modo. Mas Agatha e Dinah eram cuidadosas com isso, talvez tanto quanto ele.
Lisa ergueu a cabeça e deixou os olhos escuros encontrarem os dourados de Dantalian.
— Não vai. Não escuta esse i****a do Castor. — Resmungou Lisa recebendo um olhar matador do mercador, ao qual respondeu mostrando a língua. — Fica aqui comigo. Vossa majestade só fica enfurnado naquele castelo…– Protestou Lisa, roçando o nariz no dele.
Usar as pessoas não consistia em querê-las ao seu lado o tempo todo e apresentá-los a quem ama. Pelo contrário, você só lembra que ela existe quando precisa dela. Notou que como Agatha o contou, uma vez que Lisa cedesse, ela ficaria apegada a ele. Não acreditou nela até agora.
Ela estava apegada só porque dormiram juntos? Tinha medo dele usá-la só uma vez e descartá-la? Que fofa. Não havia percebido que era obcecado por ela?
Lisa tinha todo mundo que estimava naquele momento ali, menos o garoto da cozinha, que devia estar servindo ainda Katharina e Amadeo. Porém, o pediu para ficar.
— Seu novo mestre é um rei. Ele tem obrigações que uma criança inconsequente como você não pode entender, Dinah. Não seja geniosa. — repreendeu Castor.
— Castor, sei que ela é sua antiga serva. Mas agora eu sou o mestre dela. — Repreendeu Dantalian ameaçador.
Castor estremeceu com medo.
— Quem é inconsequente seu i****a? — Rosnou Lisa, fechando a mão em punho e desafiando Castor a repetir. — só não vou aí te encher de porrada agora maldito traiçoeiro porque você tem que estar bonito para casar com Agatha. E ai de você se machucá-la. Eu te mato!
Dantalian segurou Lisa, mas cheirou o pescoço dela. Ela se derreteu e se manteve sentada no colo dele, mesmo com o sangue quente.
— Eu vou ficar mais um pouco. Mas ele tem razão, minha doce amada. — Sussurrou o rei, a cheirando na nuca e a mordendo ali.
Lisa tremeu um pouco e as mãos fechadas em punho para socar Castor, se abriram e tocaram os joelhos do rei.
Agatha deixou escapar um sorriso de canto, curvando levemente os lábios.
— O que foi? Do que está rindo, querida? — Castor indagou Agatha.
Ela deu de ombros e fez um meneio para Lisa idolatrando o rei com os olhos.
Castor estudou Lisa, surpreso, pelo carinho que ela demonstrava ao assassino da família dela.
A paz foi quebrada quando o zumbido de uma flecha foi captado pela audição de Lisa, acostumada e sensível a caça. Se colocou em alerta e Dantalian também por ter uma audiçao privilegiada de Feérico.
Contudo, foi ela que se levantou do colo dele rápido e capturou a flecha de ferro puro em mãos, para a surpresa dele . Que instinto era aquele? Ela era humana?
E a flecha era de ferro. Ferro fere um feérico.
O corte que já havia na mão dela se rasgou de novo.
O rei estava desprotegido e longe do castelo, contudo, já sabia que poderia acontecer de algum nobre que o jurou lealdade para não morrer atentar contra sua vida. Foi descuidado porque estava distraído. Mas o ferro na flecha o desesperou. Era uma fraqueza de sua raça.
A mão ensanguentada dela segurava a flecha que o atiraram, ela simplesmente a aparou no ar, impedindo que chegasse nele. Lisa largou a flecha longe dele, procurando quem a lançou como um animal caçando uma presa, sacou da cintura a espada com que ele a presenteou e a adaga que ganhou de Agatha.
— O que vai fazer? — Perguntou o rei, assustado.
Lisa o mirou sombria.
— Volte ao castelo e mande sua escolta para cá, majestade . Eu vou caçar um pouco.
— Agora? — questionou Dan, confuso.
— Vou caçar o animal que invadiu meu território e tentou matar você. É ele que vou caçar, querido. A flecha é de ferro. Volte para dentro, não é seguro aqui. Castor...— Rosnou Lisa com os olhos fervilhando de ódio.
— O que? --- Respondeu o mercador intimidado pela ordem dela.
— Escolte Agatha e o rei para dentro do castelo.