10 - Yara

2361 Words

Choveu a noite inteira. Daquelas chuvas finas, persistentes, que não dão trégua nem quando amanhece. Acordei com o barulho das gotas insistentes batendo no telhado e um frio miúdo correndo pelas frestas da casa. O corpo tava mole, pesado, como se eu tivesse levado uma surra dormindo. A garganta ardia, e a cabeça parecia cheia de pedra. Mas o que me fez levantar de verdade foi o choro abafado do Abel. — O que foi, meu amor? — sussurrei, passando a mão na testa quente dele. Quente demais. Peguei ele no colo, tentando manter a calma, mas já sentia aquele pânico miudinho nascendo no peito. Febre alta, bochecha vermelha, olho caído. O corpinho dele tremia, e eu nem sabia se era frio ou cansaço. Fiz o que minha vó fazia lá na Bahia: banho morno, pano úmido na testa, chá de limão com alho e m

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