A rua tava quase vazia. Gente voltando da praça, outros indo pra igreja, vida acontecendo nas duas direções. Eu encostei o carro devagar na calçada, sem barulho, só o grave do motor roncando baixinho. Ela vinha lá, carregando o moleque no colo. Sozinha, cansada, mas andando com firmeza. Faz só umas semanas que vi ela naquele hotelzinho de beira de pista, e mesmo assim não saiu da minha cabeça. A mulher entrou com o filho no braço, olhar de quem tinha passado por coisa demais, mas ainda tava lutando. Eu não perguntei nada, só paguei o quarto e deixei ela ficar em paz. Mas guardei o rosto. A energia. Quando vi ela no pagode, reconheci na hora. Tava diferente — mais leve, sorrindo até. Catarina puxou ela pra perto da gente como se fosse parte da família já. E eu fiquei ali, sem fazer cena,

