COIOTE NARRANDO
Puxo o cabelo de Penélope, que está de quatro na minha frente, completamente nua. Estou na casa dela e meto até o fundo, sem pena. Ela geme feito a vagabunda que é, e eu gosto do que vejo. Penélope que morena de olhos castanhos, cabelo alisado até a cintura, está sempre bem arrumada e cheirosa. A típica garota do morro. A diferença é que ela entrou pro tráfico e comanda várias bocas, ela é gente fina, mas a guria é da pesada.
— Vai, Murilo! Vai! — Ela gritava, pedindo mais.
Eu dei um tapa forte na bun.da dela, metendo com tudo, o que a fez chegar ao ápice e eu também. Ela se jogou na cama, deitada, e eu a olhei ali enquanto removia a camisinha. Um corpo lindo, gostosa pra p***a, meu Deus.
— Muca... Volta mais vezes... — Eu girei os olhos ao ouvir meu apelido de criança.
— Mas que p***a, por que você e a Isa insistem em me chamar de Muca? — Resmunguei.
Ela virou na cama, rindo, e eu pude ver seus belos seio.s descobertos.
— Porque você fica lindo irritado. Nunca te falaram isso? — Eu lhe lancei o dedo do meio, enquanto subia minha calça.
— Beleza, Penélope, beleza. Pelo que me lembro, seu apelido na infância era tripa-seca.
— Se você me chamar de tripa-seca, as pessoas vão rir de você, não de mim. Olha pra mim, Murilo. Eu virei uma grande gostosa. — Ela piscou um dos meus olhos.
— Você tem sorte que é gostosa, viu, porque é chata pra c*****o. — Falei, em tom de brincadeira.
— Ah, fiquei sabendo que tu adotou uma gringa de babá. Ela tá fazendo o serviço direitinho? — Ela disse, se levantando e começando a vestir a roupa.
— Tá. A guria é gente fina. Tá cuidando bem da Luíza, é o que importa.
Penélope terminou de se trocar e veio até mim.
— Eu só espero que ela não atrapalhe o que está acontecendo... Bom, ultimamente entre a gente. — Ela apoiou as duas mãos em meu peitoral e me olhou nos olhos. — Eu sei que ela faz seu tipo. Você não n**a uma loirinha, Coiote. — Afirmou.
— Ih, se liga aí. Eu falei pra você que é só sexo, não falei? Só isso e nada mais. Se eu quiser comer outra, eu tô suave e se você quiser dar pra outro, tá suave também. A gente combinou isso, não combinou? — Ela cruzou os braços.
— Faz três meses que a gente tá ficando, c*****o. Você ainda considera só... Isso? — Disse, indignada.
— Vai ficar estressadinha? Filha, se tu quer rola, eu te dou, agora se quiser amor, procura em outra freguesia que aqui não tem. Você me conhece desde a infância, devia saber. Pô, Penélope, achei que contigo eu não teria esse problema...
Ela girou os olhos ao me ouvir e foi pra porta da própria casa.
— Vai embora, seu cretino. Me deixa sozinha. — Eu ergui as sobrancelhas em surpresa.
— Não esquece que eu sou teu patrão. — Falei.
— Dentro da minha casa você é só o cara que me come. Vaza! — Ela apontou para o lado de fora.
Me aproximei dela, agarrei seu rosto com uma mão e roubei um selinho.
— Amanhã eu volto e te como de novo. E você não vai negar, porque você adora gemer meu nome.
— Você é um filho da p**a, sabia?
— Sabia. E você gosta. — Afirmei.
Ela soltou uma risadinha e eu saí. Não quero perder minha f**a fixa com ela, mas se ela começar com palhaçada de namoro, eu caio fora.
Cheguei em casa e tive uma bela surpresa: A casa estava toda limpa, organizada e cheirosa, e havia um prato preparado para mim em cima da bancada da cozinha. Eu não sei que tipo de educação que a Giovanna teve, mas ela trabalha bem pra c*****o, sério, ela com certeza devia trabalhar em casa de gente rica. Ela estava trançando o cabelo da Luíza, colocando algumas fitas coloridas no meio da trança. O negócio tava ficando bem bonito.
— E aí. — Falei.
Luíza acenou, mas não mexeu a cabeça para não atrapalhar Giovanna.
— Oi, irmão. A Gi tá fazendo uma trança boxeadora em mim, com fitas coloridas. Tá ficando bom? — Questionou.
— Tá, tá ficando linda. — Luíza sorriu.
— Acho que eu nunca estive empolgada pra ir na escola como estou hoje. Eu vou ir com um penteado bonito e com a lição de casa feita. — Luíza disse, e eu sorri, satisfeito.
— Aleluia, tomou jeito nessa vida. — Ergui as mãos para o céu e fingi agradecer.
— Não graças a você, Murilo. — Luíza disse.
— Se não fosse por mim, a Giovanna nem estaria aqui. — Eu afirmei e dei os ombros.
— Ah, isso é verdade, pequena. — Giovanna concordou.
— Não concorda com ele, Giovanna, ele é um chato egocêntrico. — Luíza disse e deu risada.
— Terminei a trança, Luíza. — Giovanna falou e Luíza se levantou.
— Como estou? — Ela disse, se exibindo toda.
— Está maravilhosa. — Eu falei e me aproximei dela. Dei um beijo em sua testa e depois a abracei. — Eu te amo, irmã.
— Eu te odeio e te amo ao mesmo tempo. — Ela respondeu, me abraçando.
— Acho que essa é a frase que mais ouvi no último ano de você. — Falei, rindo.
Me despedi de Luíza, que foi para a cama dormir. Eu me sentei no sofá, sozinho, acompanhado do meu prato de comida e uma cerveja. p***a, que comida deliciosa.
Depois que comi e tomei minha cerveja, continuei ali, até que Giovanna apareceu. Ela se encostou na parede com as mãos atrás do corpo.
— Precisa de alguma coisa, senhor... Murilo? — Questionou.
— Senhor Murilo é f**a. Só Murilo é o suficiente. — Eu me ajeitei sentado no sofá e dei algumas batidinhas no assento do lado. — Vem cá, Giovanna, senta aqui.
Giovanna arregalou os olhos.
— Ahn... — Com sua hesitação, eu me lembrei do abuso que ela sofreu e então eu pulei para o sofá do lado.
— Não me entenda m*l, só quero conversar com você. — Ela respirou aliviada.
Giovanna se sentou aonde eu havia pedido para sentar, e então, cruzou os braços, como se estivesse com medo.
— Sobre o que você quer conversar? — Perguntou.
— O que você fazia na casa do fulano, lá? — Questionei.
— Eu fazia de tudo... Cuidava da roupa, da louça, dos outros empregados... Da organização da casa, da comida. Eu não podia comer o que cozinhava, mas podia cozinhar de vez em quando.
Preciso descobrir quem é esse monstro que fez isso com ela.
— Bom, eu acho que você devia aproveitar a sorte que teve de vir parar na minha casa. Você é muito boa nisso, cara, minha casa está impecável, mas eu não quero que você seja só uma babá faz-tudo, entende? Eu gosto que a galera do meu morro cresça. Então, eu quero que você termine seus estudos... Pra não trabalhar sempre nisso, sabe? Você tem meu apoio.
Enquanto eu falava, ela foi descruzando os braços, mostrando menos desconforto.
— Obrigada.
— Nem todos os homens são monstros com as mulheres, Giovanna. Eu, pelo menos, não sou.
— Obrigada, mais uma vez.
Enquanto a gente conversava, o i****a do Sorriso, junto com o Formiga, entraram mascarados e com fuzis nas mãos na minha casa.
— Mãos pro alto! — Disseram, brincando.
Acontece que Giovanna quase teve um infarto. Ela veio até mim e me abraçou, como se eu pudesse protegê-la de alguma forma.
— p***a, para de graça! — Falei. Eu reconheci a voz na hora, não assustei por um segundo sequer.
Os dois tiraram a máscara, revelando o rosto. Giovanna continuou abraçada comigo, e eu passei os braços ao redor dela de forma protetora.
— Foi m*l, chefe.
— Os dois pro meu escritório, vai! — Gritei.
O coração de Giovanna batia tão rápido que eu podia sentí-lo pelo abraço. Eu acariciava seu cabelo loiro com uma das mãos, e a acalmava.
— Tá tudo bem, Giovanna. São meus amigos.
Ela vagarosamente afastou o rosto que estava escondido em meu peito, para me olhar nos olhos. Um olhar assustado, mas lindo. Giovanna tem duas piscinas na cara, p**a que pariu.
— Desculpa. — Ela disse.
— Não peça desculpa por ter medo. Isso vai passar. São seus primeiros dias aqui, depois de um trauma enorme. — Eu sorri de leve, e levei uma das mãos até o rosto dela. — Você vai ficar bem.
— Me sinto segura com você. — Ela disse, e eu abaixei o rosto o suficiente para beijar sua testa.
— É? Eu estou aqui para isso, para proteger você. Eu protejo as pessoas do meu morro, e você faz parte dele agora.
— Obrigada, mais uma vez. É melhor eu ir para o quarto dormir um pouco. Amanhã o dia começa cedo.
Ela me soltou, e deu um passo para trás e foi indo em direção ao quarto.
Eu fiquei observando Giovanna andar, confuso, sem entender muito o que aconteceu ali. Deus, como ela pode ser tão linda, frágil, e tão gostosa ao mesmo tempo? Isso tá errado. Essa guria é uma combinação catastrófica pra mim.
Fui até o escritório, onde os dois manés estavam.
— E aí, já tá comendo a loirinha? — Sorriso disse, de forma safada.
— Não, i****a. A mina sofreu um aborto não tem vinte dias e você quer que eu passe a rola nela? Pelo amor de Deus, Sorriso. — Girei os olhos. — Vocês foram estourar banco de novo, não foram?
— Aham. — Formiga disse. — Já deixamos o porta-malas lotaaaado de grana na sua garagem. — Eu sorri, satisfeito.
— Véi, você devia ir da próxima vez. A adrenalina é... É muito boa, cara. Dá uma brisa maior que cocaína, acredite. — Sorriso disse.
— Quem sabe um dia desses eu não colo nessas doideiras com vocês. O problema é que se eu morrer, morre o comando do morro. Porque os meus substitutos estarão aprontando comigo. — Demos risada.
— A gente tem que aproveitar a paz, cara. Porque quando o inferno começa, não tem tempo pra diversão e você sabe. — Formiga disse. — Não duvido que o novo prefeito tente colocar uma unidade pacificadora aqui de novo. Ele tá querendo mostrar serviço, você viu?
— É... Eu vi.