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Júlia encarava os teste de gravidez com bastante atenção, enquanto Priscila estava ao seu lado em silêncio, assim como Diego que as observava com uma certa ansiedade, já imaginando a confusão que iria dar aquela gravidez, já que os supostos pais daquele bebê teriam que ficar sabendo da gravidez de sua amiga.
A jovem futura mamãe começou a chorar. Ela era sozinha e não queria nenhum tipo de relação com os dois homens que poderiam ser pais de seu filho. Tudo estava indo tão bem, ela já tinha começado a esquecer Marcos e dando um rumo a sua vida. Quando tudo que viveu naquele dia com o amigo de seu ex-noivo tinha se tornado apenas uma memória r**m do seu passado e a qual ela não fazia questão de lembrar-se, então acontece uma gravidez e ela tem que ressuscitar o seu passado e com ele o fantasma de um tempo que ela queria excluir de uma vez da sua memória.
— Você vai contar aos dois que um deles vai ser pai juntos ou separados? — Priscila perguntou, fazendo Júlia lhe dar atenção.
— Eu não quero contar pra eles, o filho é meu e eu posso dar conta dele sozinha. — Disse secando as lágrimas.
— Eu sei que pode e eu estarei aqui, assim como o Diego também, nós vamos te apoiar e ajudar no que for preciso. No entanto, eles precisam saber que estão prestes a se tornar pai, é um direito deles. — Falou.
— Maldito seja o Arthur que se envolveu no meio da minha história com o Marcos e agora me encontro com esse dilema. Você sabe qual é o nome que uma mulher que não sabe quem é o pai do seu filho recebe, não sabe? Ainda bem que meus pais não estão mais aqui para sofrerem essa decepção. — A jovem amiga de Júlia sentou-se ao seu lado.
— Você não pode pensar assim. Essa gravidez não diz nada sobre o seu caráter e seus pais não estariam envergonhados coisa nenhuma. E o Arthur é tão vítima nessa história quanto você, não xinga o rapaz, pois entre ele e o Marcos para pai desse bebê, eu prefiro que seja o Arthur. — Júlia encarou a amiga incrédula.
— Porque está torcendo para o Arthur ser o pai do meu filho? — Perguntou.
— Porque ele sim vai ficar feliz e vai assumir essa criança, ficar ao seu lado e te apoiar. E o Marcos não merece ter um filho com você, ele não te amou de verdade. — Júlia negou.
— Claro que amou, ele era loucamente apaixonado por mim, até aquele maldito dia. — Priscila negou.
— Você é cega ou se faz de i****a? — Júlia arregalou os olhos cheios de lágrimas.
— Pega leve, amor. A Júlia está frágil e nervosa. — Diego pediu.
— Eu só quero que ela entenda as coisas como elas realmente são, vida. O Marcos não amou você de verdade, minha linda, quem ama não faz o que ele fez e disse. Mesmo que ele não quisesse continuar com você, ele deveria ter acreditado no que disse, ter esperado você se explicar ao invés de sair batendo em você e no Arthur. Só tenta ser mais compreensiva e ligar todos os fatos, tenta enxergar com mais calma tudo que viveu com o Marcos e ter certeza se realmente ele te amou de verdade. — Falou.
— Pri, eu sei que você tem razão no que falou, mas eu não sei se desejo que o meu filho seja do Arthur. Você melhor do que ninguém sabem da minha relação com ele, nós nos odiamos. — Disse.
— Às coisas não são bem assim, Júlia. Você odeia o Arthur, mas ele nunca te odiou. — Diego deixou claro.
— Mesmo assim, eu não posso ter um filho de um homem que eu não gosto. — Respondeu.
— Acho que isso é o que menos importa agora. Primeiro você precisa fazer um teste laboratorial apenas para ter certeza, depois deve sim falar com o Marcos e com o Arthur. Vamos aproveitar que é horário de almoço e vamos ao laboratório que fica pertinho daqui, o exame fica pronto em poucas horas. Depois você decide o que vai fazer, tem uma noite para pensar no melhor para o seu bebê. — Priscila não era uma amiga qualquer, era como uma irmã para Júlia.
— Tudo bem, eu vou fazer esse teste. Qual a probabilidade desses daqui estarem errados e a minha menstruação está atrasada devido ao estresse que passei? — Perguntou chorando.
— Infelizmente quase nenhuma, já faz um tempo que passou pelo estresse. — Priscila respondeu.
Júlia sabia que não podia esconder de Marcos e Arthur que estava grávida, até porque uma hora a barriga ia aparecer e eles ficariam sabendo da gravidez de uma forma ou de outra, então que eles soubessem por ela. Após ela se recuperar do choro, as duas amigas foram até o laboratório onde ela fez o teste e que receberia no final da tarde. Diante do estado que a amiga se encontrava, Priscila pediu que a mesma tentasse descansar e se preparar para contar aos dois homens sobre a sua gravidez, assim assumindo a responsabilidade de fechar o caixa da confeitaria.
Um filme de todos os anos que viveu com Marcos passou diante de seus olhos e ela desejou ter a sua mãe naquele momento, ter um colo para chorar e os conselhos dela. Sua mãe tinha partido tão cedo. Nem ao menos podia contar com um conselho amigável. Dali em diante seria ela e aquela criança, a mesma não queria a presença de Marcos e nem a de Arthur em sua vida, mesmo sabendo que eles teriam que ser presentes na vida do filho. Marcos tinha lhe magoado demais e Arthur tinha o seu ódio desde sua adolescência, mesmo assim ela seria capaz de deixar aquilo de lado pelo seu filho. Mais tarde, quando o teste saiu, só ficou provado o resultado dos testes de farmácia. Então se ela tivesse que dizer aos homens que estava esperando um filho de um dos dois, ela faria aquilo o mais rápido possível. Precisou da ajuda de Diego para convencer o médico de ir até a confeitaria logo pela manhã, antes de abrirem a confeitaria. Já quanto a Arthur, foi muito fácil marcar aquele encontro.
Não houve problema em convencer Arthur a ir ao encontro de Júlia, afinal, ele a amava e vê-la era tudo que ele desejava, independente do assunto que teria para tratar com ele. Ele a amava e precisava vê-la de perto, sentir o cheiro dela e ouvir a sua voz, mesmo que ela o xingasse, ele ainda queria ouví-la. Arthur tinha tentado se distanciar de Júlia e daquele sentimento que tinha por ela, no entanto, não tinha cumprido aquela sua promessa e todos os dias, quando saia do escritório e mesmo que o caminho da casa de seus pais fosse contrário a confeitaria da jovem, ele ia todos os dias e por dez ou quinze minutos ele ficava a observando trabalhar e só em vê-la, mesmo que de longe, ele já se sentia feliz.
Arthur foi o primeiro a chegar e por imaginar que aquele encontro não seria algo tão simples, ele cancelou todos os seus compromissos naquela manhã. O que deixou seus pais preocupados, já que o mesmo estava há quase dois meses trabalhando de forma responsável e consciente. Júlia não apareceu para recebê-lo, deixando aquela tarefa para Diego, ela só iria aparecer se Marcos de fato fosse ao encontro, antes disso ela não apareceria. O jovem advogado imaginava milhares de coisas que Júlia teria para conversar com ele, enquanto Diego falava sobre coisas aleatórias, as quais ele apenas fingia prestar atenção. Então, quase quinze minutos após o horário marcado por ela, o médico atravessou as portas da confeitaria, com uma cara de poucos amigos.
— Diego, porque não me informou que teríamos companhia, eu não teria vindo se soubesse que ele estava aqui também. Aliás, eu não sei que tipo de encomenda poderia ter chegado aqui para mim, eu nunca dei esse endereço para nada e outra, você poderia ter mandado um motoboy entregar em casa. — Disse de forma grosseira.
— Não tem nenhuma encomenda aqui, afinal, a minha confeitaria nunca foi um lugar que você gostasse de vir, mesmo sendo o meu local de trabalho, o local de trabalho da sua futura esposa. — Julia surgiu, chamando a atenção dos dois homens. E ao contrário de Marcos que demonstrou uma expressão de raiva e mágoa, Arthur expressou estar feliz e seus olhos brilharam ao ver a mulher que amava.
— Eu não sou obrigado a ficar aqui com vocês dois, e quanto a você Diego, lembrarei de bloquear o seu contato e o da sua esposa, não quero ser surpreendido mais uma vez por algo desse tipo. — Retrucou irritado.
— Ele só fez isso porque eu pedi. — Júlia respondeu.
— Não precisa se dar ao trabalho de nos bloquear Marcos, eu mesmo farei isso e com muito prazer, você nunca me enganou e de pessoas como você eu quero distância. E tem mais, Arthur você tem a minha torcida e o meu apoio, pode contar comigo sempre. — Júlia encarou Diego com uma cara nada amigável e o homem entendeu o que aquilo significava e saiu imediatamente do salão da confeitaria.
Arthur ficou confuso.
— Eu vou embora. — Disse Marcos, dando as costas para Júlia, pronto para sair da confeitaria.
— Já que veio até aqui, não perca a viagem e ouça o que eu tenho para dizer. — Marcos parou bruscamente, em seguida girou o seu corpo e encarou sua ex-noiva.
— Tudo bem, vamos lá, o que você tem de tão importante para dizer que precisou trazer até aqui o seu amante e eu? — Arthur balançou a cabeça, negando aquilo, Marcos ainda estava sentindo o mesmo ódio de antes por ele e por Júlia.
— O Arthur não é e nunca foi o meu amante. Mas não é sobre isso que eu quero falar com os dois e se não fosse pelo que eu descobri ontem, nós não estaríamos aqui hoje. — Arthur ficou confuso ao mesmo tempo que a sua curiosidade falou mais alto.
— Você descobriu o responsável por nos drogar? — Perguntou.
— Não, ainda não, espero que você esteja investigando isso e que possa descobrir em breve. — Ele assentiu.
— Ainda estou investigando, mas não descobri nada. — Respondeu.
— Fala logo o que você tem para dizer, eu não vim aqui para ficar de papinho e eu tenho horário e pessoas que realmente precisam de mim e dos meus cuidados. — Marcos disse irritado.
— Eu estou grávida! — Júlia respondeu em um tom de voz mais alto.
— E você me chamou aqui para quê, afinal? Acha mesmo que eu acredito que essa criança é minha? Nós sempre nos prevenimos e você tomava pílulas. — Respondeu.
— Nem sempre usavamos proteção e eu sempre esquecia de tomar o anticoncepcional. — Ele negou.
— Eu não vou assumir esse bebê. Ele não é meu, eu não terei um filho com uma mulher como você. — Júlia começou a enxergar quem Marcos realmente era e talvez Priscilla tivesse razão sobre ele nunca a amar de verdade.
— Você é um desgraçado, os únicos homens com quem eu tive relação estão aqui, e tem toda probabilidade desse filho ser seu sim. — Retrucou.
— Mas não é meu, você não vai me fazer de i****a. — Gritou, fazendo Priscila e Diego irem até a porta da cozinha onde estavam e ficaram observando os três. — Sabe, colocar uma criança no mundo com o sangue dos dois não será uma boa ideia. A sociedade não precisa de mais uma pessoa com o caráter desprezível de vocês, existe algumas clinicas que podem resolver esse problema, seja inteligente dessa vez Júlia. — A jovem não conseguia acreditar que ele tinha sugerido aquilo a ela. Sua vontade era fazer ele engolir todas aquelas palavras. Mas no calor do momento ela só conseguiu lhe dar um tapa.
— Você é um desgraçado, Marcos. Como pode sugerir algo desse tipo quando você é um médico? — Arthur disse ficando furioso com aquele que ele sempre chamou de melhor amigo, segurando Júlia, para que ela não partisse pra cima do homem e acabasse machucada.
— Vocês dois se merecem, adeus e não me procure mais. — Falou, indo em direção a porta da confeitaria.
— Você vai se arrepender amargamente de tudo isso que me disse, e eu espero que o filho não seja seu, você não merece vivenciar esse milagre, espero que morra sem saber o que é ser pai. — Júlia disse aos prantos, vendo o homem ir embora sem ao menos olhar para trás.
— Vem Júlia, senta aqui. — Arthur disse, segurando-a pelo braço, levando-a até a mesa que ele estava antes.
— Você já pode ir embora, Arthur. Eu já disse o que tinha para dizer, eu só não queria esconder a gravidez de vocês e depois virem com cobranças quando descobrissem por outras pessoas que eu estou grávida. — Respondeu.
— Mas eu não disse o que eu penso sobre essa gravidez. E diferente do Marcos eu quero acompanhar toda a gestação e se eu for o pai desse bebê, eu vou arcar com todas as minhas obrigações de pai e mesmo que você me odeie e não queira me ver, eu não vou deixar você sozinha nessa. — Júlia ficou surpresa e não sabia o que responder ao advogado. — Você não fez essa criança sozinha e mesmo que não seja uma gravidez planejada, eu ficarei feliz em me tornar pai. — Aquilo seria um sonho, ter um filho com ela.
— Existem 50% de chances desse bebê não ser seu, você quer mesmo acompanhar a gestação? Não tem medo de se decepcionar no final? — Perguntou confusa.
— Mas resta 50% de chances dele ser meu e independente de qual seja o resultado, eu só quero garantir que você tenha um apoio nos próximos meses que virão. — Júlia sentiu que ele estava sendo sincero e não existia nada que ela pudesse fazer para impedi-lo de acompanhar a gravidez. Arthur se mostrou bastante atencioso e diferente de Marcos. Ele mostrou que tinha interesse na criança e como já havia sido aconselhada por Priscilla, resolveu deixar que o advogado exercesse o seu papel de talvez futuro pai.
— Tudo bem, eu não vou negar isso de você e nem do bebê, pelo menos ele vai sentir que tem a presença de um pai durante o crescimento dele. — Arthur sorriu largo. — Tem uma coisa que eu quero te perguntar. — Júlia juntou as mãos sobre a mesa e o encarou, demonstrando um pouco de medo, ele assentiu, mantendo os seus olhos presos aos dele. — Se o bebê for do Marcos, existe alguma possibilidade dele tomar a criança de mim? Você sabe, a família dele é conhecida e tem bastante influência. — Arthur jamais deixaria que aquilo acontecesse.
— Se ficar provado que o seu filho é do Marcos e ele quiser tomá-lo de você, eu irei reunir os melhores advogados do país e não deixarei que ele consiga, minha família também é bastante influente e conhecemos bem mais pessoas no mundo jurídico do que eles. E se o bebê for meu, você não precisa se preocupar, ele não será tirado de você e prometo que serei um bom pai e presente na vida dele ou dela. — Respondeu.
Júlia sentiu um alívio em seu coração e durante aquela conversa ela esqueceu que odiou o Moretti por tantos anos e que odiava a presença dele, no entanto, entre ele e Marcos, quem ela amou pelos mesmos anos que odiou Arthur, ela preferia a presença do advogado e no fundo, em segredo ela desejava que aquele bebê que crescia em seu ventre fosse fruto da primeira e única vez que ficou com Arthur, pois sabia que ele já tinha um sentimento bom pelo bebê.