é ela

940 Words
Ponto de Vista de Ethan Wood Ela não tirou a máscara. Nem por um segundo. E aquilo, em vez de me incomodar… me instigava ainda mais. Havia algo profundamente provocante naquele mistério. Na forma como ela escondia o rosto, mas entregava todo o resto. Como se estivesse jogando comigo. Como se estivesse me desafiando. E eu nunca recusei um desafio. Ela se afastou um pouco, os olhos presos nos meus. Então, lentamente… Começou a tirar o vestido. Meu olhar acompanhou cada movimento. Sem pressa. Sem pudor. Como se aquele momento fosse só nosso. O tecido azul deslizou pelo corpo dela, revelando a pele aos poucos, como uma provocação silenciosa. Mas a máscara… A máscara permaneceu. E aquilo só tornava tudo mais intenso. Mais perigoso. Mais… viciante. Soltei um riso baixo, passando a mão pelo cabelo. — Você realmente gosta de jogos… Ela não respondeu. Mas não precisava. O olhar dela dizia tudo. Eu não resisti. Arranquei meu paletó, jogando-o de lado. Em seguida, abri os botões da camisa com pressa, sentindo o calor subir pelo corpo. Eu já não estava interessado em controle. Nem em estratégia. Apenas em tê-la. Quando me aproximei novamente, nossos corpos se encontraram sem espaço entre eles. Quente. Direto. Inevitável. E, naquele instante… Algo mudou. No começo, era apenas desejo. Físico. Simples. Como sempre foi com qualquer mulher. Mas então… Veio a sensação. Um choque silencioso. Uma memória. O corpo dela… A forma como reagia. Eu a conduzi até o sofá de couro, e o som do contato da pele dela com o material frio só serviu para atiçar ainda mais as chamas. Quando eu finalmente entrei nela, o tempo parou. Não foi apenas prazer físico; foi um estalo mental. A maneira como se movia contra mim. Meu cérebro demorou um segundo a acompanhar. Mas quando acompanhou… Tudo parou. Eu conhecia aquilo. Afastei levemente o rosto, observando-a com mais atenção. O coração batendo mais forte. Não de desejo. Mas de reconhecimento. Não fazia sentido. Não podia fazer sentido. Mas estava ali. Claro. Inconfundível. Dois anos atrás. Uma boate. Luzes baixas. Música alta. Uma garota. Sem nome. Sem rosto. Mas com aquele mesmo corpo. A mesma resposta. A mesma intensidade. A mesma forma de se entregar… e ao mesmo tempo fugir. Meu olhar escureceu. — Não… — murmurei, mais para mim mesmo. Mas quanto mais eu pensava… Mais certeza eu tinha. Era ela. A garota daquela noite. A única que tinha desaparecido antes que eu pudesse sequer perguntar o nome. A única que tinha ficado na minha cabeça por mais tempo do que deveria. A única… Que eu nunca encontrei. E agora… Ela estava ali. Nos meus braços. Meu aperto nela se intensificou. Como se eu estivesse tentando confirmar. Como se tivesse medo de que ela desaparecesse de novo. Nós nos beijamos novamente. Mas agora não era apenas desejo. Era algo mais. Algo mais escuro. Mais profundo. Mais perigoso. Eu precisava ter certeza. Precisava descobrir. Mas, ao mesmo tempo… Não queria quebrar aquele momento. Porque, pela primeira vez em muito tempo… Eu não estava no controle completo da situação. E isso… Aquilo me deixava ainda mais interessado. Quando tudo finalmente desacelerou… O silêncio tomou conta da sala. A respiração ainda pesada. O corpo ainda quente. Mas a mente… Agora completamente desperta. Eu a puxei para mais perto, envolvendo-a com um dos braços enquanto recostávamos no sofá. Meu olhar caiu sobre ela. Ainda com a máscara. Ainda escondida. Mas não mais desconhecida. Nunca mais. Foi então que ela se moveu levemente. O olhar dela caiu sobre meu peito. E parou. Na tatuagem. O lobo. Grande. Escuro. Impossível de ignorar. Eu vi. O exato momento em que tudo mudou. Os olhos dela se arregalaram. O corpo ficou tenso. A respiração falhou. Choque. Reconhecimento. Medo. Um sorriso lento surgiu no meu rosto. — Então você lembra… Ela não respondeu. Mas não precisava. Eu já sabia. Ela se afastou rapidamente. Movimentos apressados. Desesperados. — Eu preciso ir. Minha expressão endureceu. — O quê? — Já é meia-noite. A frase soou como uma desculpa. Fraca. Inútil. Ela começou a pegar o vestido com pressa. — Espera — falei, levantando. Mas ela não parou. Vestiu-se rapidamente. As mãos levemente trêmulas. O controle que ela tinha antes… tinha desaparecido. E aquilo só confirmava ainda mais. — Você não vai embora — disse, a voz mais baixa, mais firme. Ela me olhou por um segundo. E naquele olhar… Havia tudo. Medo. Desejo. E algo mais. Algo que ela estava tentando esconder. — Eu tenho que ir — repetiu. E então… Ela fugiu. De novo. Correu para a porta. Abriu. E desapareceu. Por um segundo, fiquei parado. Imóvel. Processando. Mas então a realidade bateu. — Droga. Passei a mão pelo rosto e comecei a me vestir rapidamente. Camisa. Calça. Sem paciência. Sem cuidado. Meu coração estava acelerado. Mas não de desejo. De algo muito mais perigoso. Obsessão. Eu caminhei até a porta. Parei por um instante. Respirei fundo. E então saí. Rápido. Direto. Determinando. Ela não ia escapar de novo. Não dessa vez. Porque agora… Eu sabia exatamente o que estava procurando. A garota da boate. A mulher misteriosa da festa. A mesma. E, pela primeira vez em dois anos… Eu tinha uma pista. Um cheiro. Um caminho. Saí correndo pelo corredor, meus sapatos batendo no mármore com um eco acusador. Cheguei ao hall dos elevadores a tempo de ver os números digitais decrescendo rapidamente. 20... 15... 10... Ela estava fugindo. Novamente. — Você não vai sumir de novo — rosnei para o vazio, socando o botão de chamada do segundo elevador. — Eu vou te achar, nem que eu tenha que queimar esta cidade inteira.
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