Ponto de Vista de Ellen
Eu já não sabia mais quanto tempo tinha passado.
A música mudava.
As pessoas ao nosso redor também.
Mas eu continuava ali.
Preso nele.
Dançamos uma música.
Depois outra.
E mais outra.
E, a cada movimento, a cada toque, a cada vez que ele me puxava mais para perto… eu sentia que estava atravessando uma linha invisível.
Uma linha que eu sabia que não deveria cruzar.
Mas que, mesmo assim… eu não conseguia evitar.
Ethan Wood não era apenas um homem bonito.
Ele era presença.
Era intensidade.
Era o tipo de homem que domina o ambiente sem precisar dizer uma palavra.
E, naquela pista de dança…
Ele estava me dominando.
Os dedos dele firmes na minha cintura.
A mão segurando a minha com força suficiente para guiar, mas não machucar.
Os olhos… sempre atentos.
Sempre observando.
Como se estivesse tentando me decifrar.
E aquilo me deixava nervosa.
Mas também…
Algo mais.
Algo perigoso.
Paramos perto de uma das mesas.
Um garçom apareceu imediatamente, como se estivesse esperando por ele.
— Champanhe, senhor?
— Sim.
Ele pegou duas taças.
Me entregou uma.
Nossos dedos se tocaram de leve.
E, mais uma vez… aquele arrepio percorreu meu corpo.
Levei a taça aos lábios.
Tentei me acalmar.
Mas era impossível.
Ele estava perto demais.
— Você dança bem — ele disse, me observando.
Dei um pequeno sorriso.
— Eu tento acompanhar.
— Não parece que está tentando.
A forma como ele falava…
Era como se cada palavra tivesse um peso maior do que deveria.
— Talvez eu só esteja seguindo o ritmo certo — respondi.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— E quem define esse ritmo?
Sustentei o olhar dele.
— Talvez… ninguém.
Um silêncio se instalou entre nós.
Mas não era desconfortável.
Era carregado.
Intenso.
Perigoso.
Ele deu um gole na bebida.
E então disse, com a voz mais baixa:
— Gostaria de te mostrar meu escritório.
Meu coração disparou.
Ali.
Era ali que tudo mudava.
A proposta não era direta.
Mas não precisava ser.
Eu sabia exatamente o que ele queria.
E o pior…
Eu também queria.
Minha mente gritava para eu dizer não.
Para eu inventar uma desculpa.
Para eu sair dali antes que fosse tarde demais.
Mas meu corpo…
Meu corpo não obedecia.
Porque havia algo nele que me puxava.
Algo que eu não conseguia explicar.
Algo que me fazia esquecer de tudo que eu sabia.
De tudo que eu deveria evitar.
Respirei fundo.
E respondi:
— Acho que vou gostar.
O sorriso dele foi lento.
Satisfeito.
Como se já esperasse por isso.
Saímos do salão discretamente.
Ninguém nos impediu.
Ninguém perguntou nada.
Mas eu senti.
Os olhares.
A curiosidade.
Os cochichos.
O poderoso Ethan Wood saindo da festa com uma mulher misteriosa.
E, pela primeira vez…
Eu era o centro de atenção.
Mesmo sem ser reconhecida.
Entramos no elevador.
As portas se fecharam.
E, por um segundo…
O silêncio tomou conta.
Meu coração batia tão forte que parecia ecoar no espaço pequeno.
Eu nem tive tempo de pensar.
Porque, no instante seguinte…
Ele me puxou.
Seus braços envolveram meu corpo com firmeza.
E sua boca encontrou a minha.
O beijo foi intenso.
Direto.
Sem aviso.
Sem delicadeza.
Como se ele já tivesse esperado tempo demais.
Minhas mãos subiram automaticamente para o peito dele.
Tentando me equilibrar.
Ou talvez… tentando não me perder completamente.
O beijo dele era quente.
Dominante.
E, ao mesmo tempo…
Estranhamente familiar.
Meu corpo reagiu antes da minha mente.
Como se já conhecesse aquilo.
Como se já tivesse sentido antes.
Afastei levemente o rosto, ofegante.
E então ele disse, com a voz rouca:
— É como se eu já te conhecesse…
Meu coração falhou uma batida.
— Esses seus beijos…
Ele passou os dedos de leve pelo meu rosto.
— Parecem tão familiares.
O pânico misturado com algo quente tomou conta de mim.
Ele não podia descobrir.
Não ali.
Não daquele jeito.
Mas… e se já soubesse?
E se estivesse apenas confirmando?
Não.
Ele não me reconheceu.
Não podia ter reconhecido.
A máscara…
A maquiagem…
Tudo estava diferente.
Mesmo assim…
Meu corpo ficou tenso.
Mas ele não insistiu.
Apenas voltou a me beijar.
E, dessa vez…
Eu não resisti.
Quando o elevador abriu as portas, eu já não sabia mais onde terminava a razão… e onde começava o desejo.
Ele segurou minha mão.
E me puxou para fora.
Caminhamos pelo corredor da cobertura.
Eu conhecia aquele lugar.
Cada detalhe.
Cada porta.
Cada curva.
Mas, ainda assim… fingi surpresa.
Como se fosse a primeira vez.
E, de certa forma…
Era mesmo.
Porque eu nunca tinha estado ali assim.
Não como convidada.
Não como alguém desejada.
A porta do escritório se abriu.
O espaço luxuoso me envolveu imediatamente.
Grande.
Elegante.
Silencioso.
Perigoso.
As luzes da cidade brilhavam através das paredes de vidro.
Mas eu m*l consegui olhar.
Porque ele estava focado em mim.
E eu… nele.
Ele fechou a porta.
E, no instante seguinte…
Me puxou novamente.
Dessa vez, mais lento.
Mais controlado.
Como se estivesse saboreando o momento.
Me conduziu até o sofá.
E me fez sentar.
Seus olhos nunca deixavam os meus.
Como se estivesse tentando atravessar cada camada da máscara.
Como se quisesse descobrir quem eu realmente era.
E, talvez…
Uma parte de mim quisesse que ele descobrisse.
O que era loucura.
Perigoso.
Mas real.
Ele se aproximou.
Devagar.
Seus dedos deslizaram pelo meu braço.
Pela minha pele.
Causando arrepios que eu não consegui controlar.
O beijo dessa vez foi diferente.
Mais lento.
Mais profundo.
Como se estivesse me explorando.
Aprendendo.
Memorizando.
E, aos poucos…
As carícias aumentaram.
O toque ficou mais intenso.
Mais íntimo.
Mais inevitável.
Minha respiração falhou.
Minha mente tentou reagir.
Tentar lembrar de quem eu era.
Do que eu precisava proteger.
De Sara.
Da minha vida.
Mas tudo parecia distante.
Porque, naquele momento…
Só existia ele.
E a forma como me fazia sentir.
E foi então que eu entendi.
Com uma clareza assustadora.
Eu estava perdida.
Não apenas naquela sala.
Não apenas naquele momento.
Mas naquele jogo.
Naquele homem.
Naquela sensação perigosa de querer algo que poderia destruir tudo o que eu levei anos para construir.
E, mesmo sabendo disso…
Eu não consegui parar. 🖤