gosto de jogos

978 Words
Ponto de Vista de Ethan Wood Eu já estava entediado. Completamente entediado. A festa estava exatamente como eu esperava. Luxuosa. Impecável. Cheia de gente importante. E absolutamente previsível. Os investidores riam alto demais das próprias piadas. Falavam de números, contratos, lucros, como se aquilo fosse a coisa mais fascinante do mundo. Para mim… era apenas rotina. — Senhor Wood, esse acordo vai colocar sua empresa em outro nível — disse um deles, segurando uma taça de whisky. Assenti com um sorriso controlado. — É o objetivo. Eles continuaram falando. E eu continuei ouvindo. Ou fingindo ouvir. Porque minha mente não estava ali. Não completamente. Peguei outra dose de bebida. Já era a terceira. Talvez a quarta. O suficiente para deixar o corpo levemente relaxado… mas não o suficiente para perder o controle. Eu nunca perco o controle. Nunca. As mulheres estavam piores. Sempre estavam. Vestidos caros. Perfumes fortes. Olhares calculados. Elas sabiam exatamente quem eu era. E o que eu podia oferecer. Algumas se aproximavam com desculpas idiotas. — Senhor Wood, adorei o evento… — Senhor Wood, podemos conversar sobre uma oportunidade… Outras nem fingiam. Apenas se aproximavam. Sorrindo. Disponíveis. Esperando um convite que nunca viria. Eu já tinha visto aquilo vezes demais. Sabia exatamente como terminava. Uma noite. Talvez duas. E depois… nada. Eu não me apego. Nunca me apeguei. Mulheres sempre foram… distrações. E eu nunca deixo distrações durarem muito tempo. Encostei-me levemente ao bar, observando o salão. Tudo estava sob controle. Como sempre. Mas ainda assim… Algo estava faltando. Algo que quebrasse a monotonia. Algo interessante. Algo que valesse a minha atenção. Foi então que aconteceu. As portas do salão se abriram. E, por um segundo… O tempo desacelerou. Ela entrou. Vestido azul. Elegante. Fluido. O tecido se movia com leveza a cada passo. Os sapatos prateados refletiam a luz dos lustres, chamando atenção de forma quase hipnótica. Mas não era apenas a roupa. Era ela. A postura. O jeito como caminhava. O ar de… mistério. Uma pequena máscara cobria parte do rosto. O suficiente para esconder. O suficiente para provocar. Os cabelos caíam em cachos longos, como uma cascata dourada pelas costas. E, naquele instante… O salão inteiro percebeu. Conversas diminuíram. Olhares se voltaram. Homens pararam. Mulheres analisaram. Todos notaram. Mas eu fui o primeiro a agir. Antes que qualquer outro homem tivesse a ideia de se aproximar… Eu já estava andando na direção dela. Ela pegou uma taça de champanhe. Movimentos delicados. Contidos. Não havia desespero. Não havia esforço. Ela não estava tentando chamar atenção. E, talvez por isso… Chamava ainda mais. Parei diante dela. Ela levantou os olhos. E, naquele momento… Algo dentro de mim despertou. Eu conhecia aquele olhar. Mas não fazia sentido. Não ali. Não daquela forma. — Olá… — falei, observando cada detalhe. Ela permaneceu firme. Mas eu percebi. O leve tremor. O controle. Ela estava nervosa. Interessante. — Quem é você mesmo? Ela hesitou por um segundo. E então respondeu: — Cinderela. Meu sorriso veio automaticamente. Cinderela. Claro. Um disfarce. Um jogo. — Para você… até meia-noite — ela completou. Meu sorriso se aprofundou. Ela não queria ser reconhecida. Ela queria brincar. Tudo bem. Eu gosto de jogos. E gosto ainda mais de vencer. Observei-a com mais atenção. Algo nela era… familiar. Mas eu não conseguia identificar o quê. Talvez fosse apenas impressão. Ou talvez… Fosse algo mais. Mas naquele momento, não importava. Porque eu já tinha decidido. Ela seria minha naquela noite. Estendi a mão. — Então vamos dançar… antes que a noite acabe. Ela aceitou. Sem resistência. E isso me surpreendeu. A maioria das mulheres hesita. Finge. Se faz de difícil. Ela não. Ela apenas entrou no jogo. E isso a tornava ainda mais interessante. Conduzi-a até o centro do salão. A música mudou. Mais lenta. Mais íntima. Perfeita. Coloquei minha mão na cintura dela. E senti. O corpo reagindo. Tenso. Quente. Vivo. Aproximei-a mais. Sem dar opção. Sem perguntar. Ela se ajustou ao movimento. Seguiu o ritmo. Mas não completamente. Havia algo ali. Algo que não se entregava totalmente. E isso… Aquilo era raro. Muito raro. — Você não pertence a esse lugar — murmurei próximo ao ouvido dela. Eu queria testar. Provocar. Ela não se afastou. — E mesmo assim… está aqui — respondi, observando sua reação. — Talvez eu goste de surpresas. Um leve sorriso surgiu no meu rosto. — Eu também. Aproximei-a mais. Sentindo cada pequena reação do corpo dela. Ela não era como as outras. Não estava tentando me impressionar. Não estava tentando me agradar. Ela estava… se controlando. E isso só me deixava mais interessado. — Mas surpresas costumam ter um preço — disse. — E você sempre cobra esse preço? Direta. Eu gostei disso. — Sempre. Ela me encarou. Sem fugir. Sem baixar o olhar. — Então talvez eu devesse ir embora antes da meia-noite. Soltei um riso baixo. Ela achava que ainda tinha escolha. — Tarde demais, Cinderela. Apertei levemente sua cintura. — Lobos não desistem tão fácil daquilo que chama atenção. Senti o arrepio dela. E aquilo confirmou. Eu já tinha conseguido entrar sob a pele dela. Continuei dançando. Mas minha mente já estava à frente. Planejando. Analisando. Ela não era uma mulher comum daquela festa. Eu saberia. Ela não fazia parte daquele círculo. Não pelo jeito. Não pela postura. Mas então… Quem era ela? E por que parecia tão… familiar? Isso me incomodava. E me instigava ao mesmo tempo. Mas havia uma coisa que eu sabia com certeza. Quando a música acabasse… Eu não deixaria ela ir embora. Não sem descobrir. Não sem ter. Porque, no final… Não importa quem ela fosse. Não importa de onde veio. Eu sempre consigo o que quero. E naquela noite… Eu a queria. Mesmo que fosse apenas por algumas horas. Mesmo que, no dia seguinte… Ela fosse apenas mais uma memória. Ou pelo menos… Era isso que eu achava. 🖤
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