até meia-noite

1162 Words
Ponto de Vista de Ellen Minhas mãos estavam suando. Mesmo dentro do táxi, com o ar-condicionado ligado, meu coração batia tão forte que parecia que o motorista podia ouvir. Olhei pela janela enquanto o prédio da empresa se aproximava. Iluminado. Imponente. Ainda mais grandioso do que durante o dia. Hoje ele não parecia apenas um local de trabalho. Parecia um palco. E eu estava prestes a entrar em cena. — Chegamos — disse o motorista. Respirei fundo antes de responder. — Obrigada. Paguei a corrida e abri a porta devagar. Assim que coloquei os pés para fora do carro, senti o ar da noite tocar minha pele. Frio. Leve. Mas incapaz de acalmar o turbilhão dentro de mim. Levantei os olhos. A entrada do prédio estava diferente. Tapetes. Luzes. Seguranças bem vestidos. Funcionários chegando em carros caros, vestidos com roupas elegantes, rindo, conversando como se aquele mundo fosse completamente natural para eles. Engoli seco. — Só uma noite… — murmurei para mim mesma. Ajustei a máscara prateada no rosto. Segurei a bolsa com mais firmeza. E caminhei. Cada passo parecia mais pesado do que o anterior. Como se meu corpo ainda estivesse indeciso entre entrar… ou fugir. Mas eu continuei. Porque, no fundo, eu sabia que precisava fazer isso. Precisava provar para mim mesma que eu podia estar ali. Na recepção, um homem bem vestido me recebeu com um sorriso profissional. — Boa noite. — Boa noite — respondi, tentando manter a voz firme. Entreguei o convite com a mão levemente trêmula. Ele analisou o cartão dourado por alguns segundos. Meu coração parou. E se ele me reconhecesse? E se perguntasse algo? Mas então ele apenas sorriu novamente. — Seja bem-vinda. E abriu passagem. Simples assim. Entrei. E só então percebi que estava prendendo a respiração. Soltei o ar lentamente. Alívio. A máscara funcionou. Ninguém me reconheceu. Ninguém viu a faxineira. Ali… eu era apenas mais uma convidada. Quando coloquei os pés no salão… O mundo pareceu parar. O espaço era enorme. Muito maior do que eu imaginava. Lustres gigantes iluminavam tudo com uma luz dourada suave. Mesas elegantemente decoradas ocupavam as laterais. Garçons circulavam com bandejas de bebidas e aperitivos. Música ao vivo tocava ao fundo. Um piano. Um violino. Algo delicado. Romântico. Sofisticado. Eu fiquei parada por alguns segundos, absorvendo tudo. E então senti. Olhares. Muitos olhares. Meu corpo inteiro ficou tenso. Por um instante, tive certeza de que tinham descoberto. Que sabiam que eu não pertencia àquele lugar. Que estavam me julgando. Mas, conforme olhei ao redor… Percebi outra coisa. Curiosidade. Admiração. Interesse. Ninguém me reconhecia. Para eles, eu não era a Ellen que limpava o chão. Eu era… Alguém misteriosa. A mulher de vestido azul e máscara prateada. Meu coração bateu mais forte. Talvez… eu realmente pudesse viver essa noite. Um garçom passou ao meu lado. — Champanhe? Olhei para a bandeja. As taças brilhavam sob a luz. Peguei uma. — Obrigada. Levei o copo aos lábios e dei um pequeno gole. O líquido gelado desceu pela minha garganta, trazendo um leve calor. Respirei fundo. Mais calma. Um pouco mais confiante. Comecei a caminhar pelo salão. Devagar. Observando tudo. As pessoas riam, conversavam, brindavam. Algumas dançavam no centro do salão. Outras me olhavam discretamente enquanto eu passava. E ninguém… Ninguém sabia quem eu era. Uma sensação estranha surgiu dentro de mim. Liberdade. Perigosa. Mas viciante. Foi então que eu senti. Antes mesmo de vê-lo. Uma presença. Pesada. Intensa. Como se o ar ao meu redor tivesse mudado. Meu corpo inteiro ficou alerta. Meu coração acelerou. E então… Ele apareceu. Ethan Wood. Alto. Imponente. Vestido com um terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo. Os olhos azuis percorreram o salão… até encontrarem os meus. E pararam. O tempo pareceu desacelerar. Ele caminhou na minha direção. Passos firmes. Seguros. Como um homem que nunca hesita. Como um predador que já escolheu. Eu deveria ter saído. Deveria ter me afastado. Mas meus pés não se moveram. Fiquei ali. Paralisada. Esperando. Quando ele parou diante de mim, senti meu corpo inteiro reagir. Ele era ainda mais intimidante de perto. Mais intenso. Mais… perigoso. Ele inclinou levemente a cabeça. Os olhos fixos nos meus. — Olá… A voz grave fez meu coração disparar. — Quem é você mesmo? Minhas mãos começaram a tremer levemente. Ele não me reconheceu. A máscara realmente funcionou. Mas, ainda assim… havia algo no olhar dele. Algo atento demais. Como se estivesse tentando descobrir. Respirei fundo. E, antes que pudesse pensar demais, respondi: — Cinderela. Ele ergueu uma sobrancelha. Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios. — Para você… até meia-noite — completei. O sorriso dele se aprofundou. Não era um sorriso gentil. Era perigoso. Interessado. — Interessante… — ele murmurou. Meu coração quase saiu pela boca. Então ele estendeu a mão. — Então vamos dançar… antes que a noite acabe. Eu deveria ter recusado. Deveria ter inventado uma desculpa. Mas não consegui. Coloquei minha mão na dele. E no instante em que nossos dedos se tocaram… Um arrepio percorreu meu corpo inteiro. Ele me conduziu até o centro do salão. A música mudou. Mais lenta. Mais íntima. Mais perigosa. As pessoas abriram espaço. E eu senti. Olhares. Muitos. Curiosos. Surpresos. Reconhecendo ele. E se perguntando quem era eu. Meu coração disparou. Mas então… Ele me puxou pela cintura. Forte. Seguro. Aproximando meu corpo do dele. Perto demais. Minha respiração falhou. Uma das mãos dele segurava a minha. A outra permanecia firme na minha cintura. Guiando. Dominando. Ele começou a dançar. Movimentos suaves. Precisos. Como alguém acostumado a controlar cada situação. Eu tentei acompanhar. Mas meu foco não estava na dança. Estava nele. No calor do corpo dele tão próximo. Na respiração que eu podia sentir. Na forma como ele me olhava. Direto. Intenso. Como se estivesse tentando me despir… não do vestido, mas dos segredos. — Você não pertence a esse lugar — ele disse baixo, perto do meu ouvido. Meu coração travou. — E mesmo assim… está aqui. Engoli seco. — Talvez eu goste de surpresas — respondi. Ele soltou um leve som, quase um riso. — Eu também. Ele me puxou um pouco mais para perto. Se é que isso era possível. Meu corpo reagiu imediatamente. Calor. Tensão. Algo perigoso crescendo dentro de mim. — Mas surpresas costumam ter um preço — ele murmurou. Fechei os olhos por um segundo. Tentando me controlar. — E você sempre cobra esse preço? — Sempre. Abri os olhos e encarei os dele. — Então talvez eu devesse ir embora antes da meia-noite. O sorriso dele voltou. Mais lento. Mais calculado. — Tarde demais, Cinderela. Meu coração disparou. — Lobos não desistem tão fácil daquilo que chama atenção. Meu corpo inteiro arrepiou. A música continuava. As pessoas ao redor desapareciam. E, naquele momento… Eu soube. Aquela noite não seria apenas uma festa. Seria o começo de algo. Algo que eu talvez não conseguisse controlar. E, pela forma como ele me segurava… Eu já não tinha certeza se queria fugir. 🖤
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