CAPÍTULO 1 CONHECENDO LOBO
Lobo narrando.
Me chamo Leonardo Alves, mas todos me conhecem com lobo, tenho 27 anos, sou moreno, alto e tatuado, atualmente dono do morro do Vidigal, comando o morro com mãos firmes, sou respeitado, conhecido e temido, não aceito ser contrariado dentro do meu morro, minhas regras são lei, e não aceito erros e desobediência.
Aprendi desde novo, que se você abaixar a cabeça você é jogado pra escanteio, se não conquistar respeito é apunhalado pelas costas, e isso eu não admito em qualquer sinal de desconfiança eu derrubo.
Infelizmente no meu mundo é assim, você mata ou você morre, e morrer pra mim não é uma opção.
Assumi o morro com 17 anos, não por opção e sim por obrigação, meu pai sofreu uma emboscada e foi morto, pela única mulher que ele amou de verdade.
Eu não queria me vingar, porque pra mim ele nunca foi um bom pai, mas eu fiz pela minha vó, ela sofreu com a morte do seu único filho, e eu acompanhei de perto e jurei pra ela que isso não ia ficar assim, e não ficou, mandei caçar ela até que acharam e trouxeram pra mim, e a morte dela foi dolorosa demais, pelo menos pra ela porque pra mim foi divertido.
Eu fui criada pela minha vó paterna, dona Tereza, ela criou e eu meus dois irmãos por parte de pai, meu pai nunca foi um cara muito bom, eu não sei muito da minha mãe, mais sei que ela era uma dessas mulheres que andam pelo morro atrás de um homem e uma oportunidade, só que o erro dela foi engravidar do meu pai, depois do meu nascimento ela nunca mais foi vista, o que aconteceu eu não sei, se esta vida ou morta, eu também não sei, pra falar a verdade eu não sei nem o nome dela, o pouco que eu descobrir foi só quando ele morreu, e minha vó só fala que não sabe mais tenho certeza que ela sabe, só não quer falar então resolvi deixar isso pra lá, mesmo sabendo que aconteceu com as mães dos meus irmãos também, não tinha pra quem perguntar, o único que poderia nos responder está morto.
Os únicos de sabemos disso é eu e meu irmão, preferir deixar a minha irmã casula de fora disso, ela era a única que gostava do meu pai, então não quero tirar isso dela.
Mas ela tem motivo, ela era a única a ser tratada como filha, e eu meu irmão sempre fomos tratados como soldados treinados pra ocupar o lugar dele e continuar com o seu legado.
Hoje em dia eu comando o morro ao lado do meu irmão, ele é meu sub e assumiu os 15 anos, Victor, mais como todo favelado que prese são poucos que sabem seu nome, e chamam de neguinho, ele é muito mais que um sub, é meu irmão, meu amigo, meu braço direito, o meu cara de confiança aqui dentro.
Pra mim família é tudo, na minha família ninguém toca, defendo eles acima de tudo.
Não moro mais com a minha vó, a única que mora com ela ainda é a Júlia a minha irmã mais nova ela está com 17 anos agora, mais aquela casa é a minha base, é tudo que mais importa pra mim, e lá é meu refúgio, nem que for pra levar uns puxões de orelha da minha vó por sumir por muito tempo.
Mais a vida no morro não para, não tenho tempo pra lazer, nem pra folga, se eu moscar as coisas desanda e isso pra mim não funciona bem.
O único lazer que eu tenho e não abro mão é o sexo, isso pra mim já faz parte da minha rotina, qualquer mulher gostosa que vem atrás de mim, eu como, não sou o cara que vai atrás de mulher, eu espero e elas sempre vem, sem nenhum esforço meu, mais nada de relacionamento, sexo e vaza, pra mim relacionamento é distração e eu não tenho tempo pra isso.
O mais perto que eu cheguei de um relacionamento é com a Carla, pelo menos é o que ela acha, ela sempre está mais acessível porque vive no meu pé depois que eu tirei a p***a da virgindade dela, mais pra mim não passa de sexo, gostosa e sempre disponível, perfeita pra mim, se ela acha que a gente tem alguma coisa a mais isso é problema dela, eu sempre deixei claro que não temos nada além do sexo, se aparecer outra mulher eu pego sem nem pensar.
A vida no morro não é fácil, mais uma coisa que eu admiro no meu pai foi o que ele fez pelo morro, sempre foi muito respeitado e ajudou todo mundo, e eu faço o que posso pela comunidade, no meu morro ninguém passa fome, não admito homem bater em mulher, se bater e eu ficar sabendo, vai se ver comigo, e não estou nem ai pra quem seja.
Pra mim lugar de criança é na escola, não trabalhando ou pedido pelas vielas, odeio isso se eu pego fazendo dou uns presta atenção nos pais e mando pra escola.
Até porque eu construir duas escolas nessa p***a aqui pra que, é pra ser usada não pra ficar de enfeite.
Muitos me chamam de m*l-humorado, assustador, frio e observador, por isso me deram o vulgo de lobo.
Eu sou tudo isso e mais um pouco, fui criado pra ser assim, na rua não podemos confiar em ninguém todos podem ser inimigos.
São poucos o que eu confiou além do meu irmão, o outro que eu confio de olhos fechados é o Preto, ele é o gerente da boca e meu amigo de infância, crescemos juntos.
Mais o lobo só faz parte de mim da porta da fora, porque aqui dentro na casa da minha vó eu sou só o Leonardo, ou melhor Léo como elas costuma me chamar.
- Leo quero ir ao shopping. - A Julia falou se sentando do meu lado no sofá.
“Hoje é domingo e eu prometi que vinha almoçar com a minha vó”.
- Pede pro Victor te levar, sozinha você não vai. - falei.
- Vou com minhas amigas. - Ela falou.
- Não Julia, fora do morro sozinha não. - falei nervoso.
- Leonardo, Leonardo, fala direito com a sua irmã. - Minha vó falou vindo da cozinha.
- Eu falei ela que é insistente vó. - falei me levantando.
- Já vai? - minha vó me perguntou.
- O morro não para vó. - falei indo até ela.
Dei um beijo na sua testa e me afastei.
- Você devia me aproveitar, daqui a pouco eu não vou estar mais aqui, e mau vejo você ou seu irmão. - falou.
- Para de drama dona Tereza, a senhora ainda tem muito o que viver. - falei me afastando.
- Fala pro Victor que meu cabo de vassoura está esperando por ele. - falou nervosa.
- Nem precisa vovó eu cheguei, atrasado, mas eu vim. - Ele falou indo até ela e abraçou pegando ela no colo.
- Me solta menino levado. - Ela falou batendo nas costas dele.
Ele colocou ela no chão rindo.
- Victor me leva no shopping. - A Júlia falou indo até ele.
- To sem tempo. - Ele falou dando um beijo na testa dela.
- Como se vocês algum dia tivesse tempo pra mim. - Ela falou com a voz embargada e se sentou no sofá.
Ele olhou pra mim, eu neguei com a cabeça.
- Julinha ta aprendendo direitinho o drama da vovó, eu te levo só me fala antes. - Ele falou se sentando do lado dela no sofá.
Ela abriu um sorriso e abraçou ele.
É isso que eu falo quando falo de família, eles são minha família, e por eles eu mato e morro.