Rodan
Eu tinha me segurando, usado cada meditação, cada oração e cada pedido a Olyss que não me fizesse m***r o príncipe arrogante de Carná. Angra é um macho deplorável que finge cavalheirismo. Os machos o adoram, sua fama entre as fêmeas é de bondoso e humilde. A única coisa que posso dizer é que Serafin, a rainha de Carná, já tentou receber asilo de Asa. Ela é infeliz e qualquer um vê isso, e pelos boatos que surgem na Corrente, o rei tem um desejo asqueroso de espancar a própria esposa.
Eu não posso mata-lo. Mas eu quero...
Eu não posso, não posso! Por Mirna, pela minha mãe e pai.
Respiro fundo contando até três e aperto o punho.
— Eu espero, General Hiodden, que esteja presente em minha festa. Pelo que soube os caçadores trouxeram fêmeas encantadoras para a seleção. — Disse o macho de pele vermelha e olhos de gato cor de narque. Estampando o mesmo sorriso arrogante nos lábios.
Tento exibir um sorriso falso sem exibir os caninos afiados.
— É claro, vossa alteza.
Vou morrer a cada minuto e vou querer mata-lo a cada segundo. Mas, é o meu papel aqui. Como general, tenho que garantir que a família real de Carná tenha uma estadia segura no Centro.
Para o evento a família rela reservou um dos espaços da órbita do Centro. Muitas aeronaves de caçadores já chegaram e com elas as fêmeas sequestradas da Terra.
— Te vejo lá, Hiodden.
Ele se afasta, e eu deixo que os trajes banhado em ouro de Carná — uma espécie de metal dourado que o quilo vale quinhentos nercs. É bem inferior as cristalidas de Asa, que vale o triplo do valor, mas ainda assim garante uma excelente fonte de renda para o planeta.
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Euze está sentado ao meu lado, pálido e tremendo. Eu o fiz vir, praticamente ordenei. Se eu tinha que vir a este inferno,mais que justo que ele encarasse o mesmo carma. Com um traje azul escuro que destaca sua pele quase preta, meu braço direito encara o salão com temor.
Eu nunca gostei de festas, pelos menos as reais, cujo os detalhes são sempre ofuscantes e exagerados como lustres de estrelas e ** de névoa. As festas em Asa são cheias de luz, e pessoas dançando e cantando, com muita comida e música, o que é totalmente diferente do que eu vejo agora.
Membros da corte de Carná, políticos do Centro, muitos ricos querendo uma nova escrava, e dois ou três Orcs de Binze.
— Isso vai ser um show de horrores. — Comento baixinho para meu assistente. Euze balança a cabeça em resposta.
De onde eu estou consigo ver Angra e toda a sua, como posso dizer? Vestimenta brilhante. Eu realmente não entendo o porquê dele usar tanto ouro, todos sabem que Carná tem riquezas, não é como se ele precisasse provar algo.
Mas será que sim? Será que todo esse show se baseia nele tentando provar algo? Mas o que? Luxo? Riqueza? Masculinidade? Ah! Será que...
Balanço a cabeça ignorando o pensamento que se formara em minha mente.
O cerimonialista subiu ao palco. Um Conoariano cuja a pela tem tons de azul e é cheias de escama. Ele usa um traje formal, com couro de Carná e tecidos vermelhos.
— Boa noite, majestades de Carná, senhoras e senhores convidados. É um imenso prazer guiar vocês nesse leilão. Posso garantir que cada dama foi escolhida a dedo da Fazenda-5. Não vou me prolongar nessa introdução, porque sei que não foi meu rosto bonito que os trouxeram essa noite. Com vocês, o primeiro lote com seis demais terráqueas.
Uma salva de palmas soou. Tão educados. Tão...ah, por que eu ainda me presto a esse papel? Ah, é claro. O sangue. Meu pai era o general, meu avô era o general antes dele, e agora eu herdo esse fardo.
Mas ninguém nunca, nunca, me perguntou o que eu queria.
Mas falar assim faz parecer que eu sou um m*****s, o que eu não sou. Eu só queria poder ter uma escolha, uma que fosse minha.
Uma a uma, vestidas com diferentes cores e modelos de vestidos, as terráqueas subiram ao palco. O rosto de duas delas se tornou horrorizado perante a platéia. Não há pessoas com asas e chifres na Terra, não é como se fosse elas fossem achar adorável as línguas bifurcadas e os dentes pontiagudos.
Lágrimas escorrem pelos seus olhos e eu posso sentir o cheiro do medo e do pavor.
Argh.
Eu quero m***r alguém, de preferência o príncipe com o rosto avaliativo a dois metros de distância.
Ele levanta a mão pedindo que pulem para o próximo lote.
E assim se segue, um lote a após o outro. Terráqueas aos prantos, aos gritos, implorando para voltar para casa e é claro, aquelas que tinha um cheiro de vaidade pugente.
Eu só queria que tudo isso terminasse, eu só queria que eles deixassem as pobres fêmeas irem para casa. Mas aí...
— O décimo terceiro lote, senhores e senhoras. Lindas fêmeas, não?
Duas loiras, uma ruiva, três morenas. Para a minha surpresa elas estão calmas. Talvez as outras tenham dado um relatório completo de toda a cena caótica.
Medo, medo, esperança, medo...
Nada.
Vazio.
Me estrito na cadeira em frente a imagem do vazio em minha frente. Cabelos castanhos, olhos amêndoados que mais parecem poços de escuridão e o corpo...
Minha deusa.
O que fizeram com você?
Por que...
Porra!
Cada centímetro do meu corpo grita, implora, para que eu faça algo, para que eu mude. Eu nunca achei que voltaria a ver isso, essa escuridão.
E talvez seja o medo que uma vez eu senti, ou talvez seja só meu lado mais primitivo desejando proteger, porque eu levanto a minha placa e com isso faço a minha escolha.