O Voto mais frio
O espartilho estava tão apertado que Giovanni m*l conseguia respirar fundo. Ela olhou para si mesma no espelho, a renda branca zombando dela. Hoje foi o dia em que ela se tornou uma Van-Doren. Hoje, ela se tornou a Luna para o Alfa mais poderoso dos territórios do Norte.
Ela deveria estar brilhando. Em vez disso, ela estava tremendo.
"Fique quieto, Giovanni. Você está agindo como um filhote em uma armadilha." A voz de Yvette era como água gelada em sua espinha. Sua tia puxou os cadarços com mais força, ignorando o suspiro agudo de Giovanni.
"Eu estou apenas... Estou nervoso, Yvette. Russell não fala comigo há uma semana. Não desde o jantar de noivado."
Yvette recuou, verificando seu reflexo em vez de olhar para sua sobrinha. "Ele é um Alfa. Ele está ocupado administrando um império e uma matilha. Ele não tem tempo para sussurrar coisas doces no seu ouvido. Você tem sorte de ele ter escolhido você."
"Eu sei", sussurrou Giovanni, tentando acreditar. "Eu só quero que ele me ame. Isso é pedir demais?"
Yvette parou, um olhar estranho e sombrio cruzando seu rosto antes de mascará-lo com um sorriso malicioso. "Amor é para filmes, Gio. Neste mundo, nos contentamos com o respeito e a sobrevivência. Agora, coloque seu véu. O Alfa está esperando."
A caminhada pelo corredor parecia um sonho febril. A catedral estava repleta de centenas de lobos, seus olhares pesados e calculistas. No final do longo trecho de mármore estava Russell.
Ele parecia bonito. Seu terno preto foi feito sob medida para seu corpo enorme e letal. Seu cabelo escuro estava penteado para trás, destacando um rosto que era tão bonito quanto aterrorizante. Seus olhos cinzentos estavam fixos nela, mas não eram os olhos de um noivo. Eles eram os olhos de um predador observando um pedaço de carne.
Quando o pai dela a entregou, Russell nem olhou para ele. Ele não ofereceu um sorriso ou um aperto tranquilizador. Ele simplesmente agarrou a mão dela. O aperto dele era tão forte que os ossos dela rangeram.
"Você está tremendo", ele resmungou. Sua voz era um rosnado baixo e vibracional que fez seu lobo interior querer rolar e se submeter.
"Eu só estou feliz", ela mentiu, olhando para ele com olhos arregalados e esperançosos.
O lábio de Russell se curvou em algo que não era exatamente um sorriso. "Feliz. Certo."
A cerimônia foi um borrão de antigos votos de matilha. Quando chegou a hora do vínculo, o ar na igreja ficou denso com o cheiro de pinheiro e sangue.
"Com esta marca, eu reivindico você", disse Russell, sua voz ecoando pelo corredor silencioso.
Ele não esperou pelo consentimento dela. Ele se inclinou, sua mão envolvendo a parte de trás do pescoço dela como um torno. Ele não a beijou. Ele mordeu. Seus caninos perfuraram a pele sensível do ombro dela, marcando-a como dele. Giovanni soltou um grito agudo, os joelhos dela se curvando, mas ele a segurou em pé, sua força esmagadora.
Ele recuou, uma gota do sangue dela manchando seu lábio inferior. Ele parecia satisfeito, mas seus olhos permaneceram tão frios quanto uma sepultura de inverno.
"Meu", ele sussurrou, mas não parecia uma promessa. Parecia uma ameaça.
A recepção foi um pesadelo de sorrisos falsos e poses rígidas. Russell passou todo o tempo amontoado com Rector e Declan, discutindo "projeções de ações" e "limites de embalagem". Ele não trouxe uma bebida para ela. Ele não a pediu para dançar. Ele a tratou como um pedaço de bagagem que ele havia deixado cair na mesa principal.
"Você parece estar esperando por uma execução, não por uma lua de mel", uma voz se arrastou ao lado dela.
Giovanni olhou para cima. Xavier, o irmão mais novo de Russell, estava encostado na mesa, com um copo de licor escuro na mão. Ele era tão bonito quanto Russell, mas seus olhos estavam cheios de uma luz perigosa e zombeteira.
"Ele só está ocupado, Xavier", disse Giovanni, sua voz defensiva.
"Ocupado. Claro." Xavier se inclinou para mais perto, seu cheiro de fumaça e cedro nublando seu julgamento. "Ele está 'ocupado' planejando isso há muito tempo, Gio. Só me diga uma coisa... você realmente acha que pode lidar com ser o animal de estimação favorito do Alfa?"
"Eu sou a esposa dele. Sua Luna."
Xavier riu, um som agudo e latindo. "Foi isso que eles te disseram? Deus, você é ainda mais ingênuo do que parece. É quase uma pena."
"O que isso quer dizer?"
"Xavier."
O nome foi um rosnado que cortou a música. Russell ficou atrás deles, sua aura tão opressiva que as pessoas nas mesas vizinhas realmente recuaram.
Xavier não parecia intimidado. Ele acabou de levantar o copo. "Apenas parabenizando a noiva, irmão. Ela é... requintada. Um verdadeiro prêmio."
"Ela é o meu prêmio", Russell estalou. "Vá encontrar o seu próprio."
Xavier sorriu, seus olhos demorando no pescoço de Giovanni antes de ele ir embora. Russell não olhou para ela. Ele agarrou o braço dela, seus dedos cavando na renda da manga dela.
"Estamos indo embora", ele ordenou.
"Mas a festa não acabou—"
"Eu disse que estamos indo embora, Giovanni."
Ele a arrastou pela multidão, m*l lhe dando tempo de se despedir de alguém. Eles foram levados em um SUV preto, o silêncio dentro do carro ainda mais sufocante do que a igreja.
Quando eles chegaram à sua propriedade privada - uma enorme e extensa fortaleza de vidro e pedra preta - Russell não esperou que o motorista abrisse sua porta. Ele mesmo a puxou para fora.
Ele a levou escada acima e para a suíte master. Ele a jogou para dentro do quarto, as pesadas portas batendo atrás delas.
Giovanni se virou, com o coração acelerado. "Russell, o que há de errado? Por que você está tão bravo?"
Ele começou a desabotoar seu colete, seus movimentos lentos e deliberados. Parecia que ele estava se despindo para uma briga, não para uma noite de núpcias.
"Eu não estou com raiva", disse ele, sua voz terrivelmente calma. "Estou focado."
"Sobre o quê?"
Ele caminhou em direção a ela e, pela primeira vez, Giovanni sentiu seu uivo de lobo em aviso. Ela recuou até que seus calcanhares atingiram a borda da enorme cama.
"Sobre a razão pela qual você está aqui", disse ele. Ele estendeu a mão, sua mão envolvendo a garganta dela—não para sufocá-la, mas para forçá-la a olhar para ele. "Você tem alguma ideia do que você vale para mim, Giovanni?"
"Eu... Eu te amo, Russell. Eu serei a melhor Luna que puder—"
"Eu não preciso de uma Luna", ele interrompeu, seu rosto a centímetros do dela. Seu hálito cheirava a bourbon caro. "Preciso de um herdeiro. Um herdeiro forte e de sangue Alfa para garantir meu legado contra meu irmão e o conselho."
"E teremos um", ela sussurrou, seus olhos se enchendo de lágrimas de alívio. "Teremos uma família."
Russell soltou uma risada sombria e arrepiante. Ele se inclinou, seus lábios roçando os dela, mas não havia calor, apenas gelo.
"Você não entende, não é? Você não é uma rainha, Giovanni. Você é um navio. E hoje à noite, eu vou te encher."
Ele a empurrou de volta para a cama, seu peso a seguindo instantaneamente. Ele prendeu os pulsos dela acima da cabeça dela com uma mão, seus olhos brilhando aquele ouro aterrorizante e predatório.
"Espere", ela ofegou, seu coração martelando contra suas costelas. "Russell, por favor, vamos desacelerar..."
"O relógio já está correndo", ele rosnou, sua mão rasgando a delicada renda de seu vestido de noiva no meio.
Quando a seda se rascou, a porta do quarto se abriu.
Os olhos de Giovanni se arregalaram. De pé na porta estava Yvette, segurando uma bandeja com uma longa agulha prateada e um frasco de líquido transparente.
"O Alfa está pronto para a primeira injeção, Russell", disse Yvette, sua voz desprovida de qualquer emoção.
Giovanni congelou, seu sangue se transformando em chumbo. "Injeção? O que... do que você está falando? Yvette?"
Russell nem olhou para trás para a tia dela. Ele manteve os olhos fixos no rosto aterrorizado de Giovanni, um sorriso c***l finalmente tocando seus lábios.
"É hora de começar o ciclo, Giovanni", sussurrou Russell.