CAPÍTULO 74 ESCORPIÃO NARRANDO O primeiro soco eu nem vi vindo. Só senti o impacto seco estalar no rosto, o gosto metálico do sangue e a raiva subindo quente, queimando por dentro. O segundo veio logo em seguida, forte o bastante pra fazer a visão borrar por um instante. Mas eu não reagi. Não levantei a mão. Deixei ele bater. Porque, no fundo, eu sabia… ele tinha razão. Cada golpe do Júlio parecia carregar tudo o que eu fiz de errado — cada vez que magoei a Bibi, cada lágrima que ela derramou por minha causa. E ele tinha o direito de me cobrar, porrä. Era a irmã dele. A única pessoa que ele confiava no mundo. — Tu fødeu com a vida dela! — ele gritou, me acertando mais um soco. — Era pra tu proteger ela, caralhø! As palavras cortaram mais fundo que o punho. E eu só fiquei ali, f

